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segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Para(a)normal =P


O Covil deve ser um ponto de confluência de actividade paranormal. Assim como Sunnydale estava mesmo em cima da Boca do Inferno (referência que só os fortes entenderão... ou os que viram Buffy, the Vampire Slayer), começo a pensar que também tenho o meu rabote sentado, salvo seja, mesmo em cheio num qualquer portal que esbardalha por aí fora energias estranhas, que levam pessoas a fazer coisas estranhas. Claro que também podemos estar todos tolinhos por estes lados, mas vamos acreditar que a primeira opção é que é válida, valha-nos a sanidade mental.

Quando alguma coisa estranha acontece, culpa-se a Entidade e não se fala mais nisso. Por exemplo, quando um tupperware aparece na última prateleira do armário da cozinha, onde ninguém consegue chegar, a não ser o Chewbacca. E as coisas que passam a vida a cair-me das mãos?! Parece que está ali mesmo uma assombração qualquer amandar-me os talheres/ os bollycaos/ o pão/ o telemóvel/ as canetas/ a minha paciência ao chão para me ver lançar faíscas pelas lunetas e fumarada pelas orelhas. É como um jogo de Cluedo, ao fim de umas voltas, vê-se logo quem é o culpado (ou a culpada...).

Mas as costas da Entidade, que devem ser bem largas por sinal, também não podem levar com tudo. As energias extraviadas também afectam as pessoas. Se há coisas que me deixam louca da pinha, são armários abertos e gavetas por fechar. O meu Moço é perito em ambas. De bónus, dá-me o prazer (not) de andar atrás dele, pela casa, a desligar as luzes que ele deixa ligadas. 

Estão a ver a minha sina, não estão? Se podia ter uma vida normal e tranquila? Poder podia... mas não era a mesma coisa. Pois. Só não me sai na rifa um Kokuri-san que me deixe a casa a brilhar de tão limpa e me cozinhe três refeições por dia com cinquenta ingredientes cada.




As imagens são de um anime que vi há pouco tempo e que se chama Gugure! Kokuri-san. É uma história light, mas com muita comédia (e um pouco de drama à mistura, claro). Óptimo para relaxar um pouco e dar muitas gargalhadas. E, ocasionalmente, parar para pensar também. Se quiserem saber mais e dar uma espreitadela ao primeiro episódio (ou aos doze que compõem este anime), fica aqui o link ^^

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

D. Sebastião não gostava de sopa

Existe uma lenda, que vai passando de geração em geração, através da tradição oral, sobre el-Rei D. Sebastião. Não, não é aquela treta do nevoeiro. Vamos ser sinceros: quem é que se ia lembrar de uma coisa dessas sem pés nem cabeça? A história, que estou prestes a contar-vos, essa sim, tem fundo de verdade, e vai para além de qualquer contestação.

Ora, certo dia, o pequeno el-Rei D. Sebastião foi obrigado a comer sopa. Afinal, ainda era um pirralho birrento e, como tantos outros, bateu o pé, dizendo que não queria comer.

*Reprodução histórica extremamente fiel*
- Eu sou o Rei! - dizia, indignado. Muito obviamente, não lhe adiantou de nada.
- Se ainda considerasses a possibilidade de casar... - respondia-lhe o seu tio, o Cardeal D. Henrique. - Andas só com ideias de guerras e fazer espetada de Mouro. Queres deitar tudo a perder e deixar o trono ao babão do teu primo Filipe?!
Era verdade, Filipe babava-se imenso. Sobretudo, quando se lhe falava do Reino de Portugal. E também usava óculos. Na verdade, era um moço muito esquisito...
- Cala-te aí ó pilantra velho! A minha avó, D. Catarina, disse-me que, em breve, farei 14 anos e serei adulto. Não poderás mandar mais em mim, nem me obrigar a comer sopa.

E, de facto, assim sucedeu. D. Sebastião foi declarado maior, com 14 anos. Sendo fervoroso adolescente e, afinal, el-Rei de Portugal, nunca mais comeu sopa. Para além disso, não dispensou tempo com belas (ou feias) donzelas, que eram umas snobs. Pitas adolescentes com sangue azul era coisa do demo, quase tão abomináveis como a sopa. Por isso, quis lançar-se no nobre negócio que é a guerra e fazer espetada de Mouro.

Como todos sabemos, a coisa não lhe saiu muito bem. Quando a Morte vinha ter com D. Sebastião, no campo de batalha de Alcácer Quibir, apareceu-lhe, porém, na memória, a imagem de seu tio, a empurrar o Ceifeiro para o lado, que tropeçou nas vestes e trespassou um Mouro com a foice, por engano. O Cardeal D. Henrique dizia, em voz grave, então: "Bem te disse que melhor ficavas aqui, a comer a tua sopinha! Agora o babão do teu primo vai ficar com esta porra toda!" e, num último suspiro, D. Sebastião amaldiçoou todos aqueles que gostavam de sopa, especialmente os caixa-de-óculos como o seu primo Filipe.

E é assim que, ainda hoje, todos os "quatro-olhos" passam as passas do Algarve para conseguir comer a sua sopinha em paz e sossego. Primeiro, é aquela névoa sobrenatural que não os deixa ver nadinha desta vida à frente. Depois, são os salpicos de sopa nas lentes dos óculos que, para além de irritarem como o diabo, enchem as lentes de gordura e que é o cabo dos trabalhos para limpar. Muitos são os que padecem deste mal. Tipo eu. Especialmente, em relação aos salpicos. Conseguir comer um prato de sopa sem pintalgar os meus óculos, é coisa que não me assiste. Acontece sempre. Há maldições que são do arco-da-velha, especialmente, de pirralhos adolescentes com a mania que são gente, só porque têm um coroa na cabeça.

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Susana


Tem dias que pareço o Ron Weasley. Não, não sou ruiva nem tenho fome de leão. Ok, até tenho algumas sardas, mas elas costumam ficar bem camufladas por baixo da armação dos óculos. O que eu tenho mesmo é medo, pânico, terror... de aranhas.

Não me perguntem porquê, porque eu também não sei. É uma coisa simplesmente irracional. As bichas não têm culpa, mas são feias, asquerosas e têm uma quantidade de patas superior ao permitido por lei. Mais ou menos como as pessoas (exceptuando o número de patas). Bem sei que a maior parte das aranhas que se encontram por aí não faz mal a ninguém, só as dos Trópicos. E da Austrália, onde encontrar qualquer coisa que não nos mate dá direito a um Prémio Nobel qualquer para a descoberta científica do século. Mas pronto, são mariquices minhas. E se há coisa em que eu sou boa, é a olha aleatoriamente para um sítio qualquer, e ver uma aranha a virar os seus olhos todos para mim, com ar ameaçador. Ou sonolento, ainda não decidi. Elas são tipo ninja, disfarçam muito bem.

Claro que... o Moço tinha que achar piada à coisa.

No outro dia, olhei para o tecto. Estava para lá uma muito bem instalada. Soltei um "ghhh!" irreflectido, o que fez o Moço perguntar o que tinha acontecido. Respondi-lhe que era uma aranha que estava algures por cima das nossas cabeças. E aí, muito calmamente, como se fosse a coisa mais natural do mundo, ele saiu-se com esta:

- É a Susana, deixa-a estar.

Silêncio. A partir desse dia, sempre que vejo uma aranha a saltitar (elas não saltitam, não por estes lados... talvez na Austrália), digo para o Moço "olha uma Susana". A nossa sanidade mental está a abandonar-nos a uma velocidade estonteante. Qualquer dia, ainda leva uma multa por excesso de velocidade.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

I quit

Desisti, definitivamente, de ir às compras de roupa. A sério, não estou a brincar, é mesmo verdade.

Quando fui comprar as prendas de natal do Moço, passei pela Primark porque, para além de não ser uma loja estupidamente cara (ainda que a qualidade não seja a melhor), tem produtos de merchandise de Harry Potter, Star Wars, Marvel e por aí fora. Quer dizer... vai tendo. Como o nosso jantar de natal e consequente troca de prendas foi depois do natal propriamente dito, e porque não consegui lá ir antes das "férias" passadas na terrinha, as compras foram feitas em altura de saldos. Se, por um lado, a maioria do merchandise estava em promoção, o que foi óptimo para a carteira, também era certo que só sobravam os números maiores e os mais pequenos e a loja estava inundada de criaturas para as trocas/saldos, o que foi péssimo para os nervos.

