domingo, 27 de novembro de 2011

Dos comentários a acórdãos e das mosquitas lésbicas

A minha vida é feita de pragas. E a minha vida blogocoisica tem sido afectada por uma destas pragas... A cadeira de Direito Executivo.

Eu que ainda devia estar preocupada em fazer a outra cadeira de Processo Civil (Declarativo), ou então estudar para os próximos testes de Direito Fiscal II e Trabalho, tenho que perder tempo com coisas zinhas, tipo comentar um acórdão do STJ sobre títulos executivos, que nada tem a ver com a matéria de Executivo, a bem dizer. Que praga que eu tenho com aquela coisa... É que se ao menos nos explicassem o que c*railho temos que fazer, ainda era uma coisa. Agora mandarem-nos assim para uma jaula a abarrotar de leões sem nos dizerem ao que vamos (para os dentinhos dos mega bichanitos), assim já não devia valer.

Mas comecemos pelo início. No princípio do ano lectivo, a docente de Executivo disse-nos que este ano, para além do teste global à cadeira semestral, teríamos que ter outro momento de avaliação. Em vez da resolução de um caso prático em oral, que o pessoal fazia em casa e depois era só debitar a resolução para o professor das práticas, e eventualmente ser presenciado com perguntas novas saídas do nada, agora foi decidido que temos que comentar um acórdão por escrito. Ora f*da-se...!

Para quem não sabe, o que é perfeitamente aceitável, um acórdão é uma sentença, mas em vez de ser proferido por um tribunal singular (com apenas um juiz), é resultado da decisão de um colectivo de juízes, normalmente três. Tendo em conta que tivemos que escolher à sorte qual acórdão comentar, o que levou a uma grande salsada de grelos à escala quase mundial, agora temos que redigir um trabalho que não sabemos por onde lhe pegar. Aparentemente, a docente das teóricas ficou de nos facultar umas regrinhas para sabermos como se comenda uma coisa daquelas, só que, com toda a certeza, a senhora é muito atarefada e não teve tempo para tal... Conclusão: estamos a inventar. Depois os professores ficam muito chateadinhos porque os alunos não sabem fazer nada de nada... Pudera! Talvez porque não lhes ensinam nada de nada!

Para completar o meu achaque por pragas (já não bastavam as cadeiras da universidade, mais respectivos testes, trabalhos, docentes, salas de aula por limpar que me causam ataques de sinusite...), eis que a comunidade de mosquitos dá numa de que o meu sangue é docinho e toca a picar a Nightwish! Se bem que este último Verão fui bastante poupada a ferradelas, comparando-se em igual período de anos anteriores. Só que ontem à noite andava lá pelo meu quarto um filha da pu*ah de um mosquito, que me acordou com o seu síndrome de "sou uma avioneta e vou zumbir nos ouvidos desta gaja só para meter nojo".

Sim, eu acordei com o bicho a romper o silencio com aquele barulho irritante tão seu característico, e ainda tive tempo de dar umas cacetadas em mim mesma. O que eu não contava é que ele me ia ferrar... no lábio. Ou ela, que eu uma vez vi na tv que são as musquitas que picam as pessoas para beberem o sangue destas, para depois alimentarem os bebés mosquitos. Mas não tenho a certeza de ser bem assim... Caso contrário, não haveriam mosquitos macho. De qualquer maneira, o que me interessa é que acordei com o lábio inchado, que parecia que tinha levado uma bordoada nem assente.

A sério Apolinário?! Isto só a mim... Tanto sítio onde picar, tinha logo que ser ali. Escusado será dizer que comecei logo a panicar, porque aquilo herpes labial não era, daí que era uma coisa completamente nova e estranha e não voltava não normal. Cheguei até a pensar que pudesse ser da posição de tinha a cabeça na almofada, tipo totalmente enterrada no apoio fofo para dormir. Só que quando me cheguei ao espelho e vi a marca do forinho que o c*railho do bicho me fez... Só me apetecia matá-lo. E quase que consegui! Mas o c*abrãzoinho (ou c*bronazinha - não quero mosquitas lésbicas a beijarem-me! Já tenho o meu foufinho e não quero mais nenhuma criatura a executar tal proeza) fugiu-me...

