terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Há um lugar no inferno reservado para as pessoas que surripiam guarda-chuvas alheios

É verdade, a chuva parece ter vindo para ficar, para mal dos meus pecados. Não gosto nada de chuva, de andar sempre com o chuço pendurado, de ficar com o cabeço frisado todos os dias independentemente da quantidade de óleo/creme que lhe meta em cima, de ter de limpar os óculos sempre que saio à rua, e de molhar os pés (ou as pernas, quando a água, em vez de entrar pela sola descolada, entra pelo cano da boa e escorre pela perna toda...). Eu cá prefiro frio o chuva. Apesar de também não ser nada agradável andar em modo cubo-de-gelo, mais uma ou duas peças de roupa e coisa remedeia-se. Pés molhados não.

Quando chove, não é apenas o céu que fica cinzento: é tudo. As ruas, os jardins, as pessoas ficam sem cor. A falta de luz do sol (e de vitamina D) faz crescer dentro de nós uma tristeza inexplicável e adormecedora.

Mas pior que tudo isso, são aquelas pessoas que surripiam os guarda-chuvas dos outros. Hoje fui a um café numa pausa de trabalho, e deixei ficar o meu chuço no baldinho para o efeito à porta do estabelecimento. Estive lá nem uns dez minutos. Quando ia a sair quase fiquei cega. Um imbecil qualquer (ou uma imbecil, não sei), levou o meu guarda-chuva e deixou ficar um muito parecido... e em considerável pior estado. E não, não acredito que a pessoa tenha trocado os chuços por serem parecidos, porque só de olhar percebi que o que tinha ficado não era o meu - que era bom, que não tinha as varetas amolgadas e cheias de ferrugem, que não vergou durante dois anos à ventania de Braga, e que era o único que tinha.

Acredito piamente que há um lugar no inferno reservado para as pessoas que surripiam guarda-chuvas alheios (ou pelo menos, é um pensamento que me dá algum alento nesta hora).

sábado, 10 de janeiro de 2015

Saldos de "província"

Não sei se é só de mim... mas os saldos esta temporada estão pelas horas da morte. Ontem aproveitei a tarde livre para ir a algumas lojas, mas vim desconsolada. Para além de não conseguir encontrar quase nada de jeito (bem sei que sou esquisita, mas não me lembro de, noutra situação semelhante, não encontrar praticamente nada que gostasse), as peças em saldo são pouquíssimas. Comprei apenas uma t-shirt do Mickey para usar "de fim-de-semana" e um anel. Ok, confesso que foi bom para a carteira uma vez que apenas gastei €5, mas ver o Moço com mais sacos do que eu, não é algo a que esteja habituada.

Mas acho que já percebi o que se passa... O nosso "Primeiro" explica às massas:

Na cerimónia de assinatura do consórcio da UNorte.pt, que junta as universidades do Minho, do Porto e de Trás-os-Montes e Alto Douro, a qual se realizou em Vila Real, o nosso "Primeiro" declarou que, embora esta iniciativa seja inspiradora, e o Estado esteja interessado em ser parceiro, precisa de "conhecer as regras", já que é necessário um "grande sentido de realidade e pragmatismo". É certo que destacou este caminho seguido pelas três universidades em questão, mas que não podemos "pensar só no Norte", acrescentando ainda que "não podemos ter uma visão provinciana, paroquial, mas antes uma visão cosmopolita, aberta e global dos nossos projetos e intenções"*.

Oh homem, podias ter dito logo de caras que achas que a iniciativa é boa, mas que devia ter sido feita em Lisboa. E já agora, a Comic Con também. É provável que alguém se tenha esquecido de te dizer que Porto e Braga são as segunda e terceira cidade, respectivamente, mais desenvolvidas e cosmopolitas do país. Mas lá está: em Lisboa usam-se fundos comunitários; cá no Norte, a zona mais pobre do país e das mais pobres da Europa, fazem-se "omeletes com os ovos que se tem", como bem dizes.

Por isso, meus caros, está explicado porque razão os saldos "cá por cima" estão a ser uma treta: nas províncias, não se pode esperar mais. Acho que vou ter que ir a Lisboa aos saldos...



* Os trechos a itálico são citações da versão impressa da notícia do JN de hoje.


Adenda: Obviamente, o facto de os saldos estarem a revelar-se uma nulidade, não tem nada a ver com regionalismos (apesar de as diversas lojas de uma mesma entidade terem produtos diferentes entre si).

Quero deixar bem claro que não tenho nada contra as pessoas de outras regiões, lisboetas incluídos - que não têm culpa que na capital se concentre todo o tipo de serviços (e de subsídios europeus). Afinal, é a capital do pais. Acho apenas que a situação supra descrita foi, no mínimo, infeliz e despropositada.

