quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Fear of the dark

Não, não vos venho aqui falar da música dos Iron Maiden (mas se quiserem ouvir, fica aqui o link ^^ Eu cá acho que vale a pena darem uma espreitadela/"ouvidela" =P ). Vou mesmo falar do meu medo do escuro. E da estranha maneira como o ultrapassei.

Quando era pequena (isto é, mais pequena, que ainda sou uma "amostra de gente" ^^ ), tive um problema nos ouvidos. Não vos posso dizer, com certeza, o que era, mas foi provocado por otites sucessivas e mal curadas. Claro que, de início, era o "deixa andar" e "isto cura-se". Até ao momento que comecei, progressivamente, a deixar de ouvir. Então a minha avó levou-me a um otorrino. E bem... foi bastante complicado.

O tratamento durou anos e custou uma pequena fortuna. As dores eram... incomportáveis. Se não fosse a diligência da minha avó, agora estaria, muito provavelmente, surda. Foi quase um milagre conseguir salvar o ouvido direito. Ainda assim, ouço bastante mal mas, com o tempo, aprendi a disfarçar. Pode parecer estranho, e não é algo que consiga explicar, mas tenho vergonha da minha fraca audição. É quase como admitir que sou menos que as outras pessoas. Tenho razões para me sentir assim? Claro que não. Mas o ser humano é demasiado complicado para ser definido.

Foi um período negro. Não tenho grandes recordações dessa altura, mas há uma que nunca me deixará. É uma das minhas memórias mais antigas. Deveria ter uns quatro anos de idade. As dores de ouvidos que tinha eram tantas, que acordei a meio da noite aos berros e a chorar de uma maneira que parecia que me estavam a matar. Foram as piores dores que já senti. Já tive dores de dentes, que se ouve dizer por aí que são as mais difíceis de suportar (é curioso que, nestas situações, nunca se falam das dores de parto… mas eu essas nunca senti), mas nada se compara com a sensação de que os nossos ouvidos estão a ser perfurados, esborrachados e feitos em papa, e que, graças a isso, a nossa cabeça vai explodir. Não para mim. Há anos que não sinto nem nada parecido, mas mesmo assim, nunca me esqueci da sensação que aquela dor me proporcionou. E não é uma memória que goste de revisitar.

Lembro-me também que, depois de alguns minutos de berreiro, tomei noção de que estava sozinha e às escuras no meu quarto. As dores eram de tal ordem, que nem dei conta do que rodeava. E tive medo, não apenas das dores, mas da penumbra completa que era o meu quarto. Nessa altura ainda tinha medo do escuro, como muitas crianças dessa idade. Mas as dores eram tantas e tão desesperantes que suplantaram o medo do escuro que, depois disso, nunca mais voltou. Estranho constactar que uma dor tão excrusciante me fez perder uma fobia. Pena foi quase ter ficado surda à conta disso.

Os seres humanos são mesmo estranhos.

Ide masé ouvir a música dos Iron Maiden =P

terça-feira, 22 de setembro de 2015

Vizinhos de Belzebu, Vol. VIII - Quando o problema é outro

Como sabem, mudei-me para um prédio em que, a maioria dos moradores, são estudantes universitários. Claro que, aquando da escolha para O Covil, tinha perfeita noção que me iria encontrar mesmo "no foco" da festança: com diversos estudantes como vizinhos, e "em cima" de alguns locais de divertimento nocturno/bares, o silêncio não ia imperar pelo local. Mas, como sabem, lá me mudei. Não posso dizer que estou descontente com o novo poiso, mas há alguns aspectos que queria partilhar convosco.

Sim, alguns estudantes são barulhentos e outros não. Os moços do apartamento do lado gostam de pôr música de engate para as moças (não sei se convidadas, se as vizinhas da varanda da frente...), a um nível de decibéis indesejável mas, chegadas as 22 horas, ninguém os ouve mais. Não vou dizer que gosto das músicas que põem a tocar, porque não gosto, mas há que saber ser tolerante. Um dia poderei ser eu a fazer algum barulho/dar um jantar mais animado/pôr a máquina a lavar tardiamente para aproveitar o coiso biorário, e não quero criaturas penduradas em mim, a chatear-me a mona, dois minutos depois. Afinal, são músicas de engate. Claro que se fosse eu a meter Skid Row, independentemente das horas, já sei que iria aparecer alguém (não necessariamente estudante) a queixar-se do barulho, dos pulsos cortados, da adoração do diabo e dos sacrifícios de galinhas pretas... mas adiante. O meu problema não são os estudantes, os dias de arraial (como hoje, mas que desta vez não será aqui na zona), as quartas-feiras académicas, os moços a enganarem-se a tocas à campainha e coisas que tais.