E agora digam-me: poderia eu viver sem as pragas que assolam tão descaradamente a minha vida? Claro que podia... Só que não me deixam!! And it sucks... =/

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Direito Penal II - Penar pelo segundo ano consecutivo

Hoje tive o primeiro teste parcelar de Direito Penal II. E aquela m*rda foi penar até ao fim.

Para começar, são as aulas em que os stores não dão nada desta vida de jeito. Não faço a mínima ideia da vidinha do que raio ando a dar nas aulas. Na teórica, o stor divaga e divaga e divaga... É muito boa pessoa, mas não tem noção que ele sabe imenso e tem que dar o programa em concreto e uma ou outra coisa a mais, só por curiosidade. Pois bem, ele dá todas as curiosidades e mais alguma possível e imaginária, e só de vez em quando se cinge à matéria do programa da cadeira. As aulas práticas... nem vou falar.

Sinceramente, não sei qual das aulas é pior, ou seja, em qual delas aprendo menos. Ou desaprendo mais. Ainda assim, lá fiz um esforço maior do que o Atlas para mover o mundo, e tentei estudar o mais que pude aquela bodega. Falhei miseravelmente.

Nem um dia inteiro consegui estudar. Foram uma ou duas horas por dia em 3 dias, dias estes intercalados. Acho até que nem consegui fazer as 6 horas que acabei de escrever, Pavoroso, foi o que foi olhar para aquilo. Mas fui na mesma fazer o teste, basicamente numa de "temos global, recurso, época de Setembro e para o ano (não convinha muito...), por isso, depois vê-se". Eu bem sei que esta não é a melhor postura, só que também não me adianta nenhuma ir super nervosa, que se assim for, só vou para lá fazer m*rda.

E pronto. Lá fui eu. Mal li o teste, fiquei logo de olhos em bico... Na parte teórica do teste, do qual constavam três perguntas, estava o seguinte:

"1. É a indemnização por perdas e danos uma consequência penal? Justifique a resposta dada.

2. Como caracteriza justificadamente o sistema penal português no plano das suas reacções criminais (monismo/dualismo)?

3. Discuta doutrina e jurídico-positivamente a questão dos sistemas de determinação da multa."

Do caso pratico, nem vou fazer menção, que aquilo ainda era uma cagada maior que as perguntas supra transcritas. F*da-se! Mas que questões da treta são estas? Tirando efectivamente a segunda pergunta, tinham tanta m*rda para pedir ao pessoal para desenvolver, e metem estas coisas? A primeira questão foi abordada assim uns 5 minutos ou menos numa aula teórica, se não me engano, a última era quase igual a uma parte do caso prático.

Facto mais interessante de todos: tinha uma hora para fazer o teste, sem tolerância. Três perguntas teóricas para desenvolver e um caso prático super geral e abrangente com duas alíneas e só 90 minutos... E depois admiram-se que os alunos de Direito não tiram notas de jeito. Gostava de ver os stores a tirarem 20 e a fazerem um teste tão absurdo em tão pouco tempo. E não eram só os de Direito Penal II. Queria ver todos os meus docentes a fazerem os testes que nos dão e ter tudo certo com a miséria de minutos para cobrir todas as possibilidades... É uma vergonha, tendo em conta que processo na primeira instância (tribunal de comarca, como quem diz, tribunal da terrinha) chegarem a demorar 12 anos...! Mas é o que temos...

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Agora é andar sóbrio até aos 18 anos... NOT!

Ao fim de não sei quanto tempo alguém se lembrou que a canalha não deve beber. Tem graça que eu ando a dizer isto desde os meus anos do secundário... É por estas e por outras que cada vez mais me considero à frente no tempo comparando com muita gente.