Finalmente, espero que a Comic Con continue a realizar-se no Porto (ou nos "arredores" como algumas pessoas gostam de dizer), porque assim de repente, não conheço mais nenhum evento do género que não seja fora da área metropolitana de Lisboa (já que Amadora, segundo essas mesmas pessoas, não é Lisboa). Ao menos, tenho um evento a onde ir, nem que seja somente uma vez por ano ^^

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Holding hands

Há dias ia na rua e reparei que duas miúdas vinham na minha direcção. O que me fez olhar para elas foi o facto de uma ser extremamente alta (mas eu também tenho 1,53m... qualquer coisa para mim é extremamente alta =P ), e a outra estar mais ou menos ao meu nível. Como a minha avó costuma dizer, era "a sorte grande e a terminação". Só quando estávamos praticamente frente a frente é que reparei em algo que me fez sorrir tenuemente: elas vinham de mãos dadas.

Não sei se eram namoradas ou amigas, mas fiquei contente por ver que eram capazes de mostrar o seu afecto uma pelo outra sem medo de qualquer censura. Amizade também implica afecto. Porque não haverei eu de dar a mão a quem quero bem?!

Uma noite sai com alguns amigos, e fomos a um bar que, supostamente, era "alternativo". Chegamos ao local e aquilo estava apinhado, de tal maneira, que tivemos que dar as mãos para não nos perdermos. Às páginas tantas, já parados algures no meio do bar, apenas eu e uma amiga permanecemos com as mãos dadas. Depois disso só me lembro de lhe dizer "estamos a passar por lésbicas". "Porquê?", replicou ela meio confusa, ao que eu respondi simplesmente "porque estão todos a olhar para nós de uma maneira, que se pudessem, já nos tinham fulminado". Não consegui ficar naquele local nem mais um minuto, não pelas pessoas estarem a olhar, mas pelo nojo que não consegui não sentir por elas.

Sempre andei de mãos dadas com as minhas amigas. Se eu me abraço a elas, se passo tanto tempo da minha vida com elas, se elas estão lá nos bons e nos maus momentos, se vou a casa delas e acabo a dormir na mesma cama que elas mesmo que hajam outras de vago, porque haverá mal em dar-lhes a mão? Porque é que só posso dar as mãos a um homem?! Isso significa que não posso dar a mão à minha mãe ou a uma irmã que tivesse? E se realmente fosse lésbica, alguém teria alguma coisa com isso?! 

Amor é uma coisa boa, independentemente de quem o dá e de quem o recebe. E de novo, não sei se as raparigas que vi eram amigas ou namoradas, mas acho muito bem que façam aquilo que lhes traz felicidade, em vez de viverem numa mentira, de fachada, só por causa "dos outros". Sim, sou a favor do casamento/união entre pessoas do mesmo género. Acima de tudo, sou a favor que as pessoas sejam felizes.

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

A décima segunda noite

Não, não é da peça de Shakespeare que vou falar (mas sim, há uma peça dele com este nome e é bem fixolas!). Hoje é o dia de Reis, no qual os Reis Magos vindos do Oriente finalmente chegaram à manjedoura e entregaram os presentes ao menino (não, não foi o pai natal =P), precisamente doze dias depois do seu nascimento. Também não admira: montados em camelos e a usar uma estrela como GPS, já foi muito bom terem chegado de todo =P

Quero com isto dizer que, tendo em conta os saldos que por aí andam, devíamos fazer como os espanhuelos aqui do lado, e apenas trocar presentes neste dia. Eles passeiam-se nas nossas lojas depois do natal, compram tudo (o que é bom para nós) e chegam "à terra deles" cheios de prendas e com uma roupinha super chiquérima para a passagem de ano a muito menor custo que o pessoal deste lado da fronteira. A partir de agora, em nome da História (ou daquilo que contam), vou passar a dar as prendas nos Reis. (Não vou nada, mas pronto, valeu pela intenção, hehe).

Às vezes lembro-me de cada coisa mais louca, que até a mim me surpreende =P

Podem ver mais cartoons engraçados sobre o tema aqui.

sábado, 3 de janeiro de 2015

Comédias e Tragédias... e livros à mistura

Ora muito bem, na passada quinta-feira, depois da minha exposição sobre a lambarice que para aqui foi na passagem de ano, descobri que esse dia (01 de Janeiro) é o dia da Lei do Direito de Autor. Eu, que adoro livros e esta área do Direito em particular, sobre a qual se debruçou a minha "besta", acabei por descobrir umas outras coisas "deveras interessantes" enquanto dava umas voltinhas pela net. Resumindo, vou ferir susceptibilidades e ser inundada de "coisinhos maus" por isso.

