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quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Prince

Já devem saber que sou fã da saga Harry Potter, de J.K. Rowling. Comecei a ler os livros com 11 anos (curiosamente, a idade com que os feiticeiros vão pela primeira vez para Hogwarts) e li os seis primeiros volumes da colecção praticamente de seguida. Mas nunca comprei o último livro. No final do ano de 2007, quando Os Talismãs da Morte foi editado em Portugal, achei que o preço praticado era exagerado e acabei por pedir outros nesse natal. A verdade, é que tinha outras razões, para além dessa meramente economicista, e bem mais profundas, para o fazer.

Primeiro, era o início do fim. Eu cresci a ler Harry Potter. Ia lendo os livros conforme estes me eram dados, e claro, ia ficando mais velha à medida que os lia. Mas, ao mesmo tempo, ia acompanhando o crescimento dos personagens principais que eram, mais coisa menos coisa, da minha idade. Crescemos, por isso, e de certa forma, todos juntos.

Segundo, foi no final da leitura do sexto livro, na casa da minha avó materna, quando ela já estava acamada, que tomei consciência que essa seria a última vez que a veria. Num dos últimos capítulos de O Príncipe Misterioso, há um personagem importante e querido do público que morre e, ao ler essas linhas, confesso não ter chorado. Isso não significa que não me tenha chocado. Passado alguns meses, a minha avó faleceu e, certo é que, por zangas familiares às quais fui alheia, essa foi a última vez que estive com ela.

Acho que, inconscientemente, por estas duas razões, acabei por rejeitar a história. Não ler o seu fim significava que a mesma não ia acabar, e sempre que olhava para a prateleira, lembrava-me de uma experiência que tinha sido dolorosa de várias maneiras. No entanto, no ano passado, decidi que estava na altura de fechar este capítulo. Procurei, durante meses, Os Talismãs da Morte, mas a edição antiga da Presença, para que todos os volumes fossem iguais. Não foi nada fácil. Finalmente, na semana do natal, consegui-o, e recomecei a saga para, ao fim de quase 13 anos, cerca de metade da minha vida, saber afinal como tudo acaba.

Hoje, no entanto, o mundo amanheceu mais triste. O Professor Severus Prince Snape, conhecido por Alan Rickman entre os Muggles, seguiu para uma nova aventura. Soube à hora de almoço, enquanto passava as notícias do dia em revista. O primeiro impacto foi sentir que o meu coração falhou uma batida. Acho que o mundo, em si mesmo, parou durante alguns segundos. Ao início não chorei do choque, depois, já no escritório, quando tomei consciência da realidade, não chorei em frente dos colegas por vergonha.

Severus sempre foi um dos meus personagens favoritos. O mistério, o silêncio, o calculismo e a inteligência que o envolviam, fizeram dele alguém especial. E claro, era o chefe da minha casa, os Slytherin. A sua profundidade, que vai sendo conhecida, aos poucos, de livro para livro, fez dele um fantástico anti-herói e, (porque eu sei, uma vez que há pessoas que são parvas e "botam" spoilers para aí), no final, um verdadeiro herói.

Se ele vai ficar comigo para sempre? And after all this time?
Always.



# For a well structured mind death is just a next adventure
# Let us all raise our wands
# Prince
# Always

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Erudices à hora do chá #2

Por acaso, esta foi à hora de almoço. Há uns dias, aproveitei a pausa para essa tão distinta refeição para passar numa loja de roupa interior e diverso vestuário de andar por casa (a.k.a. pijamas e afins). Fui procurar cuecas.

Gosto de cuecas com bonequinhos e de merchandise, mas desde que não sejam cor-de-rosa. O facto de ter um rabo pequeno faz com que bonequinhos abundem... relativamente a todo o resto da roupa que existe no mundo. Tal como nos sapatos, estou naqueles números estranhos que nunca existem - são demasiado grandes para a secção das crianças e demasiado pequenos para a secção das mulheres/adultos.

A conclusão a que qualquer pessoa chegará, neste ponto, é que, muito obviamente, não havia cuecas suficientemente kawaiis (e não cor-de-rosa) e do tamanho certo para moi je.


Por esse motivo, em momento de milenar erudição, que ficou ali a marinar tempo suficiente para ser um novo ensinamento do Yoda, o Moço saiu-se com esta:

Moço - Tu és como o Mini Milk.
Nightwisha Maria - Como o quê?
Moço - O Mini Milk. Nunca ninguém soube realmente como aquilo se comia. Se era para trincar ou lamber.

Não sei se ria, se chore. Posso sempre fazer as duas coisas ao mesmo tempo, já que se diz por aí que as moças são multitasking. O que eu queria mesmo, era arranjar cuecas "fitxes" e, de preferência, me servissem no rabo. Algo me diz que é coisa que não compense mandar vir do eBay. Mesmo que compensasse (no caso do merchandise), duvido que tivessem o meu número: 3/4 de gaja ou 3 1/3 e meio de criança.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

I quit

Desisti, definitivamente, de ir às compras de roupa. A sério, não estou a brincar, é mesmo verdade.

Quando fui comprar as prendas de natal do Moço, passei pela Primark porque, para além de não ser uma loja estupidamente cara (ainda que a qualidade não seja a melhor), tem produtos de merchandise de Harry Potter, Star Wars, Marvel e por aí fora. Quer dizer... vai tendo. Como o nosso jantar de natal e consequente troca de prendas foi depois do natal propriamente dito, e porque não consegui lá ir antes das "férias" passadas na terrinha, as compras foram feitas em altura de saldos. Se, por um lado, a maioria do merchandise estava em promoção, o que foi óptimo para a carteira, também era certo que só sobravam os números maiores e os mais pequenos e a loja estava inundada de criaturas para as trocas/saldos, o que foi péssimo para os nervos.

Nem consegui ver nada para mim, apesar de, pelo menos, metade da Primark estar em promoção. Tinha pouco tempo e já estava a ficar nervosa com a quantidade insana de gente que não se desviava e com o calor descomunal da loja. No entanto, em frente à zona dos homens, estava um expositor com blaisers de senhora. Como estava no caminho, dei uma rápida espreitadela e encontrei um último blaiser preto muito fashion, mas que não experimentei porque só iria sair dos provadores depois das badaladas que anunciam o ano novo. Só o vesti já em casa e constatei, com algum pesar, que o blaiser era grande. Bem, teria sempre oportunidade de trocar, mesmo que não fosse por uma peça igual. A loja é grande e havia muita coisa em promoção. Para além disso, precisava de ir ao shopping, para comprar noutra loja umas calças que tinha visto online.

Quando consegui um tempinho para perder nessas andanças lá fui eu, mais o Moço, rumo ao shopping. Novamente, havia povo que nunca mais acabava e parecia que estávamos nas Caraíbas. Não sei porque deixam as lojas tão quentes, a não ser para as pessoas se fartarem de lá estar antes de pensarem bem se realmente querem gastar aquele dinheiro naquelas peças. Mas a questão primordial foi: não gostei de nada do que a Primark tinha. Nada. Ou, pelo menos, nada que valesse o dinheiro que marcava na etiqueta. Depois de mais de uma hora na loja, acabei por trocar o blaiser por peças para outras pessoas. Fui então à Bershka, onde eu não me lembro de comprar uma única peça de roupa. Nada das calças que eu tinha visto na loja online. Voltei para casa com vontade de me afogar em comida, que foi o que fiz. Não foi porque não consegui gastar dinheiro feita louca de Bervely Hills em lojas de roupa, mas porque andava à procura de coisas que me fazem realmente falta e vim para casa de mãos a abanar.

Eu sei que sou esquisita com a roupa, como sou, aliás, com quase tudo. Mas o que eu acho ridículo é não conseguir comprar umas calças básicas, pretas, sem que o botão da cintura me roce no nariz e sem parecer que andei "à bulha" com um felino selvagem que me rasgou a roupa toda. Eu quero umas calças simples, mas para isso não estou disposta a pagar 30 ou 40 euros. Já nem vou falar dos blaisers. Por isso, a partir de agora, vou comprar roupa no eBay ou aprender a fazê-la (as mais simples, pelo menos). Para além de ter maior probabilidade de encontrar o que quero (sempre com atenção à qualidade e às referências de tamanhos) a um preço recomendável, também consigo encontrar montes de merchandise que, mesmo em lojas como a Primark que vende produtos oficiais, só se encontram noutros países. Só volto a comprar roupa numa loja em situações especiais.