Aparentemente, hoje alguém "importante" anunciou que a partir de 2012, a idade mínima para consumo e aquisição de álcool vai passar dos 16 para os 18 anos, e ainda que esta nova medida será acompanhada de outras que têm por base desincentivar os jovens de beber. A ideia por detrás de tudo isto assenta em duas ordens de razão: primeiro, porque é considerada uma preocupação de saúde pública; depois, porque nos outros países europeus é assim, sendo que "não se justifica que Portugal não siga aquilo que é comum num número significativo de países europeus e não só no sentido de tornar o álcool apenas disponível para maiores de 18 anos".

Oh pessoa que disse isto, estimo muito bem que vossa excelência se f*da. Afinal é não só porque faz mal beber em idade precoce. Temos que ver que somos uns Maria-vai-com-as-outras, e que se os outros fazem, nos também temos que fazer. Se a Alemanha dá pulinhos, Portugal também tem que pular, se a França dança o Hula, Portugal não pode deixar de dançar também. Ide à m*rda masé...

Não obstante das considerações europeias da treta, a verdade é que a criançada começa a beber cada vez mais cedo. Sim, criançada, que gente com 12 ou 13 anos, são inadvertidamente crianças. Acredito que elas achem normal beber e que pensem que a bebedeira os torna muito adultos, mas não torna. Contentem-se com a idade que têm, porque quando tiverem 20, vão desejar os 12 ou 13 outra vez. Provar um golinho de vinho ou champanhe em casa, com supervisão, não é nada de mais. Também o fizeram comigo, e não virei bêbeda. É preciso é ter cabecinha e saber o que se faz, mas tendo em conta a educação que este povo tem hoje em dia, já quase nada me admira.

Acho que eles realmente querem fazer com que a juventude deixe de beber e apanhar altas "cabras", é muito simples: lei seca. O pessoal vai sempre querer beber e fazer cenas tristes, ir para o INEM, dar beijos a desconhecidos, ter sexo casual em casas de banho, e outras coisas mais. Se eles agora já pedem a pessoas mais velhas para lhes comprar a bebida, vão continuar a fazê-lo, só que por mais um par de anos. Os bares e roulotes vão continuar a não pedir identificação, porque o que eles querem é vender, que a vida não está fácil para ninguém.

O que têm que mudar são as mentalidades. Aos anos que ando a dizer que só se devia beber a partir da maioridade, mas ninguém me ligava puto. Afinal até que tinha razão. Temos que ensinar a esta canalhada que andar a cair na rua da pinguinha, gregar em tudo o que é canto e chegar ao cúmulo de ser levado em braços para casa não é bonito. Eu não preciso de beber para me divertir. Não é o álcool que vai fazer a minha noite, mas sim as pessoas com quem eu a vou passar. Cresçam primeiro masé, e depois sim, pensei em ser adultos e se comportarem como tal. E não é a apanhar altas mocas que vão ser mais "crescidos", ai isso é que não.

domingo, 20 de novembro de 2011

A mística do prefácio e a ignorânica das novas gerações

Hoje, quando vinha no comboio para Braga, encontrei um família bastante engraçadita... Enquanto esperava que o gigante de ferro arrancasse de Viana com destino a Nine, reparava, não com muita atenção, numa senhora com os dois filhos, uma rapariga de 14 anos, e um rapazito com cerca de 8 anos.

A adolescente tinha um livro. Pelo que estive agora mesmo a pesquisar na net, O Velho e o Mar de Ernest Hemingway faz parte da leitura obrigatória de um qualquer manual do 9.º ano de Língua Portuguesa. Mal ela abriu o livro, a primeira pérola maravilhosa da viagem: "Oh mãe, aqui tem um prefácio... O que é isso?!". Eu fiquei a olhar para a miúda, com cara de ursa, simplesmente. A mãe tentou explicar-lhe que aquilo era um género de introdução, mas ela não entendia. Algumas frases depois, que eu não consegui ouvir direito, ela responde "Já podias ter dito o que era... Eu não estou a estudar Chinês, estou a estudar Português".
 
