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segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Acontecimentos de Merdi Gras

Para mim, que ainda só terei uma semana de férias em Agosto, enquanto espero por mais dias sem mexer um mindelo esparramada no sofá, enquanto as tarefas domésticas que tenho em cima do lombo se multiplicam à velocidade de um funil, a época em que vivo é parecida com a páscoa: tempo de contrição, até ao esperado momento em que o comum dos mortais tira a barriga de misérias papando uma quantidade insana de chocolate até ter uma valente dor de barriga, naquela que é mundialmente conhecida como watching animation movies and eating chocolate day. Ou entra de férias, no meu caso.

Mas como eu ia a dizer, até lá, é tempo de passar um mau bocado, pelo menos, sem as regras de alimentação extremamente restritas e apalermadas da páscoa, expecto para aqueles que vão pagar a gula ao ministro do culto. "Ai não posso comer carne quando me apetece? Vou já abrir os cordões à bolsa e vamos ver se não me posso empandeirar com uma vitela assada da quarta-feira de cinzas!". Ou, aproveitando a analogia acima, de quem tem empregada doméstica (se bem que eu até gosto de peixe, apesar de uma tosta mista vir mesmo a calhar em qualquer altura do ano).

Toda esta conversa faz-me lembrar de um acontecimento que ocorreu há uns tempos, em forma de "oh senhores, vou mandar esta gaja pela janela do comboio e quando ela se esborrachar contra a protecção sonora mais próxima, acabaram-se os problemas. Os dela, e os meus, que é estar a ouvi-la".


A tarde prometia. Ia a uma festa com o Moço, comer cheesecake de oreo e conhecer um gato. O comboio já estava semi cheio, por isso, tivemos que nos sentar ao lado de uma rapariga chorosa, que piava ao telemóvel um desgosto amoroso tipicamente pital. Até aí, nada de novo. Quem nunca encontrou uma cena destas na vida, ou não é deste mundo, ou tem uma sorte do caraças. O qual não é, como irão ver, o meu caso.

A rapariga malditou-se em como ele já não queria nada com ela, que tinha que tirar as coisas dela da casa dele e que não queria ficar a trabalhar no sítio onde estava nem mais um dia, mas tinha que dar uns dias à casa. Uns dez minutos depois de mi mi mis, o silêncio. Que só durou escassos segundos, o tempo necessário para a moça ligar a outra pessoa. Chorou, voltou a repetir a toda uma história, mas acrescentou alguns pormenores. "Já a primeira vez foi assim, agora à segunda já não volto!" Espera lá, essa cassete já está a passar em repeat?!


Confesso que cheguei, no início, a ter pena da rapariga, porque não é fácil interromper as férias com a família com quem se estás de vez em quando, porque mudaste-te completamente para outra cidade por causa da pessoa que gostas, mas que, milagrosamente, acabou de se borrifar em ti. Pela segunda vez. Mas de mim ninguém tem pena, nem das restantes pessoas que se encontravam naquela carruagem, até porque a moça não falava propriamente baixo. Eu bem tentava iniciar todo o tipo de conversas com o Moço para não estupidificar, ou cometer um crime de sangue.

Toda esta história foi ganhando novos e retorcidos contornos ao longos das restantes chamadas que a moça foi fazendo para várias pessoas. Lá pela oitava chamada, deixei dar conta das vezes que ela repetia a conversa toda a uma criatura diferente ao telemóvel. "Não quero é estar a contar à macacada toda...". Pois não, mas estás a contar porra da tua vida toda ao resto do jardim zoológico e eu não quero sabeeeeeerr!! "Amanhã bebo uma garrafa de vinho, ressaco e isto passa." Grande filosofia, acho que vou adoptar. Só que não.


À páginas tantas, eu desisti de ter uma conversa com o Moço, pois o patife não largava a m*rda do telemóvel. Crescia em mim a vontade latente de, já que estava para mandar um pontapé na gaja para a enviar a alta velocidade para o poste da Ren mais próximo, economizar nos golpes à Karaté Kid e, num só salto, mandar gaja, Moço e o telemóvel de ambos com os porcos. Mas contive-me. Até porque pouco depois percebi que o telemóvel era o veículo que o Moço estava a usar para contar a toda a gente que encontrasse nas redes sociais do nosso pesadelo.

Finalmente tivemos que sair... e a rapariga lá continuou os seus telefonemas, atrás de nós, mas rumo ao alfa-pendular. De zero a "oh meu Deus ele tem um saca-rolhas", o quão traumatizante foi para mim? Algures perto do "çocorrr!!". E só porque acabei de me lembrar desta situação traumática, vou ali comer um chocolate, que eu mereço.



* Mardi Gras está mal escrito ali no título, mas foi de propósito. Só para esclarecer =)

segunda-feira, 10 de julho de 2017

Mundo insólito made in Jiangsu

Imaginem aquelas situações em que precisam de fazer um pagamento ou um carregamento de telemóvel rapidinho e está à vossa frente uma criatura que está quase embutida no multibanco, a pagar a conta da água, da luz, do gás, das telecomunicações, da telebabysitter e da última encomenda de meias de descanso da velha tia solteira.

Ou então imaginem aqueles momentos em que estão cheios de tarefas diabólicas para fazer, entre elas ir ao pc apenas para ver uma coisinha, e o bandido encrava só para meter nojo, ao ponto de contaminar todo o hardware num raio de 1936 km de distância, até nos levar à loucura.

O mundo está cheio toda uma diversidade de situações insólitas, estrategicamente equacionadas pelo universo, para nos deixar no limite da nossa sanidade mental. Concordam comigo? Então continuem a ler. Se não concordarem, continuem a ler na mesma.

Certo dia, fui com o Moço ao IKEA. Quando voltamos, vínhamos, entre outras coisas, com um pacote de 1,80 m de altura e cerca de 20 kg no lombo (do Moço) pelos vários autocarros que tivemos de usar para chegar a casa. Dia seguinte, domingo, decidimos montar a estante que vinha no dito pacote, cuja compra não teve, obviamente, nada a ver com o facto de ser uma bookaddicted que continua, compulsivamente, a adquirir mais livros (e também a receber alguns, vá...!). Mas para a "bricolage caseira", seria necessário um martelo, artefacto que não existia n'O Covil. Por isso, o Moço decidiu ir aqui ao lado, designadamente, aos Chineses mais próximos, para comprar um, já que toda a gente sabe que estas lojas estão quase sempre abertas, sábados, domingos e feriados nacionais incluídos. Excepto quando precisas, ou seja, no ano novo lunar chinês.


Coisas da vida. Uns dias e uma borracheira asiática depois, restaurada a normalidade, já havia martelo e estante montada. Entretanto, as prateleiras da nova estante já estão quase cheias com os seus novos inquilinos instalados ^^

quinta-feira, 25 de maio de 2017

Comic Con Pt 2016

Para comemorar o Geek Pride Day, celebrado a 25 de Maio, aqui fica o post pelo qual têm desesperadamente esperado: a reportagem mais ou menos profissional da edição da CCPT2016!!

O grande mote das diversas edições da Comic Con Portugal é o já conhecido Be Whatever You Want. Mas acho muito sinceramente que esta terceira edição, mais uma vez realizada na linda cidade do Porto, deveria ter como mote Be Nostalgic.


Como devem ter reparado neste post, a viagem ao mundo geek já estava marcada e havia uma pequena Nightwisha Maria muito empolgada, pronta para rumar à aventura. Apesar dos grandes planos para quatro novos cosplays, consegui terminar apenas dois, o que, tendo em conta o tempo disponível e a minha doideira, foi uma conquista. Para esta edição conseguimos ficar na casa de um casal amigo (cujo espaço na Comic Con foi um verdadeiro sucesso!), o que fez com que conseguíssemos tirar maior e melhor partido do evento sem termos que correr para apanhar transportes.

Como prometido, aqui fica a pseudo reportagem da Nightwisha Maria da Comic Con Pt 2016. Demorou, mas veio!! Preparados para mais um post testamental? =P


Dia 1 - One quarter Sayajin

Por onde começar... As expectativas estavam muito altas e a vontade de viver alheada do mundo normal durante quatro dias foi incrivelmente avassaladora. Este primeiro dia serviu para perceber de que forma o espaço estava organizado e preparar as nossas andanças para todo o evento. Como foi um dos dias com menos gente, deu para ver tudo assim por alto, mas com calma, e rever imenso pessoal.

Logo nesse primeiro dia notamos que a Con estava "mais pequena". Havia menos expositores/ lojas e bem mais espaço entre cada uma das suas bancas. O "espaço excedente" no pavilhão das lojas foi utilizado para albergar o Artist's Alley que contava, igualmente, com menos artistas.


Neste dia decidi reutilizar o cosplay da Pan, para entrar na nova onda de Dragon Ball. Não tirei muitas fotografias, mas as pessoas que me abordaram ou que eu abordei foram super simpáticas, incluindo o Son Goku sayajin de nível 4 espanhol, e até me chegaram a pedir um kamehameha ^^ Já o Moço foi com uma versão casual do Capitão Kyōraku Shunsui do anime Bleach.

(À esquerda) Parece que a Pan invocou o dragão errado... (À direita) Shunsui, o
jeitoso a quem nem um (uma) dragão (dragoa) resiste.

Claro que o dia não estaria completo sem que passássemos na banca da Saída de Emergência. O Moço sugeriu que fossemos lá logo no primeiro dia, visto que em anos anteriores, não conseguimos encontrar o que queríamos porque os livros com bons descontos desapareceram como o fumo. Fui então presenteada pelo Moço, como é já tradição, com dois livrinhos novos: Flashfoward, de Robert J. Sawyer e As Fabulosas Aventuras de Solomon Kane, de Robert E. Howard, e ainda trouxemos alguns pins da SdE para a nossa colecção =)


Dia 2 - Because I'm Abby Sciuto and I know things

Este foi o dia das compras. Sim, este ano fizemos compras! (As da SdE não contam, porque são tradição). Compramos arte. Tal como na quinta-feria, este dia foi bastante calmo em termos de quantidades de povo a circular. Deu perfeitamente para, agora que já tínhamos visto tudo de uma forma geral, parar nos locais onde desejávamos "perder" algum tempo. Sem dúvida que, para mim, esta edição da Comic Con foi devotada, pela minha pessoa, aos artistas.

Para além de reencontrarmos as meninas do Encanto das Fadas, o pessoal do Pixelart, a Sora e a Kika, conseguimos realmente apreciar e conversar com muitos outros artista e artesãos que se encontravam no evento. Tenho-me apercebido que estes são os elementos da Comic Con aos quais é dado menos "tempo de antena" ou até nenhum crédito, o que, especialmente depois desta edição, considero um erro muito grave.

