quarta-feira, 22 de julho de 2015

A "Besta” #7 – Mestre Jedi das Caricas

E assim, como algo que nos acontece nos sonhos e nem percebemos muito bem como, sou Mestre Jedi das Caricas.

Perante a aproximação eminente da data de defesa da minha “besta”, o meu cérebro deixou de funcionar como de costume. A verdade, é que só em alturas de grande pressão é que “acordo para a vida” e se dá um fenómeno encefálico que me leva a esquecer o mundo lá fora. Não vi filmes, não li livros, quase não saí de casa para coisa nenhuma, excepto para trabalhar ou ir às compras, porque sem comida, também não ia lá. Panicava em qualquer momento que não tivesse a cabeça ocupada com coisa nenhuma, daí ter decidido continuar a ir ao escritório todos os dias, só para não ter uma coisinha má de tanto cogitar nos desastres que podiam acontecer quando estivesse a fazer a defesa.

Antes mesmo da minha defesa, fui assistir às provas de um colega que frequentou o mestrado comigo, porque além de ter interesse no tema que ele escolheu para a sua investigação, achei que seria bom para ver como é que a coisa se desenrola. Fiquei então a saber “as regras do jogo”: o candidato ao grau de mestre tem 15 minutos para introduzir o seu trabalho de investigação, depois o arguente dispõe de 30 minutos para fazer as perguntas que achar pertinentes, e finalmente o candidato dispõe de mais 30 minutos para responder a essas perguntas (ou pelo menos às que conseguir). Nessa ocasião, tenho a dizer, não era só o meu colega que estava nervoso. Eu senti a coisa como se fosse eu ali, no meio do mundo a ser esventrada questionada pela bancada. Sim, bancada, porque todos os membros do júri têm oportunidade para fazer as suas perguntinhas e não apenas o arguente.

Nos dias anteriores à minha defesa e, sobretudo, a partir da hora de almoço do “dia D”, fiquei em pânico. Se queria que a coisa se desse o mais rápido possível para passar e finalmente descansar, também estava cheia de medo e queria que o momento “da verdade” nunca chegasse. Foi um suplício para almoçar e para tentar não gregar o pouco que tinha no estômago. Mas não havia volta a dar. Levei mais de uma hora para me vestir e preparar, com calma, e saí de casa com bastante antecedência. Acho que caminhava de forma automática, com a mala cheia de papelada e os livros debaixo do braço do Moço, que eu nem sabia do que poderia precisar. Depois de chegar à Escola de Direito, tudo aconteceu demasiado rápido. Quando dei por mim, tinha chegado o momento de falar. Apresentei a minha tese, demorando mais tempo do que tinha primeiramente em mente, uma vez que antes do acto propriamente dito começar, o presidente de mesa me tinha dito para usar todo o tempo que tivesse disponível. “Mostra que sabes!”, foi o que ele me disse. E mostrei, o melhor que sabia e que os nervos me deixaram.

Estava com muito medo da arguição. Felizmente, esse medo era infundado. Na verdade, tudo se pareceu mais como uma conversa. Não sei se isso foi por o meu arguente não ser necessariamente da área que escolhi (a minha “bestinha” incide sobre o Direito de Autor, e o meu arguente dedica-se especialmente à Propriedade Industrial. Apesar de ambos fazerem parte da Propriedade Intelectual, há grandes diferenças que separam estas duas matérias), se não me queria massacrar depois de tudo o que passei para estar ali. Fez alguns reparos de forma acerca da dissertação, e as suas questões prenderam-se essencialmente com assuntos mais superficiais, e não em relação ao trabalho propriamente dito. Não estava mesmo à espera de uma abordagem deste tipo, uma vez que, como disse, já tinha assistido a uma defesa bem mais incisiva. Mas claro que tudo depende dos temas e dos arguentes. Daí que, em jeito de resumo, não posso dizer que tenha corrido mal, pelo contrário, apesar de ter gaguejado um pouco no início com o medo e a ansiedade, a coisa correu bem.