(Eu sei que este é um post grande, mas por favor, leiam-no até ao fim).

Pelo que já tive oportunidade de dizer, já devem ter notado que não sou "fã" de editoras, tendo em conta a forma que estas estão concebidas actualmente, forma esta que pouco ou nada mudou desde a época que eram meras entidades com privilégios régios de impressão de obras. As editoras são necessárias, não estamos aqui para enganar ninguém, no entanto, a instituição arcaica que hoje subsiste deixa de ter algum sentido quando o autor, finalmente, aprendeu a auto-promover-se.

Seria absurdo dizer que toda a equipa que labora numa editora para que uma obra seja presente ao público, quer através dos meios tradicionais, quer através do digital, não deva ser remunerado pelo seu trabalho, e sempre de acordo com o serviço prestado. Todavia, o mesmo dever-se-ia aplicar ao autor, o qual, na grande maioria das vezes, recebe apenas 10% do preço pago pelos leitores nas livrarias (físicas ou online). Se estivermos a falar de antologias ou colectâneas de contos/noveletas, esses mesmos 10% são divididos por todos os autores. Obviamente que, depois disto, muitos aspirantes nacionais a artista (e não apenas escritores) pensam duas vezes e decidem ter um "emprego de dia", porque escrever não dá para pagar as contas. No entanto, hoje em dia existem mil e um serviços que as substitui e que, se bem escolhidos e trabalhados, dão a possibilidade do autor ser (quase) auto-suficiente.

A publicação online é hoje uma realidade utilizada por muitos. Existem diversas plataformas onde os autores podem disponibilizar as suas obras, de forma gratuita ou onerosa (a preços muitas vezes simbólicos). Desta forma, o autor receberá todo ou quase todo o valor pago pelo leitor (no caso do Smashwords, o autor recebe 85% das vendas realizadas, sendo que é o próprio a decidir o preço de cada obra sua, ficando a plataforma com 15% desse valor, como forma de remuneração pelo alojamento das obras disponibilizadas).

Quanto à capa e à organização/edição do livro, há várias ferramentas gratuitas na internet para o efeito ou, caso seja do interesse do autor, este poderá sempre contratar um profissional que fará o trabalho por um preço que ficará muito aquém do praticado por uma editora. Da mesma forma, o criador intelectual poderá angariar leitores/revisores para ler/rever/corrigir/opinar as suas obras, dependendo dos casos, antes de estas estarem disponíveis, de forma a ter "antecipadamente" uma amostragem do comportamento do público, algo que eu já fiz diversas vezes (este trabalho é quase sempre feito por voluntários, logo, de forma gratuita, apesar de eu conhecer alguns casos em que não é bem assim...). Mesmo no âmbito da obra física, o autor poderá facilmente contratar uma empresa gráfica para proceder à impressão dos exemplares físicos que deseja comercializar nas lojas de rua ou mesmo na rede.

Publicidade? As redes sociais e de divulgação, por si só, são um mundo, e muitas vezes gratuitas. Conheço muitos casos em que os próprios autores oferecem pequenas obras sua ou samples destas, para fazer o seu trabalho chegar ao público de forma mais ágil e subtil. Os leitores irão, com toda a certeza, agradecer e ficar curiosos, com vontade de ler mais obras deste ou daquele autor e, posteriormente, quererão adquirir novas obras mesmo que tenham que pagar (de novo, muitas vezes um preço simbólico) para as ler.

Infelizmente, as edições de autor nem sempre têm grande futuro, especialmente no que toca às versões impressas, uma vez que há aquele "conceito geral" vindo sabe-se lá de onde, de que “se as editoras não quiseram este livro/este autor, é porque ele não tem qualidade (ou rentabilidade)”. Ninguém pergunta ao autor se aceitou ser publicado por esta ou aquela editora e, em caso negativo, porquê. Mas pior do que isso, são situações em que o autor deve trabalhar gratuitamente, sendo que a sua remuneração deverá ser entregue a outros intervenientes. Não sou contra, como disse acima, que as pessoas, independentemente do trabalho realizado ou do cargo ocupado, não devam ser remuneradas em função deste. É óbvio que devem! Mas nunca o deveriam ser em substituição do autor. Ninguém pensa ir a um consultório médico e sair sem pagar. Por que razão, deverá ser diferente no que toca a outros profissionais?! Não vou estar aqui a descrever exaustivamente a situação em causa porque, para além de correr o risco de tornar este post num "romance de uma vida", há quem o já tenha feito de forma exemplar e com ligações para os diversos contraditório existentes, pelo que vos deixo o link para o post do The Spine Collector da Rafaela Ferreira.