A oferta de arte era enorme e eu, basicamente, queria levar tudo. Acabei por encomendar um anel da Luna de Sailor Moon à menina do Jewels don't Shine, que é super divertida e me deixou a babar pelas Polly Pockets em prata que tinha expostas. Não foi desta mas, mais cedo ou mais tarde, uma delas vai comigo para casa, não duvidem ^^ O Moço comprou a BD da Sora, R.E.D. (que já está na minha to-read list) e eu encomendei-lhe um desenho de um dos meus pokemons favoritos, o pequeno e fofinho Eevee. Também tentamos ganhar o quadro do Link (Legend of Zelda) que os Nerdbeads estavam a rifar... mas não tivemos sorte =P

Capa do manga R.E.D., retirado da página do Deviantart da autora; banca
da Bohemian Weasel, retirada da página de Facebook da artista.

Umas bancas ao lado da Sora e da Kika, estava a Bohemian Weasel, onde a artista Soni e a sua mãe, a primeira inglesa e a segunda portuguesa, nos deixaram deslumbrados. Tanto eu como o Moço compramos vários prints das ilustrações disponíveis (porque muita coisa já tinha esgotado, incluindo uma do meu adorado Edgar Alan Poe). As composições inspiradas em Lord of the Rings e as versões originais e mais obscuras de diversos fairy tales deixaram-nos rendidos. Um dia próximo, o Covil terá um grande quadro com as diversas ilustrações da Soni ^^

No que ao cosplay diz respeito, voltei a usa o fato de Abby Scuito, mas com algumas alterações. Como a personagem é fértil em guarda-roupa e penteados, mantive apenas aquilo que seria essencial para que fosse reconhecível. E foi, pois claro =) O Moço é que foi confundido (às vezes de propósito =P) com um certo treinador de pokemon. Apenas os mais atentos detentores de mentes pouco recomendáveis conseguiriam chegar até ao Kintaro Oe de Golden Boy.


Em cima, com os Nazgûl de LotR e a jogar "peixinhos" (Free that Fish)
Em baixo, com uma menina super simpática que eu desconheço, sorry!; "Kintaroeseption" no stand da
Jewels don't Shine; Os fantasmas de casa Ravenclaw: Helena Ravenclaw e Moaning Myrtle.


Dia 3 - Come to the dark side

Terceiro dia de Con e aquele que se esperava ser o caos de povo. Obviamente, estávamos certos. Sábado é, por excelência, o dia com mais pessoas e com mais actividades chamativas do grande público, incluindo o concurso do Heróis do Cosplay.

A maior parte do tempo foi passada na parte menos claustrofóbica do evento, ou seja, longe das bancas das lojas de merchandise. Ficámos então no pavilhão onde estavam os videojogos, a 501th Legion Portugal e a Cosplayer, que mais uma vez disponibilizou vestiários para os cosplayers que quisessem mudar de roupa no recinto, o seu canto lounge e a SOS Cosplay para quem necessitasse de reparar qualquer coisa no seu fato. Mesmo ao lado estava ainda a Corte do Norte, mais uma vez convidada pela organização da Comic Con, com um espaço dedicado ao steampunk. O pessoal é bastante simpático e organizou actividades para entreter os visitantes. No mesmo espaço encontrava-se também a Skypirate Criations, com as suas obras de arte (sim, arte!), também ligadas ao género steampunk, que vão desde bijutarias e assessórios, a roupa e armaduras! Eles foram, sem dúvida, um sucesso no evento, com toda a gente a querer fotografá-lo e até a entrevistá-los!

Este foi também o dia escolhido para usar o único fato que consegui costurar sozinha. Foi assim uma ideia que se me passou pela cabeça e acho que resultou super bem. Já era do vosso conhecimento que eu queria fazer cosplay de Leia, e esse era realmente um dos fatos que eu estava a preparar, mas aquilo estava a correr tão mal que abandonei (apenas por algum tempo) o projecto e concentrei-me na sua versão sith. Assim, aqui fica a "minha interpretação" de como a Leia poderia ter sido se se tivesse passado para o lado negro da força e enchido a pança de bolachas.

À esquerda e ao centro, fotos gentilmente cedidas pela Cosplayer; à direita, com o maninho Luke.

À esquerda, com a gueixa steampunk (Skypirate Criations) e o personagem Kylo Ren.

À esquerda, o Moço, a fazer javardices com o Império (501th Legion); à direita, com o pessoal da Slypirate Criations.

Dei-lhe o nome de Darth Nyst, de acordo com a teoria de que o nome do Darth Vader vem, não da palavra holandesa para "pai", mas sim de "invader" e que o Darth Sidious vem de "insidious". Vi esta teoria num dos milhentos fórum de fãs e, confesso, é bem mais interessante. A minha Leia é uma antagonista da personagem original, daí Nyst ("antagonist" com "y").

Mas o Moço não ficou nada atrás... antes pelo contrário. Ele foi o muito bravo e livre William Wallace do filme Braveheart. Os mais novos poderão não fazer a mínima ideia do que eu estou a dizer, mas ainda assim, recomendo-lhes que vejam, e aos mais velhos que revejam, esse fantástico filme sobre a força e a vontade de um povo que apenas queria ser livre. Aviso já que os efeitos especiais "são mentira", mas o que interessa, neste caso, é mesmo a história (e a História) que nos conta.

E foi nestes lindos trajos, maravilhosamente construídos pela Sílvia da Skypirate Criations, que o Moço fez as honras da casa a apresentar, mais uma vez, o concurso Heróis do Cosplay. Este ano voltei a não tirar fotos, porque nem a máquina nem a fotógrafa são grande coisa, e há sempre imensos profissionais bem melhores que eu a cobrir a actividade. Fica ainda o vídeo da Mind Bizarre relativamente ao evento, onde aparecemos com os cosplays de sábado. Ela e o seu Moço foram óptima companhia (e também me fizeram delirar pelo relógio de controlo do BB8 ^^ ).

O Moço e a vencedora do concurso Heróis do Cosplay, a Lúzia Gomes (Alnilna Luzia).

Bem bem no final do dia, e muito cansados, ainda fomos a um shopping qualquer jantar porcarias. Podemos dizer que teve a sua piada ver toda a gente na zona da restauração a olhar para nós, pasmados, como se tivéssemos saído de Arkham, mas houve um senhor no elevador que reconheceu a minha personagem, apesar do dark twist! A força também come fast food, quando a necessidade aperta.


Dia 4 - Slytherin Pride

Bem cedinho de manhã, enquanto vestia o último cosplay do evento, dei conta que o sonho estava a acabar. Mas a tristeza deu lugar à alegria mais uma vez quando me vi imersa naquele mundo novamente. Aquele seria o dia para passear e dizer um último adeus a pessoas e bancas fantásticas, para descontrair antes de voltar para o mundo real e para ver o primeiro painel de sempre em todas as Comic Cons que já aconteceram no nosso pais. Sim, eu fui ver uma painel!

Fizemos mais algumas compras, até porque o recinto não estava apinhado como no dia anterior. Comprei um stiker da Death the Endless, de quem fiz cosplay no ano passado, a uma menina super simpática e talentosa, a Mignon. Fui também buscar a encomenda que fizera à Sora e só posso dizer que o meu Eevee ficou uma verdadeira fófura (como um Eevee deve ser ^^ ). O Moço ofereceu-me um porta-chaves daqueles gatinhos asiáticos com um guizo lá dentro e um marcador de livros da minha querida Belle.

Não contava que fosse abordada para tirar fotos no domingo, pois, tanto eu como o Moço, estávamos vestidos como alunos de Hogwarts da respectiva Casa, porque havia muitos cosplays do género e porque, nos vários dias do evento, não tivemos assim tantos pedidos. Mas não é que estávamos enganados? Este foi o dia que tiramos mais fotos e que até nos pediram para fazer uma pequenas encenação de combate, para fazer parte de um vídeo escolar! Sim, estou toda babada e mortinha para ver ^^



A minha teoria é que, apesar de estarmos vestidos de alunos, o facto de sermos de Casas diferentes fez alguma diferença, porque os grupos que iam aparecendo eram mais homogéneos. Para além disso, consegui encontrar duas Bellatrix Lestrange para tirar fotos comigo... E porquê perguntam vocês, quando ela foi capaz de *spoilerapagar algumas das minhas personagens favoritas, incluindo o meu querido Sirius? Porque eu, com este cabelo de piaçaba, e tendo em conta que não há nenhuma personagem feminina com destaque nos Slytherin, só poderia ser a jovem (e solteira) Bellatrix Black. Todas as peças de roupa foram compradas, sendo que algumas são oficiais, outras não e outras ainda são peças de roupa/ calçado comuns do dia-a-dia que reutilizei. Todo o trabalho esteve nos props: o galho de uma árvore que me caiu aos pés perto do Covil que virou uma varinha, o meu livro dos Monstros Fantásticos e onde Encontrá-los, o caderno onde colei a capa do Advanced Potions Making e a maleta de madeira que dentro tinha pequenos frascos de poções (e a minha carteira, vá =P).

O Moço foi de aluno random de Gryffindor, se bem que houve quem lhe chamasse Hermione. Ou Hermínio =P Por mim, ele teria sido o jovem Sirius Black, até porque ele e a Bellatrix são primos, daí que, para mim, fazia todo o sentido. Já diz o povo: quanto mais prima, mais se lhe arrima!

Da esquerda para a direita: Bellatrix ao quadrado (com Vanessa Cardim) =P E euzinha com a Mafs de Sailor Moon^^ 

Conheci pessoalmente a Mafs do A Little Guess! Ela e a irmã fizeram cosplay de Sailor Moon e Sailor Mars, respectivamente, e posso dizer que os fatos estavam muito bons!! Elas são umas queridas e aturaram a minha panca durante um bom pedaço de tempo. Só por isso, merecem um lugar no céu!

Para finalizar o dia, fomos ver o último painel da Con e o único para o qual eu iria esperar uma fila durante umas duas horas. Antes disso, ainda consegui beber o último bubble tea do evento. Timing my friends, timing! Obviamente, o painel que queria ver era o de Remember Harry Potter, que ocorreu duas vezes durante o evento e onde não deu para assistir no sábado porque era ao mesmo tempo que o Heróis do Cosplay. Consegui ficar relativamente perto e omfg, foi tão wow! Para um não Potterhead não teria sido nada de especial, mas para mim a espera valeu. O painel contou apenas com o Jason Isaacs (Lucius Malfoy) e a Katie Leung (Cho Chang), visto que o David Bradley (Mr. Filch) cancelou cerca de uma semana antes da Comic Con. Os actores contaram histórias super interessantes, e o Jason tinha um discurso que era, ao mesmo tempo, descontraído e um pouco galhofeiro (e sarcástico), como calmo e paternalista, com óptimos conselhos para todos.