Após uns minutinhos privados de cogitação por parte do júri (o presidente da mesa, o arguente e a  minha "orientadora" da parte de Direito), deliberaram que a minha tese estava aprovada com uma nota de 17 valores. E foi assim, com beijinhos, felicitações e as “fotos da praxe”, que tudo terminou. Antes de chegar finalmente a casa, ainda parei no salão de chá perto da universidade para beber um chá e comer um docinho, e no hipermercado para comprar uma pizza (o jantar dos campeões =P ).

E agora? Agora é continuar o trabalho, concentrar-me no estágio e, possivelmente, numa “parceria” com um dos centros de investigação da ED para, espero eu, daqui a uns anos fazer o doutoramento. Descansar e fazer as coisas que gosto. And may the force be with you ^^

terça-feira, 21 de julho de 2015

A fugitiva voltou, ou "25" (se isto fosse um cd da Adele)

Cá estou eu. A vossa fugitiva favorita voltou ^^

De vez em quando, há alturas que um ser humano tem que "viver um pouco mais offline". É o meu caso. Há uns meses, quando hibernei, tinha a defesa da tese cada vez mais próxima, uma vida familiar infernal (que subsiste, só por acaso), muito trabalho no escritório e muito stress que já vinha acumulando. E quando a cabeça começa a ficar cheia, tenho a tendência para me desconectar.

Mas depois tenho saudades. Saudades de dizer todos os disparates que me apetecer por estes lados, saudades das pessoas que me liam e que eu lia também, que perguntaram por mim e quando é que eu iria reabrir o tasco - pessoas que, mesmo não as conhecendo em carne e osso, são importantes para mim. A verdade é que a vida é feita de fases, e eu sou bastante choné da carola, por isso, coiso. Estou de volta e para ficar, pelo menos por algum tempo até ao próximo chelique nervoso =P

Assim de repente, e para não começar a reentrée com um testamento monumental daqueles que vocês conhecem, digamos apenas que a minha defesa veio e foi (e sobre isso, como sei que há entre vós criaturas desesperadas que chegue a sua vez da chacina, digo, defesa da tese, vou falar com mais pormenor amanhã ^^ ), depois da tesourada monumental que sofreu há uns meses, o meu cabelo já está com um cumprimento aceitável, e continuo bookaholic e nerd como tudo!

E agora o mistério do nome deste post.


Quando a Adele lança um álbum, o seu título é o número correspondente à idade da cantora britânica aquando a sua elaboração. Pois bem... hoje é o dia em que oficialmente, e sem margem para dúvidas, sou uma adulta. Agora até já posso beber álcool em qualquer país do mundo (quer estiver a ler isto ainda vai pensar que sou uma borrachona... xD ). Vinte + 5 anos... já não dá como voltar atrás... Mas para compensar a tristeza de já ser uma cota, o Moço ofereceu-me as suas prendinhas, mesmo à meia noite, comigo a morrer de sono: uns sabonetes cheirosos, um prato de andares para colocar os meus cupcakes e bombons, (mais) uma caneca e... duas espadas de espuma de brincar de canalha. Agora é ver-nos a brincar com aquilo como tolinhos ^^ Só não vamos hoje ao cinema, como é tradição, porque o filme dos Minions só estreia na quinta =P

O resto do dia vai ser passado com o Moço, na companhia das espadas de espuma, do bolo que eu fiz para mim (não entendo por que razão não tive direito a um bolo em forma de Darth Vader versão Lego como o Markl... afinal, não é só ele que faz anos hoje!! *inveja saudável* ), o Episódio III de Star Wars no pc e... bem, vocês ^^

domingo, 5 de abril de 2015

Happy eating chocolate and watching animation movies day ^^


Pode não ser dia de páscoa para todos, mas ninguém diz que não a chocolates e "bonequinhos". Pelo menos eu não digo que não... não é Bunny Tsukino?! Como tu me entendes moçoila! =D