Primeira observação: a língua Chinesa não existe. Na China falam-se três línguas: Mandarim (maioritária), Cantonês e uma outra que eu não conheço. Não se fala Chinês. Segunda observação: oh c*railho, tu tens 14 anos e não sabes o que é um prefácio? O que se seguiu na conversa entre mãe e filha dá resposta a esta pergunta: "Eu nunca tinha visto um livro com prefácio...", "Oh filha, há muito livros assim. Quando chegarmos a casa eu mostro-te... Mas também, tu pouco lês...", "Oh mãe, eu já li três livros!!".

Convém informar os leitores que este "três livros" foi dito com tal enfatização, que por momentos cheguei a convencer-me que era um feito fantástico. Não parvalhona, não é! Teres lido só três livros na tua medíocre vida, é um número de m*rda! Com a tua idade, já tinha perdido conta aos livros que tinha lido, e não eram tretinhas em meia dúzia de páginas, já lia livros a sério, literatura, não revistinhas cor-de-rosa.

De qualquer maneira, não me admira que o nível de conhecimento da pirralhita seja tão baixo, porque mal leu duas linhas do livro, guardou-o logo e pôs nas orelhas uns headphones daqueles todos XPTO, que estão à venda na Fnac por 40 euros, ou coisa que o valha. Para isso tem ela dinheiro. Para investir em cultura já não. Mas também não é assim tão estranho, visto que o puto pediu logo à mãe a PSP. Contudo, a miúda cansou-se logo de ouvir música e foi a dormir quase a viagem toda, com a cabeça pousada em três sacas de compras: uma da Modalfa (roupa), outra da Stradivarius (mais roupa) e uma última da Book.it (que com certeza não tinha livros, porque o seu conteúdo era demasiado fofo para isso).

Quanto ao rapazito, a coisa não foi muito melhor. Para além de nunca parar quieto, estar sempre a falar e a tirar-me do sério, o que não é fácil, pelo menos ao que toca à criançada, tinha expressões bem engraçadas, como "raios parta" tudo e mais alguma coisa, "filho da pu*ah" e "c*railho". Penso que estes preciosismos de linguagem devem ser bem comuns para ele, porque dizia-os com um à-vontade estupidamente incrível, e para além disso, a mãe nada lhe dizia. Foi esta mesma mãe que, quando estávamos em Barcelos, se não me engano, lhe cortou as unhas no comboio.

E depois admiram-se quando a miudagem é extremamente rude e mal-educada. Isso, e totalmente sem cultura alguma. Mas a culpa não é só deles: é, acima de tudo, dos paizinhos que eles têm. Tudo bem que os meus nunca me instigaram assim tanto à leitura, todavia, quando perceberam do meu gosto pelos livros, sempre que podiam davam-me mais um. Porém, nunca fizeram o oposto. Eu cresci como muita gente da minha idade: tinha pouco e era com pouco que me tinha que contentar. Sempre houveram pessoas com ainda menos que eu, mas tinha a noção do que poderia ter ou pedir. Este putos de hoje em dia têm tudo e mais alguma coisa, os paizinhos sedem a todas as suas birrinhas, e depois acabam por se tornarem cidadãos sem o mínimo de cultura ou de moral.

Juro que não percebo estas novas gerações. Ao lado deles, sinto-me uma anciã. E eu nem sou assim tão mais velha que eles. Juro ainda que, quando tiver filhos, eles não vão ser assim, que eu não deixo! Que eles vão ter mãezinha que os eduque, e que lhes ensine coisas que valem a pena. Vão ser os maiores da aldeia deles.

sábado, 19 de novembro de 2011

Donas de Casa Desesperadas, versão com filhos na piscina

Sábados de manhã significa, na maioria das vezes, para mim, mais uma ida à piscina. Devo desde já dizer que estou a ficar uma expert na coisa! Já consigo nadar, ainda que mal, de barriga para baixo, e fazer uma habilidade à golfinho, isto como quem diz, já vou mergulhando menos vergonhosamente. Para completar a coisa, basta relatar-vos a frase que um dos miúdos que está na piscina comigo me disse hoje: "Agora já não tem medo da água!" (Sim, eles tratam-me por "você", ainda não percebi bem porque razão... é certo que eu sou uns valentes anos vais velha que eles, mas acho que também não é motivo para tanto! Eles lá sabem...).