E foi assim, em grande, que a Comic Con 2016 terminou para mim. O realty check estava mesmo ao virar da esquina e eu não queria nada sair daquele espaço. Sentir o frio da noite na cara já era, para mim, sair definitivamente daquele mundo para voltar à realidade. Mas tem que ser, não é? À saída, o típico "até para o ano" aos seguranças. Vamos acreditar que sim ^^


E agora, momento de reflexão sobre o que correu bem, o que correu mal e o que poderá ser melhorado para uma próxima edição.

Pontos positivos:
Deixar o mundo real por alguns dias é sempre awesome. Conhecer novas pessoas e voltar a encontrar outras com quem estou, em certos casos, uma vez por ano, é fantabulástico. Como diz o Ricky, são as pessoas que fazem os eventos. E nesta edição consegui ainda falar com artistas! Uma vez que os dois primeiros dias da Comic Con tiveram menos gente, deu para ver tudo com calma, conhecer desenhadores e artesãos, os seus trabalhos enquanto babava e ainda encomendar umas coisinhas =)

Ainda que o espaço do evento tenha, no seu todo, diminuído, acho que os pavilhões foram melhor aproveitados, com menos espaços "em branco". A zona da alimentação tinha mais variedade, se bem que não seria pior ter uma melhor ventilação.

Contrariamente ao que muita gente tem dito, eu acho que o cartaz melhorou consideravelmente (não é aqui que me vou pronunciar quanto aos cancelamentos) e que a organização pensou em investir um pouco mais nos convidados. Se vieram todos os actores que eu gostaria de ver? Claro que não, mas também não poderia esperar tal coisa.

Pude falar com artistas e comprar a sua arte. Todos eles eram muito simpáticos e acessíveis, e incrivelmente talentosos, algo que só poderia sonhar em ser. Vi ainda muitos miúdos a fazer cosplay, mais até que no ano anterior, e até famílias inteiras! Isso deixa-me realmente feliz, por vez que as mentalidades estão, progressivamente, a evoluir. Ser cosplayer, independentemente da nossa idade, gostos ou meio profissional, é, acima de tudo, sobre fazermos uma coisa que nos faz bem! Não é uma perda de tempo ou de recursos. É estabelecer metas e cumpri-las, mesmo sacrificando a nossa sanidade mental a fazê-lo. É ser-se designer, costureiro, modelo, actor, fotografo, make up artist, cabeleireiro, inventor, chalupa, criativo. Feliz.

Uma palavra de agradecimento e de reconhecimento à organização da Heróis do Cosplay (e que não é a da Comic Con em si). Para mim, é uma das maiores e mais aguardadas actividades do evento e que tem primado, ano após ano, de uma excelente organização. Não estou a dizer isto por o Moço ter sido a cara do concurso até à edição anterior, mas porque é aquilo que eu realmente sinto. Acho ainda que, apesar do Heróis do Cosplay falar por si mesmo e não necessitar de publicidade extra, dever-lhe-ia ser dado mais crédito. Por isso, aqui fica o link para a página de facebook da Associação Portuguesa de Cosplay e para um vídeo maravilhoso de Adam Savage que todos, cosplayers ou não, deveriam ver.

A minha lista de prendas aumentou consideravelmente. A minha carteira está a ter uma síncope.

Darth Nyst e o seu paizinho!! As father as "daughter" =P

Pontos negativos:
Para mim, o grande aspecto negativo desta edição foi a organização. Não considero que tenha sido pior, no seu todo, que no primeiro ano de evento, mas tendo em conta que esta foi a terceira edição da Comic Con, a "meia desculpa" que tinham no primeiro ano foi-seE já nem estou a falar do facto de ter havido vários problemas com o cartaz, o qual, na manhã do primeiro dia, ainda não estava totalmente "fechado". Estou a falar dos panfletos que ainda estavam a ser dobrados para serem distribuídos durante o primeiro dia doa Con, da entrada pela acreditação que demorou imenso tempo, dos seguranças e dos voluntários que não sabiam responder a nenhuma pergunta porque, muito provavelmente, não foram convenientemente instruídos para tal e do papel higiénico que faltou nos wc's das senhoras. A do papel higiénico nunca me tinha acontecido em nenhum evento do género, Comic Con incluída.

Como disse acima, vi que o espaço do próprio evento encolheu bastante. O facto de estarem menos bancas na Comic Con este ano leva-me a pensar que, ou muitas dessas lojas fecharam (sei do caso de duas em específico) ou chegaram à conclusão que não lhes não compensa estar ali, o que é uma pena. Os autores e painéis literários foram "empurrados" para uma zona que, anteriormente, fora o Artist's Alley, mas que era deslocada de tudo o resto e, para além disso, uma zona bastante fria. Quem viesse do pavilhão das bancas de merchandise para ali, sentiria uma quebra de temperatura bem jeitosa para apanhar um resfriado. E vi um autor, um senhor mais velho, a ser deixado "meio perdido" pelo recinto.

O que falar dos artistas? Desta vez colocaram-nos numa zona mais central, no mesmo pavilhão que as lojas (porque havia espaço que chegasse e sobrasse) e, da mesma forma, eram em número consideravelmente inferior ao dos anos anteriores. Seriam, à vontade, metade. Só não percebo a necessidade de colocar uma parede de contraplacado a separar as bancas das lojas dos artistas. Isso originou a que muitas pessoas nem conseguissem perceber onde estes últimos estavam, e eu acho que só passei pela Artist's Alley no segundo dia da Con.

Não vi qualquer necessidade para que o evento tivesse quatro dias. Continuo a não ver. Para mim foi óptimo por todas as razões acima, e sei que foi uma forma de, no ano passado, se aproveitar o feriado, mas não estiveram assim tantas pessoas no recinto na quinta e na sexta que justificasse o alargamento da Con. As pessoas dispersaram por todos os dias do evento, tendo uma afluência relativamente baixa todos os dias, excepto no sábado. Da mesma forma, a maioria das actividades concentrou-se nesse dia, o que fez com que alguns visitantes tivessem que escolher ir a apenas uma actividade marcada para determinada hora, como aconteceu com o primeiro painel de Remember Harry Potter, o painel de dobragens e o concurso do Heróis do Cosplay, os quais aconteceram todos os mesmo tempo, no sábado. Provavelmente por isso, algumas actividades/ painéis tiveram um take II.

A minha lista de prendas aumentou consideravelmente. Vão haver reclamações por parte da minha carteira... e da do Moço também!

Finalmente, uma das piores coisas que este evento acarreta (e que não é necessariamente seu) é o mimimi que todos os anos aparece como por magia negra nos corredores e pavilhões sobre "quando é que a Comic Con vai ser em Lisboa". Já ouvi todos os argumentos possíveis e imaginários para que o evento vá para a capital: porque fica mais perto para toda a gente, porque assim o pessoal que vem de Lisboa tem mais facilidade com os transportes (nem todos, apenas os mais incautos), porque Matosinhos (melhor dizendo, Leça da Palmeira!) não é Porto, porque na Exponor só há um multibanco, porque há filas. Pessoal, já chega. Obviamente, eu vou sempre dizer que prefiro que o evento seja no Porto, porque fica mais perto para mim e porque quase todos os outros eventos são em Lisboa. Mas essa é a minha opinião puramente egoísta, eu tenho consciência disso e, como tal, não a vou impor a ninguém. Como eu me desloco a outros locais para ir a determinados eventos, também o faz tanta e tanta gente, de todos os pontos do país, muita dela da capital, e não os vejo queixar-se. Há argumentos que são perfeitamente plausíveis, mas porque há filas já não pode ser no Porto?! Neste tipo de eventos, há sempre filas, quer seja aqui, quer seja na Suécia. Não vejo qual a preocupação, até porque, sinceramente, acho que é uma questão de tempo até a Comic Con passar a acontecer em Lisboa. Mais tarde ou mais cedo, todos os eventos com nome passam para Lisboa. Vejam o caso do Vagos Open Air, que agora é apenas VOA. Por isso, basta esperar e, já que vieram ao Porto, aproveitem para comer uma bifana das boas ou uma francesinha. Se não for pela Con, venham ao Nuorte pela comida, que não se vão arrepender ;D

Digimon e Harley Quinn.


No seu todo, posso dizer, sem grandes surpresa, que adorei ir à Comic Con, porque viver naquele (também meu) mundo é sempre maravilhoso, juntamente com povo fantástico. Espero, claro, poder voltar para o ano, e nos anos seguintes, seja onde for, mas de preferência no Porto porque me dá mais jeito. É um argumento válido como todos os outros e o médico disse que não podia ser contrariada. Ele também disse que o sarcasmo me faz bem =P


Para finalizar, aqui fica a tradicional lista de hastags, as quais só vão entendidas por aqueles que as entenderem, e que vêm tão estupidamente caracterizando os posts mais apalermados (mas também os mais hilariantes) deste blog à beira mar (e penhasco) plantado.

#sesobrevivermosàcomicconoapocalipseestáganho #onequartersayajin #kamehameha #avozinho #imabbysciutoandiknowthings #fuiabordadaparatirarumafotoàsaídadacasadebanho #queroumfurbacca #tambémjogueipeixinhos #freethatfish #cometothedarksidewehavecookies #princessleia #leiaorganaskywalkersolo #darthnyst #daddysgirl #maytheforcebewithyou #euprecisodeumrickynaminhavida #quesáfodavaiassim #nadadistoémeuexceptoaroupainterior #povoquelavasnorio  #jávistasminhasmãosparecequefizumexameginecológicoprofundo #daquianadaficosemepiderme #sãotodasminhasfilhas #contraoboi #freedom #slytherinpride #bellatrixblack #missbella #ojasonmandouumaspiadolassobreosfãsfalaremtãobeminglês #aocontráriodeoutraspessoastipomoderadoresdepainéis #elenãodissequeerasobreissomaseunãosouparva
#queriadesmaiaracidentalmenteparaocolodojason #masnãomedeixaram #entendedoresgonnaentenderate


* Todas as fotos que aparecem aqui foram tiradas por mim ou pelo pessoal que me acompanhou, excepto as devidamente assinaladas. Em todas foi pedido aos intervenientes o seu consentimento. Um muito obrigada ao pessoal que me enviou fotos da minha pessoa em cosplay, apesar de não me lembrar dos vossos nomes, e ainda ao Tiago Vasconcelos, fotografo da Cosplayer E-zine (devidamente assinaladas no texto ou nas próprias fotos). Um muito obrigada a todos!

segunda-feira, 10 de abril de 2017

A felicidade e os animais da quinta

Um dia destes estava à espera no carro, no meu habitual "lugar do morto". Já calculava que ia ficar um bom tempinho lá, por isso, liguei o rádio, a minha fiel companhia nas horas de seca. Como uma pessoa com voz de cana rachada que se prese, também gosto de cantar as musiquetas transmitidas nos vários canais FM, mesmo não sendo aquelas que mais gosto. Mas não sou assim tão tonta de me pôr a berrar a plenos pulmões quando sei que tenho o vidro do carro aberto. Só faço isso quando o ambiente está completamente selado, para não matar ninguém de susto.