Vou ali comer o meu ovo da páscoa e já venho ^^ Happy eating chocolate and watching animation movies day to you all ^^

sábado, 4 de abril de 2015

Quando crescer vou ser uma cosplayer ^^

Para quem já lê este meu cantinho há uns tempos, sabe que eu entrei nas andanças do cosplay há relativamente pouco tempo, mas que adorei. Adorei, pronto!! Fiquei rendida à possibilidade de, por um dia, ser alguém completamente diferente (ou apenas um pouquinho diferente) de mim =P Aliás, todo o “novo mundo” que veio aliado aos eventos da chamada cultura pop é fantástico, com temas e assuntos que gosto bastante, como seria de esperar de uma pequena nerd como eu ^^
Podem ver um pouco do assunto aqui e aqui.

Mas afinal, eu estou para aqui a falar… mas o que é o cosplay?
O termo deriva das palavras costume + play. O praticante deste hobby, o cosplayer, veste-se e representa uma personagem de anime, filmes, série, BD, animação, jogos, et cetera. A ideia é tentar ficar o mais parecido possível com a personagem escolhida, através da apresentação estética e de uma verdadeira representação – tentar reproduzir as suas poses e movimentos característicos, como um actor “em personagem”.



Alguns exemplos de cosplays individuais e de grupo (da esquerda para a direita, de cima para baixo):
Sesshoumaru, de InuYasha
Harry Potter
Himura Kenshin, de Rurouni Kenshin (Samurai X)
Várias personagens do universo Marvel
As diversas Navegantes das várias temporadas de Sailor Senshi (Navegantes da Lua)


Na elaboração dos fatos (acessórios incluídos) são utilizados os mais variados materiais. Alguns cosplayers fazem os seus próprios fatos de raiz, ou adaptam algumas peças pré-concebidas; outros preferem delegar esse trabalho a terceiros e concentrarem-se na representação propriamente dita da personagem eleita.

E para quem acha que isto é “coisa de miúdos”… pois que se desengane! Com origem nos EUA em convenções de ficção científica, rapidamente o cosplay se espalhou por todo o mundo, com um foco especial no Japão, e é praticado por todo o tipo de pessoas, independentemente de género, idade, cor ou nacionalidade.

Em Portugal existem alguns eventos e meets de cosplay (estes últimos muitas vezes organizados pelos próprios entusiastas destes hobby), onde há concursos, desfiles e sessões fotográficas ou apenas uma tarde bem passada com o pessoal. Ainda só fui a dois eventos e a nenhum meet, uma vez que sou nova nisto e porque vejo publicitados muitos eventos em Lisboa e menos nas outras zonas do país que, cada vez mais, começam também a despertar para tudo que envolve a chamada cultura pop.

 À esquerda, como Wednesday Friday Addams, de The Addams Family.
À direita, como Abby Sciuto, de NCIS.

Estes fatos foram relativamente fáceis de executar: para Wednesday apenas comprei o vestido numa loja de roupa; para Abby comprei uma extensão de cabelo nos chinos que cortei para servir de franja, uma vez que tudo o resto já eu tinha no guarda-fatos lá de casa (usei a minha própria roupa e sapatos ^^ ).


Adoro fazer cosplay. Sei que ainda sou uma novata, mas adoro, adoro, adoro!! É mesmo divertido sermos “outro alguém” e, sobretudo, “um alguém” que gostamos. Sinceramente, acho que o cosplay também passa um pouco por prestarmos um tributo aos personagens que gostamos, que nos dizem alguma coisa e que são, de alguma forma, importantes para nós. Porque passam-se horas a pesquisar na internet as roupas, as poses, os acessórios, os sorrisos e as carantonhas, ou então a encontrar uma forma de dar ao fato o nosso próprio twist original, para que fique o melhor possível, ou o melhor que nos seja possível. Podem dizer que é uma coisa “de crianças” ou de tolinhos, que é uma perda de tempo e dinheiro, mas é como tudo: se gostamos, que interessa isso?! Gostos são gostos, e como diz o ditado, são se discutem. Faz-nos sentir melhor, e isso é que interessa! Sabe bem ver que as outras pessoas, cosplayers ou não, gostaram do nosso fato/representação, reconhecem a nossa personagem e nos dão os parabéns, ou nos pedem uma foto. Isso significa que valorizam o nosso esforço. Faço sempre questão de dizer a um cosplayer que gostei do seu fato, porque em muitos casos estão ali horas de trabalho e dedicação, de agradecer quando o fazem comigo. E também aprendi a não julgar os fatos dos demais. Cada um faz o seu melhor, e se as coisas não correram assim tão bem da primeira vez, é tentar e melhorar cada vez mais!

