Ontem li uma notícia na net sobre os portugueses serem favoráveis em relação à adopção por casais homossexuais. E nesse momento pensei finalmente estamos a evoluir as mentalidades e a deixar de sermos os mesmos tacanhos de sempre! Mas infelizmente, esta onda de aceitação não consegue apanhar toda a gente... o que é uma verdadeira pena.
Muitos são os argumentos que se utilizam invariavelmente para tornar os homossexuais "incapazes" de adoptar uma ou várias crianças. Todavia, antes é necessário esclarecer algumas mentes que os gays e as lésbicas não são inférteis, ou seja, podem ter filhos biológicos. E se for assim, já não há qualquer problema, não? Qual é a razão agora? "Só se estraga uma casa", é? É mais facilmente suportável que alguém seja infeliz por viver uma vida de fachada só para não ser apontado na rua do que ser feliz com a sua alegada diferença? Acho tudo isso uma verdadeira palhaçada. O bem-estar da criança em causa e os seus superiores interesses deviam ser, efectivamente, o mais importante, contudo sabemos bem que isso não funciona assim. Dá-se mais valor aos adultos em conflito, à lavagem de roupa suja, aos nomes feios e sabe-se lá mais não sei o quê, porque isso sim, isso é que é interessante...
Sabem o que acho? Acho que uma criança deve ser acarinhada e receber afecto, não importa realmente se esses sentimentos provêm de um casal formado por um homem e uma mulher, dois homens ou duas mulheres. O que as crianças que acabam no sistema de adopção precisam é que alguém que as queira. E quantos de nós não foram criados pelas avós viúvas ou pelas tias solteiras, porque os nossos pais tinham que trabalhar dia e noite para nos sustentar? Esse foi também o meu caso e não me tornei delinquente por causa disso. Não senhor! Posso dizer, até, que fui muito bem criada e educada, "à moda antiga", como a minha avó diz, a mesma que sempre me deu tudo o que precisei.
Mas ainda assim, há um grande problema no meio disto tudo, que nada tem a ver com os homossexuais pois, a meu ver, eles não têm problema nenhum. É facto que a probabilidade dos adoptados serem mal tratados nas escolas ou infraestruturas equivalentes, isso a que hoje em dia se chama bullying, mas que na minha altura era simplesmente a canalha a ser mazinha de vez em quando, algo considerado perfeitamente normal. Só que neste caso não vejo a razão para as restantes crianças serem "mazinhas", pelo que considero que o papel dos pais destas bastante relevante para os filhos discriminarem e marginalizarem os meninos e meninas adoptados por casais homossexuais. Isso irá acontecer, não nos vamos iludir, porque a nossa sociedade não está preparada para lidar com a diferença dos outros. E assim, parte de todos nós tentar explicar àqueles que ainda olham o mundo com palas de burros que é necessário criar um ambiente seguro e de aceitação para estas crianças. Elas já foram rejeitadas umas vez, daí acabarem no sistema de adopção, não têm que ser rejeitadas de novo.
Espero sinceramente que quando este tema for discutido no Parlamento em cerca de três semanas, que pensem realmente nas crianças em questão e nas suas famílias, que deviam ser tidas por iguais e com os mesmos direitos, mas que bem sabemos que não são tratadas como tal...





