domingo, 20 de março de 2016

Blossom

Pois é... tenho andado assim um pouco para o desaparecida. Vocês já sabem como é: há alturas que me dá assim uma tontice de hibernação e passo uns tempos sem aparecer. Mas depois volto, claro! =)


E pareceu-me bem voltar precisamente hoje, no equinócio de primavera, que marca o início de uma nova estação. Na onda da mudança. Agora, os dias começam a ficar "maiores" outra vez, já não está aquele frio glacial que fazia congelar os neurónios dentro da moleirinha, as árvores começam a florir e eu volto à minha saga de espirrar e me coçar que nem uma doida à conta das alergias, toda a gente começa a "córtir" o bom tempo e eu tenho que ficar cá dentro a estudar para o exame de agregação que finalmente a Ordem decidiu marcar. Olho para o dia 20 de Maio, ali escarrapachado no calendário, com o sentimento de me estar a dirigir para o cadafalso.

Por cá não se passou nada de especial entretanto... quer dizer, tenho algumas novidades e trenguices (claro!) para contar =P Vou adiantar-vos uma: o Covil já tem microondas!! Agora já não preciso de aquecer o leite no fogão e esbardalhar o conteúdo todo porque o deixei ferver enquanto me maquilho/ preparo o(s) lanche(s) do dia/ procuro os sapatos/ tento encontrar a tralha toda que deveria estar na minha carteira... e não está. Nightwisha Maria, a viver no fio da navalha desde 1990.

De resto, inventei coisas boas para se enfardar, comprei livros (muuuuitos livros!) e fiquei outra vez sem espaço na estante para eles, já comecei a espirrar... e senti saudades de todos vocês. É provável que não venha aqui ao tasco com tanta frequência como antes do último hiato, mas pretendo não passar tanto tempo sem vos escrever, até como forma de me distrair um pouco nos intervalos no estudo. E por falar nisso, os calhamaços estão a chamar por mim outra vez. Até logo! ^^

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Rebell Yell

No dia-a-dia, sou uma moçoila bastante calma e atinadinha. Mas tem alturas que uma pessoa, como diz o ditado, não é de ferro, e tem que soltar toda a rebeldia que vem acumulando. E apagar a luz da casa-de-banho também. E é com dois "L", que é para ser ainda mais "rebellde" xD

Quando alguém vem ao Covil, repara logo em duas coisas: há muitos livros e muitos chás. É verdade, sou uma chalada, mas o Moço é ainda pior e foi ele que me passou o hábito. Nos últimos tempos, sempre que encontrámos promoções de chás da Lipton (que, para mim, são os melhores do mercado, tendo em conta as marcas mais acessíveis. Aparentemente, Twinings é muito bom, mas não dá muito jeito deixar um rim no hipermercado à conta disso), é aproveitar. Um dos "quadradinhos" da estante é armazém de chás aqui do Covil, que conta com diversos sabores, que nem me vou dar ao trabalho de contar, mas dos quais destaco um dos meus favoritos, as pirâmides de infusão Andalusia Fresh, com aroma de citrinos e especiarias.

No fim-de-semana, enquanto tratava de algum "trabalho de casa", a.k.a., trabalho que trouxe do escritório para casa, apeteceu-me beber um chá. O tempo está frio, cinzento e extremamente ranhoso, que é quando uma bebida quentinha sabe melhor. Andei a escarafunchar pelas caixinhas e decidi-me por um chá novo, do qual me tinham dado um saquinho para experimentar. Há pessoas que trocam cromos e moedas, eu troco saquinhos de chá. Mirtilo e maçã, pareceu-me bem. O problema é que, supostamente, era para fazer cold tea com ele, mas como eu sou extremamente rebelde, fi-lo quente na mesma.

O chá era bom... mas realmente sabe melhor frio. Como está um verão típico da Sibéria, não demorou muito tempo e o meu chá super quentinho ficou gelado. Olhei para a caneca e, como sou extremamente rebelde, não me apeteceu voltar a aquecer o chá, como já cheguei a fazer, por diversas vezes, na mesma tarde. Com o mesmo chá. Ele ficava frio e eu voltava a aquecê-lo. I'm a real rebel.