E agora…

Tsaraaaa!! Esta é a foto dos dois novos fatos que estou a preparar, com a ajuda das capacidades de costureira da minha mãe, com as quais não fui agraciada. Sou uma nódoa até a cozer botões – a única coisa que sei fazer com agulha e linha (link). Desta vez, vou tentar fazer os fatos mais ou menos de raiz. São para um próximo evento, mas ainda não há datas confirmadas. Quando as houver, eu aviso-vos ^^

Será que conseguem adivinhar qual serão as personagens?! Mesmo que adivinhem, não vou revelar… porque será surpresa. Mas gostava de ver se, com apenas uma foto, conseguem lá chegar =P

Para finalizar, aqui fica um vídeo fantástico que resume o que é ser um cosplayer:





Para saberem mais sobre cosplay, ou apenas dar uma olhadela por curiosidade, aqui ficam algumas referências:
  • Associação Portuguesa de Cosplay: página de Facebook.
  • Cosplayer E-zine (revista digital sobre cosplay gratuita): site e página de Facebook.
  • OtakuPt (portal dedicado à cultura japonesa): site e página de Facebook.



* As fotos dos diversos cosplays e cosplayers presentes neste post, para além de mim mesma, foram retirados da internet para servirem como exemplo. E por favor, se eu escrevi alguma asneira... avisem-me!

quinta-feira, 2 de abril de 2015

I solemnly swear that i'm up to no good

Parece que hoje é o dia do livro infanto-juvenil, segundo a Rádio Comercial.

Foi precisamente no início da adolescência que comecei a ter gosto na leitura. Até hoje, coleccionei mais livros do que aqueles que consigo tenho paciência para contar, os quais nunca são suficientes: tenho uma necessidade quase animalesca de comprar mais e mais livros - é algo que me faz extremamente feliz. Quanto a lê-lo... isso já é mais complicado. O tempo livre para ler em lazer e deixar-me viajar por mundos novos ou velhos é muito pouco, e por vezes a paciência depois de um longo dia de trabalho é ainda menor. Mas há sempre um livrito mesmo ali ao lado pronto para ler lido.

De todos os livros que li, uns foram mais interessantes ou importantes do que outros, como seria de esperar. E tendo em conta o dia de hoje, vou falar-vos de um livro (ou saga) que foi muito importante para mim. É certo que foram "as luas e as praias" de Maria Teresa Maia Gonzalez que me fizeram adorar a leitura ociosa e descomprometida, mas foi a magia do pequeno Harry Potter de J.K. Rowling que me fez sonhar bem alto. 

Lembro-me que a mãe de uma colega da escola me ofereceu o primeiro livro da colecção num aniversário, quando completei 11 anos. Comecei a lê-lo, mas "alguma coisa" simplesmente não batia certo. Ao ler a sinopse na contra-capa, tinha percebido que a história era uma coisa totalmente diferente, e presa àquele pequeno escrito, pousei o livro e não voltei a pegar-lhe durante algum tempo. Mas de alguma forma, as poucas páginas que lera ficaram gravadas na minha memória e, quando, no final do ano de 2001, fui ao cinema ver um filme sobre um rapazinho feiticeiro com uma cicatriz em forma de raio na testa, percebi o quão tola tinha sido em não insistir naquela leitura. Mal cheguei a casa, naquela noite, fui a correr pegar na Pedra Filosofal. E o pequeno "rapaz que sobreviveu" ficou comigo para sempre.