Para finalizar, reitero a minha posição: não sou contra editoras, não sou contra bloggers, não sou contra autores, e muito menos contra os direitos que qualquer um destes detenha, independentemente da sua natureza. Sou contra o "engana meninos e papar-lhes o bolo". Mas esta é somente uma a minha opinião.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

Poopaye 2014... Bello 2015!!

Ontem o dia foi muito atarefado. Entre dormir (de tarde, que de manhã fui trabalhar bem cedo e na noite anterior deitei-me muito tarde), cozinhar e comer, não sobrou tempo para muito mais =P

Começamos as comemorações logo depois do almoço... a ir às compras daquilo que ainda nos faltava para preparar o banquete real. Depois de uma rica soneca, lá fui eu juntar-me ao Moço na cozinha, e só paramos mesmo à hora do jantar. As entradas consistiram no típico marisco, queijos, compotas e o paté do Moço para acompanhar as tostinhas. Seguidamente, comemos uma canjinha quentinha e o prato principal: bifinho de vitela do tamanho de um remo. Para sobremesa, o bolo de pêra dinamarquês que o Moço tanto gosta, bolo de chocolate e bombons. Tudo isto foi muito bem regado com ice tea de pêssego e moscatel do Douro.

Pode parecer-vos uma mesa sumptuosa, esta que vos acabei de descrever, mas por acaso não era. Na verdade, não temos mesa na sala (que foi transformada num quarto e que agora está vago), por isso tivemos que usar uma secretária de estudo para o efeito (não Corina, não temos tábua de passar a ferro! =P ). E afinal, éramos só nos os dois, daí que não valia a pena fazer comida para um batalhão, pelo que nos ficamos por mais coisas mas em pequenas quantidades. Comemos um pouquinho de várias coisas, ficamos cheios que nem abades, e depois fomos para "o ninho" ver tv no computador (porque não temos serviço de televisão) até ouvir o pessoal a mandar foguetes lá fora (porque não temos daqueles relógios que dão as badaladas).
Porra, acabei de perceber que não temos muita coisa... =P

Hoje aproveitamos o dia tem sido para tirarmos algum tempinho de qualidade juntos, e já fomos dar o nosso primeiro passeiozinho de 2015, que teve direito a tartes de maçã em vias de extinção do McD's (pelo que percebi, vão "descontinuar" o produto... e se for verdade, é desta que nunca mais me apanham num ponto de venda desses senhores).

A todos um óptimo ano 2015 com harmonia, paz, guito, trabalho, tartes de maçã e muitos posts!! ^^




* O título deste post está em Banana Language (língua dos Minions). Poopaye significa "adeus" e bello significa "olá" =P

Edit: Afinal, parece que as tartes de maçã do Mc'D não estão em vias de extinção, e foi apenas um grande parvo que decidiu fazer "uma brincadeira". 'Tá certo... vai brincar para o raio que te parta!

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Cogitações no trono #1

Este post não é sobre a saga A Song of Ice and Fire de George R. R. Martin (As Crónicas de Gelo Fogo em português), nem a série... vulgo, fanfiction, da HBO chamada Game of Thrones e que algumas pessoas dizem ser inspirada na primeira. Mas até podia ser.

Devem haver muitos miúdos com nomes do arco da velha actualmente, tendo em conta as adaptações de livros que andam por aí na tv e no cinema.

Este natal, um dos presentes que recebi foi um novo aparelho electrónico, de tamanho relativamente pequeno, cortesia do Moço. Como todos os outros dispositivos que tenho têm nome, este não poderia ser diferente e, em razão do seu tamanho, a primeira coisa que me ocorreu chamar-lhe foi... Kili. (A imagem de fundo do "pequenino" é a Árvore Branca de Gondor envolta na inscrição do Anel do Sauron ^^ ).

Hoje levei o pequeno Kili comigo para a "sala do trono", para me ir entretendo quando estava por lá. E para ele se habituar xD Entretanto, pousei-o na beirinha da loiça sanitária que por ali havia, e ainda estive para chamar pelo Moço, para ter a certeza que o pequenito não se resvalava abaixo de alguma coisa que não devia. Então imaginei a situação: "Oh Moço! Anda cá buscar o Kili!", como quem pede ao progenitor da criaturinha endiabrada para a levar a algum lado.

E foi aí que me ocorreu: nestes últimos anos, deve haver uma quantidade monumental de catraios chamados Kili, e Fili, e Thorin, e Bilbo, e Gandalf, e Harry, e Hermione, e Arya, e Daenerys, e coisas que tais.

Devia ir mais vezes "ao trono" :P