Nem consegui ver nada para mim, apesar de, pelo menos, metade da Primark estar em promoção. Tinha pouco tempo e já estava a ficar nervosa com a quantidade insana de gente que não se desviava e com o calor descomunal da loja. No entanto, em frente à zona dos homens, estava um expositor com blaisers de senhora. Como estava no caminho, dei uma rápida espreitadela e encontrei um último blaiser preto muito fashion, mas que não experimentei porque só iria sair dos provadores depois das badaladas que anunciam o ano novo. Só o vesti já em casa e constatei, com algum pesar, que o blaiser era grande. Bem, teria sempre oportunidade de trocar, mesmo que não fosse por uma peça igual. A loja é grande e havia muita coisa em promoção. Para além disso, precisava de ir ao shopping, para comprar noutra loja umas calças que tinha visto online.

Quando consegui um tempinho para perder nessas andanças lá fui eu, mais o Moço, rumo ao shopping. Novamente, havia povo que nunca mais acabava e parecia que estávamos nas Caraíbas. Não sei porque deixam as lojas tão quentes, a não ser para as pessoas se fartarem de lá estar antes de pensarem bem se realmente querem gastar aquele dinheiro naquelas peças. Mas a questão primordial foi: não gostei de nada do que a Primark tinha. Nada. Ou, pelo menos, nada que valesse o dinheiro que marcava na etiqueta. Depois de mais de uma hora na loja, acabei por trocar o blaiser por peças para outras pessoas. Fui então à Bershka, onde eu não me lembro de comprar uma única peça de roupa. Nada das calças que eu tinha visto na loja online. Voltei para casa com vontade de me afogar em comida, que foi o que fiz. Não foi porque não consegui gastar dinheiro feita louca de Bervely Hills em lojas de roupa, mas porque andava à procura de coisas que me fazem realmente falta e vim para casa de mãos a abanar.

Eu sei que sou esquisita com a roupa, como sou, aliás, com quase tudo. Mas o que eu acho ridículo é não conseguir comprar umas calças básicas, pretas, sem que o botão da cintura me roce no nariz e sem parecer que andei "à bulha" com um felino selvagem que me rasgou a roupa toda. Eu quero umas calças simples, mas para isso não estou disposta a pagar 30 ou 40 euros. Já nem vou falar dos blaisers. Por isso, a partir de agora, vou comprar roupa no eBay ou aprender a fazê-la (as mais simples, pelo menos). Para além de ter maior probabilidade de encontrar o que quero (sempre com atenção à qualidade e às referências de tamanhos) a um preço recomendável, também consigo encontrar montes de merchandise que, mesmo em lojas como a Primark que vende produtos oficiais, só se encontram noutros países. Só volto a comprar roupa numa loja em situações especiais.

Agora, alguém que se ofereça para me ensinar a costurar. A minha máquina de costura de brincar ainda deve funcionar. Sim, eu tinha uma dessa, com agulha verdadeira e que costurava mesmo. Não podia mexer em facas ou aprender a cozinhar porque era perigoso, mas se cosesse os dedos não havia problema nenhum (o que, por acaso, e tendo em conta a minha destrambelhice natural, nunca aconteceu...). Vamos ter esperança.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

Happy Jólabókaflód ou O natal mais estúpido

Para quem já me conhece há algum tempo, sabe que eu detesto esta época do ano. Não gosto das músicas deprimentes que passam nas ruas das cidades, não gosto de ir comprar prendas porque toda a gente também pensou o mesmo e ainda restam poucas almas no mundo que não nos atropelam com a avareza típica da época, não gosto das famílias perfeitas de fachada, não gosto das tradicionais discussões que quase terminam em desgraça que temos sempre nestes dias, não gosto lá muito de pinheirinhos, não gosto de bolo-rei, não gosto de bacalhau, não gosto da hipocrisia e dos eternos pedidos de paz no mundo que só duram umas horas.

Gostos dos chocolates, dos filmes de animação, das prendas e dos presépios gigantes que parecem uma super casa das bonecas. Mas disso gosto o ano todo. Essencialmente, só não gosto é do natal.


Cheguei à conclusão que, para mim, o natal podia ser riscado do calendário. O ano passado já tive oportunidade de cuspir todo o meu veneno aliado à época natalícia, por isso, este ano, vou tentar cingir-me às coisas boas - ou menos más, dependendo da prespectiva. Não podia ser de outra maneira, tendo em conta que este ano a tempestade que se avizinha para a noite da ceia já se prevê devastadora e "pascoética" (vai haver naufrágio e martírio à vista). Devia cobrir a casa com panos roxos e distribuir, por aqui e por ali, uns coelhos de chocolate.

Por isso, vamos começar com a minha lista de prendas. Já sei que hoje já é véspera de natal, mas ainda não vou receber os presentinho todos hoje, daí que vão sempre a tempo para me compensar do desastre que por aí vem. Aqui está ela:
  • Livros!!
  • Canecas
  • Globos de neve
  • Uma caixa grande de arrumações para os meus cosplays
  • Uma caixinha para bijuterias e coisas
  • Marcadores meios parvos para os livros de comédia
  • Outros marcadores todos kawaiis
  • Merchandising do Harry Potter, em especial dos Slytherin (a minha casa, oh yey!)
  • Um par de pantufas daquelas bem grandes, gordas e fofas
  • Caixa de distribuição de gomas
  • Cenas de nerds

Parece-me bem. Para além disso, gostava de incorporar uma tradição na noite da ceia, oriunda da Islândia. Na véspera de natal, os islandeses oferecem e recebem livros de presente, e passam o resto da noite a ler. Por isso, é chamada de Jólabókaflód (Christmas Book Flood). Nos meses que antecedem o natal, a quantidade de livros vendidos sobe exponencialmente, como forma de preparação para a época festiva, para o que contribuiu a entrega grátis em todas as casas de um catálogo de novas publicações, que ajudar no momento da compra. Aliás, um artigo da BBC prova que os islandeses adoram ler e escrever de tal forma, que a Islândia é o país com mais escritores, mais livros publicados e mais livros lidos per capita do mundo.


É pena ainda não poder implementar essa tradição onde passo o natal. Um dia será uma realidade, mas por agora, tenho que me contentar com os filmes de animação que me vão deixando ver, quando não se apoderam do comando da tv primeiro que eu. De qualquer das formas, já tenho a minha leitura de natal (que podem ver algures na coluna da direita), mesmo em cheio para a quadra natalícia: O Anjo Mais Estúpido, o fantástico Christopher Moore (já falei dele e das suas obras aqui, quando publiquei a opinião do Biff). É daí que vem o título deste post, "portantos", porque acreditem: este vai ser, sem dúvida, o natal mais estúpido de sempre nesta casa...

E, em jeito de "finalmentes", desejo a todos um óptimo natal/ hanukkah/ kwanzaa/ yule/ noite de empantorrar a pança com todo o tipo de doces e ver filmes de animação na tv. Há falta de melhor, "façam cenas" =P

sábado, 21 de novembro de 2015

Cenas

Tenho andado um pouco farrusca. É do tempo. Não tem estado lá grande coisa. Nem o tempo, nem eu. Sabem aquelas fases em que temos mil e uma coisas para fazer, mas só conseguimos arrastar os pés o tempo suficiente para nos esbardalharmos no sofá o dia todo a contar poeira que esvoaça pelo ar? Acho que sou daquelas pessoas que vai mudando de humor consoante o tempo que faz lá fora. Também tenho uns fusíveis fora do sítio, mas vamos fazer de conta que ninguém sabe disso...

