segunda-feira, 19 de março de 2012

Manual do Degredo - Capítulo 2.º: A fazer ditados desde... 2008

Quando uma pessoa ingressa na vida universitária, há coisas que espera nunca vais viver. Pensamos que já somos todos crescidos, que nos vamos dar com crescidos e que vamos ser tratados como crescidos. As infantilidades foram deixadas lá longe e só voltaremos a elas quando nascerem os nossos filhos ou os respectivos dos nossos amigos. Porém... Não é nada disso, está tudo errado.

No meu primeiro ano do curso a coisa não era má de todo. As aulas eram eminentemente teóricas e secantes, e a maioria de nós limitava-se a levar os tão afamados e quase milagrosos "apontamentos da Andreia" e sublinhávamos aquilo que os stores diziam, adicionando aqui e ali alguma coisa nova ou alteração. A partir do segundo ano, as aulas tornaram-se bem mais práticas, mas há sempre docentes que dão os mesmos casos todos os anos... E depois veio o terceiro ano e a cadeira de Obrigações. Deuses, que terror. Eu nem punha lá os pés e foi a melhor coisinha que já fiz. Apesar de não termos leccionado metade do programa da cadeira, e de não fazermos grande ideia do que é o enriquecimento sem causa, a responsabilidade civil e a gestão de negócios, as matérias mais importantes que se dão em Direito Civil, praticamente toda a gente fez a unidade curricular sem mexer um palheto e com boa nota.

Mas a coisinha pior que aquilo tinha eram, precisamente, as aulas práticas. Normalmente são estas aulas as que são mais produtivas e a que quase toda a gente vai, porque essencialmente aplicamos aquilo que aprendemos na teoria e é o que sai quase sempre nos testes, já que raras são as provas com perguntas teóricas. De qualquer maneira, o que se passa em Obrigações é o seguinte: a stora chega lá, lê os casos práticos e a sua resolução, e saímos uma hora mais cedo. Este ano temos Comercial com a mesma personagem.

Oh pah, é assim... Degredo. O que é que eu faço agora? (Porque eu até vou às aulas de Comercial...) Levo os apontamentos, não da Andreia, de uma outra mocinha, e limito-me a ler em voz baixinha o que lá está escrito ao mesmo tempo que a stora lê as folhinhas dela, numa espécie de coro que dá vontade a toda a gente que está à minha volta de se esmerdalhar a rir. Para que tenham uma ideia, ela diz todos os anos a mesma coisa, e dita. Sim, leram bem. Dita. Dita os casos práticos para nós passarmos tudo para o caderno. Só que... não é a única. O caso mais flagrante é o do stor de Declarativo e Executivo, que até a parte teórica da matéria dita, só que esse fá-lo a correr, de tal maneira que nos tira o fôlego e a sensibilidade das mãos. Ao menos a Julinha de Obrigações e Comercial repete e volta a repetir, as vezes necessárias para nós conseguirmos entendermos as coisas escrever tudo direitinho.

Depois ainda há que ter em conta a cambada de canalhada que ainda se consegue encontrar nas imediações. E não estou a falar dos nativos das cidades que têm infraestruturas de ensino superior. Estou a falar de uma grande parte de universitários, que parecem saídinhos de jardins-de-infância. Nem todos chegam aqui adultos, mas alguns fazem-se pelo caminho. Outros permanecem umas pitinhas e uns mimadinhos a faculdade inteira, e só dão dores de cabeça aos outros. A universidade devia ser interdita a pessoas com idade mental abaixo dos limites permitidos por lei para se votar. Aliás, algumas pessoas deviam até ser interditas de votar, qualquer que seja a idade que tenham. Mas pront's, um morrem, outros ficam assim... E nem todos são felizes.

Resumindo: voltei à primária e só agora percebi. A bem dizer, estou no 4.º ano, às vezes duvido é do quê.

3 comentários:

  1. concordo tanto... há cada pessoa mais infantil nas faculdades.
    quando andava na universidade, cheguei a chatear-me e a afirmar que me enganaram e que eu estava num jardim de infância, pela camada de fedelhos desmamados que lá andavam...

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  2. Poison - Eu vivo num jardim de infância, com canalha sem respeito. Queres falar sobre isso...? =S

    Corina - Eu ainda tenho aulas assim... =/

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