Ainda assim, sou a aluna mais atrasada daquela secção e, provavelmente, de toda a piscina, porque para além dos 5 rapazes que estão na minha pista (a de nível mais baixo) terem começado as aulas antes de mim, eles conseguem ir todos os sábados, coisa que eu nem que quisesse seria capaz de fazer. Quando eles forem universitários como eu, lá perceberam porque é que a trenga de 21 anos que fazia umas cenas tamanhas na piscina só aparecia metade das vezes por mês. Por hora, o mais velho deve ter uns 13 ou 14 anos, logo ainda lhe falta muito tempo para não ter tempo para mais coisa nenhuma a não ser os calhamaços da faculdade.

Todavia, estou feliz com o meu progresso. Em três aulas consegui fazer o que nunca pensei possível em toda a vida de tentativas e pirulitos engolidos. E só por acaso, quando volto a casa das aulas de natação, não me sinto cansada nem com dores musculares. Quanto ao sono, isso já é outra história... Para começar, eu tenho sono todos os dias e a todas as horas. E quando sou obrigada a acordar ainda mais cedo que o costume, ainda mais sono tenho. É o que dá só ter aulas de manhã duas vezes por semana (à quarta entro às 9 horas - suplício!! - e à quinta às 11 horas). Mas agora vocês perguntam-se: onde diabo entram as Donas de Casa Desesperadas?! Ora muito bem, é aqui mesmo.

O grosso da canalhada, parece-me, está no turno a seguir ao meu na piscina (aquilo é assim para não entupir). Quando eu acabo a aula e vou à banhoca, começo logo a ouvir a criançada aos berrinhos. Vou à minha vidinha e quando retorno ao balneário para me vestir, encontro o local cheio de criancinhas e, pior que isso, as mães todas no paleio.

Para além de ter menininhas dos 2 aos 8 anos (idade aproximada "a olho") a olharem para mim, provavelmente para alguma zona específica do meu corpo que lhes pareça diferente do delas, curiosidade perfeitamente normal naquelas idades, tenho menininhos dentro da mesma faixa etária a fazer o mesmo. Minha gente: se a canalha é demasiado nova para se vestir e despir sozinha para ir para a aula de natação, criem um balneário só para eles. Ou então os pais que levantem o c* da cama e os levem para o balneário dos homens, e assim as mães já não têm que os levar para o balneário das mulheres. Não tenho que ter um miúdos já na primária e com idade para "saber umas coisas" a olhar para mim e para o meu corpo como quem "até que ia aí tocar numas coisas", nem tão pouco tenho que chegar ao cúmulo de me ir vestir para a casa de banho (que não tarda nada, vou começar a fazer). Se o balneário é feminino, não é para ter lá pilas, mesmo sendo das mais pequeninas.

Só que o terror não acaba aqui. As mãezinhas dos meninos e das meninas, quando se juntam em bando, começam a falar que nem gralhas em dia de festa e, de preferência, o mais alto que conseguirem. Aquilo torna-se num galinheiro tal, que às vezes só me apetece sair disparada com metade da roupa vestida, e deixar ficar para trás toalha, chinelos e demais coisa que tenha por lá. Depois admiram-se porque a criançada hoje em dia é mais ressabiada que o "deus me livre".

E aquelas senhoras não são nada parciais... Da última vez que lá fui, olharam-me com uma indiferença tal, que eu até fiquei pasma. E lá estavam elas, entretidas mais na conversa do que em tratar dos filhos, a olhar para mim de quando a quando, como se fosse um favor que me estavam a fazer. Hoje tinha o meu casaco de curso vestido. Não sei se foi da pressa de me pôr no c*railho de lá para fora ou se foi do frio, mas sequei-me e vesti-me num ápice. Só que depois tive que esperar pela minha mãe. Vai daí, sentei-me no banquinho do balneário, de costas para as Donas de Casa Desesperadas, com o meu "Direito" em vermelhão sangue no casaco preto do kit de curso. Ui! Que amorosas que elas estavam esta manhã! Afinal de contas, estavam a partilhar o espaço com uma futura Doutora Advogada, quiçá Juíza, ou outra coisa qualquer que lhes pareça ser de nível. Se me comprassem produtos da Oriflame, isso sim é que era de nível...

