segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Crónicas dos pipis avitaminados

Como todas as meninas com idade para ter juízo, todos os meses passo por aquela fase dos "dias difíceis". Para ultrapassar tal privação, como qualquer uma das referidas meninas com idade para ter juízo, também já me tive que provisionar para os longos momentos de tempestade: chocolates, uma lista de insultos à Umbridge e... pensos higiénicos.

Isto pode soar estranho aos leitores masculinos aqui do tasco espaço extremamente requintado, mas também aproveitam e ficam já a saber que a variedade de pensos higiénicos que se encontra em mini-super-hiper mercados é astronómica, quase a chegar ao absurdo. É, se virmos bem as coisas, um bom mercado onde investir, porque são produtos que uma generosa quantidade da população usa com regularidade, e da qual está sempre a precisar.

Considerações macro-económicas à parte, um dia destes fui à secção de higiene íntima feminina, para fazer uma pesquisa de mercado. Costumo aproveitar boas promoções nestes produtos (como em qualquer outro que necessite) e, como sei que é coisa que até vou precisar, basicamente, todos os meses durante mais uns... sei lá, trinta anos, trago sempre quantidades massivas quando a coisa se justifica. Depois de uns segundos de rápida olhadela pelas prateleiras, procurei um tipo de pensos específicos que, quando em promoção, são uma verdadeira pechincha. Mas naquele dia não fui, infelizmente, bafejada pelas musas das promoções de produtos de higiene feminina.


Nightwisha Maria: Olha, estes que costumo levar, não estão em promoção.
Moço: Mas tens aqui outros sabores.
*Press pause. Acho que há aqui alguma coisa mal que não está bem.*
Nightwisha Maria: Querias dizer marcas?
Moço *ainda a apontar para pensos de outras marcas*: Sim, era isso.

Ok. Se calhar, não escolhi o melhor dia para adquirir pensos higiénicos. Ou será do ar. Alguém anda a contaminar as condutas dos hiper-mercados e ainda ninguém se apercebeu da coisa. Continuei então na minha divagação pelas prateleiras, na demanda do produto pretendido, mas com um preço simpático. Enquanto pegava numa embalagem e inspeccionada as suas informações, o Moço, claramente a tentar ajudar no estudo de mercado levado a cabo, pergunta, muito inocentemente:

Moço: Qual é o nível de chupação que estás à procura?
*WTF...oi isso que disseste mesmo?!*
Nightwisha Maria: Queres dizer nível de absorção?
Moço: É isso.


Socorro. Os deuses presentearam-me com um Moço que é muito bom rapaz, extremamente competente ali na zona da cozinha, mas com um cardápio de palavras que, apesar de vasto, é desconcertante. Mas pronto acabei por me decidir, numa de experimentar, pela marca branca do hiper em questão. O nível de chupação parece-me bem e aquele sabor até estava em promoção. Para além disso, de acordo com a grande especialista Maria Amêndoa, agora serei a feliz detentora de um pipi avitaminado.

Com isso em mente, enquanto esperávamos pela nossa vez na fila para pagar, decidi explicitar ao Moço, sucintamente, a matéria abordada no artigo extremamente científico, da amendoada sumidade em pipis avitaminhados de conhecida reputação mundial.

Nightwisha Maria: Agora podemos esquecer a possibilidade de termos filhos ruivos.
Moço *com ar pensativo - devia estar a passar a árvore "ginecológica" em revista mental* Talvez...
Nightwisha Maria *muito séria*: Acredita. Agora vou ter um pipi avitaminado *digo, enquanto lhe mostro, mais uma vez, a embalagem de pensos eleita* Não há ferrugem que lhe pegue.


Dito isto, chegou a nossa vez se sermos atendidos. Acho que a senhora da caixa deve ter ficado a pensar que dá-mos os dois nos ácidos, uma vez que, enquanto lhe dávamos a boa tarde, reprimia-mos um ímpeto avassalador de rir às gargalhadas. Não na cara dela, mas parecia.