O meu problema são os vizinhos de cima: um casal que, quando se ouve, é em altos berros e com conversas de lavar roupa suja.

Logo nos primeiros dias depois de instalada, houve semelhante berrume que eu acho que andou tudo pelo ar. Não consegui perceber a maior parte da conversa (é uma das desvantagens de ouvir mal), mas foi uma discussão e pêras. Ela guinchava de nervos e ele lhe respondia, e passo a citar: "cala-me a p*ta da bocaaaaaa!!". O resto era barulho de coisas a andar a rasto ou assim e, provavelmente, uma pêra. Eu não consegui perceber, mas o Moço acha que ela apanhou uma estalada ou coisa assim. E tal como começou, a discussão parou. Mais ou menos uma semana depois, aconteceu algo parecido, mas com menos intensidade. Durou uns cinco minutos, desta vez sem fruta (pêras, o futebol não é para aqui chamado =P ) e não conseguimos perceber se eram as mesmas pessoas. Este incidente conta apenas como meio, portanto.

A noite passada, acordei por volta das quatro da manhã, com a mulher aos berros novamente: "Nojento! És um nojento! Nojento! Que nojo! És um nojento, nojento! És um nojento! Porco! És um porco! (Qualquer coisa imperceptível) de quatro! Que nojo! Nojento!". E depois silêncio. Passei algum tempo hoje a tentar perceber o que aconteceu (especialmente onde é que o "de quatro" encaixa nesta história). Percebi que, muito provavelmente, não quero descobrir.

Dois incidentes e "meio". Se voltar a acontecer e perceber que está "a haver molho", podem ter a certeza que chamo a polícia. Quanto ao mais, vou seguir um sábio conselho: usar a vassoura para bater no tecto. Para além do barulho, que não é nada agradável, a situação em si mesma é simplesmente ridícula.

Ao menos os arraiais vêm com bifanas incluídas.




Para verem o post do Moço sobre o assunto, fachabori de clicar aqui.

Para lerem os volumes anteriores destas crónicas, fachabori de clicar aqui.

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Recolha de monstros =P

Quando estou na paragem/à espera de boleia, passam por mim coisas muito interessantes. No outro dia foi um miúdo bastante traquinas, e hoje foi... a Recolha de Monstros.

Mas, e o que é isso Nightwisha Maria? É um serviço prestado por diversas entidades públicas responsáveis pelos resíduos em cada município (por cá, isso está a cargo da Agere - empresa de águas, efluentes e resíduos de Braga) que, mediante marcação prévia, vão recolher à casa das pessoas electrodomésticos, mobílias e outros monos que já não usam/estão avariados/estragados e que, por serem de grande porte, acabam por ficar acumulados a um canto ou nas beiras dos passeios. Para clientes domésticos, a Agere presta este serviço de forma gratuita. Quem for daqui e precisar de uma recolha de monstros, pode aceder ao serviço via online aqui. Se forem de outras zonas do país, basta uma pesquisa rápida, que encontram facilmente um serviço similar a este.

Hoje, o camião que passou por mim levava, para aí, uns sete ou oito colchões, todos muito bem amarradinhos. Com o início das aulas aqui na universidade, deve haver muitos monos de natureza diversa por aí. Lembro-me que, há uns anos, foi o mês dos colchões e dos sofás. Todos os dias, havia novos "monstros" desses por aí, espalhados, e nem por isso para recolha, visto que permaneceram onde foram deixados durante dias.