Agora, alguém que se ofereça para me ensinar a costurar. A minha máquina de costura de brincar ainda deve funcionar. Sim, eu tinha uma dessa, com agulha verdadeira e que costurava mesmo. Não podia mexer em facas ou aprender a cozinhar porque era perigoso, mas se cosesse os dedos não havia problema nenhum (o que, por acaso, e tendo em conta a minha destrambelhice natural, nunca aconteceu...). Vamos ter esperança.

domingo, 3 de janeiro de 2016

Level up!


Diz que estamos em 2016. Como foram os vossos últimos momentos de 2015? E os primeiros deste ano? Os meus foram muito interessantes.

Passei quase três horas a limpar e arrumar a casa para recebermos as nossas visitas, um casal amigo e o seu gato. Enquanto me entretinha com os doces, decidi carregar o telemóvel, porque estava à espera que as visitas me ligassem. Saí do apartamento, chamei o elevador... e o bicho começou a fazer uns barulhos muito estranhos, como quem diz: estou avariado. O meu pensamento foi: acabei de f*der o elevador... Vou de escadas. Eu moro num terceiro andar. Quando voltei, o elevador continuava numa chiadeira, que até metia medo. Fui novamente pelas escadas. Entrei em casa para continuar a confecção de doçaria extremamente calórica e, assim do nada, comecei a aperceber-me de um ruído de fundo monumental, que tinha sido abafado pela batedeira. Alguém se lembrou de aspirar a casa com um aspirador super potente, ou será que o elevador é demoníaco e se lembrou de me rogar uma praga directamente do sétimo círculo do inferno?

Obviamente, era o elevador. Pronto, ninguém vai dormir na passagem de ano. Paciência. Eventualmente o barulho parou. No entanto, as visitas nunca mais chegavam. Comecei a ficar preocupada. Eis, então, que o telemóvel tocou. Eram um número que não conhecia, só podiam ser eles. Mas... afinal era a minha mãe. Estava sem dinheiro no telemóvel, por isso, usou o de outra pessoa. Senti uma certa nostalgia... Que momento tão '90. Ainda que inverso.

Finalmente, as visitas chegaram, depois de algum tempo perdidos e de, alegadamente, me terem ligado até à exaustão, sem que eu lhes tivesse atendido. Estranho. Olhei para o ecrã do telemóvel, e nada. Desci, mais uma vez pelas escadas, para dar de caras com uma quantidade insana de sacos. Acho que eles compraram o hipermercado todo, depois de termos dito, expressamente, para não o fazerem. Felizmente, o prédio tem dois elevadores.

Quanto às chamadas fantasma... alguém deve achar que uma empresa qualquer de telemarketing anda e tentar vender-lhe um faqueiro incessantemente ou então tem um stalker à perna. A culpa é dos teclados touch dos telemóveis, em que os botões são do tamanho do bicho da fruta. No chat, ao digitar o meu número para lhes dar, carreguei num botão errado... Claro que eu não podia ter atendido as chamadas. E por incrível que pareça, o número errado chamava... Pelo menos, até ao momento, acho que eles não têm nenhuma queixa na polícia.

Comemos como lobos. No momento das doze badaladas, lembrei-me que não tinha vestido as cuecas novas que tinha guardado para tão solene ocasião. Manda a tradição que se use roupa interior nova e a sua cor será um desejo para o novo ano (não tem que ser azul, cada cor tem um significado diferente). Ora, eu tenho muito desejos. Por isso, as escolhidas foram as minhas cuecas novas do Batman, que têm muitas cores (não sei como isso foi acontecer, perguntem na Primark de quem foi a ideia de fazer merchandise para gaja todo parolo, incluindo, t-shirts do Star Wars e da Marvel cor-de-rosa) e, como não as tinha vestido "a tempo", usei-as na cabeça. Que eu saiba, a tradição não diz que as cuecas têm de estar a tapar o rabo. Para mim, na cabeça também conta como "estar a usar".

Passamos o resto da noite, da madrugada e do dia seguinte, essencialmente, a comer, a dormir, a jogar Uno e a tentar que o nosso ilustre convidado de quatro patas não se interessasse só por nós quando lhe dávamos comida. Falhamos miseravelmente. O gato parecia ter uma antena de detecção de comida. Bastou ver-me pegar numa batata e saltou logo para o meu colo, para ma tirar da boca. Fez o mesmo quando eu peguei num waffle. Se não fossem os meus reflexos super desenvolvidos, tinha trincado ar.

Eventualmente foram embora, e ficamos só eu e o Moço, e uma casa novamente desarrumada, qual explosão de tralha por todo o lado. Ainda não conseguimos limpar tudo. Ontem o dia foi para vadiar e o de hoje, será para trabalhar.

Pode ser de mim, mas continuo com a mesma sensação de 2015: tenho sono; continuo preguiçosa; tenho vontade de comer lasanha, waffles, queijo da serra, gomas e os meus pikicakes; quero acabar de ler a Pedra Filosofal e bloggar, mas tenho que trabalhar no primeiro domingo do ano, porque nem todos podem ignorar prazos e os tribunais/juízes/clientes querem lá saber se eu tenho sono/preguiça/fome/vontade de ler/bloggar. Por isso, liguei o pc pouco depois das dez da manhã... e ainda não fiz nada desta vida.

Os vizinhos de cima já berraram duas vezes, uma logo na noite do dia 01 e outra antes do meio-dia de hoje. Tenho fome. Acho que vou aquecer o resto da lasanha do jantar de ontem e enfardar à Garfield.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

Happy Jólabókaflód ou O natal mais estúpido

Para quem já me conhece há algum tempo, sabe que eu detesto esta época do ano. Não gosto das músicas deprimentes que passam nas ruas das cidades, não gosto de ir comprar prendas porque toda a gente também pensou o mesmo e ainda restam poucas almas no mundo que não nos atropelam com a avareza típica da época, não gosto das famílias perfeitas de fachada, não gosto das tradicionais discussões que quase terminam em desgraça que temos sempre nestes dias, não gosto lá muito de pinheirinhos, não gosto de bolo-rei, não gosto de bacalhau, não gosto da hipocrisia e dos eternos pedidos de paz no mundo que só duram umas horas.

Gostos dos chocolates, dos filmes de animação, das prendas e dos presépios gigantes que parecem uma super casa das bonecas. Mas disso gosto o ano todo. Essencialmente, só não gosto é do natal.


Cheguei à conclusão que, para mim, o natal podia ser riscado do calendário. O ano passado já tive oportunidade de cuspir todo o meu veneno aliado à época natalícia, por isso, este ano, vou tentar cingir-me às coisas boas - ou menos más, dependendo da prespectiva. Não podia ser de outra maneira, tendo em conta que este ano a tempestade que se avizinha para a noite da ceia já se prevê devastadora e "pascoética" (vai haver naufrágio e martírio à vista). Devia cobrir a casa com panos roxos e distribuir, por aqui e por ali, uns coelhos de chocolate.

Por isso, vamos começar com a minha lista de prendas. Já sei que hoje já é véspera de natal, mas ainda não vou receber os presentinho todos hoje, daí que vão sempre a tempo para me compensar do desastre que por aí vem. Aqui está ela:
  • Livros!!
  • Canecas
  • Globos de neve
  • Uma caixa grande de arrumações para os meus cosplays
  • Uma caixinha para bijuterias e coisas
  • Marcadores meios parvos para os livros de comédia
  • Outros marcadores todos kawaiis
  • Merchandising do Harry Potter, em especial dos Slytherin (a minha casa, oh yey!)
  • Um par de pantufas daquelas bem grandes, gordas e fofas
  • Caixa de distribuição de gomas
  • Cenas de nerds

Parece-me bem. Para além disso, gostava de incorporar uma tradição na noite da ceia, oriunda da Islândia. Na véspera de natal, os islandeses oferecem e recebem livros de presente, e passam o resto da noite a ler. Por isso, é chamada de Jólabókaflód (Christmas Book Flood). Nos meses que antecedem o natal, a quantidade de livros vendidos sobe exponencialmente, como forma de preparação para a época festiva, para o que contribuiu a entrega grátis em todas as casas de um catálogo de novas publicações, que ajudar no momento da compra. Aliás, um artigo da BBC prova que os islandeses adoram ler e escrever de tal forma, que a Islândia é o país com mais escritores, mais livros publicados e mais livros lidos per capita do mundo.


