terça-feira, 21 de junho de 2016

Cenas da vida mirabolante

De acordo com os episódios espectaculosos com que vos presenteio com abundante regularidade, já devem ter percebido que sou uma pessoa a quem acontecem as coisas mais estapafúrdias alguma vez imaginadas. Tipo aquela criatura que está sempre lá, algures, no meio de uma multidão de povo, a levar com uns pixies da Cornualha.


Se houver algum (ou vários) tacos soltos no soalho de madeira, podem ter a certeza que sou eu quem vai tropeçar nos que estão soltos. Todos os tacos soltos. Sempre que lá passar. Todas as 8352 vezes. Sem qualquer dúvida. Estilo déjà vu da loja dos trezentos.

No dia em que o atrasado mental do motorista da TUB se lembrar de ir na faixa rodoviária central, a olhar para a morte da bezerra, mas nunca para a próxima paragem de autocarros, sou eu quem vai lá estar, a esbracejar feita doida... e não apanhar autocarro nenhum.

Se a maquinaria do escritório decidir, como por artes de belzebu, tirar férias sem vencimento e chegar ao cúmulo de não ligar (ecrãs azuis não contam...), sou eu quem vai estar a ligar e desligar fios, a fazer 13492 resets e a empoleirar-me em cima da secretária em posição de corvo (ou outra de yoga extremamente difícil) para ver se se dá um ritual qualquer desconhecido e aquelas geringonças decidam voltar à vida.

No exacto momento em que o elevador não estiver virado para a grotesca função de funcionar, sou eu quem vai ter que se descalçar para conseguir subir quatro andares de escadas, com meia tonelada de lancheira, processos e tamancos na mão.


Como podem ver, tenho muitos atributos e uma vida plenamente preenchida. Estas foram as peripécias de hoje... e o dia ainda não acabou. Devo ser parente do Neville Longbottom e ainda ninguém descobriu. Mas os amiguinhos do Voldy apagaram os registos dos muggleborns nascidos entre 1985 e 1998, por isso, não me admirava nada. Já agora, já que tenho os genes da desastrice, também me dava jeito ter os da jeitosice que se revelam depois da adolescência. Esses ainda não se manifestaram.

Entretanto, enquanto a minha carta de Hogwarts não chega, podem sempre contactar-me quando precisem de alguém que descubra os vossos tacos descolados. Não é que eu não esteja habituada. E os trocos davam-me jeito.

quinta-feira, 16 de junho de 2016

Covil's Cup

Eu cá sou uma preguiçosa que mete medo, qual Bunny Tsukino digna desse nome. Sobretudo quando, assim como por magia, numa frase aparece a expressão "tarefa doméstica". Por isso, surgiu-me uma ideia brilhante, daquelas que são como os cometas e passam por nós de 937 em 937 anos e que, diga-se desde já, nada tem a ver com a minha ressente re-incursão pelos aclamados livros de J.K. Rowling sobre o Rapaz de Sobreviveu.

O Covil vai ter a Taça das Casas.


Ora, eu sou uma Slytherin com muito orgulho e o Moço é um Gryffindor à Weasley (não, não é ruivo, mas gosta bastante de comer). Não haverá ninguém para representar os Ravenclaw e os Hufflepuff, mas servirá. A ideia é todos os meses (e não todos os anos, porque seria mesmo muuuuuito tempo para a coisa) fazermos uma competição tendencialmente saudável para ver quem faz mais tarefas de todo o género, especialmente aquelas que menos gostamos e aprendermos a ser um poquinho melhores, como tentar ser menos rabugenta (eu) ou aprender, de uma vez por todas, a desligar o estupor da luz da casa de banho (ele).

Compramos uma taça na Tiger, que ainda será decorada. No final de cada mês, somados (e subtraídos!) os pontos atribuídos a cada Casa, será atribuída ao seu justo vencedor. Este mês, o primeiro em que a competição será disputada, os Slytherin vão orgulhosamente à frente, mas ainda é cedo para cantar vitória! Poderão acompanhar o torneio aqui.

E como a única coisa que tenho de Harry Potter, para além dos livros, do vira-tempo e do pijama com o padrão do Marauder's Map, são um pack de 4 meias, cada uma com um dos brasões das equipas de Hogwarts, poderá acontecer haver uma peúga que não do Tio Vernon pendurada com o símbolo da casa vencedora. Parece-me bem.

domingo, 12 de junho de 2016

Pêcê-jaquim

Tem dias que tenho problemas mentais. Quer dizer, tem dias que tenho mais problemas mentais que outros. Um deles é apanhar o pc do Moço desprevenido e fazer-lhe pc-jacking (ou pêcê-jaquim, para os amigos).

Ninguém o manda ter lá jogos instalados que não estão no meu.