Conforme trauteava de forma bastante discreta alguma frasesinhas, ia olhando para os lados para ter a certeza que os homenzinhos que fiscalizam o estacionamento pago (o equivalente aos Emélios em Lisboa) não estavam à espreita. Sim, havia algum propósito para eu estar ali, pois claro, o era evitar do "usar a moedinha", e o posso garantir que sou bastante eficiente nesta função.

Em determinado momento em que não posso precisar, entre os não sei quantos minutos de música seguida, transmitiram alguma publicidade. Em especial, um certo anúncio sobre uma empresa que comercializa produtos lácteos. Eis senão quando, ocorreu a seguinte situação

* Senhora Incauta aproxegou-se do veículo e instintivamente, olhou para dentro do carro.*
*Nightwisha Maria bamboleava-se da esquerda para a direita enquanto cantava, a plenos pulmões, com o vidro aberto, "uma vaca feliz, outra vaca feliiiizz....!".*
*Nightwisha Maria apercebeu-se do vulto e, instintivamente, olhou para a Senhora Incauta.*
*As duas trocaram olhares.*
*Nightwisha Maria ficou petrificada, com cara de Joker dos trezentos, a olhar para a Senhora Incauta.*
*Senhora Incauta foi à sua vida, provavelmente a considerar emigrar para uma dos novos sete planetas descobertos pela NASA.*

Momento awkward do dia: ultrapassado com sucesso.
Reward: 5k de juízo, mas estava esgotado no mercado, por isso, foi uma cara de ursa para mim.





NOTA: Estes últimos tempos, como podem adivinhar pelo meu "desaparecimento súbito", têm sido trabalhosos... Mas em breve terão, finalmente, a reportagem super objectiva e profissionalíssima da Comic Con Pt 2016 ^^

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Nobrezas

Certo dia, eu e o Moço fossos levantar um voucher de alojamento grátis de uma agência de viagens. Chegados ao local, foi-nos pedido um código promocional que o Moço tinha, porque o contacto tinha sido estabelecido através dele, e ainda o nosso nome, idade e profissão. Como ele é que tinha sido o connect, começaram o inquérito com ele.

Indivíduo 1: Boa tarde, vieram para a apresentação da "Agência de Viagens X"?
Moço: Sim sim.
Indivíduo 1: Muito bem. Então como se chama?
Moço: Moço.
Indivíduo: E que idade tem?
Moço: 33 anos.
Indivíduo 1: E a profissão?
Moço: Operador de loja.
Indivíduo 1: Muito bem. E a esposa?
Nightwisha Maria, *relevando o título de esposa* - Nightwisha Maria.
Indivíduo: E a idade?
Nightwisha Maria: 26 anos.
Indivíduo 1: Profissão?
Nightwisha Maria: Advogada.
*Pausa*
Indivíduo 1: Advogada? E exerce cá?
Nightwisha Maria: Sim, aqui em Braga.
Indivíduo 1: Mas tem escritório na cidade?
Nightwisha Maria: Sim.
Indivíduo 1: Muito bem, vão só aguardar um minutinho e já vos chamo.


Primeiro momento de constrangimento ultrapassado com sucesso. Nível dois desbloqueado.

Fomos então chamados para uma sala, onde se encontravam vários promotores que iram fazer uma apresentação da agência de viagens e tentar fidelizar os vouchariano que ali se encontrassem. Devo dizer que o promotor que nos calhou era bastante simpático, ao contrário do fulano que estava encarregue de apresentar as propostas de pagamentos para a fidelização. Era um bronco autêntico e, vendo que não estávamos interessados nos valores que nos apresentaram, questionou várias vezes, ainda que indirectamente, se o promotor tinha ou não feito bem o seu trabalho, ao ponto de ter tido necessidade de lhe responder na mesma moeda. Se foi bom a tentar persuadir-nos? Sem dúvida. Mais ainda conseguimos pensar pela nossa cabeça, muito obrigada.

Mas como eu ia a dizer, o promotor lá iniciou a sua apresentação, começando por explicar como fazíamos para utilizar o voucher. Alguns blá blá blás depois, o rapaz abriu o voucher para nos mostrar e acabar de preencher e, fazendo uma pausa, pergunta:

Indivíduo 2: Mas quem é advogado dos dois?
Nightwisha Maria *erguendo o braço*: Eu.
Indivíduo 2: Bem... houve aqui uma confusão...
*Nighwisha Maria e Moço olham para o voucher e vêem que o único campo preenchido é a profissão... da Nightwisha Maria. Ainda pensam que há dois papeluchos para preencher, um para cada uma das pessoas em causa, já que o voucher só podia ser levantado em casal. Mas não, era apenas um papel para os dois.
Indivíduo 2: Bem, é para usarem os dois, não é verdade?
Nightwisha Maria e Moço: Sim.
Indivíduo 1: É que o meu colega preencheu o voucher com a profissão da Nightwisha Maria, apesar do contacto ser o Moço. Mas sendo assim, como é para usarem os dois... Vai levar a Nighwisha Maria, não vai Moço?? *risos* Vamos então preencher o voucher com os dados da Nightwisha Maria e depois coloco os contactos dos dois.
Nightwisha Maria e Moço - Ok.

Segundo momento de constrangimento ultrapassado com sucesso. Nível três desbloqueado, para aturar o palerma de quem já vos falei em cima. Naquele momento não deu para falar nada entre mim e o Moço, mas o meu alerta de *situação surreal* fez timm timm timm, mayday mayday! Ele era o contacto, mas eu é que tinha a profissão que interessava, a profissão que traz dinheiro para casa (not yet), a profissão nobre. Até o promotor ficou constrangido, mas até que conseguiu dar a volta à coisa sem fazer grande aparato. E isso é mais uma prova para o bronco de que ele é um bom profissional.


Claro que, no final, e em retrospectiva, a coisa deu para rir, mas mais para não chorar. Não entendo estas mentalidades comezinhas sobre nobreza de profissões. Se eu gosto daquilo que faço? Claro! Não investi anos e anos da minha vida para nada, muito menos para ter um suposto título. Mas a nobreza, independentemente do trabalho, nem sempre fácil, que eu e os meus colegas desempenhamos todos os dias, está, precisamente, no carácter de todos nós, não na nossa cédula profissional. Uma profissão é nobre quando os seus membros o são "cá dentro" e não nos botões do casaco. E não, não castigamos ninguém em nome da Lua.

Cheguei à conclusão, um pouco triste, que o Moço é tipo o Príncipe Philip, Duque de Edimburgo. Não sabem quem é? Pois eu também não sabia até às comemorações dos noventa anos da Rainha Elizabeth II de Inglaterra. Sabem aquele senhor de certa idade, com vestimenta militar, que anda sempre com ela para todo o lado e que se mantém a uma passo a trás da monarca? Pois bem, é o marido dela, o Príncipe Philip da Grécia e da Dinamarca, Duque de Edimburgo. E eu que pensava que a mulher era viúva há décadas.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Cada um tem o estacionamento que merece

Desde que me mudei quase permanentemente para Braga, já vivi em várias casas. Em algumas partilhei "instalações", noutras não, numas tive boas experiências, noutras não. Mas em nenhuma precisei de estacionamento (pelo menos, até agora), se bem que, à porta de quase todas elas, havia um lugar especialmente reservado para mim.


Na segunda casa onde vivi, e onde estive três anos, mesmo à porta do prédio havia (e ainda há) um lugar de estacionamento reservado para pessoas com deficiência. Quando me mudei para o prédio do lado nessa mesma rua, não havia "lugares especiais". Só que, passado algum tempo de lá estar, o que é que aparece mesmo em frente à porta da entrada? Um lugar de parqueamento para deficientes.

Entretanto, vim aqui para o Covil. À porta, só lugares "normais" para deixar o carro. No entanto, a entrada do prédio é por um arruamento sem saída, não na rua principal, por onde posso "aceder" se passar pela loja que tem no rés-do-chão do edifício. E o que é que existe mesmo ao lado da entrada da loja pela rua principal?! Não, não é um lugar de parqueamento para deficientes.

São dois.

O universo está a mandar-me uma mensagem, que de subliminar não tem nada: tira a carta e arranja uma chicolateira qualquer para guiar e rasar valente contra os muros, que lugar para deixar a carroça já tens.

sábado, 31 de dezembro de 2016

The best of the worst year ever ou Até para o ano que já estou farta de 2016

O ano que está prestes a abandonar-nos foi, por várias razões, dos piores que me consigo lembrar. Sobretudo, depois do Leo ter ganho o raio do Oscar. Tenho para mim que tal evento não estava predestinado a acontecer e que, graças ao roçanso com a Lady Gaga, ocorreu ali alguma fricção mais próxima de um ritual a Belzebu que outra coisa. Leo, se me estás a ouvir, és muito jeitoso e até tentas alertar o pessoal para os problemas do meio ambiente, essa invenção dos Chineses, como diz o o teu futuro presidente, mas devolve a estatueta. O mundo não é o mesmo. Até pode ser que recebas a tua alma de volta, sem grandes mossas. E convenhamos, ter um moço dourado e nú na prateleira, denota uma certa falta de gosto e decoro.

Mas de entre muitas tristezas e algumas alegrias também, o ano já está no seu final. Tenho apenas pena que não se tenha cancelado o natal, mas lá diz o ditado que não se pode ter tudo. O Leo quis o Oscar e já estamos a ver no que isso deu.

Não me vou estar aqui a pôr com tretas, a fazer listas de resoluções do novo ano, que toda a gente sabe que não será para cumprir, e pensar em coisas exequíveis mas que tenham alguma importância que não o trivial "saudinha e paz no mundo", estilo Miss Qualquer Coisa, dá muito trabalho.

Por isso, vou deixar-vos uma lista dos dez posts mais emocionantes, por boas ou más razões, para rirem ou chorarem, conforme os gostos. Podem sempre chorar a rir, que eu também deixo:
E agora, um post de bónus: Dear Nico (se nunca nos dão os volumes/ número de filmes/ fascículos de uma colecção qualquer da Planeta DeAgostini que nos prometeram, mas sempre mais qualquer coisinha, aqui o tasco local extremamente requintado não ia ser diferente). O post sobre a edição de 2016 da Comic Con fica para o ano, que ainda estou a escarafunchar essa net toda à procura de fotos... Mas vai valer a pena =P

Apesar dos momentos piadéticos, a verdade é que estou farta deste ano. Já me levaste o meu Prince Severus e a Princess Leia, por isso, põe-te a mexer.