É pena ainda não poder implementar essa tradição onde passo o natal. Um dia será uma realidade, mas por agora, tenho que me contentar com os filmes de animação que me vão deixando ver, quando não se apoderam do comando da tv primeiro que eu. De qualquer das formas, já tenho a minha leitura de natal (que podem ver algures na coluna da direita), mesmo em cheio para a quadra natalícia: O Anjo Mais Estúpido, o fantástico Christopher Moore (já falei dele e das suas obras aqui, quando publiquei a opinião do Biff). É daí que vem o título deste post, "portantos", porque acreditem: este vai ser, sem dúvida, o natal mais estúpido de sempre nesta casa...

E, em jeito de "finalmentes", desejo a todos um óptimo natal/ hanukkah/ kwanzaa/ yule/ noite de empantorrar a pança com todo o tipo de doces e ver filmes de animação na tv. Há falta de melhor, "façam cenas" =P

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Crazyness

Para comemorar o dia ranhoso de hoje, e tendo em conta a molha que alguns de vocês (e eu) irá apanhar no caminho da escola/universidade/trabalho/casa/café da esquina/hipermercado, ou que irão apanhar nos próximos tempos, vou brindar-vos com uma história típica desta época do ano.

Há uns dois ou três anos, em vez de apanhar uma valente constipação/gripe com a vinda da chuva e do frio, fui presenteada com uma acumulação astronómica de muco na garganta, mais comummente conhecido pelo termo extremamente técnico e clínico: ranhoca. Bem, é certo que é muito melhor que uma gripe de caixão à cova, que também já tive, mas não é menos incomodativo. Não se consegue falar, porque as cordas vocais estão todas untadas com a dita ranhosa, e quando sai algum som, parece que se andou a abusar do bagaço. Depois há a tosse. À noite, a respiração torna-se mais difícil, e uma noite bem dormida passa a ser mais uma memória que outra coisa. Aconselharam-me, então, a ir a uma farmácia pedir um anti-expectorante. Chegada à farmácia mais próxima e, com algum esforço, pedi aquilo que me tinham recomendado.

Nightwisha Maria: Boa tarde, quero um anti-expectorante, por favor.
Funcionária: E para que quer isso?
Nightwisha Maria: É para a ranhoca que tenho na garganta.
Funcionária: Ah, então a menina quer um expectorante, não um anti-expectorante!
Nightwisha Maria: Ou isso, seja.
Funcionária: Mas a menina pediu-me anti-expecturante, não um expectorante...
Nightwisha Maria: Sim, está bem, foi o que me disseram para pedir, mas o que eu quero mesmo é qualquer coisa que me tire a ranhoca daqui.
Funcionária: Então quer um expectorante.
Nightwisha Maria: Sim, quero um expectorante.

Entretanto a senhora foi para detrás do balcão, e começou a desenrolar um discurso sobre uma data de medicamentos que tinha para o efeito. Eu respondi que só queria uma coisa que funcionasse. A minha paciência, já de si diminuída, trambolhou-se toda pelo chão fora depois daquela primeira conversa. Eu estava toda enchouriçada por causa do frio e da chuva, sem conseguir falar ou respirar em condições, dormir era uma miragem, e sem cabeça para tolices. E então aí veio a segunda parte da conversa.

Funcionária: Quer xarope ou comprimidos?
Nightwisha Maria: Comprimidos, por favor.
Funcionária: Normalmente, os comprimidos são para maiores de 12 anos.
*silêncio*
*provavelmente, Nightwisha Maria faz uma cara de quem está prestes a cuspir a ranhoca alojada na garganta na fuça da Funcionária*
Funcionária: *com um sorriso-estado-de-sobrevivência * Se calhar, vai mesmo levar os comprimidos, não é?
Nightwisha Maria: Sim, vou levar os comprimidos.

E foi assim que, por alguma razão que desconheço, uma criatura achou que ainda não tinha passado pela puberdade. Nas noites frias e solitárias, chego a pensar que aquele comentário foi irreflexo, ou então que a senhora dava nos ácidos. Mesmo pequena e toda enchouriçada, não entendo como achou que eu já não teria idade para tomar comprimidos para, imagine-se!, a expectoração. Ou então há um dress code qualquer que eu desconheço e que incluía "roupa e sapatos de adulto". Estou mais inclinada para o consumo de substancias psicotrópicas, mas isso poderá ser da minha função cerebral que tende assim para o maquiavélico.

terça-feira, 27 de outubro de 2015

O mistério das chaves

Isto dito assim, até parece uma coisa muito importante, retirado do último livro do Dan Brown. Se estão à espera de abre-olhos e rebarbanço sobre alguma seita religiosa, esqueçam. É só mais uma daquelas peripécias que só acontecem por Covil City.

Há cerca de duas semanas, as chaves de casa do Moço desapareceram. Procuramos o estupor da casa toda: foi no meio das almofadas do sofá, foi debaixo de todos os móveis, na casa de banho, na varanda, no cesto da roupa suja... eu sei lá! Não havia explicação. As benditas das chaves tinham-se simplesmente esfumado. Por isso, tive que deixar as minhas chaves ao Moço durante o fim-de-semana em que fui à terrinha. Quando voltei, estive a limpar o Covil, e aproveitei para voltar a procurar "as desaparecidas". Se permanecessem em parte incerta, teríamos que trocar o canhão da fechadura, uma vez que não sabíamos onde estas estariam perdidas.

Já tinha perdido as esperanças de encontrar as chaves e, resignada, dediquei-me a fazer outras coisas. Entretanto, e depois de encher a pança ao jantar, fui colocar a loiça suja em cima da banca. Lá no canto, estavam uns tupperwares que tinham ficado a secar. Ao pegar na tampa de um para arrumar e ter espaço para "a nova loiça"... pam pam pam!, lá estavam o raio das chaves, todas descançadinhas. A situação foi tão ridícula que nem consegui rir. Elas estiveram sempre ali, mesmo debaixo dos nossos narizes, e no único sítio onde não procuramos: no meio da loiça lavada.

A experiência ensina-nos. Sempre que perderem as chaves de casa, já sabem: procurem algures na prateleira da loiça, especialmente se ela não for inanimada; começo a achar que ganha vida quando não estou a ver, estilo Mrs. Potts e companhia. E esconde chaves.

domingo, 25 de outubro de 2015

Escrutinando os sufrágios


As eleições foram, precisamente, há três semanas atrás. Descansem, não vou perder tempo com politiquices. Mas como o assunto vai de mal a pior e até já cheira mal, e como até estive "por lá", vou-me virar para um registo mais ao meu estilo: a linda e misteriosa arte da palhaceira. Para além de cumprir o meu dever cívico de ir votar, independentemente do local onde pus a minha cruzinha, estive a trabalhar nas mesas. Sim, os 50 paus pesaram na escolha, apesar de não pagar o trabalho que temos. Não foi a primeira vez que fui e, como podem imaginar, para quem já anda nestas andanças há alguns anos, há sempre cenas que vale a pena relatar.

As votações na minha zona (agora já não se pode dizer "freguesia", porque é uma "união", blá blá blá) foi numa escola primária (não a que eu frequentei). A primeira coisa em que reparei, depois de chegar à sala onde estava a mesa que me tinha sido destacada, foi que esta estava forrada a posters com coisas para os miúdos. E o meu olhar parou, automaticamente, naquele que ensinava os substantivos e ao qual tirei uma foto extremamente tosca enquanto não começava a montar o estaminé.


Eu não sei quanto a vocês, mas talvez os mais velhos tenham, como eu, associado o poster acima às imagens dos livros da primária dos tempos da ditadura (eu tenho boa memória para imagens e papelada). Casa, trabalho, religião. Senti uns tremeliques na tripa. Claro que a canalha não entende estas mensagens subliminares, mas parece-me um pouco ridículo que, indirectamente, se lhes esteja a incutir que "gente" é aquela que tem "fé" e entra numa casa religiosa encimada por uma cruz. Mas eu sou um pouco conflituosa, por isso, pode ser só dos meus olhos.