A verdade é que tudo começou de uma forma bastante inocente, quando aqui a je foi ao aparelhómetro procurar a lista que compras personalizada do Covil. Eis senão quando... vi o icon de Dont' Starve*, ali, a olhar para mim, tão fófinho. Não resisti. Joguei. E joguei. E joguei... até ele chegar a casa e perguntar:
- Que estás a fazer com o meu computador?
- Estou a jogar, já desbloqueei a maior parte das personagens e consegui encontrar mandrágoras.


Isto aconteceu várias vezes e, para ser sincera, quero lá saber da lista de compras. O Moço não parece gostar muito... (mas só porque ele também quer jogar =P ). Não é ele que está sempre a dizer que devia experimentar um joguito de vez em quando, para me distrair e divertir um pouco? Isto só mostra que estou atenta ao que ele diz e até sigo os seus conselhos ^^

E por falar nisso... o Isaac* está preso na cave a chamar por miiiiiiimm!



* Prometo que, num futuro "aproximadamente próximo", venho aqui falar-vos de Don't Starve e de The Binding of Isaac. São dois jogos muito bons e que podem ser jogados no computador. Se ficarem viciados, a culpa não é minha.

quarta-feira, 1 de junho de 2016

Never grow up

Hoje é o dia mundial da criança e, se a minha sanidade mental o permitir, será também o meu dia por muitos e bons anos. De preferência, para sempre. Manter a nossa criança viva é uma proeza notável, especialmente numa época em que o mundo parece estar cada vez mais doido a cada dia que passa e onde os "mais crescidos" exigem cada vez mais dos seus semelhantes em miniatura.

Não tive muito tempo para festejar. Tal como muitas crianças pequenas ou crescidas, passei o dia a trabalhar. Mas permiti-me, assim que cheguei a casa e mandei os sapatos pelo ar, literalmente, estrear o pijama de Harry Potter que o Moço me deu no natal e que, dado ao frio glacial que tem estado desde então, se mantinha muito arrumadinho no armário.

Não vos vou presentear com fotos da minha ilustre pessoa de quando tinha menos de 1,53m (porque fotos de "quando era pequena" são, basicamente, todas =P ). Seria demasiado vergonhoso e não quero causar taquicardias a ninguém. Mesmo que quisesse, e por incrível que pareça, não tenho nenhuma. Tenho muitas memórias, mas nada de fotos. Posso, no entanto, dizer-vos, que eu sei que irão acreditar em mim, pessoa idónea, que ainda sei como era. É-me estranho perceber que a maioria dos adultos já não se lembram do que era ser criança. Ou não lhes dá muito jeito. Tal como nessa altura, continuo a acreditar em fadas. Em que mais poderia eu acreditar?

Ser criança é beber um leite quente com chocolate. É ver desenhos animados e saber todas as músicas de cor. É dizer as falas do nosso filme da Disney favorito em português do Brasil, do tempo em que os VHS's eram dublados nesse país. É achar que a Dona Chica é que deveria ter levado com o pau, do pobre gato que não lhe fez mal nenhum. É poder-se ser astronauta, bailarina, futebolista, médica, e tudo isso ao mesmo tempo. É viver as mais fantásticas aventuras com um urso de peluche, uma Barbie, um Action Man e um dragão. É sonhar. E nunca crescer.

sexta-feira, 27 de maio de 2016

Dragon Hunters

Depois de algum tempo de ausência, e de ter sobrevivido ao pior exame escrito da minha vida... estou de volta. É quase caso para dizer que regressei dos mortos.

As últimas semanas antes do derradeiro momento de auto-flagelação, comummente conhecido como exame de agregação da ordem dos advogados, foram intensas. Por isso, afastei-me de praticamente tudo o que me pudesse distrair, inclusivamente da leitura. Tornei-me perita na grelha de programação da RTP2 no que concerne a desenhos animados*, que me faziam companhia enquanto desesperava no meio dos calhamaços e da papelada. Também andei insuportável.

A passada sexta-feira foi dia de enfrentar o dito "pelos cornos", rumo ao Porto, onde fiz o meu exame, juntamente com o Moço (que esteve durante horas, estoicamente, à minha espera) e um trolley cheio de códigos até abarrotar. A demanda avizinhava-se difícil. Primeiro, porque era o dia em que as provas do Rally de Portugal iam tomar lugar naquela cidade. Alegadamente, uma grande parte das ruas do centro do Porto estaria cortada ou congestionada e, se os senhores estagiários quisessem fazer o exame, teriam de se desenrascar.

