quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Fui ali dar uma volta e já venho

A Nightwisha Maria não gosta nada de acampar. Por isso, a Nightwisha Maria vai acampar e só deve estar de volta lá para domingo.

Com, verdadeiramente, duas semanas de férias, que têm sido passadas ora dentro de casa, ora à mesa com a minha avó a encher o bandulho de comida, posso dizer que não tinha grande possibilidade de fazer alguma coisa digna de nota a que pudesse, efectivamente, chamar de férias. Por isso, eu e o Moço vamos acampar num festival, onde não se paga nada. Exceptuando o consumo de comes e bebes dentro do recinto dos concertos, como é óbvio, a entrada e o acampamento são gratuitos, daí que, mais vale isso do que nada.

Isso não significa que eu goste de acampar, porque não gosto.

Já estamos a preparar as mochilas, a comida, os produtos essenciais, e o espírito, visto que não vamos dormir durante uns três dias. Já sei que vamos vir mais cansados do que formos, cheios de picadelas de mosquitos ou todos encarquilhados da humidade, dependendo se estiver sol ou se chover a potes. Está mais virado para a segunda opção, mas eu quero lá saber: vou mesmo acampar para o meio do monte, independentemente das alergias, do animaledo e da chuva. Pelo menos há água quente para se tomar banho. É aproveitar, que segunda-feira já começa o trabalhinho outra vez!

Por isso, aqui vou eu. Vemo-nos daqui a uns dias =)

terça-feira, 25 de agosto de 2015

I've been told... #3

Esta frase é de uma das mais aclamadas séries de ficção científica, Firefly, de Joss Whedon, o mesmo caramelo que produziu Buffy, the Vampire Slayer, Angel e, mais recentemente, The Avengers. O homem tem um sentido de humor refinadíssimo, e consegue abordar temas bastante pesados e densos de uma forma bastante graciosa, sempre com o sarcasmo à mão. Esta série retrata a vida de várias pessoas que viajam pelo universo numa pequena nave da classe Firefly, no ano 2517. Depois da vida no planeta Terra se ter tornado insustentável, os humanos viram-se obrigados a "migrar" para outros planetas e luas, e são agora governados pela Aliança, formada pelas duas ex-grandes potências da Terra, a América e a China, mas que não é assim tão liberal. Os planetas centrais são mais avançados social e tecnologicamente, mas os da periferia são quase um western vivo.

Malcolm Reynolds, o Capitão, assim como a sua Imediata Zoe, são veterano da guerra civil travada entre a Aliança e os rebeldes Bronwcoats (Casacos Castanhos) anos atrás, a qual estes últimos perderam com a reviravolta de Serenity's ValleySerenity é, precisamente, o nome da nave de Malcolm, e ainda do filme que termina a história que Joss Whedon tinha para contar. (A Fox cancelou a série, mesmo apesar do seu sucesso, uma vez que Whedon se recusou a "ressuscitar" Angel). É numa das cenas mais dramáticas da série em que é explicado algo que os ex-soldados aprenderam na guerra contra a Aliança: quando não conseguires correr, rasteja, e quando não conseguires rastejar, encontra alguém que te carregue.

Os caracteres em mandarim significam
"you can't take the sky from me",
que é parte da theme song da série.
Até ver Firefly, eu não gostava de ficção científica. Foi esta série, a par com o filme A.I. Artificial Intelligence, produzido por Spielberg mas apoiado no trabalho de Kubrick que nunca chegou a gravar uma única cena, que percebi que FC não era apenas sobre extraterrestres muito mal interpretados. FC era, e é, acerca de pessoas e de como, muitas vezes em cenários extremos, se conseguem manter humanos ou como acabam por deixar de o ser. Firefly não é diferente, e acho que no retrato de pessoas reais, que assenta a sua genialidade. Não é apenas nas guerras que se corre, rasteja ou imploramos que alguém nos carregue. A lei da sobrevivência é usada todos os dias, e nem sempre correr, rastejar ou carregar alguém tem que ser um acto físico, mas antes figurativo.