Tenho e li os 6 primeiros livros da saga, que ia pedinchando (até ao cúmulo das lágrimas e berreiro, uma vez que o meus pais, nessa altura, não queriam gastar dinheiro com coisas como livros, e achavam que eu apenas estava a fazer uma birrinha típica de menina mimada que nem sabe bem o que quer). Mal chegavam às minhas mãos, lia-os com uma avidez tresloucada e sonhadora. Adorava e devorava cada página: era um mundo totalmente diferente, cheio de aventura e novidade, e de magia. Sempre me perguntei porque razão nunca tinha recebido a carta de Hogwarts.* Queria ver, com os meus próprios olhos, essa Londres desconhecida que se desvendava para mim a cada virar de página. Ri e chorei, e cresci conforme ia lendo mais um volume, ao mesmo tempo que os protagonistas. Ainda me falta ler o último livro, mas isso é uma história um pouco complicada e que deixo para outro dia. Mas quero voltar a ler a colecção inteira, um dia, de início ao fim.

Este é um resumo demasiado pequeno e singelo para algo que para mim foi muito importante. Entretanto, vou-me maravilhando com o mundo virtual que a J.K. Rowling criou para todos os fãs do seu Harry. O site Pottermore é fantástico! É necessário registo, mas vale a pena: podemos ir ao Ollivander's escolher uma varinha (ou deixar que uma varinha nos escolha a nós ^^ ) e ser seleccionado para integrar uma das quatro casas da escola: Gryffindor, Slytherin, Hufflepuff e Ravenclaw; podemos ter aulas de poções e de encantamentos, fazer quests e ir coleccionando diversos itens que nos vão dando pontos para ajudar a nossa casa a vencer a competição pela taça anual. Para quem nunca recebeu a carta, é um bom substituto. 

Para que saibam, fui seleccionada para Slytherin. O Moço, que é Gryffindor, achava que seria uma Ravenclaw por gostar de livros e de aprender. Na verdade, eu sempre soube que o meu lugar era na mesa verde esmeralda e prateada. Mas depois de ter lido a carta de boas-vindas (completa aqui, para quem quiser ler), não tive qualquer dúvida que só poderia ser uma Slytherin: eles jogam para vencer, tentar aperfeiçoar-se o mais possível, protegem-se uns aos outros, não se julgam mutuamente e são muitas vezes incompreendidos. E isso não tem nada a ver com ser-mos bons ou maus - isso é ser-se humano.

E é isto, que a conversa já vai longa. Se quiseram partilhar quais os livros infanto-juvenis que vos marcaram especialmente (não têm que os ter lido enquanto crianças e/ou adolescentes) e porquê, força!! Uma recomendação extra é sempre bem-vinda.

Mischief managed.




* Na verdade, até há uma explicação. Aparentemente, os "amiguinhos" de Voldemort estraçalharam, muito convenientemente, os registos dos feiticeiros nascidos entre 1985 e 1998 de ascendência Muggle. Ainda estou à espera da minha carta, portant's =P

Nota: Por favor, não me façam spoilers do último livro, que eu ainda não li. Agradecida ^^

segunda-feira, 30 de março de 2015

Tontices e minhoquices


Pessoas, voltei.

E com coisas para vos contar. Quando fico por Braga aos fins-de-semana, eu e o Moço arranjamos sempre alguma actividade específica par fazer, especialmente agora que parece que o bom tempo veio para ficar. Na outra semana que cá estivemos fomos ao AONIME, e desta vez aproveitamos para dar "um saltinho" ao centro para mais uma feirinha de usados, vulgo, comprar livrinhos em segunda mão ^^

Pelo caminho encontramos uma outra feirinha, de usados e de artesanato, que nem sabíamos que ia acontecer. Obviamente, paramos numa banquinha de doçaria, e compramos um potinho de doce de laranja e maçã (que é muito bom, já agora!).