E, com esta, me voy por uma semana. Não, não vou para Madrid, que apesar da mudança de ares (que é bem precisa), mas também não vou para as Caraíbas. Nem oitcho nem oitchentcha. Ai, que eu até já estou a falar espanhol... não liguem, é um chelique nervoso. Estou a ver que, afinal, não é só o pipi que precisa de ser avitamindado!

domingo, 11 de setembro de 2016

A anatomia de um autocarro

Confesso que não ando muito de transportes públicos, mas quando vou e venho da terrinha, viajo de autocarro, por falta de alternativas, uma vez que não sei conduzir nem tenho carro (isso de ter carta de condução não é condição para se saber, ou não, conduzir...). Mas oh Nightwisha Maria, não sabes onde fica a estação de comboios? Sei, mas desisti. Depois de uns dois anos de greves que eu nunca conseguia perceber quando eram (eram sempre, vá) da CP, decidi mandá-los para o raio que os parta e passei a andar de autocarro. É mais barato (mesmo que tivesse carro, o Orçamento de Estado da Ditadura da Minha Casa não me concederia verba para a gasolina), passa perto de casa e não tenho que fazer transbordos, que ficar quase uma hora em Nine, que não tem nada perto, muitas vezes à noite, era coisa que me punha os nervos em franja.


Por isso, autocarros. Mas as viagens de e para a terrinha são uma autêntica saga. Não tenho expressos. Demoro, de Viana a Braga e vice-versa, quase duas horas, porque o autocarro vai dar a volta pelo bilhar grande, às terrinhas que a maioria das pessoas não sabe que existe, literalmente, por montes e vales e ravinas que não devem ser espreitadas por pessoas com vertigens. Os autocarros não têm internet para me entreter e ler um livro ou até uma sms no telemóvel é coisa para me nausear até à semana seguinte. Por isso, vou o caminho todo a ouvir música. E (infelizmente) a apreciar as pessoas.

Encontrar um sítio para me sentar é uma verdadeira ciência, que até parece merecer um documentário da BBC. Costumo ficar na terceira fila, lugar estratégico, portant's, uma vez que enjoo com uma facilidade quase inexplicável e, depois disso, é tombo para um lado, tombo para o outro. Se me sentar nas primeiras duas filas, a viagem é igualmente arriscada, graças à espécie mais medonha a alguma vez pôs um pé num autocarro: aqueles que morrem se não forem no primeiro banco, ali na peugada do motorista, mesmo que, para isso, se tenham que espremer junto de alguém cheio de sacas (ou malas, no meu caso), ou tenham a lata de nos mandar para outro sítio qualquer, porque aquele lugar tem de ser seu.

Depois de espalhar a minha pessoa e toda a tralha que levo comigo, não consigo deixar de apreciar o espectacular comportamento humano. As pessoas mais velhas, que vão o caminho todo a queixar-se, em altos berros, de que no seu tempo é que era, que os jovens são todos os preguiçosos e coisas que tais. Os trombudos, sempre à coca de um lugar da frente deixado vago por um velhote, o qual atacam como lobos para não o perder para outra pessoa. Aqueles que, mesmo estando o autocarro vazio, se querem sentar, à força toda, ao lado dos dois únicos ocupantes da viatura que viajam sozinhos. Há também aqueles que, onde quer que se sentem, querem meter conversa com qualquer pessoa, nem que seja a senhora que se sentou do outro lado da viatura, só para não ficarem a olhar para o balão.

A viagem em si, pelas horas que passo a ouvir música e a olhar pela janela, sem muitas vezes ver a paisagem porque me encontro distraída nos meus próprios pensamentos, é bastante agradável. São, aliás, óptimas para descansar simplesmente, ou para aproveitar para fazer um exercício de introspecção (é daí que vêm muitas ideias para os posts daqui do WalC). Mas as pessoas irritam-me a alma. Por isso, viajo sempre caladinha, com os meus phones enterrados nas orelhas, a ver se ninguém repara em mim a "estudar" o quão estranhos nós, humanos, conseguimos ser.