Nota: Para quem não sabe, o Capitão Malcolm Reynolds é o mesmo actor que interpreta Castle, na série com o mesmo nome, mas uns bons quilinhos a menos, mas com o mesmo ar de pateta =) Vejam, não se vão arrepender!

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Publicidade escandalosa about la Je xD

Hoje é dia de fazer publicidade desenvergonhada e escandalosa acerca da minha pessoa. Às vezes tenho acessos de estrela, acontece... mais vale isso que uma viagem às urgências e ter que desmaiar com estilo, que é uma arte que só se consegue aperfeiçoar com muito afinco e sacrifício.

Quem me segue há algum tempo sabe que descobri recentemente o meu novo hobby, para juntar à leitura, à confecção de doces e morfá-los logo a seguir, ao coleccionismo de canecas (isto ainda vai dar um post engraçado =P ) e ao ficar de papo para o ar sem fazer nenhum. Agora, acho que também já sou uma cosplayer ^^ Para quem não sabe do que eu estou a falar, e nem sabe o que está a perder, ora faça o favor de clicar aqui. E foi no início deste mês que fui a mais um evento, o Central Comics Fest 2015, no Porto, e me vesti a rigor para ser... a Pan de Dragon Ball GT! O Moço tirou-me algumas fotos, (que poderão ver no link dedicado ao evento que encontrarão mais abaixo), mas sabia que alguns fotógrafos no evento tinham feito o mesmo, e finalmente... cá estão elas!!


Foto por Rafael Cordeiro, fotógrafo oficial do CCF 2015.

Esta foto aqui foi tirada quase sem contar. Estava a ver um jogo de Dungeons & Dragons e, quando olho para o lado, já estava o Rafael Cordeiro pronto a fazer clic! Mas mesmo a modelo não ter colaborado assim muito, a foto ficou muito bem, obrigada!

Para saberem mais sobre o seu trabalho, podem visitar a sua página de Facebook (Rafael Cordeiro - Photography), em especial o álbum de fotos (apenas cosplayers) do evento.



Fotos por Lokeva / Eiki Photography, da KoreWaCosplay Pt.




Fotos por Hélder Archer, da OtakuPT.

Estas ainda são bastantes, por isso, se quiserem ver com mais pormenor, carreguem nas fotos para as aumentar. Aqui não apareço apenas eu, mas também o C17 (Ricardo Dias, cujas ideias resultaram em boas fotografias, e a quem agradeço) e ainda o Trunks do Futuro, que é primo na Pan (mas nada de fazer piadas sobre isso! É certo que esta Pan tem umas "proeminências" que a original não tem, mas não sejam mauzinhos, sim?! =P ) - continuo a não saber o teu nome, mas obrigada! E claro, não podia deixar de agradecer também aos fotógrafos de serviço, pelo trabalho, pelas ideias e pela paciência!

Podem ver mais fotos do evento na página de Facebook da KoreWaCosplay PT, em especial no álbum dedicado ao CCF 2015 e no seu DeviantArt; e ainda na página de Facebook do OtakuPt, especialmente nos álbuns dedicados ao evento (aqui e aqui) e no seu site oficial.

E pronto, acabou-se a gabarolice. Por hoje.

Se quiserem saber mais sobre estes eventos da chamada cultura pop, podem aceder aos "rescaldos" da Comic Con Portugal 2014, do Aonime 2015, e do Central Comics Fest 2015, onde estive a espalhar loucura e zerinho de juízo.

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

O covil ^^

Boas notícias criaturas!! Uma das razões da minha ausência estes dias foi porque, finalmente!, encontrei nova casa onde ficar. *aplausos* A procura não foi fácil, e saiu um pouco mais cara do que estava à espera, mas pelo menos é um T1 só para mim e os meus sapatos (isto seria algo que o Moço diria =P ).