Outra coisa que salta à vista, é a maneira como as pessoas se vestem. Sim, típico comentário de gaja. A maioria vai com qualquer coisa, como se se vestisse para um dia normal (bem vistas as coisas, os dias de eleições não são "super"), mas há sempre: 1) aqueles que aproveitam a corridinha do dia para fazer a sua cruzinha; 2) aqueles que se veste como se fosse para um jantar real. E são estes últimos que me fazem mais confusão. Não estou a falar do casal que apanhei que foi votar depois de um casamento (notava-se tão bem! Teve piada, confesso), mas daqueles que olham para nós como se a roupa que têm os defina como a última bolacha do pacote.

Mas a melhor de todas, ou pior, foi mesmo aqueles seres que pareciam nunca ter votado na vida (sem contar com a trintona muito simpática, com ar meio betinho, mas totalmente deslocada das ideias, cujo marido, igualmente simpático e meio betinho, desculpou a ignorância da sua senhora na coisa, porque ela nunca tinha ido, efectivamente, votar). Fiquei numa das últimas mesas, onde normalmente votam os mais novos que, ou nunca votaram porque nunca se deram a esse trabalho, ou porque nunca tiveram idade para o fazer, e os que se mudaram para a "zona" há pouco tempo. Aos primeiros, até dou meia desculpa, e somente "meia" porque, por um lado, tinham obrigação de ser ter informado antes, e por outro, os pais podiam ter mais cuidado em avisá-los, não é só dar-lhes dinheiro para sair à noite e dizer-lhes onde fazer a cruzinha. Mas o que me irritou mais foi aquele pessoal que já tem idade para saber "o que a casa gasta" e, mesmo assim, parece lorpa, ou tenta fazer quem está a trabalhar nas meses um lorpa.

Situação 1:
Presidente da mesa - Bom dia, tem o seu cartão?
Cidadão Y - O meu número de eleitor é XXXX
Presi - Sim, mas eu preciso de um documento de identificação, como o cartão de cidadão.
Cidadão Y - Mas é mesmo preciso?

Situação 2:
Presi - Bom dia, tem o seu cartão?
Cidadão H - Não. Eu da última vez votei aqui.
Presi - Pois, mas as listas vão mudando. Sabe o seu número?
Cidadão H - Não.
Presi - Então faça o favor de ir ali àquela salinha, que tem lá uma funcionária que lho vai dizer.

Situação 3:
Cidadão Q - Menina, o meu número de eleitor é este *mostra cartão/mensagem de telemóvel*. Onde é que voto?
Eu - Tem que ver nas listas que estão afixadas lá fora, que tem a correspondência entre os números de eleitor e as mesas.

Situação 4:
Presi - Bom dia, tem o seu cartão?
Cidadão J - O meu nome é XXXXXX
Preso - Sim, mas preciso do seu número de eleitor, e do seu cartão de cidadão, já agora.
Cidadão J - Não consegue encontrar isso com o meu nome?

As situações acima descritas são verídicas. Parece impossível, mas são. De todo o modo, quando o tasco fechou, rapidamente se contou, organizou e lacrou tudo o que era votos e papelada nos seus devidos lugares. Tivemos mais votos do que o normal e esperado, mas ainda bem que assim foi. E a equipa era boa, por isso, não houve problemas. Agora, vamos lá ver no que isto dá... Acho que o Calvin é que devia ser Presi desta "zona". Fazia mais sentido, o "piqueno". Ou o Batman.

sábado, 10 de outubro de 2015

Fun-not-so-much

Odeio ir às compras. De qualquer tipo. Neste momento, alguns de vocês estão a pensar o seguinte: "O que? uma gaja que não gosta de ir às compras? Não pode ser... não acredito!". E a questão é: eu alguma vez vos menti? Pois, a verdade é que não gosto nada de ir às compras e hoje tive que me lembrar disso mais uma vez.

Pois bem, à hora do pequeno-almoço reparamos que precisávamos de comprar algumas coisas que foram acabando. Daí que fomos ao hipermercado. O qual estava, por estranho que pareça, apinhado de criaturas a um sábado de manhã. E era o pessoal parado no meio do nada, outros que quase atropelavam toda a gente porque queriam passar primeiro, as cotoveladas nos apertados corredores e, a minha favorita, a corrida para a caixa. O Moço, sem querer, quase passou com o carrinho por cima de uma criatura que, do nada, se meteu na frente dele, toda lambona, para se enfaixar numa caixa. Deu-me mesmo vontade de lhe dar uma trombada com o carrinho, para ver se aprendia...

Senhores, as pessoas são mesmo horríveis.

Mesmo quando é para comprar roupa, sinto-me uma "gaja atormentada". Primeiro, é a confusão: o gado que não se mexe e fica, como nos corredores dos hipermercados, parado no meio do pasto a olhar bovinamente para todo o lado ou para o telemóvel ou mesmo a conversar com alguém. Depois, quase todas as lojas têm o ar condicionado regulado para "inferno", o que faz com que me sinta mal com facilidade. Ainda, há o facto de eu, raramente, encontrar alguma peça de roupa que goste. Finalmente, aquelas que gosto são, em normal, estupidamente caras. Tudo isso aliado faz com que a Nightiwsha Maria volte para casa de mãos vazias e de trombas. Ao menos não gasto dinheiro.

Por isso, cada vez mais estou a optar por fazer pesquisa em casa, nos sites das lojas. Pelo menos, aquelas que os têm. Assim, vejo o que há e o que me agrada e, caso queria adquirir alguma peça, chego à loja, procuro ou pergunto a um funcionário, experimento, e decido se levo ou não. Penso com muita mais calma e só perco o tempo estritamente necessário. Claro que a Primark, onde se vão encontrando peças da Marvel, DC ou Disney, não dá essa opção... --'

Vou ali ver umas coisas e já venho! =P

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Lunetas =P

Parece que hoje é o dia mundial da visão. E, segundo a Radio Comercial, "o dia das pessoas que usam óculos" =P Pode ser um dia diferente para os outros, mas para mim é só mais um dia em que tenho que os usar!

Tenho as minhas "lunetas" há 12 anos... eh pah, já foi há tanto tempo?! Na altura foram precisos uns dois anos para convencer o chefe do orçamento de estado lá de casa que tinha que abrir os cordões à bolsa, uma vez que eu já não via "a ponta de um corno", citando o oftalmologista que me examinou.

Foi um filme para me mentalizar que ia ter que usar óculos para o resto da vida, especialmente para uma adolescente. Maior filme ainda foi escolher uma armação que gostasse, vulgo, que não achasse horrível. Acabei por, ao cabo de umas duas horas em que a funcionária da óptica quase desesperou, optar pela última tentativa de compra: uma armação de homem, fina, preta, a coisinha mais simples que a loja tinha. Não sei porque razão a mulher não percebeu logo o que eu queria, mas talvez estivesse em vista um negócio que lhe seria mais lucrativo.

Uma coisa é certa: a armação era das boas. Ainda a tenho, pelo menos uma parte. Há coisa de uns quatro anos, a mola de uma das hastes partiu, e tive que mudar as duas, para não parecer esquizofrénica, com as duas haste dos óculos diferentes. Não são iguais às originais, mas são extremamente parecidas. A armação que segura as lentes, que foram mudadas em duas ocasiões, é efectivamente a original.