Como sou uma pessoa extremamente interessante, quase uma socialite da nobre mas irremunerada vida de blogger (irremunerada não para todos, só para os mais incautos, mas poderão haver outras opiniões) vou relatar-vos o que tenho feito nos últimos dias, para não perderem pitada:
  1. Dormir (não tanto como o desejado).
  2. Tentar dormir (ver ponto anterior).
  3. Tentar desesperadamente terminar os cosplays para a Comic Con.
  4. Terminar toda a papelada para entregar na Ordem por causa do fim do estágio.
  5. Ir ao cinema e vir-me embora sem ver filme nenhum. Nem comer pipocas. Ver vários filmes da Marvel para compensar.
  6. Ler, ocasionalmente.
  7. Sentir-me cheia de sono. Mas depois não conseguir concretizar o primeiro ponto.
  8. Ter muitas coisas para fazer, mas depois esquecer-me. Ou simplesmente ter demasiada preguiça.

Sim, a minha vida é muito hilariante. Não tarda, as Cristinas deste mundo encontrar-se-ão plantadas à porta do meu humilde Covil para me fazer a sua nova capa de revista, recheada de artigos interessantes e um entrevista bombástica. A matéria jornalística extremamente profissional teria um título como "A Verdadeira Bunny Tsukino: ensonada, preguiçosa e desastrada, mas que diz umas coisas engraçadas de vez em quando", que consistiria metade em descrição biográfica da protagonista meia apatetada, de como ascendeu na vida mediática como blogger irremunerada (não para todos, só para os mais incautos, mas poderão haver outras opiniões), enquanto tenta não não perder a esperança na Humanidade ao ver/ler as notícias do dia, e metade "descubram o Wally": a super produção fotográfica que consistiria em retratar o Covil, ao natural, apenas enriquecido com um jogo de luzes, no seu verdadeiro esplendor de desorganização em que às vezes se encontra. Tal como o meu cérebro. Os leitores seriam, então, desafiados a encontrar as minhas sabrinas, que é coisa que raramente consigo fazer à primeira, logo de manhã.

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Crazyness

Para comemorar o dia ranhoso de hoje, e tendo em conta a molha que alguns de vocês (e eu) irá apanhar no caminho da escola/universidade/trabalho/casa/café da esquina/hipermercado, ou que irão apanhar nos próximos tempos, vou brindar-vos com uma história típica desta época do ano.

Há uns dois ou três anos, em vez de apanhar uma valente constipação/gripe com a vinda da chuva e do frio, fui presenteada com uma acumulação astronómica de muco na garganta, mais comummente conhecido pelo termo extremamente técnico e clínico: ranhoca. Bem, é certo que é muito melhor que uma gripe de caixão à cova, que também já tive, mas não é menos incomodativo. Não se consegue falar, porque as cordas vocais estão todas untadas com a dita ranhosa, e quando sai algum som, parece que se andou a abusar do bagaço. Depois há a tosse. À noite, a respiração torna-se mais difícil, e uma noite bem dormida passa a ser mais uma memória que outra coisa. Aconselharam-me, então, a ir a uma farmácia pedir um anti-expectorante. Chegada à farmácia mais próxima e, com algum esforço, pedi aquilo que me tinham recomendado.

Nightwisha Maria: Boa tarde, quero um anti-expectorante, por favor.
Funcionária: E para que quer isso?
Nightwisha Maria: É para a ranhoca que tenho na garganta.
Funcionária: Ah, então a menina quer um expectorante, não um anti-expectorante!
Nightwisha Maria: Ou isso, seja.
Funcionária: Mas a menina pediu-me anti-expecturante, não um expectorante...
Nightwisha Maria: Sim, está bem, foi o que me disseram para pedir, mas o que eu quero mesmo é qualquer coisa que me tire a ranhoca daqui.
Funcionária: Então quer um expectorante.
Nightwisha Maria: Sim, quero um expectorante.

Entretanto a senhora foi para detrás do balcão, e começou a desenrolar um discurso sobre uma data de medicamentos que tinha para o efeito. Eu respondi que só queria uma coisa que funcionasse. A minha paciência, já de si diminuída, trambolhou-se toda pelo chão fora depois daquela primeira conversa. Eu estava toda enchouriçada por causa do frio e da chuva, sem conseguir falar ou respirar em condições, dormir era uma miragem, e sem cabeça para tolices. E então aí veio a segunda parte da conversa.

Funcionária: Quer xarope ou comprimidos?
Nightwisha Maria: Comprimidos, por favor.
Funcionária: Normalmente, os comprimidos são para maiores de 12 anos.
*silêncio*
*provavelmente, Nightwisha Maria faz uma cara de quem está prestes a cuspir a ranhoca alojada na garganta na fuça da Funcionária*
Funcionária: *com um sorriso-estado-de-sobrevivência * Se calhar, vai mesmo levar os comprimidos, não é?
Nightwisha Maria: Sim, vou levar os comprimidos.

E foi assim que, por alguma razão que desconheço, uma criatura achou que ainda não tinha passado pela puberdade. Nas noites frias e solitárias, chego a pensar que aquele comentário foi irreflexo, ou então que a senhora dava nos ácidos. Mesmo pequena e toda enchouriçada, não entendo como achou que eu já não teria idade para tomar comprimidos para, imagine-se!, a expectoração. Ou então há um dress code qualquer que eu desconheço e que incluía "roupa e sapatos de adulto". Estou mais inclinada para o consumo de substancias psicotrópicas, mas isso poderá ser da minha função cerebral que tende assim para o maquiavélico.

domingo, 25 de outubro de 2015

Escrutinando os sufrágios


As eleições foram, precisamente, há três semanas atrás. Descansem, não vou perder tempo com politiquices. Mas como o assunto vai de mal a pior e até já cheira mal, e como até estive "por lá", vou-me virar para um registo mais ao meu estilo: a linda e misteriosa arte da palhaceira. Para além de cumprir o meu dever cívico de ir votar, independentemente do local onde pus a minha cruzinha, estive a trabalhar nas mesas. Sim, os 50 paus pesaram na escolha, apesar de não pagar o trabalho que temos. Não foi a primeira vez que fui e, como podem imaginar, para quem já anda nestas andanças há alguns anos, há sempre cenas que vale a pena relatar.

As votações na minha zona (agora já não se pode dizer "freguesia", porque é uma "união", blá blá blá) foi numa escola primária (não a que eu frequentei). A primeira coisa em que reparei, depois de chegar à sala onde estava a mesa que me tinha sido destacada, foi que esta estava forrada a posters com coisas para os miúdos. E o meu olhar parou, automaticamente, naquele que ensinava os substantivos e ao qual tirei uma foto extremamente tosca enquanto não começava a montar o estaminé.


Eu não sei quanto a vocês, mas talvez os mais velhos tenham, como eu, associado o poster acima às imagens dos livros da primária dos tempos da ditadura (eu tenho boa memória para imagens e papelada). Casa, trabalho, religião. Senti uns tremeliques na tripa. Claro que a canalha não entende estas mensagens subliminares, mas parece-me um pouco ridículo que, indirectamente, se lhes esteja a incutir que "gente" é aquela que tem "fé" e entra numa casa religiosa encimada por uma cruz. Mas eu sou um pouco conflituosa, por isso, pode ser só dos meus olhos.

Outra coisa que salta à vista, é a maneira como as pessoas se vestem. Sim, típico comentário de gaja. A maioria vai com qualquer coisa, como se se vestisse para um dia normal (bem vistas as coisas, os dias de eleições não são "super"), mas há sempre: 1) aqueles que aproveitam a corridinha do dia para fazer a sua cruzinha; 2) aqueles que se veste como se fosse para um jantar real. E são estes últimos que me fazem mais confusão. Não estou a falar do casal que apanhei que foi votar depois de um casamento (notava-se tão bem! Teve piada, confesso), mas daqueles que olham para nós como se a roupa que têm os defina como a última bolacha do pacote.

