E assim, como algo que nos acontece nos sonhos e nem percebemos muito bem como, sou Mestre Jedi das Caricas.
Perante a aproximação eminente da data de defesa da minha “besta”, o meu cérebro deixou de funcionar como de costume. A verdade, é que só em alturas de grande pressão é que “acordo para a vida” e se dá um fenómeno encefálico que me leva a esquecer o mundo lá fora. Não vi filmes, não li livros, quase não saí de casa para coisa nenhuma, excepto para trabalhar ou ir às compras, porque sem comida, também não ia lá. Panicava em qualquer momento que não tivesse a cabeça ocupada com coisa nenhuma, daí ter decidido continuar a ir ao escritório todos os dias, só para não ter uma coisinha má de tanto cogitar nos desastres que podiam acontecer quando estivesse a fazer a defesa.
Antes mesmo da minha defesa, fui assistir às provas de um colega que frequentou o mestrado comigo, porque além de ter interesse no tema que ele escolheu para a sua investigação, achei que seria bom para ver como é que a coisa se desenrola. Fiquei então a saber “as regras do jogo”: o candidato ao grau de mestre tem 15 minutos para introduzir o seu trabalho de investigação, depois o arguente dispõe de 30 minutos para fazer as perguntas que achar pertinentes, e finalmente o candidato dispõe de mais 30 minutos para responder a essas perguntas (ou pelo menos às que conseguir). Nessa ocasião, tenho a dizer, não era só o meu colega que estava nervoso. Eu senti a coisa como se fosse eu ali, no meio do mundo a ser esventrada questionada pela bancada. Sim, bancada, porque todos os membros do júri têm oportunidade para fazer as suas perguntinhas e não apenas o arguente.
Nos dias anteriores à minha defesa e, sobretudo, a partir da hora de almoço do “dia D”, fiquei em pânico. Se queria que a coisa se desse o mais rápido possível para passar e finalmente descansar, também estava cheia de medo e queria que o momento “da verdade” nunca chegasse. Foi um suplício para almoçar e para tentar não gregar o pouco que tinha no estômago. Mas não havia volta a dar. Levei mais de uma hora para me vestir e preparar, com calma, e saí de casa com bastante antecedência. Acho que caminhava de forma automática, com a mala cheia de papelada e os livros debaixo do braço do Moço, que eu nem sabia do que poderia precisar. Depois de chegar à Escola de Direito, tudo aconteceu demasiado rápido. Quando dei por mim, tinha chegado o momento de falar. Apresentei a minha tese, demorando mais tempo do que tinha primeiramente em mente, uma vez que antes do acto propriamente dito começar, o presidente de mesa me tinha dito para usar todo o tempo que tivesse disponível. “Mostra que sabes!”, foi o que ele me disse. E mostrei, o melhor que sabia e que os nervos me deixaram.
Estava com muito medo da arguição. Felizmente, esse medo era infundado. Na verdade, tudo se pareceu mais como uma conversa. Não sei se isso foi por o meu arguente não ser necessariamente da área que escolhi (a minha “bestinha” incide sobre o Direito de Autor, e o meu arguente dedica-se especialmente à Propriedade Industrial. Apesar de ambos fazerem parte da Propriedade Intelectual, há grandes diferenças que separam estas duas matérias), se não me queria massacrar depois de tudo o que passei para estar ali. Fez alguns reparos de forma acerca da dissertação, e as suas questões prenderam-se essencialmente com assuntos mais superficiais, e não em relação ao trabalho propriamente dito. Não estava mesmo à espera de uma abordagem deste tipo, uma vez que, como disse, já tinha assistido a uma defesa bem mais incisiva. Mas claro que tudo depende dos temas e dos arguentes. Daí que, em jeito de resumo, não posso dizer que tenha corrido mal, pelo contrário, apesar de ter gaguejado um pouco no início com o medo e a ansiedade, a coisa correu bem.
Após uns minutinhos privados de cogitação por parte do júri (o presidente da mesa, o arguente e a minha "orientadora" da parte de Direito), deliberaram que a minha tese estava aprovada com uma nota de 17 valores. E foi assim, com beijinhos, felicitações e as “fotos da praxe”, que tudo terminou. Antes de chegar finalmente a casa, ainda parei no salão de chá perto da universidade para beber um chá e comer um docinho, e no hipermercado para comprar uma pizza (o jantar dos campeões =P ).
E agora? Agora é continuar o trabalho, concentrar-me no estágio e, possivelmente, numa “parceria” com um dos centros de investigação da ED para, espero eu, daqui a uns anos fazer o doutoramento. Descansar e fazer as coisas que gosto. And may the force be with you ^^