Posso dizer que demorei anos a me habituar a ter uns ferrinhos à volta dos olhos... mas é estranho constatar que, agora, já não tiro os óculos para pousar para as fotografias, porque já não "me (re)vejo" sem eles. Alguns até acham que usar óculos é chic e dá um ar mais intelectual, e os usam apenas por estilo, sem qualquer graduação. É uma opção, bem sei, mas não entendo, talvez porque essas pessoas também não entendem a sorte que têm quando, ocorrendo uma das situações descritas abaixo, poderem sempre pousar as "lunetas" num canto qualquer, sem medo que se partam, porque vão sempre ver tudo às mil maravilhas:
  1. Rapidamente percebes que ver tv de "ladeques" no sofá não é algo possível;
  2. Vais tomar banho, começas o "teu ritual" e, de repente, fica tudo estranhamente enevoado, que até parece que D. Sebastião está prestes a voltar à Pátria;
  3. Deitas-te, passado um pouco viras-te de lado, e sentes uma coisa estranha na fuça;
  4. Queres coçar um olho, e deixas a tua impressão digital numa lente, sem contar que, com a força, quase a metias dentro do referido olho;
  5. Usar óculos de sol não graduados (e claramente mais baratos), mais cedo ou mais tarde, deixa de ser uma opção;
  6. Igualmente, mais tarde ou mais cedo, vais perceber que nem ir "à casinha" podes sem levar os óculos postos, sem achares que o mundo te vai fugir;
  7. Se acontece algum "pequeno desastre", e tens que mandar reparar/comprar outros óculos, e tens que andar uns dias, ou apenas umas meras horas, sem eles, tudo se torna difícil. Percebes que nem a tarefa mais simples consegues fazer, e tens que depender de outros, para isso (quando a graduação é substancial);
  8. Não podes sair de casa sem óculos, por isso, quando não te lembras onde os deixaste ontem à noite quando o sono já pesava valente, parece que está a ocorrer um cataclismo natural (sem prescindir, ver ponto 6);
  9. No inverso, quando entras em casa, numa loja com ar condicionado ou quando bebes um café, D. Sebastião volta a emprestar-te a sua névoa.
Mas nem tudo é mau. O Moço gosta de mim assim, mesmo "caixa de óculos" e tudo ^^

sábado, 3 de outubro de 2015

Princesa do Mónaco

Quando tenho que ir ou voltar do escritório a pé, faço o caminho que me parece mais curto e que é quase sempre a direito. Três ruas e mais uma avenida, seguidas, quase em linha recta. Nessas ruas, passo por alguns cafés daqueles que só têm babões, novos e velhos, à porta, a olhar para todas as criaturas do sexo feminino que mexem, novas ou "menos novas", mais tapadas ou mais destapadas.

Normalmente faço o percurso com phones, primeiro porque música ou rádio são óptimas companhias, e depois porque, assim, evito ouvir as alarvidades que os ditos babões mandam cá para fora. Caso calhe de ouvir, por qualquer razão, as frases ridículas de engate que cospem (não sei se eles já perceberam que não engatam ninguém com aquilo), faço de conta que não dei por nada. É certo que, se ninguém ripostar, eles vão continuar a fazer o mesmo, mas de que vale a pena descer ao nível deles? Só pioraria as coisas.

No outro dia, por acaso, não tinha os phones postos. Passei por um café onde estavam uns cinco atrasados mentais à porta, e um sai-se com o seguinte "pseudo piropo de engate", em modo de melodia: "Princesa do Mónacooo...!". Fiz de conta que era surda.

Nobres moçoilos que por aqui passam, ouçam o conselho que vos dou. A primeira coisa que este "pseudo piropo" me lembra, é que as princesas do Mónaco são um pouco... vá, dadas. Chamar uma rapariga tal coisa, é quase como lhe chamar rameira. Se é para deleitarem ouvidos, meus amigos, mais vale irem por uma delicada e encantadora "princesa da Suécia", ou até mesmo uma chique mas um pouco pespineta "Doña Letizia de España" (quem não se lembra do célebre "déjame termiar!" hehe). Ou, finalmente, podem ir, simplesmente, pela "Princesa Leia", que essa tem sempre uma arma por perto, o que é uma mais-valia. E nada de cantorias baratas, fachabori. Ou é para fazer a coisa como deve de ser, ou então, calem-se para sempre.

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Pasta de dentes corrosiva

Ontem fui ao dentista para uma consulta de rotina. Há uns tempos abriu uma clínica nova aqui em Braga e, como passo a maior parte do tempo por aqui e até precisava de dar "uma vista de olhos" nos meus sisos, aproveitei uma campanha que eles estavam a fazer. Se ficasse cliente, como fiquei, e caso necessitasse de algum tratamento, como vim a descobrir que precisava, tinha um belo desconto.

Descobri que, ao fim de quase 25 anos (na altura), tinha uma pequena cárie. Sempre tive dentes fortes, e mesmo tendo descuidado algumas vezes a higiene oral durante a adolescência (também, quem é que lavava os dentes depois de comer na cantina da escola?), nunca tive cáries nem nada do género. Aos 18 anos descobri que ainda tinha um dente de leite (devo ter tido dois no mesmo sítio), e que o definitivo "andava a passear no meu palato". Foi a primeira vez que fui ao dentista, porque, muito obviamente, tinha dores. Não se choquem... como podem ver, lá em casa a saúde não era prioritária. Como tive que usar aparelho, comecei a dar mais atenção à higiene oral, mas com os sisos a querer sair a todo o custo, acaba por ser quase impossível escabichar bem os ditos quando ainda estão "meios enterrados". Por isso tive uma pequena cárie, que foi logo tratada para não dar mais problemas.

Ontem voltei à clínica para a consulta de rotina (são de seis em seis meses), e parece que os meus queridos sisos não podiam ter escolhido uma altura melhor para me melgar a cabeça mais uma vez... No mês passado, houve ali uns dias que a gengiva à volta dos sisos inferiores tinha ficado muito sensível e doía como o diabo. A dentista esteve a ver e disse, como eu já esperava, que o dentes estavam a forçar "a sua emersão" e estavam a rasgar a gengiva. Para piorar, o espaço é muito limitado e os dentes são demasiado grandes para um maxilar tão pequeno. Uma das raízes, a do dente esquerdo, para cúmulo, é torta e está mesmo ao lado de um nervo. Esse, muito provavelmente, vai ter que sair, e talvez o outro siso de baixo também. Mas vamos aguardar mais um pouco, para só mexer se e quando for mesmo necessário, porque seria tirar o dente esquerdo vai ser "o cabo dos trabalhos".

Depois do susto, que de certa forma eu já esperava, a dentista esteve então a ver toda a boca e a fazer uma rápida destartarização (e a tirar um resquício de cola que ainda tinha num dente da frente). Advertia que, depois de achar que a minha boca tinha sido assaltada por alguma infecção, que há "alturas no mês" em que a gengiva incha que é uma coisa doida. Ciclos hormonais. Então, para prevenir o sangramento da gengiva, sobretudo "nessas alturas do mês", ela deu-me uma amostra de uma pasta de dentes toda xpto. A bisnaga veio com uma advertência: "o sabor não é nada agradável, mas vai fazer-te bem". Tendo em conta que eu acho que todas as pastas e elixires dentífricos têm um sabor de brandar aos céus e que quase me fazem vomitar sempre que tenho que os usar (excepto os de criança com saber a laranja no Lidl ^^ ), pensei cá para mim que não podia ser assim tão mal.

É mesmo muito mau. É mil vezes pior que o sabor a menta dos produtos do género. O elixir horroroso que tenho é um deleite para o palato comparado com aquilo. A consistência é inexplicável, parece borracha. E pior, sabe a borracha. Por momentos, pensei que estava a lavar a boca com petrólio ransoso com um toque de menta de péssima qualidade, provavelmente contrabandeada de um país da Ásia. Queixei-me ao Moço e, em resposta, tive uma piada. Quanto terminei o "ritual", fui para a beira dele no sofá e disse-lhe qualquer coisa. "Não é assi... CA CHEIRO HORRÍVEL!". Pois, afinal tinha razão. Bochechei com o elixir para tentar nimorar "os estragos". Faz-se o que se pode.

Curiosidades sobre a pasta de dentes Parodontax®:
  • A bisnaga diz "extra fresh". Só se a "frescura" é sinónimo de "produto dentro do prazo de validade".
  • Acabei de reparar que a amostra não tem prazo de validade
  • Um dentífrico "inofensivo" não vem com instruções de uso, muito menos, as seguintes: "SIGA SEMPRE AS INSTRUÇÕES DESCRITAS NA EMBALAGEM. Escove os dentes duas vezes por dia e não mais do que três. Evite engolir e cuspa. Não utilizar em crianças com menos de 12 anos. (...) Mantenha fora do alcance das crianças. Caso ocorra irritação, descontinue o uso da pasta." (A frase a negrito está igualmente destacada na bisnaga); ou ainda "pode ser usado todos os dias".
  • Os ingredientes incluem extractos de várias flores, bicarbonato de sódio, álcool, glicerina e um ou outro polímero lá para o meio escondido.
  • Os fabricantes da pasta de dentes são de Inglaterra, mais propriamente de... Middlesex. Tinha que partilhar. O Billy Idol é de lá. Se são demasiado novos ou distraídos para saber quem é o senhor, fachabori de carregar aqui.