Hoje vou andar de autocarro numa dessas viagens. Acendam uma velinha pela minha paciência, fachabori. Ela (a minha paciência) vai precisar.

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Prioridades

Certo dia, precisei de ir a um serviço público entregar uns documentos de um cliente. Dirigi-me então ao balcão central do referido serviço, onde deveria especificar o que desejava e, em consequência, receber uma senha para a secção competente pretendida. Naquele local, não há maquinas onde possamos escolher as senhas que queremos.

Como toda a gente sabe, as repartições públicas são, na falta de melhor palavra, um inferno: há povo que mete medo, os sistemas de ar-condicionado oscilam entre o verão da Sibéria e o inverno de Satã, e os funcionários, na sua maioria, têm mau-feitio. Sabendo que tinha muito que fazer, uma pilha de trabalho à minha espera no escritório e que poderia pedir uma senha prioritária (em função da profissão), foi isso mesmo que fiz quando chegou a minha vez de ser atendida no balcão central.

Nightwisha Maria: Por favor, queria uma senha prioritária para a secção de entrega de documentos.
Funcionária 1: E por que razão quer uma senha prioritária?
*Ora, porque sou parva da cabeça e gosto de pedir coisas*
Nightwisha Maria: Por ser advogada (naquele momento, tive a presença de espírito para omitir o sufixo "estagiária").
Funcionária 1: Posso ver a cédula?
*Passo cá a vida e perguntam-me pela cédula?!*
Nightwisha Maria: Sim, com certeza *procura nos confins da mala* Aqui está.
Funcionária 1: Aqui tem a sua senha.


Primeiro obstáculo ultrapassado. Mal tive tempo para me encostar a um canto qualquer, já a minha senha mágica aparecia no ecrã. Atendi imediatamente ao chamamento, caso alguém, do outro lado do botão, se arrependesse de me atender. Cheguei então ao balcão da secção de entrega de documentos.

*Funcionária 2 levanta-se ligeiramente da cadeira e olha, algures, para as minhas pernas*
*Nightwisha Maria olha, instintivamente, para as pernas, ao mesmo tempo que pensa que se terá sujado a comer*
Funcionária 2: Estava a ver se estava grávida.
*Ah! Afinal não estava suja!*
Nightwisha Maria: Ah?
Funcionária 2: É que, como pediu uma senha prioritária, pensei que estivesse grávida.
Nighwisha Maria: Não. Há outras senhas prioritárias, como as dos advogados que vêm tratar de entregar documentos de clientes. (Mais uma vez, tive a presença de espírito para omitir o sufixo).
Funcionária 2: Mas podia estar grávida na mesma, e não saber...
*Isto não me está a aconteceeeeeeeeeer...!*
Nightwisha Maria: Desculpe lá, mas se estivesse grávida, eu sabia.
Funcionária 2: Mas podia não saber.
Nighwisha Maria: Se estivesse grávida, eu sabia.

Depois disto, quase a pedir de joelhos, a mulher lá se calou com o raio da gravidez desconhecida e assintomática, e se dignou a recebeu-me os papéis. Um sacrifício para o típico funcionário público. Desde que não seja dar à palheta e engravidar pessoas, deus-ma-libre-que-este-trabalho-dá-cabo-de-mim! (Felizmente, nem todos os funcionários públicos são assim... Há uns 39, espalhados por esse país, que são extremamente competentes). E que não entendem a essência das prioridades. Se elas existem (não em todas as repartições públicas, que já vi mandarem uma grávida esperar como os outros, porque ali não havia daquilo), é para serem usadas e há-de haver uma razão para isso.