A procura foi assim uma coisa para o terrorífica, porque via o tempo a passar e nada de encontrar novo poiso. Por quartos em apartamentos partilhados, pediam-me quase tanto que por um pequeno apartamento. Para não dizer que, quase sempre, o preço do quarto era feito tendo em conta o número de pessoas que estivessem na casa. Já é muito difícil arrendar simplesmente um quarto, o comum agora, mesmo sem contrato, é que nos arrendam a casa toda, e quem estiver lá divide a renda entre si. Desta forma, mesmo que a casa não esteja cheia, o senhorio não perde, mesmo no caso de quartos partilhados. E depois da senhoria ter tido o desplante de me ligar várias vezes a perguntar quando ia sair, que ia mostrar a casa com as minhas coisas lá dentro sabe-se lá a quem, e a dizer que, se eu entrasse de férias, que fosse para a casa dos meus pais e deixa-se a dela vaga, passou-me uma coisinha má pela cabeça e pronto, habemus novo covil.

E pronto, a mudança está feita. Foram três longos dias de ensacar coisas, transportá-las de um sítio para o outro, despejar, voltar e fazer tudo outra vez. Continuo a não perceber como é que brotou tanta tralha do nada, não fazia ideia que tinha tanta coisa! Mas podem acreditar que, desta vez, não ficou nada para trás, que passei mais que uma revisão à "casa da velha". Ela foi tão velhaca, que tudo aquilo que eu sabia que não era da casa (incluindo coisas deixadas lá por antigas arrendatárias) foi comigo. Foi isso, e ter gasto a garrafa do gás tudinha até à última gota. Na segunda-feira passada, finalmente, entreguei as chaves (à vizinha, que a velha está a passar as suas lindas férias na casa de praia ou o raio que a parta) e... goodbye suckers!

São estas as novidades. Depois de chegar à minha linda terrinha, tirei uns dias para descansar, estar com algumas pessoas e não fazer nenhum, mas cá estou eu outra vez! =P É apenas um pequeno T1, mas está mobilado, é perto de onde estava e que, com as coisas que tinha, ficou cheio. Felizmente temos tudo (falta ainda colocarem a máquina de lavar roupa, mas já ficou falado) e assim também não corro o risco de, partilhando apartamento, ter mais experiências desagradáveis. Partilhar o covil, só com o Moço ^^ E, já agora, agradeço ao Quim e ao Diogo (filhote desnaturado) por terem andado connosco de um lado para o outro com caixas e caixinhas de tralha (e os meus sapatos =P Não, não tenho assim tantos, mas os moços fazem sempre piadas com os sapatos das moças hehe), à Maf pela cama, e a todos que nos deram força, mesmo aqueles que o fizeram através do blog. Podem comer um bolo por mim para festejar, eu deixo!



P.S.: Acho que é desta que a rubrica dos Vizinhos de Belzebu vai voltar...! =P

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Aqui também se dão dicas, quando calha =P

Como uma grande parte da população mundial, de vez em quando surge-me uma infecção no lábio, comummente conhecida por herpes labial). Quando era miúda era um tormento, mas com o passar dos anos, são raras as vezes que sou acometida desta chatice de forma natural, ou quando tenho febre.

Há algum tempo atrás, reparei numa pequena protuberância no lábio inferior, mas como tenho o estúpido vício de morder as peles dos lábios, não dei grande importância. Ainda assim, o tal “altinho” era precisamente no sítio onde sempre tenho herpes, e fiquei desconfiada. Mas já era de noite e eu estava a encaminhar-me para o vale dos lençóis, daí que não saí para comprar medicamento para uma coisa que eu não tinha a certeza do que era. Como era um sábado, pensei que na segunda, quando fosse para o escritório, aproveitava e passava numa farmácia caso a suspeita se confirmasse, para não ter que sair de propósito de casa no dia seguinte.