Não sei o que acontece aos "monstros" recolhidos, uma vez que nem todos estão inutilizáveis. Acredito que aqueles que ainda estejam em relativo bom estado, ou que necessitem apenas de um arranjozinho, sejam posteriormente encaminhados para instituições ou directamente a terceiros que precisem deles. De todo o modo, acho uma boa iniciativa. Afinal, é bom para, por um lado, quem se quer livrar de algumas coisas lá de casa, especialmente aquelas que não têm conserto, ou daquelas que são grandes de mais para transportar para onde quer que seja, e por outro, para tentar prevenir o abandono destes grandes monos assim no meio da rua. E diga-se, é bastante divertido ver o camião a passar por nós na rua, com uma faixa que diz, em letras garrafais, "Recolha de Monstros" ^^

quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Passaram-me um comando para a mão… e ✇♫☣☠☢ tudo =P

Sempre tive veia de nerd invertebrada, mas não de jogadora. Ou me põem uma coisa estupidamente simples à frente, ou esqueçam lá isso. Sou péssima a carregar em botões. Pelo menos, nos botões certos. Não é intencional, mas troco sempre as teclas e vá… estou sempre a mandar-me de penhascos abaixo e a levar porrada. Os jogos em que me safo relativamente melhor são os tower defense (como o Plants vs. Zombies, sobre o qual já falei aqui), porque o perigo não é assim muito eminente, logo, enervo-me menos e há menor probabilidade de carregar nas teclas erradas/acertar no ar em vez do inimigo.

Isso não impediu que virasse “trabalho de ciências” pessoal do Moço. Ele decidiu que me ia pôr a jogar como deve de ser. Não posso dizer que estou chateada ou triste com isso, pelo contrário ^^ (excepto quando me enervo e quero mandar tudo pela janela). Acho sinceramente que o problema é eu achar que não me safo a jogar o que quer que seja. Sou trambolha, já sei, mas pronto, é como ele diz: no começo, vais morrer mais vezes que a conta, mas depois torna-se mais fácil.

E realmente ele tinha razão. Continuo a enervar-me porque não sei saltar lá muito bem, e passo “séculos” no mesmo sítio para chegar “mais lá acima”, e quando o jogo é temporizado, o nível de enervanço é ainda maior; continuo a atingir o ar e não os inimigos (são eles que me apanham a mim) e a mandar-me de penhascos abaixo, ou seja, passo mais tempo a morrer do que outra coisa. Grito e, de vez em quando, tenho uma vontade súbita e avassaladora de mandar tudo pela janela… Mas já não sou péssima, sou só muito má =P

Acho que o ponto de viragem foi quando o Moço instalou o Castle Crashers, um jogo de pancada com gráficos super engraçados, que um dia "vos mostro". Quase parece uma coisa de miúdos, e eu achei tanta piada que ele me passou o comando para as mãos (é mais fácil jogar com isso do que com o teclado, acreditem no que vos digo, e nas horas que passei espetada contra muros no Colin McRae 2000 e picos para pc com um sistema operativo qualquer que não me lembro, mas que já deve estar mais que ultrapassado). Claro que o campeão que usei já tinha um nível muito acima do inicial, e realmente não morria com muita facilidade. Ganhei-lhe gosto. Um dia, pedi-lhe para me deixar jogar no computador dele, e ele disse que não, mesmo depois de a trambolha aqui lhe ter ensinado como passar o nível da "nave espacial dos abelhos amarelos" que, mesmo depois de horas de tentativas, ele não conseguira. Fiquei de trombas.

Eventualmente, ele acabou por instalar-me um emulador no computador, para poder jogar numa "pseudo" Sega Mega Drive/Nintendo. São jogos muito antigos e relativamente fáceis, como o Super Mario Bros, o Sonic The Hedgehog ou o Tiny Toons Adventures (imagem à esquerda), com gráficos tão péssimos e pixelizados que até é engraçado tendo em conta o avanço tecnológico nessa área, mas a ideia é começar por aqui mesmo e depois passar para coisas mais difíceis. Para já, está a correr bem (tretas, continuo a morrer mais vezes que o Krilin ou o Sean Bean), e estou a tomar-lhe o gosto. E agora estou sempre à espera que ele jogue The Binding of Isaac: Rebirth (o melhor jogo de seeeempree!). Nos próximos eventos/Cons a que for, quero ir para a parte dos jogos de consola. Vou passar uma vergonha descomunal, mas quero lá saber. Agora que penso melhor, não sei se vão ficar a olhar para mim porque sou uma nódoa a jogar, se por ser uma rapariga a jogar. Espero bem que seja pela segunda razão – assim os meus oponentes ficam distraídos a olhar para mim e pode ser que ganhe algum jogo =P

terça-feira, 15 de setembro de 2015

Travessuras

Ontem, quando estava na paragem, vi um homem passar por mim com um menino pequenino pela mão. Calculei que fossem pai e filho, este último, muito bem acolchoado contra o frio, deveria ter entre dois a três anos de idade. Tinham acabado de sair de um carro que estacionara a poucos metros de mim, ali bem encaixado no espaço onde os autocarros param para apanhar e descarregar passageiros.

