Já devem saber que sou fã da saga Harry Potter, de J.K. Rowling. Comecei a ler os livros com 11 anos (curiosamente, a idade com que os feiticeiros vão pela primeira vez para Hogwarts) e li os seis primeiros volumes da colecção praticamente de seguida. Mas nunca comprei o último livro. No final do ano de 2007, quando Os Talismãs da Morte foi editado em Portugal, achei que o preço praticado era exagerado e acabei por pedir outros nesse natal. A verdade, é que tinha outras razões, para além dessa meramente economicista, e bem mais profundas, para o fazer.
Primeiro, era o início do fim. Eu cresci a ler Harry Potter. Ia lendo os livros conforme estes me eram dados, e claro, ia ficando mais velha à medida que os lia. Mas, ao mesmo tempo, ia acompanhando o crescimento dos personagens principais que eram, mais coisa menos coisa, da minha idade. Crescemos, por isso, e de certa forma, todos juntos.
Segundo, foi no final da leitura do sexto livro, na casa da minha avó materna, quando ela já estava acamada, que tomei consciência que essa seria a última vez que a veria. Num dos últimos capítulos de O Príncipe Misterioso, há uma personagem importante e querida do público que morre e, ao ler essas linhas, confesso não ter chorado. Isso não significa que não me tenha chocado. Passado alguns meses, a minha avó faleceu e, certo é que, por zangas familiares às quais fui alheia, essa foi a última vez que estive com ela.
Acho que, inconscientemente, por estas duas razões, acabei por rejeitar a história. Não ler o seu fim significava que a mesma não ia acabar, e sempre que olhava para a prateleira, lembrava-me de uma experiência que tinha sido dolorosa de várias maneiras. No entanto, no ano passado, decidi que estava na altura de fechar este capítulo. Procurei, durante meses, Os Talismãs da Morte, mas a edição antiga da Presença, para que todos os volumes fossem iguais. Não foi nada fácil. Finalmente, na semana do natal, consegui-o, e recomecei a saga para, ao fim de quase 13 anos, cerca de metade da minha vida, saber afinal como tudo acaba.
Hoje, no entanto, o mundo amanheceu mais triste. O Professor Severus Prince Snape, conhecido por Alan Rickman entre os Muggles, seguiu para uma nova aventura. Soube à hora de almoço, enquanto passava as notícias do dia em revista. O primeiro impacto foi sentir que o meu coração falhou uma batida. Acho que o mundo, em si mesmo, parou durante alguns segundos. Ao início não chorei do choque, depois, já no escritório, quando tomei consciência da realidade, não chorei em frente dos colegas por vergonha.
Severus sempre foi um dos meus personagens favoritos. O mistério, o silêncio, o calculismo e a inteligência que o envolviam, fizeram dele alguém especial. E claro, era o chefe da minha casa, os Slytherin. A sua profundidade, que vai sendo conhecida, aos poucos, de livro para livro, fez dele um fantástico anti-herói e, (porque eu sei, uma vez que há pessoas que são parvas e "botam" spoilers para aí), no final, um verdadeiro herói.
Se ele vai ficar comigo para sempre? And after all this time?
Always.
# For a well structured mind death is just a next adventure
# Let us all raise our wands
# Prince
# Always