Mas a melhor de todas, ou pior, foi mesmo aqueles seres que pareciam nunca ter votado na vida (sem contar com a trintona muito simpática, com ar meio betinho, mas totalmente deslocada das ideias, cujo marido, igualmente simpático e meio betinho, desculpou a ignorância da sua senhora na coisa, porque ela nunca tinha ido, efectivamente, votar). Fiquei numa das últimas mesas, onde normalmente votam os mais novos que, ou nunca votaram porque nunca se deram a esse trabalho, ou porque nunca tiveram idade para o fazer, e os que se mudaram para a "zona" há pouco tempo. Aos primeiros, até dou meia desculpa, e somente "meia" porque, por um lado, tinham obrigação de ser ter informado antes, e por outro, os pais podiam ter mais cuidado em avisá-los, não é só dar-lhes dinheiro para sair à noite e dizer-lhes onde fazer a cruzinha. Mas o que me irritou mais foi aquele pessoal que já tem idade para saber "o que a casa gasta" e, mesmo assim, parece lorpa, ou tenta fazer quem está a trabalhar nas meses um lorpa.

Situação 1:
Presidente da mesa - Bom dia, tem o seu cartão?
Cidadão Y - O meu número de eleitor é XXXX
Presi - Sim, mas eu preciso de um documento de identificação, como o cartão de cidadão.
Cidadão Y - Mas é mesmo preciso?

Situação 2:
Presi - Bom dia, tem o seu cartão?
Cidadão H - Não. Eu da última vez votei aqui.
Presi - Pois, mas as listas vão mudando. Sabe o seu número?
Cidadão H - Não.
Presi - Então faça o favor de ir ali àquela salinha, que tem lá uma funcionária que lho vai dizer.

Situação 3:
Cidadão Q - Menina, o meu número de eleitor é este *mostra cartão/mensagem de telemóvel*. Onde é que voto?
Eu - Tem que ver nas listas que estão afixadas lá fora, que tem a correspondência entre os números de eleitor e as mesas.

Situação 4:
Presi - Bom dia, tem o seu cartão?
Cidadão J - O meu nome é XXXXXX
Preso - Sim, mas preciso do seu número de eleitor, e do seu cartão de cidadão, já agora.
Cidadão J - Não consegue encontrar isso com o meu nome?

As situações acima descritas são verídicas. Parece impossível, mas são. De todo o modo, quando o tasco fechou, rapidamente se contou, organizou e lacrou tudo o que era votos e papelada nos seus devidos lugares. Tivemos mais votos do que o normal e esperado, mas ainda bem que assim foi. E a equipa era boa, por isso, não houve problemas. Agora, vamos lá ver no que isto dá... Acho que o Calvin é que devia ser Presi desta "zona". Fazia mais sentido, o "piqueno". Ou o Batman.

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Patience

Não sou dada a socialidades. Não gosto muito de pessoas, nem sei muito bem lidar com elas. Não sei se o problema é meu, se do facto de ter sido criada, filha única, dentro de casa, longe de tudo e todos, e sem que houvesse vivalma que me impulsionasse a me relacionar com os demais. Era em casa que devia estar, e pronto. Relações sociais? Coisa desnecessária.

Agora que saí para o mundo, vivo a minha vida e relaciono-me com algumas pessoas (até porque a profissão obriga). Mas continuo sem saber muito bem como fazer isso.

De todo o modo, começo a achar que as outras pessoas também não estão muito interessadas em relações sociais ou qualquer coisa do género (nem sei que lhe chamar, mesmo). Cada um vive demasiado centrado na sua própria vida, no eu individual ao invés do eu social, cuja acções, de uma forma ou de outra, acabam por interferir em muitos outros eus. As pessoas são, inadvertidamente, egoístas (e não são só os filhos únicos).

E é este o ponto fulcral. As pessoas pedem ajuda mas, lá no fundo, não querem ser ajudadas. Há uma cultura do desespero, do deixar andar até não poder mais, dos radicalismos, do não querer saber que consequências as suas acções têm. Se alguém tem um problema, bem... não sei muito bem qual é o meu papel e o que é suposto dizer. Daí que tento sempre racionalizar e relativizar a situação, caso a caso. Mesmo que seja um problema demasiado próximo, o meu instinto diz-me, inconscientemente, que me tenho que distanciar e olhar o problema de fora. Arranjar soluções. Mas o verdadeiro problema não é esse: são as pessoas. Nenhuma solução é boa, nenhum remédio vale a pena, e se temos a triste ideia de tentar fazê-las perceber que a opção que tomaram  (ou a falta dela) só irá piorar a situação, sentem-se ofendidas. Se não estás por mim, estás contra mim. É só isso que querem ouvir. Nada de soluções, nada de racionalizações, nada de contradições. Só querem ouvir um ámen e pronto, siga para a frente, ou siga para lado nenhum que tentar resolver os problemas é coisa que não vale a pena.

Einstein dizia que havia apenas duas coisas infinitas: o universo e a estupidez humana. E quanto ao primeiro, ainda tinha as suas dúvidas.

Não sei porque ainda me preocupo. Sim, preocupo-me. E faço-o porque as pessoas envolvidas são-me próximas. Porque, no final, quem vai acabar por ver as acções dos demais interferir na sua vida, sou eu. Há coisas que não se escolhem. Há aqueles que têm na família um pilar, mas também há aqueles que só têm uma fonte interminável de problemas. Eu faço parte do segundo grupo. E a verdade, é que, às vezes, fico cansada. Há fardos que os filhos não pediram, mas que acabam por cair nos seus ombros. Eu, infelizmente, não tenho com quem os partilhar.

E é assim, novamente sozinha e sem saber como lidar com as pessoas, que me vejo. Vou ali dar de beber às couves e já venho. Entre a horta e as pessoas, escolho a horta. Dá menos trabalho e magoa menos. E tentar ter paciência (Patience - Guns'n'Roses).

sábado, 10 de outubro de 2015

Fun-not-so-much

Odeio ir às compras. De qualquer tipo. Neste momento, alguns de vocês estão a pensar o seguinte: "O que? uma gaja que não gosta de ir às compras? Não pode ser... não acredito!". E a questão é: eu alguma vez vos menti? Pois, a verdade é que não gosto nada de ir às compras e hoje tive que me lembrar disso mais uma vez.

Pois bem, à hora do pequeno-almoço reparamos que precisávamos de comprar algumas coisas que foram acabando. Daí que fomos ao hipermercado. O qual estava, por estranho que pareça, apinhado de criaturas a um sábado de manhã. E era o pessoal parado no meio do nada, outros que quase atropelavam toda a gente porque queriam passar primeiro, as cotoveladas nos apertados corredores e, a minha favorita, a corrida para a caixa. O Moço, sem querer, quase passou com o carrinho por cima de uma criatura que, do nada, se meteu na frente dele, toda lambona, para se enfaixar numa caixa. Deu-me mesmo vontade de lhe dar uma trombada com o carrinho, para ver se aprendia...

Senhores, as pessoas são mesmo horríveis.

Mesmo quando é para comprar roupa, sinto-me uma "gaja atormentada". Primeiro, é a confusão: o gado que não se mexe e fica, como nos corredores dos hipermercados, parado no meio do pasto a olhar bovinamente para todo o lado ou para o telemóvel ou mesmo a conversar com alguém. Depois, quase todas as lojas têm o ar condicionado regulado para "inferno", o que faz com que me sinta mal com facilidade. Ainda, há o facto de eu, raramente, encontrar alguma peça de roupa que goste. Finalmente, aquelas que gosto são, em normal, estupidamente caras. Tudo isso aliado faz com que a Nightiwsha Maria volte para casa de mãos vazias e de trombas. Ao menos não gasto dinheiro.

Por isso, cada vez mais estou a optar por fazer pesquisa em casa, nos sites das lojas. Pelo menos, aquelas que os têm. Assim, vejo o que há e o que me agrada e, caso queria adquirir alguma peça, chego à loja, procuro ou pergunto a um funcionário, experimento, e decido se levo ou não. Penso com muita mais calma e só perco o tempo estritamente necessário. Claro que a Primark, onde se vão encontrando peças da Marvel, DC ou Disney, não dá essa opção... --'

Vou ali ver umas coisas e já venho! =P

sábado, 3 de outubro de 2015

Princesa do Mónaco

Quando tenho que ir ou voltar do escritório a pé, faço o caminho que me parece mais curto e que é quase sempre a direito. Três ruas e mais uma avenida, seguidas, quase em linha recta. Nessas ruas, passo por alguns cafés daqueles que só têm babões, novos e velhos, à porta, a olhar para todas as criaturas do sexo feminino que mexem, novas ou "menos novas", mais tapadas ou mais destapadas.