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Sou um acidente ambulante, ou como me untei num quente dia de verão

Às vezes dá-me para me lembrar de cada coisa... =P

Como já devem ter notado, tenho um problema craneo-encefálico grave. Aliás, tenho vários. Um deles consiste em, assim que me aproximo de um parque infantil, não conseguir conter-me e lá vou eu como uma seta para os baloiços e os escorregas (excepto quando estão lá miúdos, se a coisa estiver deserta… seta).

Pois bem, um belo dia de verão, fui passear pelo parque aqui perto, onde tem... pam pam pam! um parque infantil, claro está. Estava um calor monumental, e as estruturas do parque, que são de metal, ferviam como um caldeirão de sopa no inferno. Subi as escadinhas do escorrega e, para meu espanto, aquilo era mais estreito do que estava à espera. Afinal não sou assim tão minorca como achava… claro que há sempre a probabilidade de agora fazerem os parques infantis em tamanho mais pequeno. Só pode mesmo ser isso. Lá me enfiei no cimo do escorrega, meia espremida, e dessa forma, com os cotovelos colados ao lados do escorrega que estão lá para a canalha e os adultos-sem-actividade-craneana-suficiente-para-que-a-coisa-funcione-decentemente não caiam que nem tordos da estrutura abaixo. Enquanto descia e me projectava para o infinito (tenho mais peso que as crianças que normalmente se escorregam por lá, ou seja, mais balanço), o que aconteceu assim de forma totalmente inesperada?!!? Raspei os cotovelos todos nas paredes do escorrega. Só alguém como eu seria capaz de não perceber que isso ia acontecer.

Raspanso a alta velocidade em chapa a ferver ao sol é uma coisa hilariante. Um cotovelo nem ficou assim muito mal, mas o outro ficou todo queimado. Não me lembrava de ter uma marca do género há anos. Sempre fui daquelas crianças que são encorajadas a brincar quietas, para não cair, não esfolar nada, não incomodar, não sujar a roupa... essas tretas. As dores resultantes desta maluquice não foram nada simpáticas, afinal, eram de queimaduras, e eu sem pomadas ou coisas equivalentes para o efeito. Até que me lembrei que tenho em casa uma coisa que raramente uso: geleia real. Tenho algumas da Oriflame, de vários aromas. Aquilo é basicamente um creme gordo, feito à base de cera de abelha e óleos vegetais, super concentrado, para os locais mais secos do nosso corpo (ou naqueles que quisermos =P). Meus amigos, foi um milagre! Untei a zona flagelada... e as dores passaram q.b. e as queimaduras cicatrizaram bastante bem. Foi assim uma coisa que me passou de esguelha na mona, mas felizmente fez efeito, e que bom efeito!! Agora, quando me queimo a cozinhar, marino o local chamuscado com geleia real, e pronto!

E o que é que aprendemos hoje? Não voltar a "abrir as asas" em escorregas de chapa que dão para cozinhar bifes. Em caso de descuido, untar a zona com consistência de coirato queimado com geleia real, e seguir caminho de encontro à estupidez seguinte.

terça-feira, 22 de setembro de 2015

Vizinhos de Belzebu, Vol. VIII - Quando o problema é outro

Como sabem, mudei-me para um prédio em que, a maioria dos moradores, são estudantes universitários. Claro que, aquando da escolha para O Covil, tinha perfeita noção que me iria encontrar mesmo "no foco" da festança: com diversos estudantes como vizinhos, e "em cima" de alguns locais de divertimento nocturno/bares, o silêncio não ia imperar pelo local. Mas, como sabem, lá me mudei. Não posso dizer que estou descontente com o novo poiso, mas há alguns aspectos que queria partilhar convosco.

Sim, alguns estudantes são barulhentos e outros não. Os moços do apartamento do lado gostam de pôr música de engate para as moças (não sei se convidadas, se as vizinhas da varanda da frente...), a um nível de decibéis indesejável mas, chegadas as 22 horas, ninguém os ouve mais. Não vou dizer que gosto das músicas que põem a tocar, porque não gosto, mas há que saber ser tolerante. Um dia poderei ser eu a fazer algum barulho/dar um jantar mais animado/pôr a máquina a lavar tardiamente para aproveitar o coiso biorário, e não quero criaturas penduradas em mim, a chatear-me a mona, dois minutos depois. Afinal, são músicas de engate. Claro que se fosse eu a meter Skid Row, independentemente das horas, já sei que iria aparecer alguém (não necessariamente estudante) a queixar-se do barulho, dos pulsos cortados, da adoração do diabo e dos sacrifícios de galinhas pretas... mas adiante. O meu problema não são os estudantes, os dias de arraial (como hoje, mas que desta vez não será aqui na zona), as quartas-feiras académicas, os moços a enganarem-se a tocas à campainha e coisas que tais.

O meu problema são os vizinhos de cima: um casal que, quando se ouve, é em altos berros e com conversas de lavar roupa suja.

Logo nos primeiros dias depois de instalada, houve semelhante berrume que eu acho que andou tudo pelo ar. Não consegui perceber a maior parte da conversa (é uma das desvantagens de ouvir mal), mas foi uma discussão e pêras. Ela guinchava de nervos e ele lhe respondia, e passo a citar: "cala-me a p*ta da bocaaaaaa!!". O resto era barulho de coisas a andar a rasto ou assim e, provavelmente, uma pêra. Eu não consegui perceber, mas o Moço acha que ela apanhou uma estalada ou coisa assim. E tal como começou, a discussão parou. Mais ou menos uma semana depois, aconteceu algo parecido, mas com menos intensidade. Durou uns cinco minutos, desta vez sem fruta (pêras, o futebol não é para aqui chamado =P ) e não conseguimos perceber se eram as mesmas pessoas. Este incidente conta apenas como meio, portanto.

A noite passada, acordei por volta das quatro da manhã, com a mulher aos berros novamente: "Nojento! És um nojento! Nojento! Que nojo! És um nojento, nojento! És um nojento! Porco! És um porco! (Qualquer coisa imperceptível) de quatro! Que nojo! Nojento!". E depois silêncio. Passei algum tempo hoje a tentar perceber o que aconteceu (especialmente onde é que o "de quatro" encaixa nesta história). Percebi que, muito provavelmente, não quero descobrir.

Dois incidentes e "meio". Se voltar a acontecer e perceber que está "a haver molho", podem ter a certeza que chamo a polícia. Quanto ao mais, vou seguir um sábio conselho: usar a vassoura para bater no tecto. Para além do barulho, que não é nada agradável, a situação em si mesma é simplesmente ridícula.

Ao menos os arraiais vêm com bifanas incluídas.




Para verem o post do Moço sobre o assunto, fachabori de clicar aqui.

Para lerem os volumes anteriores destas crónicas, fachabori de clicar aqui.

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

When you're just living your life =P

Estou a ficar seriamente preocupada.

Este mês, as minhas contas em redes sociais têm sido invadidas de fotos e notícias devastadoras: é só pessoal a casar. Não vou mentir: abomino a instituição do casamento (por questões pessoais, ainda que não seja contra quem o faça. Cada um sabe de si, e eu sei que não quero casar). Desde muito nova que tomei a decisão de que "casar" não é assinar um contrato. Como a minha avó muito sabiamente diz, não é num papel que se vai encontrar amor. Mas, de novo, esse é um passo que cabe a cada um decidir se está preparado para dar ou não, e quem está de fora só tem que aceitar, quer a decisão seja positiva ou negativa.

A questão que eu coloco a mim mesma, depois de uma pandemia de fotos de amigos e colegas que ficaram noivos, que casaram ou que foram aos casamentos de outras pessoas, tudo isto em poucos dias, é a seguinte: (palavrão) já tenho 25 anos.

É assustador quando dás por ti e vês que, à tua volta, está toda a gente a dar o nó (alguns, talvez, ali pela zona do pescoço... =P ) ou muito perto disso. É um misto de sensações. Por um lado, percebes que já és adulto e que ainda vives como se fosses um miúdo, e isso é bom, porque o que importa realmente é ter um espírito jovem; por outro lado, é como se fosses ficando para trás. Ainda há uma grande pressão social e familiar, na generalidade, sobre a ideia de, chegando a uma determinada idade, a ordem natural das coisas ser casar ("ajuntar" não, apesar de já ser encarada como uma coisa "aceitável", quanto mais não seja porque é mais barato - assim ao estilo tuga hipócrita), ter filhos e todas aquelas coisas que os nossos pais fizeram, talvez até mais novos do que nós.