Pouco depois de passarem por mim, o menino estacou e largou a mão do pretenso pai. Mal se apercebeu, o homem virou-se para o menino, que automaticamente, e sem dizer uma palavra, se lhe colou à perna e estendeu as mãos para cima. Então o senhor pegou no menino, contornou a amostra de relvado meio selvagem que se encontra à volta da paragem, em direcção ao café ali ao lado.

Não consegui deixar de sorrir ao ver aquela cena, especialmente porque percebi que o menino, provavelmente para além de mimo, queria era ir ao colo, que andar cansa! Mas as crianças são mesmo assim, e não há nada de novo nisso... excepto que, ao ver que eu me estava a rir, o miúdo riu de volta para mim, mas com a maior cara de malandreco imaginável. Se segundos antes parecia uma criança super tímida, naquele momento a cara abriu-se-lhe num sorriso um pouco trocista, como quem diz: consegui que ele me levasse ao colo e tu percebeste! Não deu para evitar rir ainda mais depois da atitude do rapazinho =P

Se os miúdos hoje em dia são uns sabichões, isso não há dúvida. Mas, mesmo que a nossa memória discorde na maioria das vezes, nós também éramos, ainda que com diferenças. Daqui a uns anos, vai haver mais um maroto por aí a fazer travessuras ^^

Já presenciaram alguma deste género? Os várias? Se sim, não se inibam: contem!! =)

domingo, 13 de setembro de 2015

Feira do Livro do Porto 2015 ^^

Ontem foi um dia muito esperado durante quase uma semana: fomos à Feira do Livro do Porto 2015, que este ano se realiza, mais uma vez, nos Jardins do Palácio de Cristal. Eu, que não gosto nada de ir àquele sítio lindíssimo e muito menos de livros (not!), só podia dizer que... adorei ^^

Munidos de sandes, suminhos e docinhos na mochila, lá fomos nós para o Porto. Quando estava a comprar os bilhetes de comboio, tive a sorte de me calhar na rifa o único funcionário de balcão simpático que, ao lhe pedir dois bilhetes para o Porto, me perguntou:
Funcionário da CP: NOS em D'bandada?
Nightwisha Maria: Não... Feira do Livro.
Funcionário da CP: É NOS em D'bandada na mesma! Assim tem desconto e paga apenas dois euros pela viagem de ida e volta. Tem é que usar as duas viagens durante o dia de hoje.
Nightwisha Maria *encantada da vida*: Obrigada!

Como sempre, a CP fez questão de não publicitar a promoção em lado nenhum. Tive mesmo muito sorte em ter sido atendida por aquele funcionário. Para além de que, supostamente, aquela era uma promoção apenas para quem fosse à D'bandada, e não para quem quisesse visitar o Porto por qualquer outra razão, ou quem viesse de lá para Braga. A cultura só interessa em retalhos.

Chegados ao Palácio de Cristal, quase nos perdemos no meio de tanto aparato. São 130 stands de diversas livrarias, editoras e alfarrabistas, mais as actividades que vão tomando lugar pelo local. Fomos dando uma vista de olhos a todas as bancas, mas infelizmente não havia preços convidativos, excepto nos alfarrabistas. Levei uma lista enorme comigo dos livros que queria mesmo encontrar... mas não tive sorte, nem nos alfarrabistas. Até encontrar o stand da Europa-América.

A funcionária que estava lá, que eu acho que já encontrei numa feira do livro em Viana há uns anos, era um amor. Consegui regatear um livro para o Moço menos 7 euros ^^ O Senhor dos Anéis: As Duas Torres, veio connosco para casa por apenas € 10, e novinho em folha! Com isso, ele ficou com a colecção das obras de Tolkien (edição EA com lombadas douradas) completa =) Entretanto, enquanto tratávamos da transacção, ia olhando para os livros que estavam expostos, mas eram tantos que não conseguia encontrar nada do que queria... então a senhora perguntou-me o que procurava, que assim era mais fácil. E não é que ela sabia do que estava a falar?! Quando não tinha a certeza, perguntava ao colega, que não falhava uma! O homem percebeu, ao ver-me tirar os livros da banca, aquilo que eu procurava. E conseguiu-me uma relíquia! Parece uma coisa de outro mundo, mas hoje em dia, é difícil encontrar livreiros que tenham uma noção mais alargada do mercado. É óbvio que não vão saber tudo, mas dizer apenas "esse livro é muito bom!" só para vender, não é coisa do meu agrado. Um livreiro informado, como podem ver, muda por completo uma compra =)