Normalmente faço o percurso com phones, primeiro porque música ou rádio são óptimas companhias, e depois porque, assim, evito ouvir as alarvidades que os ditos babões mandam cá para fora. Caso calhe de ouvir, por qualquer razão, as frases ridículas de engate que cospem (não sei se eles já perceberam que não engatam ninguém com aquilo), faço de conta que não dei por nada. É certo que, se ninguém ripostar, eles vão continuar a fazer o mesmo, mas de que vale a pena descer ao nível deles? Só pioraria as coisas.

No outro dia, por acaso, não tinha os phones postos. Passei por um café onde estavam uns cinco atrasados mentais à porta, e um sai-se com o seguinte "pseudo piropo de engate", em modo de melodia: "Princesa do Mónacooo...!". Fiz de conta que era surda.

Nobres moçoilos que por aqui passam, ouçam o conselho que vos dou. A primeira coisa que este "pseudo piropo" me lembra, é que as princesas do Mónaco são um pouco... vá, dadas. Chamar uma rapariga tal coisa, é quase como lhe chamar rameira. Se é para deleitarem ouvidos, meus amigos, mais vale irem por uma delicada e encantadora "princesa da Suécia", ou até mesmo uma chique mas um pouco pespineta "Doña Letizia de España" (quem não se lembra do célebre "déjame termiar!" hehe). Ou, finalmente, podem ir, simplesmente, pela "Princesa Leia", que essa tem sempre uma arma por perto, o que é uma mais-valia. E nada de cantorias baratas, fachabori. Ou é para fazer a coisa como deve de ser, ou então, calem-se para sempre.

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Pasta de dentes corrosiva

Ontem fui ao dentista para uma consulta de rotina. Há uns tempos abriu uma clínica nova aqui em Braga e, como passo a maior parte do tempo por aqui e até precisava de dar "uma vista de olhos" nos meus sisos, aproveitei uma campanha que eles estavam a fazer. Se ficasse cliente, como fiquei, e caso necessitasse de algum tratamento, como vim a descobrir que precisava, tinha um belo desconto.

Descobri que, ao fim de quase 25 anos (na altura), tinha uma pequena cárie. Sempre tive dentes fortes, e mesmo tendo descuidado algumas vezes a higiene oral durante a adolescência (também, quem é que lavava os dentes depois de comer na cantina da escola?), nunca tive cáries nem nada do género. Aos 18 anos descobri que ainda tinha um dente de leite (devo ter tido dois no mesmo sítio), e que o definitivo "andava a passear no meu palato". Foi a primeira vez que fui ao dentista, porque, muito obviamente, tinha dores. Não se choquem... como podem ver, lá em casa a saúde não era prioritária. Como tive que usar aparelho, comecei a dar mais atenção à higiene oral, mas com os sisos a querer sair a todo o custo, acaba por ser quase impossível escabichar bem os ditos quando ainda estão "meios enterrados". Por isso tive uma pequena cárie, que foi logo tratada para não dar mais problemas.

Ontem voltei à clínica para a consulta de rotina (são de seis em seis meses), e parece que os meus queridos sisos não podiam ter escolhido uma altura melhor para me melgar a cabeça mais uma vez... No mês passado, houve ali uns dias que a gengiva à volta dos sisos inferiores tinha ficado muito sensível e doía como o diabo. A dentista esteve a ver e disse, como eu já esperava, que o dentes estavam a forçar "a sua emersão" e estavam a rasgar a gengiva. Para piorar, o espaço é muito limitado e os dentes são demasiado grandes para um maxilar tão pequeno. Uma das raízes, a do dente esquerdo, para cúmulo, é torta e está mesmo ao lado de um nervo. Esse, muito provavelmente, vai ter que sair, e talvez o outro siso de baixo também. Mas vamos aguardar mais um pouco, para só mexer se e quando for mesmo necessário, porque seria tirar o dente esquerdo vai ser "o cabo dos trabalhos".

Depois do susto, que de certa forma eu já esperava, a dentista esteve então a ver toda a boca e a fazer uma rápida destartarização (e a tirar um resquício de cola que ainda tinha num dente da frente). Advertia que, depois de achar que a minha boca tinha sido assaltada por alguma infecção, que há "alturas no mês" em que a gengiva incha que é uma coisa doida. Ciclos hormonais. Então, para prevenir o sangramento da gengiva, sobretudo "nessas alturas do mês", ela deu-me uma amostra de uma pasta de dentes toda xpto. A bisnaga veio com uma advertência: "o sabor não é nada agradável, mas vai fazer-te bem". Tendo em conta que eu acho que todas as pastas e elixires dentífricos têm um sabor de brandar aos céus e que quase me fazem vomitar sempre que tenho que os usar (excepto os de criança com saber a laranja no Lidl ^^ ), pensei cá para mim que não podia ser assim tão mal.

É mesmo muito mau. É mil vezes pior que o sabor a menta dos produtos do género. O elixir horroroso que tenho é um deleite para o palato comparado com aquilo. A consistência é inexplicável, parece borracha. E pior, sabe a borracha. Por momentos, pensei que estava a lavar a boca com petrólio ransoso com um toque de menta de péssima qualidade, provavelmente contrabandeada de um país da Ásia. Queixei-me ao Moço e, em resposta, tive uma piada. Quanto terminei o "ritual", fui para a beira dele no sofá e disse-lhe qualquer coisa. "Não é assi... CA CHEIRO HORRÍVEL!". Pois, afinal tinha razão. Bochechei com o elixir para tentar nimorar "os estragos". Faz-se o que se pode.

Curiosidades sobre a pasta de dentes Parodontax®:
  • A bisnaga diz "extra fresh". Só se a "frescura" é sinónimo de "produto dentro do prazo de validade".
  • Acabei de reparar que a amostra não tem prazo de validade
  • Um dentífrico "inofensivo" não vem com instruções de uso, muito menos, as seguintes: "SIGA SEMPRE AS INSTRUÇÕES DESCRITAS NA EMBALAGEM. Escove os dentes duas vezes por dia e não mais do que três. Evite engolir e cuspa. Não utilizar em crianças com menos de 12 anos. (...) Mantenha fora do alcance das crianças. Caso ocorra irritação, descontinue o uso da pasta." (A frase a negrito está igualmente destacada na bisnaga); ou ainda "pode ser usado todos os dias".
  • Os ingredientes incluem extractos de várias flores, bicarbonato de sódio, álcool, glicerina e um ou outro polímero lá para o meio escondido.
  • Os fabricantes da pasta de dentes são de Inglaterra, mais propriamente de... Middlesex. Tinha que partilhar. O Billy Idol é de lá. Se são demasiado novos ou distraídos para saber quem é o senhor, fachabori de carregar aqui.

terça-feira, 22 de setembro de 2015

Vizinhos de Belzebu, Vol. VIII - Quando o problema é outro

Como sabem, mudei-me para um prédio em que, a maioria dos moradores, são estudantes universitários. Claro que, aquando da escolha para O Covil, tinha perfeita noção que me iria encontrar mesmo "no foco" da festança: com diversos estudantes como vizinhos, e "em cima" de alguns locais de divertimento nocturno/bares, o silêncio não ia imperar pelo local. Mas, como sabem, lá me mudei. Não posso dizer que estou descontente com o novo poiso, mas há alguns aspectos que queria partilhar convosco.