Chegados à feirinha de antiguidades e velharias, que se realiza na Rua do Castelo e arcadas aos 4.º e 5.º sábado de cada mês, a qual era o nosso destino inicial, atacamos os itens que sempre nos levam lá: os livros. Muitas são as vezes em que farejamos e farejamos as bancas de livros de uma ponta à outra, mas não encontramos nada do nosso agrado e voltamos para casa de mãos vazias e de trombas (no meu caso). No entanto, das duas últimas vezes que lá fomos, trouxemos algumas "preciosidades", como a edição antiga da Europa-América de O Regresso do Rei da trilogia de O Senhor dos Anéis de Tolkien, que o Moço andava à procura há imenso tempo, por apenas €5, ou os dois primeiros volumes da saga Batalha no Espaço, que são também os primeiros dois volumes da colecção FC, e que surgiram a partir da mundialmente conhecida série televisiva dos anos '70, Battlestar Galactica. E consegui comprar um livro de Direito (mais ou menos recente), sobre Informática! É o primeiro livro "de trabalho" que compro, para além dos códigos =P


Depois fomos passear pela cidade, para aproveitar o sol ^^ Braga tem espaços bastante agradáveis e edifícios muito bonitos que,  infelizmente, se vêm degradando com os anos. Já se vêem pessoas na rua, muitos miúdos a correr de um lado para o outro, e as abelhas a fazer "o seu trabalho" =P







Alguns dos livros adquiridos nas últimas visitas à feira de usados:

(da esquerda para a direita, de cima para baixo)

Farpas Escolhidas, de Ramalho Ortigão (uma selecção de Rodrigues Cavalheiro de alguns textos que compõem os 18 volumes de As Farpas, escritas, numa primeira fase, em parceria com Eça de Queirós)
101 Perguntas e Respostas de Direito da Internet e da Informática, de Ana Margarida Marques, Mafalda Anjos e Sónia Queiróz
- Batalha no Espaço vols. 1 e 2: A Estrela-de-Batalha e A Armadilha Mortal, de Glen A. Larson e Robert Thruston
Mulherzinhas, de Louisa May Alcott
O Planeta dos Macados, de Pierre Boulle



E claro... eu a agarrar-me aos meus novos livrinhos =)





Já em casa, depois de muita insistência do Moço, fiz um bolo novo para nos lambuzarmos todos: bolo mármore de chocolate e laranja, cuja receita já não sei onde fui buscar - mas podem encontrar uma das mil e uma variantes numa pesquisa rápida na internet. O resultado foi este:


Claro que, no dia seguinte, fomos queimar as banhas. Ontem, pela primeira vez na minha vida vesti umas leggings. Foi o acontecimento histórico da década, anotem por aí algures. Eu, que nunca pensei vestir tal coisa na vida... lá fui para o parque aqui ao lado "dar uns salinhos". Mas vá, tenho desculpa porque eram para fazer desporto, e a malha era daquela mais grossas que não deixa ver para dentro. Foi em prol da saúde, valha-nos isso =P Consegui correr uma pista e utilizar algumas das máquinas que se encontram espalhadas pelo parque... porque as outras eram de tamanho "para adultos".

Agora é a vossa vez de avançarem as vossas novidades ^^

terça-feira, 17 de março de 2015

Porque desmaiar com estilo é uma arte

Sou pessoa de passar a vida a tropeçar nos paralelos da rua, nos móveis, nos sapatos perdidos no meio do corredor e até nos próprios pés. Escorrego no chão de madeira, nas escadas e na banheira. Mas felizmente, é muito raro cair (a minha carteira agradece, que partir dentes e óculos está fora do Orçamento de Estado da Pseudo-República da Minha Casa). Cair é coisa corriqueira, acto que qualquer moçoila executa com relativa frequência. Desmaiar é coisa de diva. Só desmaiei uma vez na vida, mas acredito que tenha valido por dez.