Para quem quizer, aqui fica o link da música Rebel Yell, do álbum com o mesmo nome, do maluco do Billy Idol - moço do punk rock inglês, que ainda anda para aí a bombar, apesar de já ter idade para ter juízo. Ele também é rebelde, como podem ver =P

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Para(a)normal =P


O Covil deve ser um ponto de confluência de actividade paranormal. Assim como Sunnydale estava mesmo em cima da Boca do Inferno (referência que só os fortes entenderão... ou os que viram Buffy, the Vampire Slayer), começo a pensar que também tenho o meu rabote sentado, salvo seja, mesmo em cheio num qualquer portal que esbardalha por aí fora energias estranhas, que levam pessoas a fazer coisas estranhas. Claro que também podemos estar todos tolinhos por estes lados, mas vamos acreditar que a primeira opção é que é válida, valha-nos a sanidade mental.

Quando alguma coisa estranha acontece, culpa-se a Entidade e não se fala mais nisso. Por exemplo, quando um tupperware aparece na última prateleira do armário da cozinha, onde ninguém consegue chegar, a não ser o Chewbacca. E as coisas que passam a vida a cair-me das mãos?! Parece que está ali mesmo uma assombração qualquer amandar-me os talheres/ os bollycaos/ o pão/ o telemóvel/ as canetas/ a minha paciência ao chão para me ver lançar faíscas pelas lunetas e fumarada pelas orelhas. É como um jogo de Cluedo, ao fim de umas voltas, vê-se logo quem é o culpado (ou a culpada...).

Mas as costas da Entidade, que devem ser bem largas por sinal, também não podem levar com tudo. As energias extraviadas também afectam as pessoas. Se há coisas que me deixam louca da pinha, são armários abertos e gavetas por fechar. O meu Moço é perito em ambas. De bónus, dá-me o prazer (not) de andar atrás dele, pela casa, a desligar as luzes que ele deixa ligadas. 

Estão a ver a minha sina, não estão? Se podia ter uma vida normal e tranquila? Poder podia... mas não era a mesma coisa. Pois. Só não me sai na rifa um Kokuri-san que me deixe a casa a brilhar de tão limpa e me cozinhe três refeições por dia com cinquenta ingredientes cada.




As imagens são de um anime que vi há pouco tempo e que se chama Gugure! Kokuri-san. É uma história light, mas com muita comédia (e um pouco de drama à mistura, claro). Óptimo para relaxar um pouco e dar muitas gargalhadas. E, ocasionalmente, parar para pensar também. Se quiserem saber mais e dar uma espreitadela ao primeiro episódio (ou aos doze que compõem este anime), fica aqui o link ^^

sábado, 30 de janeiro de 2016

Not enough shelves ^^

Hoje fiz a minha primeira compra de livros do ano. Sim, venho outra vez falar disso... É uma patologia, não há cá dúvidas =P Como sabem, costumo ir à feirinha de antiguidades de Braga sempre que estou por cá. Aproveitámos o passeio matinal e fomos até ao centro para farejar novas aquisições. Ao início estava com poucas expectativas, mas finalmente chegámos à enorme banca com livrinhos a um euro. Eu trouxe três para mim (uma edição de capa rija de A Escrava Isaura de Bernardo Guimarães, A Máquina do Tempo de H.G. Wells e A 25.ª Hora de C. Virgil Gheorghiu) e o Moço trouxe dois para ele (uma gramática de inglês e ainda Parque Jurássico de Michael Crichton).

E isso levou-me a pensar que, graças a estas feirinhas de usados, comprei imensos livros e aumentei consideravelmente a minha biblioteca, especialmente no ano passado. Comprei também alguns novos, directamente nas livrarias, mas foram casos de promoções que valiam mesmo a pena. A estante que tenho neste momento já nem chega para os livros que tenho... parecia tão espaçosa e vazia. E agora está apinhada ^^ Pus-me a fazer contas ao espaço... e à carteira. 2015 foi o ano em que comprei mais livros e gastei mais dinheiro com esta paixão. Aqui fica a lista:

Acho que não me esqueci de nenhum. Estes foram apenas aqueles que comprei para mim. Faltam alguns que comprei para o Moço, que não vão entrar nas contas, apesar de também querer ler alguns desses =P Também não então aqui os que me foram oferecidos (cerca de doze), mesmo aqueles que comprei para serem prendas da minha mãe para mim e dos quais fui posteriormente ressarcida. *Nightwisha Maria faz as contas* Bem...