Sim, alguns estudantes são barulhentos e outros não. Os moços do apartamento do lado gostam de pôr música de engate para as moças (não sei se convidadas, se as vizinhas da varanda da frente...), a um nível de decibéis indesejável mas, chegadas as 22 horas, ninguém os ouve mais. Não vou dizer que gosto das músicas que põem a tocar, porque não gosto, mas há que saber ser tolerante. Um dia poderei ser eu a fazer algum barulho/dar um jantar mais animado/pôr a máquina a lavar tardiamente para aproveitar o coiso biorário, e não quero criaturas penduradas em mim, a chatear-me a mona, dois minutos depois. Afinal, são músicas de engate. Claro que se fosse eu a meter Skid Row, independentemente das horas, já sei que iria aparecer alguém (não necessariamente estudante) a queixar-se do barulho, dos pulsos cortados, da adoração do diabo e dos sacrifícios de galinhas pretas... mas adiante. O meu problema não são os estudantes, os dias de arraial (como hoje, mas que desta vez não será aqui na zona), as quartas-feiras académicas, os moços a enganarem-se a tocas à campainha e coisas que tais.

O meu problema são os vizinhos de cima: um casal que, quando se ouve, é em altos berros e com conversas de lavar roupa suja.

Logo nos primeiros dias depois de instalada, houve semelhante berrume que eu acho que andou tudo pelo ar. Não consegui perceber a maior parte da conversa (é uma das desvantagens de ouvir mal), mas foi uma discussão e pêras. Ela guinchava de nervos e ele lhe respondia, e passo a citar: "cala-me a p*ta da bocaaaaaa!!". O resto era barulho de coisas a andar a rasto ou assim e, provavelmente, uma pêra. Eu não consegui perceber, mas o Moço acha que ela apanhou uma estalada ou coisa assim. E tal como começou, a discussão parou. Mais ou menos uma semana depois, aconteceu algo parecido, mas com menos intensidade. Durou uns cinco minutos, desta vez sem fruta (pêras, o futebol não é para aqui chamado =P ) e não conseguimos perceber se eram as mesmas pessoas. Este incidente conta apenas como meio, portanto.

A noite passada, acordei por volta das quatro da manhã, com a mulher aos berros novamente: "Nojento! És um nojento! Nojento! Que nojo! És um nojento, nojento! És um nojento! Porco! És um porco! (Qualquer coisa imperceptível) de quatro! Que nojo! Nojento!". E depois silêncio. Passei algum tempo hoje a tentar perceber o que aconteceu (especialmente onde é que o "de quatro" encaixa nesta história). Percebi que, muito provavelmente, não quero descobrir.

Dois incidentes e "meio". Se voltar a acontecer e perceber que está "a haver molho", podem ter a certeza que chamo a polícia. Quanto ao mais, vou seguir um sábio conselho: usar a vassoura para bater no tecto. Para além do barulho, que não é nada agradável, a situação em si mesma é simplesmente ridícula.

Ao menos os arraiais vêm com bifanas incluídas.




Para verem o post do Moço sobre o assunto, fachabori de clicar aqui.

Para lerem os volumes anteriores destas crónicas, fachabori de clicar aqui.

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

When you're just living your life =P

Estou a ficar seriamente preocupada.

Este mês, as minhas contas em redes sociais têm sido invadidas de fotos e notícias devastadoras: é só pessoal a casar. Não vou mentir: abomino a instituição do casamento (por questões pessoais, ainda que não seja contra quem o faça. Cada um sabe de si, e eu sei que não quero casar). Desde muito nova que tomei a decisão de que "casar" não é assinar um contrato. Como a minha avó muito sabiamente diz, não é num papel que se vai encontrar amor. Mas, de novo, esse é um passo que cabe a cada um decidir se está preparado para dar ou não, e quem está de fora só tem que aceitar, quer a decisão seja positiva ou negativa.

A questão que eu coloco a mim mesma, depois de uma pandemia de fotos de amigos e colegas que ficaram noivos, que casaram ou que foram aos casamentos de outras pessoas, tudo isto em poucos dias, é a seguinte: (palavrão) já tenho 25 anos.

É assustador quando dás por ti e vês que, à tua volta, está toda a gente a dar o nó (alguns, talvez, ali pela zona do pescoço... =P ) ou muito perto disso. É um misto de sensações. Por um lado, percebes que já és adulto e que ainda vives como se fosses um miúdo, e isso é bom, porque o que importa realmente é ter um espírito jovem; por outro lado, é como se fosses ficando para trás. Ainda há uma grande pressão social e familiar, na generalidade, sobre a ideia de, chegando a uma determinada idade, a ordem natural das coisas ser casar ("ajuntar" não, apesar de já ser encarada como uma coisa "aceitável", quanto mais não seja porque é mais barato - assim ao estilo tuga hipócrita), ter filhos e todas aquelas coisas que os nossos pais fizeram, talvez até mais novos do que nós.

Certo é que, para aqueles que decidiram e puderam estudar até mais tarde, e investir numa (possível) carreira, tudo isso fica para mais tarde. Mas ainda assim, não deixo de ter 25 anos e, à minha volta, o círculo de amigos/colegas/conhecidos transfigura-se de uma forma assustadora: para os que já terminaram ou estão para terminar a sua formação académica/profissional, o próximo passo é estabilizar... e isso significa casar e ter filhos. Aqueles que decidiram ficar pela escolaridade mínima obrigatória... já têm família. Se assim não for, lá começam as perguntas inconvenientes do "e para quando o casamento?" ou "com essa idade já podiam 'mandar vir' um menino!" e outras tretas que tais. Continuo-o a olhar para mim ao espelho, e ver que não tenho idade para essas coisas. Respeitem a minha opinião, sim? Não tenho pachorra. Já me basta ver fotos de copos de água, e eu toda fogo-de-artifício por ter comprado uma t-shirt de Star Wars.

Devia ser proibido crescer.

terça-feira, 17 de março de 2015

Porque desmaiar com estilo é uma arte

Sou pessoa de passar a vida a tropeçar nos paralelos da rua, nos móveis, nos sapatos perdidos no meio do corredor e até nos próprios pés. Escorrego no chão de madeira, nas escadas e na banheira. Mas felizmente, é muito raro cair (a minha carteira agradece, que partir dentes e óculos está fora do Orçamento de Estado da Pseudo-República da Minha Casa). Cair é coisa corriqueira, acto que qualquer moçoila executa com relativa frequência. Desmaiar é coisa de diva. Só desmaiei uma vez na vida, mas acredito que tenha valido por dez.


Véspera de passagem de ano, 2012

Depois de jantar e de preparar a mala para, no dia seguinte, voltar a Braga, para ir trabalhar e passar o Reveillón com o Moço, estive a fazer tempo ao computador até chegar a hora do alegre soninho. De repente, assim completamente do nada, senti uma vontade absurda de vomitar (e eu que nem sou "dessas coisas"). Nem tive tempo de chegar à casinha e aqui terminam as minhas descrições extremamente gráficas. Tentei comer qualquer coisa para compensar o que "lá fora", mas o meu corpo repelia, por todos os lados (não me façam explicar), tudo o que ingeria. E nisto a minha mãe solta o alarme: "Tens que ir ao hospital levar soro. Isso deve ser uma gastroenterite". Naquele instante, acho que fiquei curada, mas infelizmente esse estado de plenitude não durou muito tempo. Enquanto imagens de agulhas a virem na minha direcção me deixavam mais desidratada do que já estava, ouvia o meu pai rugir que eu era uma gulosa e que tinha sido a minha alarvice de comer tudo o que vira no natal me tinha deixado naquele estado, completando que no dia seguinte não ia a lado nenhum, que quem mandava era ele e que o trabalho pendente e a passagem de ano com o Moço "já eram", sem possibilidade de negociação. Eu com uma gastroenterite e ele preocupado com o "seu poder". Cada um com as suas prioridades (viram a referência lá em cima sobre a pseudo-républica?!).

Chegados ao hospital, eu e a minha mãe fomos ao check in, enquanto o meu pai foi estacionar o carro. Enquanto ela falava com a senhora administrativa, carregando as carteiras das duas, eu limitei-me a encostar o corpo ao balcão e a cabeça ao vidro que separa os intervenientes. De repente, deixei de ver, graças à fraqueza que a gastroenterite tão prontamente me proporcionou. O meu pensamento seguinte foi: vou estatelar-me no chão.