Véspera de passagem de ano, 2012

Depois de jantar e de preparar a mala para, no dia seguinte, voltar a Braga, para ir trabalhar e passar o Reveillón com o Moço, estive a fazer tempo ao computador até chegar a hora do alegre soninho. De repente, assim completamente do nada, senti uma vontade absurda de vomitar (e eu que nem sou "dessas coisas"). Nem tive tempo de chegar à casinha e aqui terminam as minhas descrições extremamente gráficas. Tentei comer qualquer coisa para compensar o que "lá fora", mas o meu corpo repelia, por todos os lados (não me façam explicar), tudo o que ingeria. E nisto a minha mãe solta o alarme: "Tens que ir ao hospital levar soro. Isso deve ser uma gastroenterite". Naquele instante, acho que fiquei curada, mas infelizmente esse estado de plenitude não durou muito tempo. Enquanto imagens de agulhas a virem na minha direcção me deixavam mais desidratada do que já estava, ouvia o meu pai rugir que eu era uma gulosa e que tinha sido a minha alarvice de comer tudo o que vira no natal me tinha deixado naquele estado, completando que no dia seguinte não ia a lado nenhum, que quem mandava era ele e que o trabalho pendente e a passagem de ano com o Moço "já eram", sem possibilidade de negociação. Eu com uma gastroenterite e ele preocupado com o "seu poder". Cada um com as suas prioridades (viram a referência lá em cima sobre a pseudo-républica?!).

Chegados ao hospital, eu e a minha mãe fomos ao check in, enquanto o meu pai foi estacionar o carro. Enquanto ela falava com a senhora administrativa, carregando as carteiras das duas, eu limitei-me a encostar o corpo ao balcão e a cabeça ao vidro que separa os intervenientes. De repente, deixei de ver, graças à fraqueza que a gastroenterite tão prontamente me proporcionou. O meu pensamento seguinte foi: vou estatelar-me no chão.

Cair em slow motion faz toda a diferença. Mesmo antes de desmaiar, ainda disse à minha mãe "acho que vou cair...", enquanto, contou-me ela depois, já estava eminentemente em cima dela. A última coisa que me lembro é da administrativa a bater com um porta-chaves no vidro, e eu, com as minhas funções cerebrais (de qualidade duvidosa) ainda em funcionamento, pensei: "Eu aqui quase a desfalecer e a burra a bater-me no vidro?! Deve pensar que assim 'acordo' mais depressa...". Posteriormente, vim a saber, também pela minha mãe, que o repique no vidro era para os dois bombeiros que estavam ao meu lado e que não repararam em nada, já ela estava como cristo, de braços abertos, com as carteiras das duas e a filha "apagada" estilo saco de batatas em cima. Foi preciso o porteiro, a metros de distância, vir a correr para ajudá-la.

Entretanto comecei a ouvir sons e, quase ao mesmo tempo, a sentir as orelhas quentes. Foi a primeira coisa que senti de forma física. Nesse instante, lembrei-me de uma amiga dizer que esses são os primeiros "sintomas" pós-desmaio. A minha função cerebral é um espanto. Depois pensei: daqui a nada já consigo ver, enquanto constatava que me encontrava em movimento e com a boca seca (quando o porteiro me colocou na cadeira de rodas de emergência que têm na entrada, devo ter aberto a boca e ninguém teve o cuidado de ma fechar... --'). O que é que fiz quando "voltei totalmente a mim" já no corredor das urgências? Comecei-me a rir, tentando imaginar as figuras tristes que tinha feito. Estava quase curada, "portantos", mas não me safei do soro. A maneira vergonhosa como me portei frente à enfermeira de serviço não é para aqui chamada, mas tenho que dizer que a senhora foi muito paciente comigo (já deve estar habituada aos "clientes" com pânico de agulhas, suponho). Enquanto isto, o meu pai permanecia na sala de espera, onde reapareci com fénix albina renascida das cinzas, com soro no bucho e a receita algures perdida na carteira tamanho XL da minha mãe. A sua primeira pergunta foi, muito carinhosamente: "Pagaste as taxas moderadoras?!" (A resposta negativa, porque nessa altura ele não tinha deixado passar o prazo de renovação da isenção, acalmou-lhe o coração sobressaltado. Se ele tivesse assistido ao show que dei gratuitamente, teria cobrado bilhetes para compensar o valor da gasolina gasta.)

Meados de Março de 2015

Não voltei a repetir a proeza.