Só espero piamente que, quando chegarmos a 2017, a "coisa" não tenha com uma legenda a acompanhar onde conste "2016, parte II". Isso sim, merece qualquer coisa a roçar (ahahahah!! Sou doida, não se vê logo?!) um ritual de Belzebu. Mas ao menos, que seja para roçar um espécime do sexo masculino. E jeitoso, vá.

sábado, 24 de dezembro de 2016

Dear Nico

Posso chamar-te assim, certo? Aparentemente somos velhos conhecidos, ou coisa parecida. Desde miúda ouço dizer que és tu que me trazes os presentes no natal. Sempre me perguntei como é que era possível saberes o nome e morada de todas as crianças do planeta, as suas boas e más acções, leres todas as suas cartas e entregares as suas prendinhas em tempo record. Tem dias que acho que, das duas uma: ou dás nos ácidos ou então és uma entidade imaginária.

Gostava de saber mais coisas sobre ti, até porque apesar de, alegadamente, me dares presentes todos os anos, nunca nos cruzamos. És mesmo um velhote barbudo e pançudo, com ar de quem já bebeu uns copitos a mais, ou és um rapaz todo pimpão, que gosta de passear com os amigos e pegar na prancha de surf? Será que em vez de Nicholas, és uma Natacha? Seria muito engraçado perceber que, na verdade, eras uma mulher. E, quem sabe, uma mulher empreendedora, que depois de um dia de trabalho, ainda tem que cuidar da casa e dos filhos. Ou das renas e dos pequenos gnomos. Não tem mal nenhum que não sejas casada e tenhas decidido não ter filhos. Não deixas de ser uma mulher por não te resignares ao fogão.

Supostamente, deverias adorar esta época do ano, mas não tenho a certeza se assim é. Não estou a ver como alguém conseguiria fazer tanto em tão pouco tempo sem ter uns 6592 "coisinhos maus" por minuto, a não ser que sejas daquelas pessoas que gosta de sentir a adernalina a bombar nas veias. Eu cá não gosto nada. Mesmo nada. Nada desta bida

E já agora, não te sentes enganado? É que te têm dito todos estes anos que és a figura central das celebrações natalícias, quando na verdade o que toda a gente celebra é o Yule. Será que se esses fervorosos cristão soubessem realmente que toda uma tradição de enfeitar a árvore com luzinhas, penduricalhos, fadinhas e estrelinas, trocar presentes, o azevinho, e até as cores do teu fato são coisas de pagãos, se converteriam ou teriam um piripaque? Também não te informaram, não foi? Mas não posso dizer que não mereças. Tiraste o lugar a um puto recém-nascido que nasceu numa manjedoura, o que estavas à espera? Bolachinhas e um copinho de leite morno?

Mas eu entendo, eu entendo. Este mundo de correrias e consumismo não é nada fácil. Faz-se o que se pode para se ganhar uns trocos. É tudo apressado nesta vida, até as prendas. Sabes aquele menino a quem tiraste o lugar? Ele costumava receber os presentinhos apenas do dia de Reis, precisamente quando o Gaspar, o Melchior e o... aquele, o preto... como é que se chamava mesmo?, chegaram à manjedoura para lhe dar o ouro, o incenso e a mirra. E que ricas prendas... Bem se vê que nem foram os moços que as compraram. Pediram às velhas tias solteiras, que mais ninguém acharia que aquelas coisas iriam fazer falta a um bebé. Excepto a que escolheu o ouro. Essa tia era très chic. Acho que faz todo o sentido dar os presentes em Janeiro, até porque nessa altura, está tudo em desconto, e a conta fica bem mais apetecível. Esta coisa do natal fica cara.

Olho para esta carta, que já vai longa, e vejo que não escrevi nada de jeito. Vou à minha vida e deixo-te para ires à tua. Esta devia ser a parte em que eu começava a pedir que me trouxesses coisas, mas este ano não vou fazer nada disso, até porque acho que fui demasiado naughty para tal (tinkle tinkle). Desta vez vou, ao invés, pedir que as leves. É um serviço de transporte na mesma. Leva-me a tristeza, a ansiedade, as noites sem dormir, as dores no corpo e na alma, e todas as outras coisas e pessoas que me fazem mal. Leva e não as voltes a embrulhar, para as transformares em presentes boomerang. Deixa-as resvalar por um penhasco abaixo, mas um daqueles bem fundos, para ter a certeza que não voltam.

Termino esta carta sem saber o que te desejar, para não correr o risco de ser politicamente incorrecta. Afinal, nem sei em que acreditas tu, ou se até não acreditas, de todo, em nada. Se bem que um contratado acredita sempre em alguma coisa, designadamente, que vai receber o seu dinheirito ao fim do mês (no teu caso é capaz de ser ao fim do ano) e que lhe vão renovar mais uma vez o contrato. (Convenhamos que, bem vistas as coisas, estás numa situação bem precária... Tirar o lugar a um bebé, Nico?!). Por isso, desejo-te apenas umas boas "cenas", so pick your poison. Eu cá fico-me pelo cianeto. O espírito de natal está mais que falecido por estes lados, mas, ainda assim, mais vale prevenir que remediar. Um cianetozinho no chá nunca fez mal a ninguém.

Yours truly,
Nightwisha Maria




* Nota: Este texto é uma sátira ao natal e ao comportamento humano no geral. Todas as piadas tem um intuito humorístico, mesmo as de mau gosto, incluindo as religiosas e raciais. Não é minha intenção que estas piadas sejam uma ofensa para quem quer que seja.

sábado, 3 de dezembro de 2016

Coser torto por linhas marcadas a olho

Já não me chegavam as agruras da vida, ainda tinha que me meter no cosplay e na vida mais ou menos nerdico-social.

A minha cabeça parece um cogumelo atómico prestes a entrar em erupção. Estamos a menos de uma semana da Comic Con e, como sempre, ainda não tenho nada pronto. No entanto, há que apontar uma melhoria: este foi o ano em que comecei a tratar dos cosplays mais cedo - um mês e meio, sensivelmente, antes do evento. Mas nos outros anos tinha apenas dois fatos para fazer e este ano... tenho o dobro.

Quatro dias de evento (contudo, ainda sem cartaz "completo", digamos...) vão deixa-me toda rota e feliz da vida. Mas até lá é possível que tenha um chelique nervoso. Por dia. Os cosplays que estou a preparar para este ano são uma verdadeira resistência à minha sanidade mental e às minhas "nalgas". Dos quatro, apenas um dos fatos é composto por roupa comprada. Isso significa que os restantes vão ser cosidos por moi je. Ou, pelo menos, são é esse o plano (mas ainda assim já tenho, pelo menos, um back up cosplay). Há uns meses comprei uma mini máquina de costura (link) (yey!), que parece mesmo daquelas de brincar que havia por aí há uns vinte anos. Socorro, estou velha. Graças às ditas agruras, à procastinação natural e à notificação da Ordem para aperfeiçoar o tema da minha prova oral, fui adiando a transformação da minha sala em atelier. Agora é ver-me enlouquecer com os fatos para os quais tenho tecido que chegue e sobre, mas acabou a linha; com os fatos para os quais tenho linha para dar e vender, mas não tenho mais tecido porque sou parva da cabeça e não verifiquei os metros que precisava; com os 83052 adereços que ainda tenho que fazer, dos quais apenas 926 estão "meios feitos" e nenhum pronto; com a lista interminável de coisas que preciso para os cosplays e que, de cada vez que risco uma coisa que já tenho, acrescento três; com as medições e os ensaios em papel para ter a certeza que a coisa sai bem à primeira, que faço no chão, já que é a única superfície cumprida o suficiente para isso, até porque preciso de economizar tempo, dinheiro e neurónios.


Mas nem tudo é mau. Tendo em conta as posições de ioga de águia pensante e cogumelo a dar cambalhotas que tenho que fazer, esparramada no chão, para medir, colar, inventar, enlouquecer como deve de ser, as minhas "nalgas" e outras zonas do corpo com músculos de desconhecida existência, vão ficar todas definidas e eu nem precisei de ir ao ginásio (yey...). Deixo ainda um agradecimento à alma caridosa que me emprestou uma joelheiras para estas aventuras, caso contrário, o Moço ou a mobília da casa poderiam ser alvo de uma denúncia por violência doméstica, tendo em conta a cor dos meus joelhos quando comecei com esta jornada olímpica há umas semanas.

Há quem escreva direito por linhas tortas, quem cosa torto por linhas direitas. Eu cá coso torto por linhas que são marcadas a olho e ainda não percebi como é que ainda não cosi os dedos.



#socorro
#cosplaydramamasdobom
#doiemmecoisasquenãosabiaquetinha
#mãeaindanãocosiosdedos
#masjáosalfineteivezesquecheguemparaestavidaeapróxima
#posiçõesdeiogaqueprovavelmentenãodevemexistir
#vouficarcomasnalgastodasjeitosasmasnãovaipassarcartão
#estacoisadashashtagsjáestáatornarseumhábito
#devedarparainternar

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Com as tripas das sacas de compras de fora, ou como as pessoas podem ser (ainda) mais estúpidas, amén

Se o natal é quando o homem quiser, e eu nunca quero, não entendo por que razão "a coisa" se repete todos os anos...

Não é novidade nenhuma que eu tenho um certo e determinado sentimento pelo natal que está muito próximo do ódio. Nos últimos anos tenho cuspido o meu veneno por todo o lado, mais propriamente, por aqui e por acolá, sobre aquela que considero a pior e mais deprimente época do ano. Não tenho boas recordações e parece que há sempre um refluxo, carregadinho de urânio de tão radioactivo, a subir-me pela goela acima todos os anos quando vejo decorações natalícias nas montras das lojas, as luzinhas nas empenas dos edifícios, as músiquinhas horrorosas... e me lembro da via-sacra de compras que vou ter que percorrer outra vez.

Odeio. Fazer. Compras. Sobretudo as de natal. Primeiro: a pesquisa. Tento sempre encontrar prendas que sejam "a cara" das pessoas que as vão receber. Em determinados casos, acabo por "fazer" eu os presentes, uma coisa personalizada, às vezes um pouco trambolha, mas com carinho. (A intenção é que conta, não é verdade? =P ). Segundo: a demanda. Os itens que vimos online não estão disponíveis na loja que visitamos, as pessoas empurram e espezinham "a concorrência" que lhes tenta surripiar as prendas, metade do stock de chocolates da Nestlé e o bacalhau crescido em quantidade para alimentar um batalhão para a ceia onde vão estar apenas quatro pessoas, mesmo nas suas barbas. As lojas estão super quentes e com aquelas melodias dos infernos, que mais parece que, a qualquer momento, poderei ver labaredas a espreitar do expositor mais próximo.