No domingo acordei e tinha a beiça em estado de sítio. Sabem aqueles ratinhos de laboratório que lhes enxertam coisas para ver se eles assimilam os implantes no organismo?! Parecia que me tinham feito o mesmo e posto uma bola de ping-pong no lábio. Obviamente, não saí à rua naquela triste figura, mas também não sabia o que fazer da minha vida. Então, tentei pensar de forma lógica: o zovirax é uma coisa relativamente recente, mas o vírus do herpes sempre existiu. Tem que haver alguma forma "mais ou menos caseira" de combater a infecção. E daí fui à internet e descobri um segredo fantástico: detergente de lavar a loiça.

Ok, agora estão a pensar que snifei cola e que estou passadinha da pinha. Mas a verdade é que resulta mesmo! Coloquei um pouco de detergente na zona infectada algumas vezes por dia (não, não é para engolir!! Se bem que, às vezes, acontece e até dá para lavar a boca =P ), e os agentes secantes do detergente trataram de secar/queimar o herpes. Fiz isto umas 3 vezes durante o dia e, à noite, a bola de ping-pong “abriu” e praticamente toda a infecção foi extraída. Claro que, durante os dois ou três dias seguintes, a marca estava lá, mas seca e prontinha a desaparecer, como se fosse apenas uma ferida comum a cicatrizar. No caso de a bolha causada pela infecção não rebentar, o processo torna-se mais moroso, e acredito que cada pessoa reaja de modo diferente a este “medicamento caseiro” como acontece com os de laboratório. Serve tanto para as meninas como para os meninos, que o Moço já experimentou e também fez efeito =P

Experimentem. Se for nos lábios. Se for noutros sítio… é melhor não =P


domingo, 9 de agosto de 2015

Colorices - Dos livros de pintar para adultos

Não percebo esta nova moda. Ou melhor, não percebo se o pessoal agora anda numa de livros de colorir só porque é moda, ou se o pessoal simplesmente anda numa de pintar e, por isso, virou moda e agora é só livros desses em todo o lado porque o que é comercial dá dinheiro.

Eu sempre gostei de pintar. Com marcadores, porque com tinta... esqueçam! A não ser que estejam numa de adquirir pinturas rupestres por um ser que sofre de síndrome de Tourette, não me metam um pincel e tintas para a mão. É tempo perdido. Ainda assim, não me safo nada mal com os marcadores, tal como podem comprovar pelo comentário que uma das minha educadoras do infantário teceu, curiosamente, não quanto às minhas habilidades com as conhecidas "borranas", mas antes sobre o meu vestuário: "tu dantes combinavas cores tão bem... agora só vestes preto. * ar de quem pensa que se perdeu uma artista * ". Sim, tem tudo a ver.

Mesmo depois de já ter passado a "idade de pintar", e de a minha mãe se recusar a comprar-me desses livrinhos nos "chinos" porque "isso é coisa de canalha e já devias ter juízo", continuei a imprimir da internet algumas imagens apenas delineadas, para esse propósito. E era assim que costumava passar algum do meu tempo livre, apesar de, aos poucos, ter perdido esse hábito (talvez os olhares de soslaio da minha mãe tenham contribuído...). Eventualmente vieram os dentes do siso e deixei de pintar de todo.

Agora é moda. E paga-se um balúrdio para estar na moda, claro. Nos "chinos" há livros com versões pesudo-copiadas e um pouco estranhas das princesas da Disney, umas quantas Navegantes da Via Láctea e arredores, ou mesmo uns sayajins, e acredito piamente que a coisa deve fazer o mesmo efeito que as mandalas mágicas. Afinal é só para pintar e aliviar o stress, se bem que eu não entendo como pintar dentro das margem de forma incólume de áreas com míseros milímetros quadrados pode ser uma actividade relaxante. Já sei, já sei... a criação de uma mandala é suposto ser um ritual de meditação e introspecção, uma representação espiritual do universo, e há mandalas fantasticamente desenhadas. Mas para mim, não passar as linhas quando estou a pintar é uma coisa super stressante, que até fico com o coração acelerado sempre que a ponta do marcador se achega a uma margem, tipo tirar um osso ao Mauzão e tentar que ele não nos ferre. Se me querem ver irritada, já sabem que basta enviar-me um livro de colorir e uns marcadores pelo correio. Quando ouvirem um grito a quilómetros de distância, já sabem que fui eu a atirar o material pela janela fora e a rogar-vos uma praga. Como é que era? Ultrapassar adversidades faz-nos mais fortes?! Uma praga é sempre um bom começo.