Ao todo, para mim, gastei  € 27,13 nos seguintes livros:
Crónicas de uma Serva, de Margaret Artood
O Flagelo dos Céus, de Ursula K. leGuin
O Rei que Foi e um Dia Será, versão consolidada, com a obra completa editada por T.H. White, ou seja, quatro livros num só! Foi a pechincha do dia ^^

Foi um pouco puxado, é certo, mas os livros eram novos, são primeiras edições Pt e foram comprados na respectiva editora. Para além de que, como a minha mãe ainda não me tinha comprado prenda de aniversário, vou ser reembolsada xD Só fiquei a "aguar" pelo Um Estranho Numa Terra Estranha, de Robert A. Heinlein, que os senhores da banca não tinham levado com eles para a Feira do Livro. Fica para uma próxima.

Depois disso, fomos dar um passeio pelos jardins, que eu adoro, e tiramos mais algumas fotografias naquele lugar maravilhoso. Para além de ser um lugar extremamente bonito, foi nos Jardins do Palácio de Cristal que fizemos o nosso primeiro passeio juntos. Sempre que lá vou, encontro novos recantos fantásticos, e desta vez não foi excepção ^^



E para comemorar uma última vez, vamos comer pizza caseira da boa e bem calórica para encher a pança à lordes ^^ Bom resto de fim-de-semana para todos!

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

When you're just living your life =P

Estou a ficar seriamente preocupada.

Este mês, as minhas contas em redes sociais têm sido invadidas de fotos e notícias devastadoras: é só pessoal a casar. Não vou mentir: abomino a instituição do casamento (por questões pessoais, ainda que não seja contra quem o faça. Cada um sabe de si, e eu sei que não quero casar). Desde muito nova que tomei a decisão de que "casar" não é assinar um contrato. Como a minha avó muito sabiamente diz, não é num papel que se vai encontrar amor. Mas, de novo, esse é um passo que cabe a cada um decidir se está preparado para dar ou não, e quem está de fora só tem que aceitar, quer a decisão seja positiva ou negativa.

A questão que eu coloco a mim mesma, depois de uma pandemia de fotos de amigos e colegas que ficaram noivos, que casaram ou que foram aos casamentos de outras pessoas, tudo isto em poucos dias, é a seguinte: (palavrão) já tenho 25 anos.

É assustador quando dás por ti e vês que, à tua volta, está toda a gente a dar o nó (alguns, talvez, ali pela zona do pescoço... =P ) ou muito perto disso. É um misto de sensações. Por um lado, percebes que já és adulto e que ainda vives como se fosses um miúdo, e isso é bom, porque o que importa realmente é ter um espírito jovem; por outro lado, é como se fosses ficando para trás. Ainda há uma grande pressão social e familiar, na generalidade, sobre a ideia de, chegando a uma determinada idade, a ordem natural das coisas ser casar ("ajuntar" não, apesar de já ser encarada como uma coisa "aceitável", quanto mais não seja porque é mais barato - assim ao estilo tuga hipócrita), ter filhos e todas aquelas coisas que os nossos pais fizeram, talvez até mais novos do que nós.

Certo é que, para aqueles que decidiram e puderam estudar até mais tarde, e investir numa (possível) carreira, tudo isso fica para mais tarde. Mas ainda assim, não deixo de ter 25 anos e, à minha volta, o círculo de amigos/colegas/conhecidos transfigura-se de uma forma assustadora: para os que já terminaram ou estão para terminar a sua formação académica/profissional, o próximo passo é estabilizar... e isso significa casar e ter filhos. Aqueles que decidiram ficar pela escolaridade mínima obrigatória... já têm família. Se assim não for, lá começam as perguntas inconvenientes do "e para quando o casamento?" ou "com essa idade já podiam 'mandar vir' um menino!" e outras tretas que tais. Continuo-o a olhar para mim ao espelho, e ver que não tenho idade para essas coisas. Respeitem a minha opinião, sim? Não tenho pachorra. Já me basta ver fotos de copos de água, e eu toda fogo-de-artifício por ter comprado uma t-shirt de Star Wars.

Devia ser proibido crescer.