No ano passado fui ao shopping aqui perto para comprar as prendas do Moço. Cheia de saquinhas (eram só três, e duas delas pequeninas, mas eu sou raçada de Leprechaun), ponho um pé fora do edifício... e sou presenteada com uma chuvada medonha. Meia-Moça-Meia-Leprechaun prevenida que sou, levei guarda-chuva... mas também sou trambolha. Por isso, tentei, o melhor que pude, resguardar as sacas mais pequenas, já que uma delas tinha um moinho de café e cereais para o Moço, virando-as para dentro e tentando que o guarda-chuva as protegesse. Muito obviamente, a única saca de papel, a maior, onde levava um robe para o Moço e também algumas coisas para mim, ficou virada para fora. Mas eu, Meia-Moça-Meia-Leprechaun prevenida que sou, mas também crente, achei que a saca sobrevivia a uma pequena viagem de 10 minutos, até porque o aparelhómetro era a prioridade.

Pouco depois de ter deixado o shopping, comecei a reparar que as poucas pessoas que se cruzavam comigo me fitavam com o ar, diga-se, meio parvo. Para ser sincera, já estou habituada que as pessoas fiquem meias tontas a olhar para mim, porque ver uma moça de roupa preta (muito fáshiôn, por acaso) é coisa para vir na capa do jornal diário. Daí que não dei muita importância à questão, apesar de começar a sentir umas comichõezinhas por mim acima.

Entretanto, passei por uma pessoa que estava a tirar o carro de uma garagem da rua que, também ela, ficou a olhar para mim feita idiota e, reparei eu, espreitou pela janela algures para a "zona da minha pessoa" onde também estavam os sacos. Instintivamente, olhei para baixo. A saca de papel que tinha no braço estava toda molhada na parte de baixo, por causa da chuva, e estava aberta já com o conteúdo, constituído pelo dito robe e as minhas cuecas do Mickey e do Batman, a esbordar-se todo para a calçada, quase num golpe de malabarismo circense.

E ninguém, das várias criaturas que passaram por mim na rua, foi capaz de me avisar que tinha a porra das tripas da saca de fora, prestes a esbardalhar-se pelo passeio. Incluindo, insisto, as minhas cuecas.


Claro que, se fosse para criticar a forma como me visto, o tamanho das minhas unhas (sim, isso já aconteceu...), ou a maneira como olho para o pardal que acabou de pousar no parapeito da casa mais próxima, era xinganço estilo Auto de Fé no momento, sem pensar duas vezes. Mas avisar uma pessoa que tem uma saca aberta com as cuecas quase a fazer um caminhinho como as pedrinhas do Hansel, isso já não. Vamos só ficar a olhar feitos atrasados mentais.

Será que já disse que odeio o natal? E pessoas? Também odeio pessoas. Tenho dito.



P.S.: Lembram-se da caça de dragões e da chuva que nos molha, tipo balde de água fria, e que esperamos que não seja para sempre? Pois é, podemos dizer que tive que enfrentar um verdadeiro Cauda de Chifre da Hungria... mas consegui subir a nota do meu exame escrito e passar à fase seguinte. Agora, estou à espera que marquem a minha oral para, finalmente, terminar o estágio da Ordem (admitindo que consigo ser aprovada à primeira *faz figas*). Obrigada a todos os que aturaram as minhas pancas e me deram força para ultrapassar mais este obstáculo, em especial, ao Moço, claro. Porque sim, não pode chover para sempre.

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Eu e o Jared Leto usamos o mesmo creme anti-rugas


Certo dia, estava numa esplanada com alguns colegas do escritório. Eram todos mais velhos que eu. Eis senão quando, um indivíduo, aproximando-se da nossa mesa, e depois de cumprimentar um dos meus colegas, alvitrou que eu seria a filha dele. O meu colega desfez logo o engano, em resposta do que, o mesmo indivíduo, pedindo desculpa, declarou que pensava que eu tinha dezasseis anos.

Eu só tenho mais dez.

Ok, não vou negar que, daqui a uns anos, vai-me saber bem já estar nos trinta e tirarem-me uns anitos de cima dos ombros e das linhas finas do rosto. Noutras circunstâncias teria rido, mas esta situação foi simplesmente infeliz e desnecessária. É muito chato quando, mesmo que te "vistas bem" e uses saltos altos, ninguém te respeita no trabalho (não foi o caso, mas houve situações que não esteve muito longe) só porque tens bons genes anti-envelhecimento. Não vou fazer umas plástica à cara para parecer mais velha. E não vejo ninguém a queixar-se da fresca vitalidade do Jared Leto.

Resta-me o truque da cara à la Wednesday Addams. Se estiver de trombas, pelo menos, as pessoas pensam duas vezes antes de vomitarem a primeira alarvidade que lhes vier à moleirinha. Por incrível que pareça, ter ar de maldisposta funciona melhor que ser-se bem educada. Porquê, nunca entenderei.

Ainda assim, sempre me consola pensar de mim para comigo que, daqui a uma década, eu vou ter a fuça linda e viçosa, e as meninas pintadinhas e "muito adultas" vão ter a cara como a segunda circular. Nesses momentos, pode ser que um sorriso, também à la Wednesday, passe pela minha face.

A minha vida dava uma Ramona. Um dia destes, quem sabe.



# eueojaredletousamosomesmocremeantirugas # maseunaosouvegetarianacomoele
# bemseiquecomervegetaisfazbem # masquememtiraumbifinhodevacaeunscamaroezinhostirametudo
# tambemnãofumoerva # ejaagoraachristinariccitambemnaoestanadamalparaaidade
# seraqueelafumaerva # oufoidealgumacoisafumegantequebebeunasrodagensdafamiliaaddams

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

Ramona

Há dias que parece que saíram da Ramona, ou qualquer outra produção do género. Não, não me estou a referir a um dos vários termos utilizados para designar as forças das autoridades. É algo bem mais tenebroso. Estou a falar de... novelas.

Quem, que tenha vivido nos idos anos 80 e 90, se esqueceu das produções da Globo e, pior!, das novelas mexicanas e argentinas e que, depois de "dubladas" no Brasil, iam para o ar na RTP1?! Ninguém, até porque a coisa traumatizou uma geração. Uma delas era a Ramona.

Já não me lembro do argumento desta novela em questão, mas quase posso adivinhar que tinha triângulos amorosos, troca de crianças na maternidade, uma ou outra calamidade natural, uns bandidos da pior espécie, troca de exames médicos, uma vilã pior que a Rainha da Branca de Neve, pelo menos um assassinato e um final estupidamente feliz, com os bons casados e cheios de bebés, e os maus presos ou falecidos. Portanto, tudo a que uma produção de ficção televisiva sul americana tem direito, em quantidades generosas e acima do permitido por lei. A única coisa que sei é que era essa a novela que estava a ser transmitida no dia dos atentados em Nova Iorque, e que a sua emissão foi interrompida para ser dada a notícia da tragédia em primeira mão.


Daí que Ramona é sinónimo, por várias razões, de histórias do arco da velha, mais ou menos trágicas. Ou apenas estupidamente absurdas. E eu cá cruzo-me com essas histórias muitas vezes no dia-a-dia, demasiadas vezes até. Não deve ser uma coisa saudável.

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

Perdita

Se há pessoas que têm nomes que se lhes assentam que nem uma luva, e cujo significado consegue resumir fabulasticamente a sua personalidade, eu cá não estou nesse grupo. Se assim fosse, chamar-me-ia, com toda a certeza, Perdita*.

Certo dia, na verdade, cerca de 48 horas depois de voltar a Portugal da fantástica viagem ao UK, Nightwisha Maria já estava a fazer das suas. O meu computador é um anãozinho de amostra, por isso, é fácil perder-lhe o rasto. Quando preparava, depois do jantar, toda a quinquilharia que teria de levar para o escritório no dia seguinte, recomeçou a saga da procura do pc, dos cabos, da pen da internet. Tudo foi efectivamente encontrado com alguma rapidez, excepto o computador. Revira casa para um lado, revira casa para o outro, enquanto tentava reconstituir o meu itinerário nas últimas horas. Heis senão quando, algo me passou pela cabeça. “Eh pah, eu ontem fui tirar cópias à loja de baixo e não me lembro de ter trazido o computador”.

Como uma bala, sem pensar em mais nada, mandei-me pela porta fora. Chegada à lojas das fotocópias, expus a situação. Os funcionários que me atenderam e o dono foram muito atenciosos e prestáveis, procuraram as instalações para ver se alguém tinha guardado um computador “perdido”, mas nada. Ainda fiquei a conversar um pouco com eles, como que a resignar-me para o pior. Eles prometeram ver se conseguiam saber alguma coisa, eu prometi que ia procurar melhor, até porque sou uma cabeça de alho chocho.

Voltei para casa e continuei a demanda, já totalmente desanimada. Poucos minutos depois levantei a carteira... e o estupor do computador estava debaixo dela, ali, no debaixo do meu nariz, o tempo todo. O único sítio onde não procurei. Carteira preta, computador anão enfiado na sua capa preta, só pode dar asneira e vergonha milenar. Voltei à loja para desfazer a confusão que criara uns minutos antes. Quando entrei, um dos funcionários que nem sequer entrara na primeira conversa, mal me viu, perguntou esperançoso: “Encontraste?!”. Socorro. Afinal, toda a gente que estava na loja ouvira a conversa e percebeu que eu era doida da pinha. Pedi desculpas pela confusão e, muito envergonhada, voltei para casa. Agora, com toda a certeza, todos os funcionários e o dono daquela loja me passaram a conhecer, daquele dia em diante, como a miúda chanfrada que perde coisas. Ou Perdita.



* Válido apenas caso fosse estrangeira, filha da Luciana Abreu ou uma cadela dálmata. Para mais informações consulte a lista de nomes próprios permitidos pelo Registo Civil, ou o seu farmacêutico.

sábado, 15 de outubro de 2016

London Calling

Tal como prometido no último post, está na altura de vos relatar como foram as nossas fantásticas férias em Inglaterra. O destino foi escolhido em cima da hora, tal como a marcação da minha última semana de férias. Mas com uma boa ginástica mental, alguma pesquisa e um par de amigos, a coisa saiu mais que bem =)


Se estão preparados para um post enooooorme e cheio de fotografias, é favor fazer scroll down.

Dia 1:
Acordámos às quatro da manhã para nos "aprontar", colocar os últimos itens de higiene pessoal na mala e preparar-nos mentalmente para uma viagem longa entre quase todo o tipo de transportes terrestres até terras de sua Majestade. Façamos um minuto de silêncio pelas horas que não dormi. Táxi, comboio, metro. Aeroporto envolto num nevoeiro do caraças, que até parecia que íamos ver D. Sebastião, a qualquer momento, a cavalo de um 747.