Acho que vou ter que mudar de modalidade... Em vez de "natação com aprendizagem", estou a considerar a possibilidade de me dedicar a "nadar com tubarões". Os bichitos devem ser mais agradáveis e educados que as mãezinhas dos meninas e das meninas que andam na piscina comigo. Mas isto é só uma ideia...

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Doe vida, e seja feliz ^^

Acho que toda a gente já teve conhecimento da notícia que fala sobre a doença do filho do jogador Carlos Martins. O menino tem aplasia medular e precisa de um transplante de medula óssea. Esta doença rara causa a falência da medula óssea (órgão responsável pela produção do sangue), fazendo com que esta deixe de ser capaz de dar origem a novas células sanguíneas. O melhor tratamento é, então, o referido transplante.

Infelizmente, até ao momento e deste a minha maioridade, não posso realizar um sonho: ser doadora, tanto de sangue como de medula óssea. E porquê? Porque para se ser doador é necessário preencher-se determinados requisitos: ter entre 18 e 45 anos, não ser portador de nenhuma doença crónica ou autoimune, não receber uma transfusão de sangue desde 1980 e ter mais de 50 kg. Ora é precisamente neste último que eu falho. Sei bem que a sinusite e a rinite alérgica são doenças crónicas, e que tenho ambas, mas hoje em dia quem é que não tem pelo menos uma delas? Creio que só relevam se forem aquelas doenças mais graves e, que tenha conhecimento, não padeço de nenhuma. Só que falho miseravelmente no critério do peso.

Não, não é preciso assustarem-se, que não há nada de errado com a minha balança ou com a minha saúde. Por acaso até estou dentro dos limites do peso ideal, visto ter apenas 1,53 m (eu sei, sou quase uma pigmeia xD). Também sei que ter mais um quilito ou outro não me ia fazer mal algum, e já cheguei a pesar uns fantásticos 49 kg, só que por mais que tente, não consigo aumentar de peso. De qualquer maneira, não foi isso que me trouxe aqui hoje.

A questão é muito simples: há pessoas neste mundo que precisam da nossa ajuda, sejam elas quem forem, e não nos custa nada dar umas gotinhas do nosso sangue para salvar uma ou várias vidas. Podem ter a certeza que se pudesse, tinha-me inscrito para doadora de sangue e de medula óssea quando completei 18 anos, porém, por ora isso é-me impossível, e é algo que me frustra imenso. Não sei como ainda há pessoas neste terceiro calhau a contar do sol que se recusam a ajudar, todavia talvez isso seja um assunto que me está vedado à percepção. Ainda assim, este caso fez-me reflectir não só quanto à inveja, ignorância e egoísmo humanos, mas também sobre duas considerações relevantes:

1. É neste momento que nos apercebemos que o dinheiro que temos não serve para rigorosamente nada nesta vida, quando não se tem saúde e que, esse mesmo dinheiro, ainda que todo o que possa existir à face do planeta, nunca poderia comprar mais uma horinha que fosse de vida. Daí que não entendo a razão de tanta estupidez e maldade no mundo.

2. É preciso ser um filho de um jogador de futebol ter uma doenças destas para se multiplicarem e remultipilicarem as ajudas. Hoje no jornal da hora de almoço disseram que, em contraste com as cerca de 10 pessoas que entram no Centro Nacional de Dadores de Células de Medula Óssea em Lisboa todos os dias, ontem aparecerem (acho) 260 pessoas para darem o nome para as listas nacionais de dadores de medula óssea. O que me leva a concluir que vivo num país de gente pequenina, bem mais pequenina que os meus enormes 1,53m. Espero de todo o coração que o Gustavo se salve, mas tal como ele, também desejo de todo o mesmo coração que todas as restantes crianças e adultos do mundo consigam encontrar um doador compatível para também eles se salvarem. Se fosse o Zé ou a Maria da rua ao lado, ninguém queria saber, mas como é um filho de alguém conhecido, já toda a gente ajuda, e isso é que é a verdadeira miséria humana: não a doença do menino, que já por si só deve estar a causar um grande estrago e dor na vida da sua família, mas a imbecilidade que afectou a raça humana e que esta sim, é uma verdadeira doença sem cura.