Ainda assim, é uma desculpa para dar à minha mãe. Quando ela me voltar a dizer que pintar livrinhos é coisa de criança, já posso dizer com muita satisfação que isso agora é coisa de "gente crescida que tem muito stress". Assim como assim, agora passatempo de criança é jogar nos tablets dos pais (ou deles próprios), por isso, that's right.


P.S.: Que fique bem claro que eu não tenho nada contra o pessoal que pinta mandalas. Isto é apenas uma sátira e, como disse acima, também gosto de desenhos para colorir. Acho só estranho que, de repente, toda a gente o faça. Provavelmente é assim porque é moda, e não pelo envolvimento espiritual do ritual em si. Para quem quiser se dedicar às pinturas sem gastar muito dinheiro, na internet há milhentas imagens, mandalas ou bonecada, para sacar gratuitamente.

sábado, 8 de agosto de 2015

Mudanças

Vim viver para Braga há sete anos. Na altura era uma "recém-adulta" acabadinha de sair do forno, com 18 anos, caloira e as únicas ocupações domésticas que sabia fazer eram comer e dormir. Não sabia cozinhar, porque em casa havia o seguinte mote: se "a menina" mexer no lume, queima-se; se "a menina" mexer numa faca, corta-se; se "a menina" se empoleirar num banco para resgatar uma coisa, cai e esparrama-se toda no chão. Ou seja, até ali existi na minha passividade de clausura em redoma de vidro. Não conhecia nada, porque nunca tinha tido "autorização" para sair da minha bolha. Se vissem "a parvinha" que eu era, a olhar para um admirável mundo novo ali, na eminência de acontecer... morreria de vergonha.

Fui então "depositada" por cá, num T2 com mais três raparigas que conheci na fila para a matrícula, onde dividia-mos os quartos. Éramos todas caloiras, e desejosas de conhecer o mundo. Os meus pais vieram comigo conhecer "os cantos à casa", e foi aí que a sua intervenção ficou. Mesmo sabendo que eu desconhecia essa arte feiticeira de cozinhar, tinha sempre duas opções: aprender sozinha ou esperar que alguém cozinhasse por mim, já que ficou bem esclarecido que não iam haver "aulas" da dita arte feiticeira em casa, e muito menos tupperwares de fim-de-semana congelados. Esse ano passou e, como seria de esperar, duas das minhas colegas foram viver com outras pessoas dos seus cursos e uma decidiu que lhe compensava ir e vir todos os dias visto que não morava muito longe. Sobrei eu.

Então tive que procurar uma nova casa. Tive um acidente de percurso (nunca mais duvidei do meu instinto depois disso, e comecei a confiar piamente no que ele "me diz") e fui para uma nova casa. Aprendi a cozinhar, a mexer em máquinas de lavar e como mudar botijas de gás. Fiquei nesse apartamento durante três anos, até aparecerem duas bodalhocas imundas e sem qualquer tipo de educação "criaturas" (ver ou relembrar situação da Entidade com menstruação aqui; saber ou relembrar quem é a Entidade aqui.). Mudei-me então para a casa onde estou agora, partilhei-a com uma louca durante quatro meses e com uma rapariga super fixolas durante dois anos. Este último que passou estive sozinha na casa, muito embora outras pessoas a tivessem visitado, porque, essencialmente, é um "buraco": entre coisas estragadas, inexistentes ou a cair, sobra muito mas muito pouco. No entanto, foi o mais barato que encontrei e... dinheiro teve que ser.