Depois, acordar às 05:15 horas para fazer um exame que iria abarcar parte da manhã e da tarde, com a duração total de cinco horas e meia e incidiria sobre cinco temas/ramos do direito, é coisa para nos deixar mais que desvairados. Já no Porto, e pouco depois de sair do metro... esconchavei uma roda do trolley. Fui a pé até ao locar do exame, constatando, surpresa, que o trânsito circulava sem qualquer reparo. Afinal, apenas os Aliados e pouco mais estavam cortados, tinham colocado passagens para os peões e não havia estações de metro fechadas. Aí, o ânimo era geral: parecia que estávamos todos prestes a ir para o cadafalso. Não saímos melhor. O exame que se nos apresentou foi, sem qualquer dúvida, um dos mais longos e difíceis de sempre. Mas há que ter confiança. É nestes momentos que temos que pensar que nem tudo é justo. Custa, custa mesmo muito, mas se é para ser, que seja para vencer.

Aproveitei as horas que se seguiram, assim que me vi "uma mulher livre", a conceder-me o direito de não pensar mais no assunto. Comprei um livro num dos muitos alfarrabistas da zona. Fomos passear com um casal amigo para a Foz e acabamos por jantar com eles comida asiática. Nos dias que se seguiram, decidi tirar umas férias de mim mesma. Acho que, agora, estou finalmente pronta para voltar a ser eu. Falta-me, apenas, consegui repor as horas de sono perdidas ^^


* Dragon Hunters (Chasseurs de Dragons no original) é uma animação francesa que é transmitida pela RTP2, duarnte a tarde. Foi com bastante admiração que constatei que a música de abertura, com o mesmo nome, é dos ingleses The Cure. Por todas as razões possíveis e imaginárias é, sem dúvida, uma música adequada à ocasião.

quinta-feira, 28 de abril de 2016

Aceitam-se recomendações de bons restaurantes na Rússia

Sinto-me a resvalar para o desespero. Mais ou menos figurativamente. É a pressão do exame que se aproxima a passos largos, as responsabilidades no escritório (uma vez que desaparecer da face da Terra durante umas semanas não é opção, pois atirar para os ombros de outros as minhas responsabilidades é falta de respeito e de carácter e, disso, felizmente não sofro) e todos os típicos problemas e pressões pessoais das quais não me livram livro.

Essencialmente, preciso de férias. À noite, antes de dormir, ainda tento ler uns capítulos, mas nem sempre consigo. Vou-me distraindo, para não dar gripar o motor, como posso. Isso faz-me lembrar que da última vez que tive de férias, nas duas últimas semanas de Agosto (acreditem em mim quando vos digo que o natal não contou).

No início de Setembro, já de volta às andanças do escritório, recebi uma colega que costuma ter processos connosco. Enquanto fazia um pouco de sala (noblesse oblige...), e se faziam e respondiam às perguntas da praxe, essa colega confessou que, durante as férias judiciais tentou ir à Rússia, mas não conseguiu porque não havia vagas em lado nenhum. Por fim, acabou por passar uns dias numa casa de férias, no Norte. E, como mandam as convenções sociais, questionou-me onde tinha passado as minhas férias.



Instalou-se, por momentos, um silêncio estranho. Tenho a leve sensação que a colega achou que estava no gozo com ela... Mas nunca saberemos. Depois passou-se ao tópico seguinte, igualmente desinteressante, até chegar outro colega e me substituir nessa nobre arte de encher chouriços de forma erudita, a qual eu, claramente, não domino. Competir com a Rússia, com três dias de acampamento numa aldeia perdida no mapa, só para os fortes... ou para os doidos que não têm vergonha na cara.

sábado, 16 de abril de 2016

Sabes que a tua vida está no declínio quando...

1. Vais no autocarro e arregalas as orelhas quando ouves falar que houve confusão no cemitério. Pessoalmente, quero lá saber, mas pode ser uma boa oportunidade de arranjar novos clientes.
2. Vês a publicidade de um novo programa de culinária chamado "Massa Fresca" e achas que até escolheram um bom nome. É interessante e fica no ouvido. Depois dizem-te que, afinal, é o nome de uma novela.
3. Ouves rádio e passam uma música do Shaw Mendes, logo seguida de outra do Justin Bieber. Duas vezes, em dias diferentes. Pior que isso, só o facto de conseguires reconhecer as músicas.
4. De manhã bem cedinho, e ainda com os olhos semi-fechados como um gatinho recém-nascido, encontras duas meias que fazem par.
5. O ponto alto do teu dia é imaginares que estás a cuspir na cara da Umbridge. (Estou a reler a Ordem de Fénix pois claro ^^).
6. Não sabes o que é dormir uma noite seguida, sem acordares a meio da noite a pensar em reclamações de crédito, pensões de alimentos e medidas de coação. Não necessariamente por esta ordem.
7. Vais a uma loja comprar um baton... e sais de lá com cuecas do Winnie the Pooh.

Sabes que a tua vida está no declínio quando este é o resumo daquilo que se tem passado, com mais relevância, nos últimos dias. Nunca pior. As cuecas do Winnie the Pooh são bem "fitxes"... e a Umbridge estava mesmo a pedi-las!