Se é chato ficar horas numa fila, às vezes, para se levar uma banhada de um funcionário mal-disposto, e que ainda só conseguiu fazer 42 pausas naquele dia? É. Mas se a minha profissão (meia, não esquecer o sufixo) me dá essa benesse (deve ser a única, neste momento), porque estou ali em trabalho e a resolver problemas alheios, não vou perder a tarde toda para entregar uns papéis que apenas exigem da funcionária que me atendeu, registar umas folhas no sistema electrónica e fazer um carimbo. A conversa fiada sobre gestação hipotética era desnecessária.

Cenas tristes e bilhetes do prego, só a mim. (Não sei de ontem esta "frase típica veio, mas ouço-a desde sempre). 

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Cada criatura no seu Covil

Para quem já segue as minhas tolarias há algum tempo, sabe das peripécias (nem sempre boas) de, há cerca de um ano, ter saído da casa onde estava para o novo ninho, o qual foi carinhosamente apelidado de O Covil. Não sei de onde veio essa ideia, mas a verdade é que soou muito bem, e acabou por ficar.

Mas afinal, o que faz um covil?

1. As portas, incluindo as do frigorífico, fazem barulhos próprios de filme de terror.
2. Tem mais zubats dentro para apanhar que uma gruta.
3. Pó, muito pó. Ao ponto de se ter que varrer o chão umas três vezes por dia. No mínimo.
4. Tem habitantes "de outras paragens", como a Entidade, que faz desaparecer coisa e depois coloca-as em sítios que não lembra a vivalma.
5. Tacos soltos e sapatilhas alheias por todo o lado, que tornarão os seus habitantes nos próximos atletas olímpicos da nova modalidade que combina o salto do obstáculo e a ginástica acrobática.
6. A Grande Desorganização. (Quem encontrar as sabrinas ganha um prémio).

Agora... e vocês? Será que também têm o vosso próprio covil? Não sabem? Ora, aproveitem esta lista de sinais cientificamente reconhecidos para avaliar a vossa humilde casota e saber se vivem, igualmente, num verdadeiros antro covilístico.

Mas notem: não são os zubats que, realmente, fazem o vosso Covil. É algo mais do que isso. São as pequenas coisas e quem está lá à vossa espera, quer seja o gato imaginário (também existe um =P ) ou uma pessoa especial. Afinal, é como naquele ditado do "cada macaco no seu galho", mas com muito mais estilo =)

sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Random like me #4

A Silly Season está aí e não há melhor época do ano para vos bombardear com alguns pormenores super interessantes sobre a minha pessoa altamente fantabolástica. Desta vez, e só mesmo para contrariar a White Raven, que diz que eu só vos confesso coisas fofas sobre moi, desta vez vou presentear-vos com factos totalmente aleatório que não sejam assim tão fofinhos.

Pode ser que consiga =P

1. Quando vou à "casinha" deixo sempre a porta aberta.
Não interessa o que vá lá fazer, mas simplesmente não gosto de fechar a porta da casa-de-banho. Não é claustrofobia (se bem que já me servi de wc's minúsculos, em que podia lavar as mãos sentada "no trono"), mas pronto, coisas da vida. Não que o Moço ache muita piada, mas toda a gente tem manias =P

2. Sou decididamente, extremamente, borbulhantemente preguiçosa.
Ouvi dizer algures por aí que, de acordo com um estudo qualquer, a preguicite é um sinal de inteligência. Se a coisa foi verdadeira, então eu devo ser o próximo Einstein e ainda ninguém deu por isso. Não é que eu faça de propósito, porque não faço, mas tem alturas que mexer um dedo que seja é demasiado penoso. Sabe-me tão bem estar alapada na cama ou no sofá, que nem vos passa pela cabeça. Até agora pensava que era um problema, mas parece que é só a muita super inteligência a pesar xD

3. Mas se dormir uma sesta...
...fico insuportável. Não sei se isto acontece a outras pessoas, mas a verdade é que se dormir um pouquinho durante a tarde, acordo uma pequena Nightizillla extremamente rabugenta.
Explicações para este fenómeno endiabrado procuram-se.