Certo é que, para aqueles que decidiram e puderam estudar até mais tarde, e investir numa (possível) carreira, tudo isso fica para mais tarde. Mas ainda assim, não deixo de ter 25 anos e, à minha volta, o círculo de amigos/colegas/conhecidos transfigura-se de uma forma assustadora: para os que já terminaram ou estão para terminar a sua formação académica/profissional, o próximo passo é estabilizar... e isso significa casar e ter filhos. Aqueles que decidiram ficar pela escolaridade mínima obrigatória... já têm família. Se assim não for, lá começam as perguntas inconvenientes do "e para quando o casamento?" ou "com essa idade já podiam 'mandar vir' um menino!" e outras tretas que tais. Continuo-o a olhar para mim ao espelho, e ver que não tenho idade para essas coisas. Respeitem a minha opinião, sim? Não tenho pachorra. Já me basta ver fotos de copos de água, e eu toda fogo-de-artifício por ter comprado uma t-shirt de Star Wars.

Devia ser proibido crescer.

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Quando o telefone toca...

Não, não vou falar de telemarketing. Era coisa que dava pano para mangas, mas hoje vou falar-vos da minha experiência como telefonista. É verdade. Lá no escritório já tivemos um senhora que fazia todo o trabalho de secretariado, mas depois de se reformar, ficámos nós a atender o telefone "à vez" e cada um trata das suas cartas e afins.

Já me aconteceu quase de tudo. Vou registar aqui alguns exemplos. Em todas as situações retratadas, a primeira fala é minha, é só seguir a sequência.

Situação 1:
- Escritório de Advogados, bom dia.
- Estou a falar com a Dona XXXXX (que era a senhora da secretaria)?
- Não, daqui é...
Pi pi pi pi pi pi pi (a.k.a. a pessoa desligou-me a chamada na cara).


Situação 2 (com uma funcionária judicial, depois de ter passado por outras duas que não me queriam sabiam resolver o problema):
- Estou a falar para o Tribunal de XXXX, Secção XXXX?
- Sim.
- Estou a falar do escritório XXXXXX, e precisava de uma informação sobre um processo. Será que me podia ajudar?
- Diga o número do processo.
- Ora, é o processo XXXXXXXXXXXX.
- E o que é que quer?
Lá expliquei à pessoa, provavelmente mais que uma vez, já não me lembro bem da conversa, mas sei que passei uns 10 minutos a ser mal tratada por telefone. Sei que precisava de alguma coisa que a pessoa não queria dizer ou fazer. Foi uma luta. Entretanto houve qualquer coisa na conversa que, para a funcionária, não estava a "bater certo" e então perguntou:
- Com quem estou a falar? É a empregada?
- Sou colega.
- Oh Sra. Dra.! Bem... vamos fazer o seguinte ... (E pronto, assunto resolvido, mas por especial favor! Pois.)


Situação 3 (hoje de tarde):
- Escritório de Advogados, boa tarde.
- Estou? Queria falar com a Dra. XXXXXX
- Neste momento a Sra. Dra. não está no escritório.
- É que eu precisava de falar com ela, é muito urgente!
- E é a Dona...?
- Sou cliente dela.
- Sim, mas eu preciso de saber quem é para poder informar a Sra. Dra. quando ela chegar.
- Diga que é a Dra. XXXX, ou só XXXX, também dá.
- Ah, Dona XXXXX, como está? (Já tinha ouvido falar dela).
- Desculpa, mas com quem estou a falar?
- Com uma colega de escritório.
- Oh Sra. Dra.! Já me lembro de si! (Acho que nunca a vi na vida...) Como está?! Olhe, desculpe, não a estava a conhecer... Mas o que se passou foi o seguinte... (e o resto da conversa foi tudo o que de bom e afável que há no mundo).


Gostaram? Eu também. Adorei cada uma delas. E isto é apenas um exemplo. Também já apanhei telemarketing no escritório, mas esses despacho-os bem quando digo que não sou a pessoa responsável pela coisa. Mas o que mais me dá comichões nas entranhas é mesmo saber que só me tratam como uma pessoa quando percebem que sou "senhora doutora". A falta de educação é uma coisa muito triste, não haja dúvida... mas pronto, uns morrem, outros ficam assim. Vai dando para rir.

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Fui ali dar uma volta e já venho

A Nightwisha Maria não gosta nada de acampar. Por isso, a Nightwisha Maria vai acampar e só deve estar de volta lá para domingo.

Com, verdadeiramente, duas semanas de férias, que têm sido passadas ora dentro de casa, ora à mesa com a minha avó a encher o bandulho de comida, posso dizer que não tinha grande possibilidade de fazer alguma coisa digna de nota a que pudesse, efectivamente, chamar de férias. Por isso, eu e o Moço vamos acampar num festival, onde não se paga nada. Exceptuando o consumo de comes e bebes dentro do recinto dos concertos, como é óbvio, a entrada e o acampamento são gratuitos, daí que, mais vale isso do que nada.

Isso não significa que eu goste de acampar, porque não gosto.

Já estamos a preparar as mochilas, a comida, os produtos essenciais, e o espírito, visto que não vamos dormir durante uns três dias. Já sei que vamos vir mais cansados do que formos, cheios de picadelas de mosquitos ou todos encarquilhados da humidade, dependendo se estiver sol ou se chover a potes. Está mais virado para a segunda opção, mas eu quero lá saber: vou mesmo acampar para o meio do monte, independentemente das alergias, do animaledo e da chuva. Pelo menos há água quente para se tomar banho. É aproveitar, que segunda-feira já começa o trabalhinho outra vez!

Por isso, aqui vou eu. Vemo-nos daqui a uns dias =)

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Aqui também se dão dicas, quando calha =P

Como uma grande parte da população mundial, de vez em quando surge-me uma infecção no lábio, comummente conhecida por herpes labial). Quando era miúda era um tormento, mas com o passar dos anos, são raras as vezes que sou acometida desta chatice de forma natural, ou quando tenho febre.

Há algum tempo atrás, reparei numa pequena protuberância no lábio inferior, mas como tenho o estúpido vício de morder as peles dos lábios, não dei grande importância. Ainda assim, o tal “altinho” era precisamente no sítio onde sempre tenho herpes, e fiquei desconfiada. Mas já era de noite e eu estava a encaminhar-me para o vale dos lençóis, daí que não saí para comprar medicamento para uma coisa que eu não tinha a certeza do que era. Como era um sábado, pensei que na segunda, quando fosse para o escritório, aproveitava e passava numa farmácia caso a suspeita se confirmasse, para não ter que sair de propósito de casa no dia seguinte.

No domingo acordei e tinha a beiça em estado de sítio. Sabem aqueles ratinhos de laboratório que lhes enxertam coisas para ver se eles assimilam os implantes no organismo?! Parecia que me tinham feito o mesmo e posto uma bola de ping-pong no lábio. Obviamente, não saí à rua naquela triste figura, mas também não sabia o que fazer da minha vida. Então, tentei pensar de forma lógica: o zovirax é uma coisa relativamente recente, mas o vírus do herpes sempre existiu. Tem que haver alguma forma "mais ou menos caseira" de combater a infecção. E daí fui à internet e descobri um segredo fantástico: detergente de lavar a loiça.