No total, gastei € 123,17 em 32 livros para mim. Isso dá uma média de € 3.85 por livro. Sem dúvida, um óptimo negócio. Os livros mais caros foram, sem dúvida, aqueles que foram comprados nas livrarias. Ainda assim, adquiri alguns novinhos em folha naquelas bancas/feiras que "despacham" o material que não teve muita saída (ou mesmo nos grandes livreiros, como foi o caso dos do Christopher Moore). Não deixa de ser uma quantia "jeitosa", mas a verdade é que este valor daria apenas para uns seis ou sete livros numa livraria convencional, considerando os preços médios praticados da venda ao público. Para além de que alguns dos livros/edições que adquiri em revenda de usados/alfarrabistas já nem se encontram à venda ou são mesmo muito difíceis de encontrar.

Contas feitas, sinto-me feliz. Agora tenho é de comprar uma estante nova =P

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Books Addiction

Esta é uma história para quem gosta de livros.


Há uns tempos atrás, numa das feiras de usados aqui em Braga, passei por uma banca que vende livros. Vi uma obra que me interessava, comprei e demorei-me uns minutinhos a falar com os moços da banca. Mais tarde voltei a contactá-los e consegui, ao fins de uns meses, comprar um livro pelo qual ansiei durante anos. Mas deixemo-nos de sinopses e passemos à história propriamente dita, que tem, como poderão ver, um final feliz.

A Books Addiction é, para além de livraria/alfarrabista, uma comunidade, algo que faz todo o sentido para os leitores, tanto mais quanto mais bookaholics forem. Tal como eu =P A verdade, é que a Books Addiction não está lá apenas para o negócio de compra e venda de livros usados, mas também para espalhar o gosto pela leitura, esse vício que nos mantém acordados noite foram, mesmo sabendo que, no dia seguinte (ou apenas dali a umas horas), temos que ir para as aulas/ para o trabalho/ para uma consulta no dentista. Achei que este é um projecto muito interessante e gostei bastante do trabalho deles: de uma forma muito próxima, de leitor para leitor. Encontrar alguém no ramo que partilhe o nosso gosto por livros é sempre uma mais valia. Cada vez é mais difícil ir a uma livraria/alfarrabista e conseguir uma opinião ou uma sugestão que não seja o típico "é bom, vende bem, leve!". Para além disso, eles são super simpáticos e profissionais, e tentam ter sempre livros em bom estado e a um preço acessível, uma vez que são livros usados, mas maioritariamente como novos.

Outra vantagem que a Books Addiction dá é podermos "encomendar" livros. Isto é, podemos contactá-los e dizer que andamos à procura deste ou daquele livro em especial. Eles guardam o nosso pedido, fazem uma lista e sempre que conseguem um exemplar da(s) obra(s) em questão, guardam e contactam-nos. Já fiz isso, como disse acima, e isso foi mote para dois dedos de conversa (ou a mão toda). Já agora acabei de me lembrar... tenho uma lista para lhes mandar =P

Poderão encontrar a Books Addiction numa banca em feiras de usados aqui por Braga e no Porto e demorem-se a ver os livros (vale mesmo a pena!). Ou então, podem contactá-los directamente através do e-mail e página de Facebook, e visitar o site deles (que irão remodelar em breve). Deixo todos estes links e contactos mais abaixo.

Finalmente, só me resta desejar-vos boas ^^


e-mail: booksaddiction@sapo.pt
Web: http://booksaddiction.tictail.com
Facebook: www.facebook.com/livrariabooksaddiction

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

D. Sebastião não gostava de sopa

Existe uma lenda, que vai passando de geração em geração, através da tradição oral, sobre el-Rei D. Sebastião. Não, não é aquela treta do nevoeiro. Vamos ser sinceros: quem é que se ia lembrar de uma coisa dessas sem pés nem cabeça? A história, que estou prestes a contar-vos, essa sim, tem fundo de verdade, e vai para além de qualquer contestação.

Ora, certo dia, o pequeno el-Rei D. Sebastião foi obrigado a comer sopa. Afinal, ainda era um pirralho birrento e, como tantos outros, bateu o pé, dizendo que não queria comer.