4. Não gosto dos Transformers.
Os mega nerds que me desculpem, mas eu nunca gostei dos Transformers. Já desde o tempo dos desenhos animados que davam na RTP1, eu não achava piada nenhuma à coisa. Gostava das Tartarugas Ninja, adorava os Motorratos de Marte, delirava com os X-Men (esses davam na SIC), mas os Transformers era coisa que a mim não me assistia. E continua a não assistir =P

5. Sou bastante resmungona.
Mesmo quando não durmo a sesta.
Quem costuma sofrer com esta minha resmunguice crónica é o Moço. Eu já tentei controlar os nervos, e tenho conseguido algumas melhorias mas, para mim, é muito fácil perder a cabeça. (Especialmente quando alguém se empenha nessa tarefa).
Para aqueles que padecem deste mal, tal como aqui a je, recomendo chá de limonete, um achado encontrado pelo Moço, e cujo poder calmante já foi testado. Até pode ter sido efeito placebo, mas vamos acreditar que aquilo funcemina na perfeição. Dá mais jeito que assim seja =P

E por hoje, sobre moi je eu, é tudo.

Nos próximos dias serão brindados com as peripécias que ocorreram durante a última Viagem Medieval em terras de Santa Maria. Estou só à espera que o pessoal da organização (e os transeuntes) publiquem algumas fotos... Espero que apareçam registos fotográfico de um determinado acontecimento bastante engraçado. E se for o caso, preparem os lenços, porque poderão ter que limpar as lágrimas de tanto rir =P

sexta-feira, 5 de agosto de 2016

Erudices à hora do chá #4

Ando numa de tentar comer de forma mais saudável e de experimentar coisas novas. Por isso, tenho investigado mais ou menos afincadamente receitas com mais vegetais e com sabores/texturas diferentes.

Tenho, "portantos", investido em pratos com legumes salteados, com inspirações asiáticas e em saladas variadas mas ainda assim nutritivas, especialmente escolhidas para esta época de calor infernal. Também tenho bebido mais água e chás. Nem por nada levanto o rabo preguiçoso do sofá (não, não jogo Pokemón Go. Nada contra o jogo, mas sou demasiado Bunny Tsukino para isso =P ), mas já é um começo. Palminhas para mim, que estou a tentar, com muita força, ser uma pessoa mais saudável, sem me privar de comer o que gosto. Estou apenas a tentar ter mais juízinho =)


Em certa e determinada ocasião, em que eu e o Moço estávamos a escolher legumes para saltear com noodles, surgiu assim, como por um passe de mágica, esta maravilhosa pérola:

Moço: Podemos pôr cogumelos, courgette, feijão verde e couves de bruxelas.
Nightwisha Maria: *torce o nariz quando ouve falar em couves de bruxelas*
Moço: Não gostas muito disso, pois não?
Nightwisha Maria: Não.
Moço: Mas tens comido.
Nightwisha Maria: Mas só como porque tu gostas. Sabem mal. Sabem a meias velhas do tio Vernon.

A sério. As couves de bruxelas sabem mal. Pior, só o pimento, já dizia o Shin Chan. Não sei quem é a alma que consegue comer aquilo. Só uma Nightwisha Maria muito gostadeira do seu Moço é que conseguiria passar por tal provação. Devia receber pontos só por isso... oh lá se devia!

domingo, 31 de julho de 2016

Always, ou Ten years less ten days

Terminei de ler a saga Harry Potter há dias... e continuo a processar a experiência. Não consigo acreditar que, depois de todos os estes anos... finalmente terminou.

Acho que nunca estive, realmente, preparada. Foram tantos anos, mas foi demasiado rápido. É algo que não consigo explicar. Olhando para trás, não foi só o pequeno Harry, deixado na porta do n.º 4 de Privet Drive que sobreviveu.