Ok, agora estão a pensar que snifei cola e que estou passadinha da pinha. Mas a verdade é que resulta mesmo! Coloquei um pouco de detergente na zona infectada algumas vezes por dia (não, não é para engolir!! Se bem que, às vezes, acontece e até dá para lavar a boca =P ), e os agentes secantes do detergente trataram de secar/queimar o herpes. Fiz isto umas 3 vezes durante o dia e, à noite, a bola de ping-pong “abriu” e praticamente toda a infecção foi extraída. Claro que, durante os dois ou três dias seguintes, a marca estava lá, mas seca e prontinha a desaparecer, como se fosse apenas uma ferida comum a cicatrizar. No caso de a bolha causada pela infecção não rebentar, o processo torna-se mais moroso, e acredito que cada pessoa reaja de modo diferente a este “medicamento caseiro” como acontece com os de laboratório. Serve tanto para as meninas como para os meninos, que o Moço já experimentou e também fez efeito =P

Experimentem. Se for nos lábios. Se for noutros sítio… é melhor não =P


sábado, 8 de agosto de 2015

Mudanças

Vim viver para Braga há sete anos. Na altura era uma "recém-adulta" acabadinha de sair do forno, com 18 anos, caloira e as únicas ocupações domésticas que sabia fazer eram comer e dormir. Não sabia cozinhar, porque em casa havia o seguinte mote: se "a menina" mexer no lume, queima-se; se "a menina" mexer numa faca, corta-se; se "a menina" se empoleirar num banco para resgatar uma coisa, cai e esparrama-se toda no chão. Ou seja, até ali existi na minha passividade de clausura em redoma de vidro. Não conhecia nada, porque nunca tinha tido "autorização" para sair da minha bolha. Se vissem "a parvinha" que eu era, a olhar para um admirável mundo novo ali, na eminência de acontecer... morreria de vergonha.

Fui então "depositada" por cá, num T2 com mais três raparigas que conheci na fila para a matrícula, onde dividia-mos os quartos. Éramos todas caloiras, e desejosas de conhecer o mundo. Os meus pais vieram comigo conhecer "os cantos à casa", e foi aí que a sua intervenção ficou. Mesmo sabendo que eu desconhecia essa arte feiticeira de cozinhar, tinha sempre duas opções: aprender sozinha ou esperar que alguém cozinhasse por mim, já que ficou bem esclarecido que não iam haver "aulas" da dita arte feiticeira em casa, e muito menos tupperwares de fim-de-semana congelados. Esse ano passou e, como seria de esperar, duas das minhas colegas foram viver com outras pessoas dos seus cursos e uma decidiu que lhe compensava ir e vir todos os dias visto que não morava muito longe. Sobrei eu.

Então tive que procurar uma nova casa. Tive um acidente de percurso (nunca mais duvidei do meu instinto depois disso, e comecei a confiar piamente no que ele "me diz") e fui para uma nova casa. Aprendi a cozinhar, a mexer em máquinas de lavar e como mudar botijas de gás. Fiquei nesse apartamento durante três anos, até aparecerem duas bodalhocas imundas e sem qualquer tipo de educação "criaturas" (ver ou relembrar situação da Entidade com menstruação aqui; saber ou relembrar quem é a Entidade aqui.). Mudei-me então para a casa onde estou agora, partilhei-a com uma louca durante quatro meses e com uma rapariga super fixolas durante dois anos. Este último que passou estive sozinha na casa, muito embora outras pessoas a tivessem visitado, porque, essencialmente, é um "buraco": entre coisas estragadas, inexistentes ou a cair, sobra muito mas muito pouco. No entanto, foi o mais barato que encontrei e... dinheiro teve que ser.

Apesar das parcas condições da habitação, a coisa foi-se passando, até ao momento em que o frigorífico deixou de funcionar. Alertei a senhoria, e a resposta que tive foi: vou-te aumentar a renda e o frigorífico logo se vê, que não tenho dinheiro nem disponibilidade agora, e só contigo na casa, não me sobra nada. Devo lembrar os leitores incautos que, se apenas cá resido eu, é por inércia da dona, que não faz obras e tem tudo bolorento, incluindo as paredes dos quartos livres que, por não estarem a ser "usados", têm humidade suficiente para uma ou várias culturas de bicharada. Para não falar nas portas dos armários que me caem em cima dos pés, dos electrodomésticos que, ou não existem ou não funcionam, na instalação eléctrica da casa de banho que não funcionou durante dois anos porque a ligação tinha sido feita com fio de telefone (não sei como não ardeu a casa toda connosco lá dentro), e por aí fora...

Agora tenho que mudar. É uma imposição da senhoria, à qual paguei, durante três anos, todas as minhas obrigações, sem falta. Há um mês que procuro novo poiso, mas o arrendamento subiu muito nos últimos sete anos. Não condeno quem investe num apartamento com tudo do melhor, e depois queira o devido retorno, mas tendo em conta o sovina que tenho em casa e que infelizmente ainda me paga as contas, tudo é caro. Tenho até ao final de Agosto para mudar e não tenho nenhuma perspectiva. Os quartos mais baratos são "em cima" dos bairros problemáticos, e eu não tenho intenção de ficar com as tripas de fora ou coisa do género. Há ainda a possibilidade de ir para um pequeno apartamento, mas... dinheiro. Gostava de mudar com o Moço, mas é quase impossível encontrar um apartamento em que aceitem um casal num quarto e, uma vez que ele ainda não conseguiu emprego, está ainda mais difícil. Se bem que tendo em conta que alguns T1's não são muito mais caro do que um quarto singelo, numa casa cheia de gente, com a qual me posso vir a dar mal, talvez compensasse, pelo menos em descanso. Bem sei que nem todos os estudantes são porcos bêbedos, eu própria não o era, mas é um risco demasiado grande e eu não me posso dar ao luxo de acordar às três da manhã só porque partilho casa com gente sem respeito. Mas... dinheiro. Arranjar um part-time é-me extremamente difícil visto que estagio a semana inteira, sem possibilidade de remuneração porque a minha ordem profissional não deixa, e assim permanecerei por, provavelmente, mais um ano e qualquer coisa, e aos fins-de-semana seria complicado porque tenho que ir a casa de vez em quando (a bolha ainda existe, aparentemente... esta sou eu, com 25 anos).


Ainda assim, comecei a "empacotar as coisas". E já parece um dos 12 trabalhos de Hércules. Já me tinha esquecido que mudar de casa era tão mau. Parece que aparecem coisas vindas de todos os sítios e hipotéticos buracos. Só aí uma pessoa vê a tralha que tem. Ao fim de sete anos, é espectável que já se tenha uma "casa montada" e não se viva com o meramente essencial à sobrevivência. Por este andar, as minhas férias vão ser procurar casa até à última e ensacar as minhas coisas. Nada de passeios, conhecer sítios novos ou descansar.

Depois de este post demasiado longo (nem sei como têm paciência para ler isto tudo...!), percebo como é fácil reduzir/desconstruir uma pessoa num punhado de sacos e caixas de cartão, mas que é difícil voltar a montá-la como uma pessoa inteira. Que há sempre alguma coisa que acrescentámos "à tralha", porque há sempre alguém que esteve naquele local antes de nós, e deixou alguma coisa esquecida para trás. E que há sempre alguma coisa que deixamos esquecida para trás quando "andamos em frente" que, muito provavelmente, irá acrescer "à tralha" de outro alguém.

sábado, 1 de agosto de 2015

Just another day in the world =P

Acho que já posso dizer que estou de férias. Quero dizer, mais ou menos =P Ainda tenho algumas coisas para fazer no escritório, mas podemos dizer que é "trabalho residual". Vou ter mais tempo para descansar e não fazer nenhum, que também é preciso(!), aproveitar para descontrair, dedicar-me à leitura, ver umas séries, jogar umas coisas, e também ver casas para mudar, visto que tenho que sair de onde estou até ao final deste mês.

Já agora, ontem ao vi nenhuma lua azul. Nem Smurfs. A lua estava tão branquinha de tão desbotada, que até o sinal luminoso do INL (International Iberian Nanotechnology Laboratory) que é "meu vizinho", pelo menos por enquanto, estava mais azul que a lua. Se abriram o link acima, conseguem ver que o logótipo dos moços nem sequer é azul, por isso acho que perceberam o que eu queria dizer. Lua azul... Publicidade enganosa, é o que é! =P

E pronto, como vêem, nada de interessante tem acontecido para estes lados. Mas amanhã já conto que seja diferente, porque eu e o Moço vamos a um evento, o Central Comics Fest 2015, que se realiza este fim-de-semana, no Porto, mais concretamente na Casa das Artes. Não deu para ir hoje, mas amanhã ainda é dia! =) Infelizmente não consegui terminar nenhum dos fatos que tinha programado, mas entretanto terminei outro relativamente mais simples e que vos mostrarei amanhã, com um apanhado do que se irá passar por lá. Se também forem, avisem! Talvez nos encontremos ^^

Divirtam-se! =)