*Reprodução histórica extremamente fiel*
- Eu sou o Rei! - dizia, indignado. Muito obviamente, não lhe adiantou de nada.
- Se ainda considerasses a possibilidade de casar... - respondia-lhe o seu tio, o Cardeal D. Henrique. - Andas só com ideias de guerras e fazer espetada de Mouro. Queres deitar tudo a perder e deixar o trono ao babão do teu primo Filipe?!
Era verdade, Filipe babava-se imenso. Sobretudo, quando se lhe falava do Reino de Portugal. E também usava óculos. Na verdade, era um moço muito esquisito...
- Cala-te aí ó pilantra velho! A minha avó, D. Catarina, disse-me que, em breve, farei 14 anos e serei adulto. Não poderás mandar mais em mim, nem me obrigar a comer sopa.

E, de facto, assim sucedeu. D. Sebastião foi declarado maior, com 14 anos. Sendo fervoroso adolescente e, afinal, el-Rei de Portugal, nunca mais comeu sopa. Para além disso, não dispensou tempo com belas (ou feias) donzelas, que eram umas snobs. Pitas adolescentes com sangue azul era coisa do demo, quase tão abomináveis como a sopa. Por isso, quis lançar-se no nobre negócio que é a guerra e fazer espetada de Mouro.

Como todos sabemos, a coisa não lhe saiu muito bem. Quando a Morte vinha ter com D. Sebastião, no campo de batalha de Alcácer Quibir, apareceu-lhe, porém, na memória, a imagem de seu tio, a empurrar o Ceifeiro para o lado, que tropeçou nas vestes e trespassou um Mouro com a foice, por engano. O Cardeal D. Henrique dizia, em voz grave, então: "Bem te disse que melhor ficavas aqui, a comer a tua sopinha! Agora o babão do teu primo vai ficar com esta porra toda!" e, num último suspiro, D. Sebastião amaldiçoou todos aqueles que gostavam de sopa, especialmente os caixa-de-óculos como o seu primo Filipe.

E é assim que, ainda hoje, todos os "quatro-olhos" passam as passas do Algarve para conseguir comer a sua sopinha em paz e sossego. Primeiro, é aquela névoa sobrenatural que não os deixa ver nadinha desta vida à frente. Depois, são os salpicos de sopa nas lentes dos óculos que, para além de irritarem como o diabo, enchem as lentes de gordura e que é o cabo dos trabalhos para limpar. Muitos são os que padecem deste mal. Tipo eu. Especialmente, em relação aos salpicos. Conseguir comer um prato de sopa sem pintalgar os meus óculos, é coisa que não me assiste. Acontece sempre. Há maldições que são do arco-da-velha, especialmente, de pirralhos adolescentes com a mania que são gente, só porque têm um coroa na cabeça.

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Susana


Tem dias que pareço o Ron Weasley. Não, não sou ruiva nem tenho fome de leão. Ok, até tenho algumas sardas, mas elas costumam ficar bem camufladas por baixo da armação dos óculos. O que eu tenho mesmo é medo, pânico, terror... de aranhas.

Não me perguntem porquê, porque eu também não sei. É uma coisa simplesmente irracional. As bichas não têm culpa, mas são feias, asquerosas e têm uma quantidade de patas superior ao permitido por lei. Mais ou menos como as pessoas (exceptuando o número de patas). Bem sei que a maior parte das aranhas que se encontram por aí não faz mal a ninguém, só as dos Trópicos. E da Austrália, onde encontrar qualquer coisa que não nos mate dá direito a um Prémio Nobel qualquer para a descoberta científica do século. Mas pronto, são mariquices minhas. E se há coisa em que eu sou boa, é a olha aleatoriamente para um sítio qualquer, e ver uma aranha a virar os seus olhos todos para mim, com ar ameaçador. Ou sonolento, ainda não decidi. Elas são tipo ninja, disfarçam muito bem.

Claro que... o Moço tinha que achar piada à coisa.

No outro dia, olhei para o tecto. Estava para lá uma muito bem instalada. Soltei um "ghhh!" irreflectido, o que fez o Moço perguntar o que tinha acontecido. Respondi-lhe que era uma aranha que estava algures por cima das nossas cabeças. E aí, muito calmamente, como se fosse a coisa mais natural do mundo, ele saiu-se com esta:

- É a Susana, deixa-a estar.

Silêncio. A partir desse dia, sempre que vejo uma aranha a saltitar (elas não saltitam, não por estes lados... talvez na Austrália), digo para o Moço "olha uma Susana". A nossa sanidade mental está a abandonar-nos a uma velocidade estonteante. Qualquer dia, ainda leva uma multa por excesso de velocidade.