Cair em slow motion faz toda a diferença. Mesmo antes de desmaiar, ainda disse à minha mãe "acho que vou cair...", enquanto, contou-me ela depois, já estava eminentemente em cima dela. A última coisa que me lembro é da administrativa a bater com um porta-chaves no vidro, e eu, com as minhas funções cerebrais (de qualidade duvidosa) ainda em funcionamento, pensei: "Eu aqui quase a desfalecer e a burra a bater-me no vidro?! Deve pensar que assim 'acordo' mais depressa...". Posteriormente, vim a saber, também pela minha mãe, que o repique no vidro era para os dois bombeiros que estavam ao meu lado e que não repararam em nada, já ela estava como cristo, de braços abertos, com as carteiras das duas e a filha "apagada" estilo saco de batatas em cima. Foi preciso o porteiro, a metros de distância, vir a correr para ajudá-la.

Entretanto comecei a ouvir sons e, quase ao mesmo tempo, a sentir as orelhas quentes. Foi a primeira coisa que senti de forma física. Nesse instante, lembrei-me de uma amiga dizer que esses são os primeiros "sintomas" pós-desmaio. A minha função cerebral é um espanto. Depois pensei: daqui a nada já consigo ver, enquanto constatava que me encontrava em movimento e com a boca seca (quando o porteiro me colocou na cadeira de rodas de emergência que têm na entrada, devo ter aberto a boca e ninguém teve o cuidado de ma fechar... --'). O que é que fiz quando "voltei totalmente a mim" já no corredor das urgências? Comecei-me a rir, tentando imaginar as figuras tristes que tinha feito. Estava quase curada, "portantos", mas não me safei do soro. A maneira vergonhosa como me portei frente à enfermeira de serviço não é para aqui chamada, mas tenho que dizer que a senhora foi muito paciente comigo (já deve estar habituada aos "clientes" com pânico de agulhas, suponho). Enquanto isto, o meu pai permanecia na sala de espera, onde reapareci com fénix albina renascida das cinzas, com soro no bucho e a receita algures perdida na carteira tamanho XL da minha mãe. A sua primeira pergunta foi, muito carinhosamente: "Pagaste as taxas moderadoras?!" (A resposta negativa, porque nessa altura ele não tinha deixado passar o prazo de renovação da isenção, acalmou-lhe o coração sobressaltado. Se ele tivesse assistido ao show que dei gratuitamente, teria cobrado bilhetes para compensar o valor da gasolina gasta.)

Meados de Março de 2015

Não voltei a repetir a proeza.

quarta-feira, 11 de março de 2015

Porque aroma a brisa marítima e lavanda é demasiado out

Sabem quando alguém compra um presente que não é do agrado de quem o recebe, e depois o dito anda de mão em mão até haver uma alminha que fique com ele? Foi precisamente por essas "vias travessas", que um certo e determinado perfume me veio cair no colo, salvo seja. Estou a falar, nem mais nem menos, do perfume Fame da Lady Gaga. E se pensam que é água rasca vendida a €10 na feira mais próxima, considerem-se enganados. Alguém gastou uma pipa de massa para ver a sua rica prenda a saltitar de mão em mão. Até chegar aqui à je.

Antes que pensem que este é um post "de gaja", continuem a ler. No final, vão estar mais inclinados para o classificar como post "de gajo" xD

A primeira coisa que fiz foi cheirar o produto. Percebi logo o porquê de me ter vindo parar às manápulas. Não é coisa que se goste à primeira snifadela. Digamos, em tom de eufemismo, que é um gosto adquirido. Uma esguichadela bastou para o aroma se propagar pela casa... é daqueles que se entranha. Todavia, consegui, quase por mero acaso, descobrir um óptimo uso para o perfume: depois do ataque biológico proporcionado pelo Moço na casa-de-banho mais próxima, sem outra alternativa visto que não tinha ambientador e que ainda segurava o frasco no momento crítico em questão, a minha reacção instintiva vou polvilhar o a lufada de ar viciado com o Fame.

Pessoas, fiquem consciencializadas: aquilo realmente resulta.

Em segundos, o ataque biológico foi neutralizado. Não estou a brincar. Alguém devia fazer um ensaio científico sobre o assunto. E esqueçam a brisa marítima, os citrinos e as flores. Agora, o nosso ambientador é Fame by Lady Gaga. Muito in, portant's. Podem mandar vir mais destes.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Crónicas dos Vizinhos de Belzebu, Vol. VII - O mirone e o "fado do lar"

As traseiras do prédio onde vivo em Braga têm uma vista privilegiada para um amontoado de pequeninas casas velhas, a que chamo de "galinheiro". O nome tem a ver com o estado de (fraca) conservação dos imóveis, não sei se por falta de dinheiro dos donos, se por estes não quererem saber. Para além da única casa em bom estado, que foi restaurada há pouco tempo, a qual é habitada por um casal jovens , todas as outras habitações são de pessoas mais velhas.

É então da minha janela da cozinha, que é enorme e transforma o local em estufa no verão, que vejo as senhoras do "galinheiro", isto é, "as galinhas", a conversar sobre a vida dos outros, em amena cavaqueira, enquanto espreitam para ver o que eu ando a fazer dentro da minha própria casa. Por essa razão, chego ao cúmulo de, depois de correr as cortinas, as prender com molas da roupa, só para não ter que me chatear, porque elas bem se esticam para tentar ver alguma coisa. Imaginem com que cara fico ao explicar aos convidados da casa, a razão daquele aparato. Mas a verdade, é que sempre que me chego à janela, parece que há sempre, pelo menos, uma "galinha", a espreitar.

Na continuação da lateral traseira do prédio, está a lavandaria, apenas separada da cozinha por uma porta de correr que costuma encravar, ao ponto de me conseguir magoar ao mover a dita cuja. Na lavandaria continuam o envidraçado gigante das janelas, mas aí já não existem cortinas. E lá ficam as vizinhas maravilhadas a constatar que eu até meto roupa a secar de vez em quando... E berram, olham fixamente, e nem disfarçam.

Há uns dias, no entanto, "o espectáculo" foi diferente. O Moço ajudou-me a pendurar a roupa (até porque eu não chego às cordas que estão dentro da lavandaria... --' ), e enquanto lha passava, olhando distraidamente para fora, reparei que um homem vinha a descer o "galinheiro", fixado em nós. Agora que penso nisso, quando reparou que eu estava a olhar de volta para ele, o homem até que disfarçou bem, e eu nem dei grande importância ao assunto naquele momento, continuando na minha "lide doméstica". Algumas peças de roupa depois, volto a olhar pela janela, por mero acaso... E lá está o "galinho", do outro lado do passeio, parado, a olhar de forma totalmente descarada... para o Moço.

"Se calhar nunca viu...", disse depois de explicar ao Moço o que se tinha acabado de se passar, já o mirone se estava a dirigir para o "galinheiro" novamente. E ele respondeu "pois, se calhar, nunca viu mesmo um homem a pendurar roupa". Alguém devia explicar a estas criaturas que o tempo da sanzala já lá vai... Um homem não fica rendido por ajudar a mulher/namorada/companheira/mãe/irmã a tratar da casa que ambos usam. Se não gostam, e estão no seu perfeito direito de não gostar, têm bom remédio: virem a cara para o lado. Eu cá fico com o meu "fado do lar".

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Bell ringing is coming...

Há algum plano diabólico em curso.

Não é possível que hoje, sempre que ia à "casinha" no escritório, alguém tocava à campainha. Juro que é verdade. Nem por uma única vez pude o que quer que fosse no wc sem ter que correr com as calças ainda na mão para abrir a porta.

Pior que isso é quando passas quase uma semana para mandar dois faxes, cada um para tribunais diferentes, e nenhum chega ao destino. E os prazos que não se interrompem. Depois, como por milagre, alguém vai ao fax e puff!, lá foi ele.

Mas voltando à história da casa-de-banho, eh pah, não entendo como é que é possível uma pessoa ter um timing tão péssimo (eu). Parecia que as pessoas estavam a espiar-me por detrás da fechadura, à espera que eu me esgueirasse à "casinha", para logo enterrarem o dedo na campainha. Ainda conservo algumas dúvidas se não estariam mesmo a espreitar... Só a mim =P

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

2015: Odisseia nas urgências de um hospital do SNS

A pouco sorte perdura destes lados... mas agora em forma de infecção urinária.

