domingo, 31 de julho de 2016

Always, ou Ten years less ten days

Terminei de ler a saga Harry Potter há dias... e continuo a processar a experiência. Não consigo acreditar que, depois de todos os estes anos... finalmente terminou.

Acho que nunca estive, realmente, preparada. Foram tantos anos, mas foi demasiado rápido. É algo que não consigo explicar. Olhando para trás, não foi só o pequeno Harry, deixado na porta do n.º 4 de Privet Drive que sobreviveu.


Tudo começou, era eu ainda uma miúda, quando me ofereceram o primeiro livro da saga. Por uma palermice qualquer, a história não me prendeu logo no início e, em vez de insistir na leitura, após algumas páginas, decidi pousar o livro na estante. Todos nós já cometemos erros na vida, e para uma rapariga de 10 ou 11 anos, que ainda estava, sozinha, a descobrir as mavarilhas da leitura, é quase desculpável. Mas, passado algum tempo, e graças a um rasgo de sorte, vi num grande ecrã de cinema as imagens que, um dia, se tinham formado na minha imaginação... a partir das primeiras páginas de um livro que eu ousei pousar na estante. Uma gata com manchas nos olhos, que faziam lembrar um par de óculos, um ancião de longas barbas cor de prata que conseguia apagar as luzes dos lampiões e de um rapaz com uma cicatriz em forma de raio.

A partir desse momento, os livros de J.K. Rowling, e a magia que as suas páginas encerravam, e que não provinha apenas da varinhas e sortilégios, não mais me abandonou. E hoje, sinto-me grata por isso. Foi essa magia que me fez sonhar e que me fez procurar a luz nos lugares mais escuros. Foi essa magia que me fez rir e chorar. Foi essa magia que me ensinou a não julgar e a aceitar a todos como iguais. Foi essa magia que me fez perceber a diferença entre o bem e o mal, e que o mundo não está dividido entre pessoas boas e más, porque o bem e o mal vivem ambos dentro de nós. Foi essa magia que me fez conhecer locais e pessoas maravilhosas, ainda que apenas feitos de tinta impressa em papel. Foi essa magia que me fez crescer. E ser feliz.


Pode parecer fantasioso e idílico, mas foi em Hogwarts que encontrei um refúgio para o labirinto para a vida real, quando a realidade era demasiado angustiante. E foi esse mundo que me agarrou às suas páginas. No entanto, descobri muitos anos depois, (mas nunca demasiado tarde), que as suas portas sempre estiveram abertas para mim e que a sua ajuda sempre seria dada àqueles que a pedissem. Ou melhor, àqueles que a merecessem. E como o filho pródigo da parábola, voltei aos portões onde a magia (aquela magia que fizera parte de mim e que, na verdade, nunca me abandonou) acontece. Voltei a ver as cores da minha equipa e às masmorras. Voltei a ver as mais espantosas e maravilhosas criaturas. Voltei a ver as loucuras dos gémeos que tanto adorava e das quais tinha mais saudades do que aquelas que imaginava possíveis. Reencontrei caras conhecidas e queridas, muitas delas ruivas e sardentas dos Weasley, a família que nunca tive e sempre desejei. Do bonacheirão e desastrado Longbottom, que apenas precisava aprender a acreditar em si mesmo. Do pálido Malfoy que desejava, somente, viver para deixar o seu pai orgulhoso, mas que parecia nunca conseguir, aos seus olhos, nunca ser suficiente. Da força da professora de Transfiguração, da quietude de mármore, salpicada de sabedoria (ainda que um pouco tendenciosa) do Director, do silêncio e da verdade do Príncipe das Poções.


Enquanto lia, pela primeira vez, o último volume e as derradeiras páginas desta saga, chorando a queda de alguns heróis, sentia que estava, finalmente, a chegar ao fim de um ciclo que, durante anos, não permiti que se fechasse. Se, por um lado, queria saber como, afinal, tudo acaba, por outro, não queria que aquela história tivesse, alguma vez, fim. Mas o momento tinha chegado. Não sei o que senti, se foram todas as emoções do mundo, ou nenhuma. Senti-me plena. Senti-me vazia. Senti-me eu.

Eu nasci, precisamente, dez anos menos 10 dias depois do Rapaz que Sobreviveu. Mas não me sinto menos Eleita do que ele. Even after all this time?





# isolemnlyswearthatiamuptonogood  # wearethechosenones  # wereallborninlatejuly
# regardlessourage  # regardlessourgender  # regardlessourblodline
# happybirthdatejo  # happybdaymrsjkrowling  # happybirthdateharryjamespotter
# happylateonceagainbdaynevilelongbottom  # letsraiseourwandsonceagain  # always  # prince
# mischiefmanaged

3 comentários:

  1. Eu gostava de ter aquela sensação de ler HP pela primeira vez, outra vez... agora já podes ler as teorias todas de HP, que parece que crescem ao longo dos anos ou de pormenores que antes não nos tinhamos apercebido.

    Beijinhos,
    O meu reino da noite ~ facebook ~ bloglovin'

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  2. Juro, juro, juro que depois venho comentar os teus posts com mais tempo. Mas passei aqui para te dizer que responder aos teus comentários no meu blog e para te deixar isto (para ter a certeza que vês!)
    http://www.ironmaiden666.com.br/2016/07/wacken-2016-show-do-iron-maiden-sera.html

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  3. Eu adoro HP a J.K Rowling esmerou-se mesmo... :)

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Sê bem vindo!! Achaste este post tão maravilhoso como a sua autora? Ou tão alucinado da mona? Sente-te à vontade para deixar o teu contributo. Responderei assim que possível. Obrigada pela visita e volta sempre =)