Por essa razão, alegadamente, o nosso voo foi atrasado quase quatro horas. Alegadamente porque, antes e depois de recebermos esta espectacular notícia, conjuntamente com um voucher de quatro euros e meio para comer enquanto esperávamos, outros aviões chegaram e partiram sem problemas. Nota mental para nunca mais viajar com a Easyjet. Sem esquecer que os aviões deles são claustrofóbicos e não nos deram nada para comer durante o voo (mesmo sem termos "contratado a comida", era o mínimo. O que vale é que, Tuga prevenido, leva pãezinhos de leite para enganar o estômago).

 A fazer tontices enquanto esperávamos pelo embarque.

Assim, em vez de chegarmos a Londres ao meio dia, estávamos a sair do aeroporto (de boleia, valha-nos uma alminha caridosa) às 16:20 horas. O nosso rumo era Tunbridge Wells, a Cascais de Inglaterra porque, supostamente, é a terra das Tias. Mais precisamente, a casa da C. e do seu Mais-Que-Tudo, que tão bem nos acolheram! Antes de anoitecer, ainda pudemos dar uma voltinha pela cidade, ver o Opera House (e comer qualquer coisinha =P), o jardim de Tunbridge Wells e a Dudley Street. Depois, foi tempo de um merecido descanso.

#quatrohorasdeatraso #4eurosemeio #rezandopelaindemnização #osotaquedelaéescocês #cascaisdeingraterra #dudleyroad #londoncalling #jánãotenhogases


Dia 2:
Apesar de não termos preparado quase nada para toda a viagem, os nossos anfitriões fizeram o favor de esquematizar quase toda a semana para nós, não estivessem eles já habituados a receber pessoas e dar a sua portuguese tour por todo o lado. Este foi o dia escolhido para vermos o centro de Londres e, pelo caminho, aprender como tudo funciona por aqueles lados, transportes incluídos.

Fomos ao coração da cidade. No centro de Londres, apesar da azafama e da correria de mil e uma vidas por minuto, está tudo muito bem organizado e preparado para receber os turistas. Na estrada, estão pintadas frases para as pessoas saberem para qual lado olhar, antes de atravessar e levar com um carro no lombo. Nas estações, há pessoas com coletes azuis cujo trabalho é, precisamente, auxiliar os turistas perdidos. Não há papéis no chão. Mas escadas rolantes do metro, as pessoas chegam-se para a direita para deixar passar os apressados e os corredores de maratonas a "voar" pela esquerda. As pessoas são super educadas, e são também verdadeiramente simpáticas, contrariamente ao que é apregoado por aí. E faz sol!!

Da esquerda para a direita: Abadia de WestminsterSupreme Court of Justice e
Victoria Memorialem frente do Palácio de Buckingham.

Tiramos fotos à sombra do Big Ben, do Supreme Court of Justice e das árvores do St. Thomas James. Estivemos em Westminster, Buckingham, Picadily e Trafalgar Square, e em tantos outros sítios, como a Loja dos M&M's, onde ainda me ofereceram algumas drageias "para provar". Depois fomos a um lugar super espectacular: Chinatown. Quase se pode encontrar essa zona de Londres pelo cheiro, pois o aroma às comidas cheias de especiarias está impregnado nas suas ruas, com os seus Torii lindos. É tudo colorido e festivo, também por causa do Moon Festival que estava a acontecer naquela altura. Exploramos o interior de um mercado tipicamente asiático, com todo o tipo de produtos alimentares orientais, e aproveitamos para trazer amendoins para os esquilos, caso voltássemos a um parque, e uma caixa de chá oolong, para provar (até porque somos bastante chalados =P ).


 Em cima, na loja dos M&M's; em baixo, em Chinatown.

Os ovos moles que levamos... esfumaram-se.

Depois de um jantar em que não nos deixaram cozinhar e de um banhinho (antes do qual tive de pedir que me baixassem o telefone do chuveiro, que aquilo não está preparado para pigmeus), fomos dormir a "sonhar" com o dia seguinte.

#m&m #chinatown #moonfestival #biscoitosdopanda #eunãoseiondefica #voupelocheiro #humpfturistas #icantbelieveitsnotbutter #nãomedãodecomer #mãeestouapassarfome #amamãnãodeixacozinhar #nãopossocomprarmaiscanecas #eunãochegoaochuveiro #telefonedochuveiro #sãobonsnãoeram


Dia 3:
Podemos dizer que este foi o único dia de toda a viagem que tínhamos planeado, pois foi o escolhido para empreender uma demanda esperada... há anos. Com os bilhetes comprados com antecedência, o fantástico Mundo de Harry Potter nos Estúdios da Warner Brothers esperava por nós.

Como a tour estava marcada para a tarde, aproveitámos para passar por King's Cross ainda durante a manhã, para tirarmos fotos na famosa Plataforma 9 e 3/4, assim como a loja oficial que aí se localiza. Tinha ficado a dica de irmos primeiro a uma das lojas (a de King's Cross ou a dos estúdios) para nos depararmos com os preços antes da tour pois, se o fizemos ao contrário, sentiríamos aquele ímpeto doido de comprar tudo e mais alguma coisa.

Da esquerda para a direita: a entrar pela Plataforma 9 e 3/4 em King's Cross; Estação
de St. Pancras, ao lado de  King's Cross.

Como toda a experiência Harry Potter é demasiado wow! para qualquer Potterhead resumir em meia-dúzia de frases, haverá um post que lhe será especialmente dedicado aqui no tasco. Mas, em modo de antevisão, posso dizer-vos de foi mais-que-fantástico. Eu parecia uma criança deslumbrada com tudo, a pedir ao Moço para fotografar todo e qualquer pormenor. Não queria, de todo, sair de lá e voltar ao triste e enfadonho mundo real. A própria loja era um mundo, mas... não tinha cachecóis. Por isso, saídos dos estúdios fomos a correr, novamente, a King's Cross, comprar os tão desejados itens, entre trocas e baldrocas de linhas de metro. Nesse dia, não houve um segundo de hesitação sobre qual carruagem tomar. Há coisas que nos movem.


Uma pequena amostra dos estúdios: em cima, os brasões da Escola de Hogwarts e das suas quatro casas e a
sala de poções; em baixo, o Sem Forma personificando o maior medo de Neville Longbottom
 ridicularizado, a ponte de Hogwarts e a Weasley's Wizard Wheezes na Diagon Alley.

De volta a casa, já bem depois das dez horas da noite, só conseguimos comer umas tostas mistas e enroscar-nos nos lençóis. Mas o coração estava cheio ^^

#oronconoharrypotter #meiaparaodobby #over9and3/4 #acabamoscomagarrafadefavaios #afinalhaviaoutra #limianoaosquilos #atéfiqueipaneleirodosolhos #desenrascate #trazqueijo


Dia 4:
Com mais um dia por nossa conta, decidimos tentar ver museus. Londres tem uma quantidade insana de museus para visitar e, a sua grande maioria, tem entrada grátis. Optamos por ir a dois, um de manhã e outro de tarde. O Moço escolheu o National History Museum por causa dos dinossauros, claro. Eu escolhi o British Museum, para fazer pesquisa sobre História.

Qualquer museu naquela cidade tem quilómetros de salas e salas para ver, distribuídas em, pelo menos, quatro andares cada um. É uma maratona. Não dá para se estar a ler todas as placas e explicações, porque arriscamo-nos a ver uma décima parte de qualquer museu. No National History Museum nem chegamos a ver a zona especificamente devotada aos dinossauros (um andar completo, se não estou em erro), porque o Moço quis que eu conseguisse fazer a minha querida pesquisa.



Entre um museu e outro, fomos comprar qualquer coisa num supermercado para comer. Croissants tipo francês, um sumo de pêssego concentrado e uns Kit Kats foram os grandes eleitos. O sumo era medonho. Era tão, mas tão doce, que era como sentir um pico de diabetes a escorregar pela goela. Mas com um desgosto nunca vem só, a secção de chás era uma treta. Eu a pensar que ia ao sítio certo para comprar uma penca de chás, mas era mentira. Nada que me chamasse a atenção ou que valesse o risco de comprar e odiar, com a agravante de não ser propriamente barato.

O nosso destino seguinte foi o British Museum, um verdadeiro predioception. Quem iria dizer que aquilo é um edifício dentro de outro? Mas é verdade! E, para não fugir à regra, era enorme. Estava sectorizado por civilizações. Vimos apenas o Egipto Antigo, a Grécia e Roma Clássicas e a Europa. Infelizmente não tivemos tempo para ver as civilizações Asiáticas, mas não dava mesmo para tudo. Tinha algumas coisas fantásticas e incrivelmente lindas, mas maioritariamente cacos. Eu queria ver armas, roupas, objectos do quotidianos mas com utilidades mirabolantes. Mas ainda assim não foi tempo perdido.



A cultura nunca é tempo perdido. E Londres tem e promove cultura por todos os poros. Em todo o lado no metro, há posters com os musicais em exibição, os filmes em cartaz e os últimos álbuns de músicos. Como disse, a entrada na maioria dos museus é gratuita. Os livros, mesmo novinhos em folha, são bem mais baratos do que aqui, e nem estou a considerar o facto dos salários serem muito mais altos lá. É certo que o custo de vida no UK é alto, mas a cultura é pensada para ser acessíveis a todos.

O jantar, desta vez providenciado por nós, foi acompanhado de histórias mirabolantes sobre mecânicos na tropa (uma delas metia um javali), quem seria capaz de levantar o martelo do Thor e do esclarecimento que o sumo de pêssego concentrado era, afinal, concentrado para fazer sumo de pêssego que dava para, sensivelmente, vinte copos.

#cacos #osdinaussaurosfugiram #perdidosnometro #massópor5minutos #porqueagorasomospros #ondeestáochá #oalmoçodecroissants #concentradodepêssego #istoédocecomoam*rda #istodáparavinte #daorelha #opumbavemaí #mecânicosnatropa #somanymuseumssolittletime #quempodelevantaromartelodothor #capitainreferences #fourthwall #nãotenhovida #dóimeospés #nãoestábommasaomenosnãotiveramdecozinhar


Dia 5:
Na perspectiva de um dia cheio, tanto de passeios como de comida, o pequeno almoço foi bem reduzido, pelo menos, da minha parte. A primeira paragem foi uma surpresa: o teatro onde se encontra em exibição a peça Harry Potter and the Cursed Child. Pelo que parece, os bilhetes estão esgotados até Dezembro... de 2017. De seguida, fomos a um local do qual qualquer nerd que se prese necessita de ser salvo: a Forbidden Planet. Vocês não estão a ver... dava vontade de trazer quase a loja toda! Os eleitos para voltar connosco para casa foram uma caneca de Star Wars e uma placa do Marauder's Map.


De seguida, porque o estômago já estava a dar horas, fomos almoçar. Os planos saíram um pouco diferentes do inicialmente programado, por isso, saltamos a comida e fomos directamente para a sobremesa. O nosso almoço foram as fantásticas e gigantescas panquecas do The Breakfast Club. Fomos ao do Canary Wharf, porque os outros dois têm uma fila de espera de quarenta e cinco minutos para sentar. As panquecas eram tão mas tãaaaaaaaaao boas! Mas a melhor parte do dia estava ainda por acontecer.