Tive os primeiros sintomas no final do dia de domingo, mas vontade de ir com frequência à "casinha" não é coisa que não aconteça a qualquer rapariga de vez em quando, e por isso não liguei. No entanto, no dia seguinte, a sensação de quase esquartejamento e imolação quando ia à casinha "mudar a água às azeitonas" era de tal ordem, que comecei a suspeitar que algo não estaria realmente bem. Ainda assim fui para o escritório, para ver se a coisa aliviava. Obviamente, isso não aconteceu, e visto que comecei fortemente suspeitar que realmente poderia ter uma infecção, depois da minha horinha fui ao hospital aqui de Braga, mais na desportiva que outra coisa, pensando eu que, ao cabo de umas três ou quatro horas, estaria em casa no quentinho.

Mas não. Esperei nove horas para uma consulta de cerca de 10 minutos, na qual o médico confirmou-me aquilo que eu, o Moço, a minha mãe, a administrativa do check in e a enfermeira da triagem suspeitavam com muita força: efectivamente, era uma infecção urinária. De bónus, durante cerca de metade do tempo da consulta fui insultada, uma vez que o médico que me atendeu não gosta de advogados porque são arrogantes (em especial os mais novos) e dos quais passa a vida a rir. Já era quatro e meia da manhã e, como podem imaginar, não estava para aturar aquelas tretas e claro, respondi-lhe à letra. Lá houve qualquer coisa que o médico gostou que eu disse que e, como por milagre, mudou totalmente de conversa, e já era todo amiguinho e sorrisos comigo, e a dar-me conselhos e mais não sei quê. "Ainda és muito nova para te prenderes a uma profissão. Vai masé por esse mundo fora, arranja uma bolsa e vai passear". Se ele quiser, pode tentar dizer isso lá em casa, para ver o resultado... Ainda bem que os filhos dele puderam fazê-lo, uma vez que têm uma pai rico. Eu tenho um pai mecânico e desempregado.

E foi assim que, por volta das cinco da manhã cheguei a casa, comi qualquer coisa, vesti o pijama e fui dormir. Claro que às 8:30 horas já estava de novo fora da cama para ir trabalhar. Já tenho a medicação e vá, afinal é apenas uma infecção urinária. É que o médico tem turnos e folgas, advogado não tem horário.

Houve, efectivamente, uma coisa positiva: consegui pôr a leitura "em dia" ^^

sábado, 24 de janeiro de 2015

A "Besta" #4 - Os salteadores da tese "perdida"

Sabem aquele sentimento de que tudo o que pode correr mal está a acontecer-vos?! Não é só o Markl que, num supermercado pejado de gente, consegue ser a única criatura a espetar o pé numa sopa que está abandonada no chão da secção de frutas e legumes e, consequentemente, fazer o resto das compras com uma sapatilha de pano azul e outra ensopada em couve de caldo verde. Isso também me acontece, figurativamente. Em relação à minha pequena "besta", acho que já me aconteceu quase de tudo...

A uma semana de entregar a tese, soube que tinha que entregar com a mesma, as declarações dos orientadores a darem a sua anuência nesse sentido. E soube por um qualquer acaso cósmico. Quando pensava que a única dor de cabeça seriam os quase cem euros que ia deixar na reprografia, lá andei eu como uma louca a mandar e-mails e fazer telefonemas para ter as declarações a tempo (tenho dois orientadores, um da Universidade do Minho, para a área de Informática, e outro externo, para a área de Direito, uma vez que a minha academia não tem nenhum docente da área do Direito de Autor). É verdade que podia ter ido ao Porto, mas corria o risco de lá chegar e ainda não estar pronta, e não ia pedir tardes ou manhãs no escritório em catadupa por causa de um documento que podia ser enviado pelo correio.

Entretanto, precisava de dar um últimos toques na "bestinha". Passei a segunda-feira que antecedeu a entrega (dia 31 de Outubro, sexta-feira) a terminar a formatação final da tese para a mandar imprimir. Só por volta da hora de jantar é que consegui finalmente aparecer na reprografia. Como não tinha o programa para formatar a capa e a folha de rosto da “besta” segundo as orientações da academia (aquilo tem uns templates específicos), perguntei aos moçoilos da reprografia se não precisavam de mim por causa dos nomes e do título. Disseram-me que bastava copiar os dados da declaração que vai dentro da tese com todas essas informações e que podia ir embora. Fiquei então de levantar os 6 exemplares obrigatórios encadernados a quente que me custaram os olhos da cara, mais um para mim (mas com argolinhas que é mais fácil de manusear e mais barato) e os dois cd-rom dois dias depois.

No final no dia marcado lá estava eu. Quando me apresentaram as "bestinhas" impressas, nem fui capaz de lhes tocar. Bastou mas meterem à frente dos olhos para perceber que o nome da tese estava incompleto em todos os exemplares. Obviamente, as “bestinhas” ficaram lá, para voltarem a imprimir as capas, descolarem as antigas e colarem as correctas. E eu a fazer contas ao tempo (que aos euros já eu tinha feito). No dia seguinte, quinta-feira, à mesma hora, com o coração aos saltos, voltei ao local. O alívio de estar tudo bem foi maior que o alívio da minha carteira.

Dia seguinte, último dia para entrega e véspera de finados (a ironia é uma coisa que a mim me assiste, e muito), tomei o pequeno almoço, fui entregar as “mini bestas”, mais uns papeluchos que eram necessários e… a cópia das declarações dos orientadores, uma vez que as originais não chegaram às minhas mãozinhas a tempo. Felizmente o pessoal da Escola de Direito facilita nesse aspecto, até porque outros alunos também já tiveram o mesmo problema que eu. Mas consegui entregar tudo o que era necessário e, no último dia de prazo, o meu trabalho estava, por ora, terminado.

O tempo foi passando, e sobre o assunto, apenas recebi um e-mail em Novembro, da Escola de Direito, a comunicar quais seriam os elementos do júri escolhidos para as minhas provas. Por essa altura fui levantar a declaração original do meu orientador de Informática à Escola de Engenharia, e recebi, efectivamente, uma declaração original da minha orientadora de Direito, por correio, ainda que com uma gralha. Foi-me garantido que a Universidade Católica enviaria uma outra rectificada, pela qual ainda espero... Acabei por entregar a declaração com a gralha, mesmo depois do incompetente do funcionário dos CTT ma ter colocado na caixa do correio ensopada em água da chuva, toda amarrotada como um lenço de papel usado e rasgada. Felizmente, na Escola de Direito, só se riram da minha má sorte, e aceitaram a declaração original mesmo assim.

Quando mais nada podia piorar, ontem, ao telefone, fiquei a saber que as minhas provas de defesa estavam marcadas para... 04 de Fevereiro. Sim, supostamente estava a saber com pouco mais de uma semana de antecedência que iria apresentar a "besta", quando todos os outros alunos têm, por regulamento, um mês para se prepararem. Acabei por passar na Escola de Direito da parte da tarde, para tirar a história a limpo. Uma vez que os restantes elementos do júri tinham, entre si, acordado aquela data, faltava apenas a minha orientadora confirmar a sua presenta. O problema é que ela não atende o telemóvel nem responde aos e-mails e, bem... pensaram em dizer-me alguma coisa, para eu ficar prevenida. A senhora da secretaria, é certo, não podia fazer nada de forma autónoma ainda que me quisesse ajudar a resolver a questão, mas perante uma situação destas, saltou-me a tampa. Felizmente, nesse momento, apareceu o director do meu mestrado que, de imediato, disse para se desmarcar as minhas provas, por tempo indefinido, até se arranjar uma solução, uma vez que, apesar de ninguém ter culpa do que se estava a passar, eu iria ser prejudicada a final. Segundo o que ele disse, talvez para Março, quando vier a primavera.

E é isto meus senhores. Está mais difícil terminar este mestrado do que andar a escarafunchar por aí com o Indiana Jones para encontrar o Graal. Ou encontrar um livro na biblioteca da academia que tenha a ver com a área de estudos da minha "besta" e que esteja disponível para requisição.