Tudo começou, era eu ainda uma miúda, quando me ofereceram o primeiro livro da saga. Por uma palermice qualquer, a história não me prendeu logo no início e, em vez de insistir na leitura, após algumas páginas, decidi pousar o livro na estante. Todos nós já cometemos erros na vida, e para uma rapariga de 11 anos, que ainda estava, sozinha, a descobrir as maravilhas da leitura, é quase desculpável. Mas, passado algum tempo, e graças a um rasgo de sorte, vi num grande ecrã de cinema as imagens que, um dia, se tinham formado na minha imaginação... a partir das primeiras páginas de um livro que eu ousei pousar na estante. Uma gata com manchas nos olhos, que faziam lembrar um par de óculos, um ancião de longas barbas cor de prata que conseguia apagar as luzes dos lampiões e de um rapaz com uma cicatriz em forma de raio.

A partir desse momento, os livros de J.K. Rowling, e a magia que as suas páginas encerravam, e que não provinha apenas da varinhas e sortilégios, não mais me abandonou. E hoje, sinto-me grata por isso. Foi essa magia que me fez sonhar e que me fez procurar a luz nos lugares mais escuros. Foi essa magia que me fez rir e chorar. Foi essa magia que me ensinou a não julgar e a aceitar a todos como iguais. Foi essa magia que me fez perceber a diferença entre o bem e o mal, e que o mundo não está dividido entre pessoas boas e más, porque o bem e o mal vivem ambos dentro de nós. Foi essa magia que me fez conhecer locais e pessoas maravilhosas, ainda que apenas feitos de tinta impressa em papel. Foi essa magia que me fez crescer. E ser feliz.


Pode parecer fantasioso e idílico, mas foi em Hogwarts que encontrei um refúgio para o labirinto para a vida real, quando a realidade era demasiado angustiante. E foi esse mundo que me agarrou às suas páginas. No entanto, descobri muitos anos depois, (mas nunca demasiado tarde), que as suas portas sempre estiveram abertas para mim e que a sua ajuda sempre seria dada àqueles que a pedissem. Ou melhor, àqueles que a merecessem. E como o filho pródigo da parábola, voltei aos portões onde a magia (aquela magia que fizera parte de mim e que, na verdade, nunca me abandonou) acontece. Voltei a ver as cores da minha equipa e as masmorras. Voltei a ver as mais espantosas e maravilhosas criaturas. Voltei a ver as loucuras dos gémeos que tanto adorava e das quais tinha mais saudades do que aquelas que imaginava possíveis. Reencontrei caras conhecidas e queridas, muitas delas ruivas e sardentas dos Weasley, a família que nunca tive e sempre desejei. Do bonacheirão e desastrado Longbottom, que apenas precisava aprender a acreditar em si mesmo. Do pálido Malfoy que desejava, somente, viver para deixar o seu pai orgulhoso, mas que parecia nunca conseguir pois, aos seus olhos, nunca era suficiente. Da força da professora de Transfiguração, da quietude de mármore, salpicada de sabedoria (ainda que um pouco tendenciosa) do Director, do silêncio e da verdade do Príncipe das Poções.


Enquanto lia, pela primeira vez, o último volume e as derradeiras páginas desta saga, chorando a queda de alguns heróis, sentia que estava, finalmente, a chegar ao fim de um ciclo que, durante anos, não permiti que se fechasse. Se, por um lado, queria saber como, afinal, tudo acaba, por outro, não queria que aquela história tivesse, alguma vez, fim. Mas o momento tinha chegado. Não sei o que senti, se foram todas as emoções do mundo, ou nenhuma. Senti-me plena. Senti-me vazia. Senti-me eu.

Eu nasci, precisamente, dez anos menos 10 dias depois do Rapaz que Sobreviveu. Mas não me sinto menos Eleita do que ele. Even after all this time?





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