Como já disse, espero que o Gustavo se cure. Não deve haver maior agonia para um pai ou uma mãe ver o seu filho definhar. Tanto seja ele filho de um jogador de futebol, como de um operário fabril. E sempre que puderem, não hesitem: ajudem. Podem estar a salvar uma vida. Ou mais que uma.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Tens uma lata do c*railho...!

Na semana passada fui aos serviços sociais aqui da Universidade, para perguntar sobre determinados papéis que aparentemente não faltavam na minha candidatura à bolsa, mas que só por acaso... até que nem estavam lá, tal como eu digo aqui.

Entretanto, lembrei-me, lá pelo meio dos atrofianços da mulher (em que me perguntou se eu tinha lido bem o e-mail que os serviços mandaram, porque na terra dela, aparentemente, completar a bolsa e revalidar a bolsa são coisas iguais...), que o B.I. até que tinha caducado na semana anterior. Como já tinha na minha posse o meu novinho em folha C.U., perguntei: "eu sei que talvez não é da sua competência, mas o meu B.I. caducou e já tenho o meu C.U. e queria saber o que tenho que fazer e onde tenho que entregar algum documento para o efeito...".

Primeiro, a mulher ficou a olhar para mim, com cara de tansa. Depois disse-me que bastava tirar uma cópia do referido documento de identificação, e que devia entregar lá e especialmente nos serviços académicos, que nesse segundo sítio é que era realmente importante levar a cópia, nos serviços sociais nem por isso... (Claro... até porque para receber bolsa nem tenho que ter os papéis todos actualizados nem nada! Santa incompetência...).

Após isto, a senhora disse que "tinha que ir lá dentro", e é então que a Night aqui tem a melhor ideia de sempre, aliada à maior lata da história dos serviços da universidade... "Olhe, já que vai lá dentro, não se importa de me tirar uma cópia do C.U.?! É que assim já fica e escuso de cá voltar de propósito por causa de um papel...". Ora chupa!! A mulherzita ficou mais uma vez a fitar-me tipo parva, replicando ao fim de uma pausa de segundos que a ela lhe devem ter parecido horas, que ia ver se a máquina estava a funcionar (claro que o que ela quis dizer foi "vai-te f*der fedelha da m*rda", mas como talvez não queria perder o emprego, calou-se e foi tirar o raio da cópia aqui para moi).

Eu ainda pensei em pedir-lhe que, já que ia lá dentro, podia tirar duas cópias até, que assim não tinha trabalho a ir a uma reprografia fazê-lo e andar de trás para a frente, quando podia ir direitinha aos serviços sociais e já estava. Mas se calhar até que era abusar de mais... talvez. Deste modo, deixei a coisa por simples, e depois pedi à dita funcionária para adicionar o papel no meu processo, já que ela o tinha ido buscar aos quintos do c*railho dos arquivos, depois de ter resmungado que passava a vida de um lado para o outro para procurar processos de alunos... Sim, que já se sabe como é a maioria dos funcionários públicos: quando menos fazem, menos querem fazer.

Já nos serviços académicos, entrei mesmo à patron, nem tirei ficha, passei à frente de toda a gente, que não ia estar com muita merda por causa de uma cópia. Nem sequer esperei que alguma das funcionárias estivesse vaga para me atender. Cheguei lá, à primeira tipa que encontrei e deu o coiso, sem prestar atenção à moça que estava a ser atendida.

Aprendam comigo: não liguem puto aos outros e sejam os maiores da vossa aldeia. Compensa xD