Depois da pança cheia, fomos de metro para Camden Town. A maioria das pessoas pensa que a experiência Camden acontece na sua avenida principal, mas não podiam estar mais errada. A magia acontece no Stables Market, os antigos estábulos restaurados onde, em cada cubículo que albergara um cavalo, existe uma loja. E há, literalmente, de tudo. Lojas com t-shirts e montes de merchandise, tendas de venda de bijutaria em prata, livrarias em segunda mão... you name it. Há ainda uma zona com lojinhas com diversos tipos de comidas de todo o mundo, a Cyberdog, uma loja toda futurista e luminosa estilo 5th Element (onde não deixam tirar fotografias) e as homenagens a Amy Winehouse. A cantora cresceu em Camden, da qual se tornou "grande embaixadora" e, uma vez que estivemos no local cerca de uma semana depois da data do seu aniversário, a estátua criada por Scott Eaton estava repleta de oferendas dos seus fãs. Foi também lá que compramos as prendinhas da praxe, quer para nós, quer para levar.


Camden é fantástica. Não são apenas as lojas e o cheio de mil e uma comidas. Lá, tudo é normal. Podemos ver uma menina toda bem vestidinha como uma princesa e, mesmo ao lado, um casal de punks nos seus cinquentas. É um local para toda a gente. Foi triste, mas tivemos que vir embora. Na volta, ouvimos atentamente histórias mirabolantes, umas delas sobre uma corrida e um ataque de asma.

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Dia 6:
Este foi um dia especial. Para além de ser o último de aventuras e descobertas, foi também o nosso aniversário. Seis anos juntos... passou assim tanto tempo Moço? =P Em modo de comemoração, eu vesti o meu super casaco novo, comprado em Camden no dia anterior, na Hearts & Roses (outra loja da perdição) e fomos almoçar ao Oriental Buffet. Meus amigos, aquilo é um templo à comida asiática. Tem de tudo um pouco: sushi, dumplings, noodles, tempuras, várias misturas de vegetais, algumas carnes, peixes e mariscos, pão de banana... eu sei lá! E depois, as sobremesas... que delírio. Esta secção era mais ocidental, mas acham que ia deixar lá ficar aquelas gomas todas tão lindas a olhar para mim?

Algumas das muitas iguarias ao Oriental Buffet que saltitaram do prato para a nossa barriguinha.

Não consegui comer o gelado, infelizmente, pois tanto o meu estômago de comida como o de sobremesas estavam a abarrotar. Afinal, era um buffet, e podíamos comer tudo o que quiséssemos. Saímos de lá, naturalmente, a rebolar. E ainda trouxe algumas gomas, que o dia ia ser longo e podia sentir um ratinho a roer =P

De tarde, o destino era Notting Hill. A primeira paragem foi no Holland Park. Prevenidos, como bons meninos, levamos amendoins. Descasquei alguns e chamei um esquilo. O pequeno veio, escarafunchou a minha mão com as suas patinhas, pegou na pequena iguaria que tinha para ele, cheirou... e pousou-a de volta, indo embora. Quer dizer, eu descasquei o amendoim para sua excelência, que os esquilos não querem cascas, baixei-me para não ter um chelique quando o pequenote me subisse pelas pernas acima, e mesmo assim armou-se em esquisito? Enfim, deves ter muitos amigos.


Kyoto Garden.

O parque era enorme, ao ponto de ter um lindo jardim japonês, o Kyoto Garden, com carpas que pareciam porcos de tão grandes e viçosos que eram, e pavões um pouco discretos, pois encontravam-se na altura de mudança de penas. O parque tinha ainda outros spots e vários edifícios onde tiramos fotografias bem engraçadas, não fosse a C. uma verdadeira maníaca da coisa. Conseguimos fazer uma verdadeira sessão fotográfica e nem sequer somos fáshión bloggers. Quais photoshop quais quê! =P Foi só preciso um pau caído de uma árvore para passar a ser uma jovem Bellatrix Black, com um casaco super chic e o seu típico cabelo louco, a abrir a Diagon Alley.



De seguida, fomos a Portobello Market, onde compramos mais livros usados e nos deslumbramos (as meninas) com anéis bem giros. E onde demos asas às más línguas, com piadas sobre armadas invencíveis (quem vê Águila Roja saberá =P ) e adamastores indomáveis. Antes de voltarmos para casa, ainda passamos pelo Japanese Matsuri que estava a acontecer em Trafalgar Square, onde tentamos passar por vloggers famosos, mas falhamos miseravelmente.


De cima para baixo, da esquerda para a direita: com o carro do jardineiro; em Portobello
Market; o autocarro para o Fim-do-Mundo; no Japanese Matsuri, a palhaçar.

Foi, precisamente, na viagem de regresso, por um acaso da nossa natureza doida, depois de uma corrida valente para apanharmos o comboio para Tunbridge Wells, que decidi registar todas as hastags que nos foram passando pela cabeça e que resumiam a nossa estadia em terras de sua Majestade. Uma forma de "finalmentes", de adeus e de sedimentar memórias.


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Dia 7:
O último dia foi o da nostalgia pela partida. Acordamos, preparamos tudo e fomos dar uma última volta por Tunbridge Wells. O dia amanheceu cinzento, como nós, e foi o único dia em que apanhamos chuva, mas apenas por uns dez/quinze minutos. Demos um pequeno passeio e compramos alguns livros em lojas de caridade, que vendem itens em segunda mão, mas em perfeito bom estado. E posso dizer que encontramos umas boas pechinchas =)

Depois de um almoço rápido, uma viagem de taxi que durou cerca de uma hora, o imposto adeus. Não vou mentir: não queria voltar. Mas o trabalho e as responsabilidades estavam à minha espera. Comemos as últimas gomas que sobreviveram à fuga do buffet asiático e embarcamos, desta vez, com a TAP. Meus amigos, se puder, não troco a nossa companhia por nenhuma outra (talvez pela Ryanair). A tripulação era super simpática, o avião não era nada claustrofóbico e fui tratada como uma pequena rainha. A meio da viagem, ofereceram um pãozinho com queijo e fiambre, e logo depois as assistentes de bordo andaram com um carrinho a perguntar o que queríamos beber, entre café, leite, vários sumos da Compal e sei lá mais o quê. Fazer uma viagem sem comidinha na pança? Isso pode ser para os outros, mas para um Tuga, nunca!

Da esquerda para a direita: a dizer adeus; a vista pela janela do avião, de volta ao burgo.

Já no Covil, nem tivemos tempo para choramingar. Foi comer e dormir, como as criancinhas, que o dia seguinte ia ser de labuta. Não me lembro, mas quase que alvitraria que sonhei que ainda estava em Londres. É uma cidade tão viva, tão diversificada, tão autêntica. Se pudesse, voltava para lá já amanhã.

#deixeirelaxarapassarinha #porntastic #adamastorgoesaway #tristecomoanoite #devoltaaoburgo #querovoltarparaailha #nãohátempoparatudo #raiospartaaconferênciadeinteressados


E agora, se visitar a Inglaterra está nos vossos planos, aqui ficam algumas Dicas por pessoas extremamente viajadas, tipo eu (que, com tanta coisa que fiz e vi, acho que vou criar um blog sobre "estas coisas". Not!):

1. Fiquem em casa de amigos. O alojamento deverá ser, à partida, a coisa mais cara de toda a viagem. Por isso, mesmo que tenham que compensar em gastos com transportes, ficará muito mais em conta. Para além disso, podem sempre comprar ingredientes para comer em casa e não ter fazer todas as refeições fora, e terão uma ajudinha a programar as visitas a todos os locais importantes e/ou interessantes. Para além disso, estarão com amigos e isso, só por si, é óptimo ^^

2. O metro será o vosso melhor amigo. Ou quase. À primeira vista, perceber como o metro funciona, com todas as linhas ali "ensalgalhadas" umas nas outras, parece complicado, mas depois de entenderem o esquema da coisa, é bastante fácil. Pequenas confusões, ainda assim, são possíveis =P Se estiverem hospedados mais para o centro, recomendo que tirem o Oyster para os vários dias que vão estar no país, estilo pack, e que vos dará livre-trânsito para viajar em qualquer linha de metro, as vezes que quiserem/necessitarem. Se vão ficar mais para a periferia, numa localidade que implique o uso do comboio, recomendo o Day Travel Card, que é diários e vos permitirá andar em todos os metros e comboios de toda a Londres. Se o tirarem para um grupo (que deverá sempre viajar junto nos comboios, no metro é irrelevante) e depois das 10h da manhã, ficará bem mais barato.

3. No metro, vão pela direita e tentem sempre ir para as carruagens das pontas. Como disse em cima, nas escadas rolantes, se não estão com pressa, encostem-se à direita para deixar os apressados ou atrasados ir pela esquerda. Os metros, na maioria das vezes, estão apinhados, sobretudo na área mais central da cidade e nas horas de ponta. As carruagens que costumas ir mais vazias são a última e a primeira.

4. Se não estão para cozinhar, e estão perto de casa, ide ao supermercado comprar coxas de frango. A sério, não é peta. Podem comprar uma sopa e uma coxa de frango por, no máximo, duas libras. Os supermercados também têm packs de almoço, que ficam relativamente em conta. Em alternativa, se virem uma Poundland por perto, podem comprar comida mais para o instantânea, mas que dá para o gasto de vez em quando.

5. Cuidado com os concentrados de pêssego. Mesmo. Leiam bem os rótulos de cima a baixo, ou então não, se forem muito destemidos =P

6. Não precisam de se enchouriçar de roupa. Se não forem no pico do verão (sim, isso acontece no UK =P ) ou do inverno, uma t-shirt e um bom casaco são suficientes. Os transportes e edifícios são quentes e, na rua, não se está assim tão desagradável. Claro que a época do ano conta mas, na "meia-estação", basta ir tirando ou vestindo o casaco conforme vão aquecendo ou arrefecendo.

7. Se não tiverem amigos com uma portuguese tour já pensada, programem a viagem com alguma antecedência. Porque vão mesmo precisar. Londres é vasta e tem uma oferta de cultura e locais a visitar abismal. É preciso um mês para ver a cidade toda, e acreditem que não estou a exagerar. Quiçá, um mês não é suficiente. Se tiverem pouco tempo para estar em Londres, então um esquema escrupuloso do que realmente querem ver é essencial.

E, acima de tudo, quer viagem para Londres ou outro destino qualquer, sejam felizes. Isso é, sem dúvida, o mais importante. Tragam memórias inesquecíveis, que vos queiram fazer voltar e explorar sempre novos locais e novas culturas.