Apesar das parcas condições da habitação, a coisa foi-se passando, até ao momento em que o frigorífico deixou de funcionar. Alertei a senhoria, e a resposta que tive foi: vou-te aumentar a renda e o frigorífico logo se vê, que não tenho dinheiro nem disponibilidade agora, e só contigo na casa, não me sobra nada. Devo lembrar os leitores incautos que, se apenas cá resido eu, é por inércia da dona, que não faz obras e tem tudo bolorento, incluindo as paredes dos quartos livres que, por não estarem a ser "usados", têm humidade suficiente para uma ou várias culturas de bicharada. Para não falar nas portas dos armários que me caem em cima dos pés, dos electrodomésticos que, ou não existem ou não funcionam, na instalação eléctrica da casa de banho que não funcionou durante dois anos porque a ligação tinha sido feita com fio de telefone (não sei como não ardeu a casa toda connosco lá dentro), e por aí fora...

Agora tenho que mudar. É uma imposição da senhoria, à qual paguei, durante três anos, todas as minhas obrigações, sem falta. Há um mês que procuro novo poiso, mas o arrendamento subiu muito nos últimos sete anos. Não condeno quem investe num apartamento com tudo do melhor, e depois queira o devido retorno, mas tendo em conta o sovina que tenho em casa e que infelizmente ainda me paga as contas, tudo é caro. Tenho até ao final de Agosto para mudar e não tenho nenhuma perspectiva. Os quartos mais baratos são "em cima" dos bairros problemáticos, e eu não tenho intenção de ficar com as tripas de fora ou coisa do género. Há ainda a possibilidade de ir para um pequeno apartamento, mas... dinheiro. Gostava de mudar com o Moço, mas é quase impossível encontrar um apartamento em que aceitem um casal num quarto e, uma vez que ele ainda não conseguiu emprego, está ainda mais difícil. Se bem que tendo em conta que alguns T1's não são muito mais caro do que um quarto singelo, numa casa cheia de gente, com a qual me posso vir a dar mal, talvez compensasse, pelo menos em descanso. Bem sei que nem todos os estudantes são porcos bêbedos, eu própria não o era, mas é um risco demasiado grande e eu não me posso dar ao luxo de acordar às três da manhã só porque partilho casa com gente sem respeito. Mas... dinheiro. Arranjar um part-time é-me extremamente difícil visto que estagio a semana inteira, sem possibilidade de remuneração porque a minha ordem profissional não deixa, e assim permanecerei por, provavelmente, mais um ano e qualquer coisa, e aos fins-de-semana seria complicado porque tenho que ir a casa de vez em quando (a bolha ainda existe, aparentemente... esta sou eu, com 25 anos).


Ainda assim, comecei a "empacotar as coisas". E já parece um dos 12 trabalhos de Hércules. Já me tinha esquecido que mudar de casa era tão mau. Parece que aparecem coisas vindas de todos os sítios e hipotéticos buracos. Só aí uma pessoa vê a tralha que tem. Ao fim de sete anos, é espectável que já se tenha uma "casa montada" e não se viva com o meramente essencial à sobrevivência. Por este andar, as minhas férias vão ser procurar casa até à última e ensacar as minhas coisas. Nada de passeios, conhecer sítios novos ou descansar.

Depois de este post demasiado longo (nem sei como têm paciência para ler isto tudo...!), percebo como é fácil reduzir/desconstruir uma pessoa num punhado de sacos e caixas de cartão, mas que é difícil voltar a montá-la como uma pessoa inteira. Que há sempre alguma coisa que acrescentámos "à tralha", porque há sempre alguém que esteve naquele local antes de nós, e deixou alguma coisa esquecida para trás. E que há sempre alguma coisa que deixamos esquecida para trás quando "andamos em frente" que, muito provavelmente, irá acrescer "à tralha" de outro alguém.