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terça-feira, 17 de março de 2015

Porque desmaiar com estilo é uma arte

Sou pessoa de passar a vida a tropeçar nos paralelos da rua, nos móveis, nos sapatos perdidos no meio do corredor e até nos próprios pés. Escorrego no chão de madeira, nas escadas e na banheira. Mas felizmente, é muito raro cair (a minha carteira agradece, que partir dentes e óculos está fora do Orçamento de Estado da Pseudo-República da Minha Casa). Cair é coisa corriqueira, acto que qualquer moçoila executa com relativa frequência. Desmaiar é coisa de diva. Só desmaiei uma vez na vida, mas acredito que tenha valido por dez.


Véspera de passagem de ano, 2012

Depois de jantar e de preparar a mala para, no dia seguinte, voltar a Braga, para ir trabalhar e passar o Reveillón com o Moço, estive a fazer tempo ao computador até chegar a hora do alegre soninho. De repente, assim completamente do nada, senti uma vontade absurda de vomitar (e eu que nem sou "dessas coisas"). Nem tive tempo de chegar à casinha e aqui terminam as minhas descrições extremamente gráficas. Tentei comer qualquer coisa para compensar o que "lá fora", mas o meu corpo repelia, por todos os lados (não me façam explicar), tudo o que ingeria. E nisto a minha mãe solta o alarme: "Tens que ir ao hospital levar soro. Isso deve ser uma gastroenterite". Naquele instante, acho que fiquei curada, mas infelizmente esse estado de plenitude não durou muito tempo. Enquanto imagens de agulhas a virem na minha direcção me deixavam mais desidratada do que já estava, ouvia o meu pai rugir que eu era uma gulosa e que tinha sido a minha alarvice de comer tudo o que vira no natal me tinha deixado naquele estado, completando que no dia seguinte não ia a lado nenhum, que quem mandava era ele e que o trabalho pendente e a passagem de ano com o Moço "já eram", sem possibilidade de negociação. Eu com uma gastroenterite e ele preocupado com o "seu poder". Cada um com as suas prioridades (viram a referência lá em cima sobre a pseudo-républica?!).

Chegados ao hospital, eu e a minha mãe fomos ao check in, enquanto o meu pai foi estacionar o carro. Enquanto ela falava com a senhora administrativa, carregando as carteiras das duas, eu limitei-me a encostar o corpo ao balcão e a cabeça ao vidro que separa os intervenientes. De repente, deixei de ver, graças à fraqueza que a gastroenterite tão prontamente me proporcionou. O meu pensamento seguinte foi: vou estatelar-me no chão.

Cair em slow motion faz toda a diferença. Mesmo antes de desmaiar, ainda disse à minha mãe "acho que vou cair...", enquanto, contou-me ela depois, já estava eminentemente em cima dela. A última coisa que me lembro é da administrativa a bater com um porta-chaves no vidro, e eu, com as minhas funções cerebrais (de qualidade duvidosa) ainda em funcionamento, pensei: "Eu aqui quase a desfalecer e a burra a bater-me no vidro?! Deve pensar que assim 'acordo' mais depressa...". Posteriormente, vim a saber, também pela minha mãe, que o repique no vidro era para os dois bombeiros que estavam ao meu lado e que não repararam em nada, já ela estava como cristo, de braços abertos, com as carteiras das duas e a filha "apagada" estilo saco de batatas em cima. Foi preciso o porteiro, a metros de distância, vir a correr para ajudá-la.

Entretanto comecei a ouvir sons e, quase ao mesmo tempo, a sentir as orelhas quentes. Foi a primeira coisa que senti de forma física. Nesse instante, lembrei-me de uma amiga dizer que esses são os primeiros "sintomas" pós-desmaio. A minha função cerebral é um espanto. Depois pensei: daqui a nada já consigo ver, enquanto constatava que me encontrava em movimento e com a boca seca (quando o porteiro me colocou na cadeira de rodas de emergência que têm na entrada, devo ter aberto a boca e ninguém teve o cuidado de ma fechar... --'). O que é que fiz quando "voltei totalmente a mim" já no corredor das urgências? Comecei-me a rir, tentando imaginar as figuras tristes que tinha feito. Estava quase curada, "portantos", mas não me safei do soro. A maneira vergonhosa como me portei frente à enfermeira de serviço não é para aqui chamada, mas tenho que dizer que a senhora foi muito paciente comigo (já deve estar habituada aos "clientes" com pânico de agulhas, suponho). Enquanto isto, o meu pai permanecia na sala de espera, onde reapareci com fénix albina renascida das cinzas, com soro no bucho e a receita algures perdida na carteira tamanho XL da minha mãe. A sua primeira pergunta foi, muito carinhosamente: "Pagaste as taxas moderadoras?!" (A resposta negativa, porque nessa altura ele não tinha deixado passar o prazo de renovação da isenção, acalmou-lhe o coração sobressaltado. Se ele tivesse assistido ao show que dei gratuitamente, teria cobrado bilhetes para compensar o valor da gasolina gasta.)

Meados de Março de 2015

Não voltei a repetir a proeza.

quarta-feira, 4 de março de 2015

Vem cá doida agulha...

Não são só azarices que me acontecem. As coisas estúpidas também têm a sua parte.

Há uns tempos comprei um casaco - nada de fantástico... exceptuando o facto de que esta peça fazia parte da colecção de criança e tem escrito na etiqueta, "158 cm - 13 years". É quentinho e tem um corte meio colegial, meio militar, com imensos botões, daqueles que parecem ter um brasão impresso no metal. E é aí que reside o meu "problema": os botões estão sempre a cair.

Não importa de que maneiras eu coza aqueles benditos botões, ou com que marca de linha use. Passado uns dias, ouço um tilintar de metal na rua, e já sei que, quando chegar a casa, tenho trabalho de Menina Alice à espera. Acho sinceramente que o problema está no corte dos botões, que não deve ser sido bem feito, e que poderá ser alguma aresta viva no buraquito por onde passa a linha, e que acaba, inevitavelmente por rompe-la sempre (diz a minha mãe que é muito sabedora nestas artes, ao contrário da filha que, efectivamente, só sabe coser botões). Por isso não, a culpa não é da Nightwisha Maria costureira, que termina a lide com os dedinhos mais picados do que um diabético. Não há vez nenhuma que não me esburaque, qual queijo suíço, a coser botões, estes ou quaisquer outros. Sou um desastre prestes a acontecer com um estojo de costura na mão.

Preciso de uma varinha mágica que cosa botões com um simples abalar luminescente. Afinal, a Fada Madrinha puffou (do verbo to puff, brevemente "algures" num priberam mais próximo) um vestido inteiro para a remelenta da Cinderella, e eu só quero fazer dançar umas linhinhas. Alguém sabe onde se compra tamanha iguaria magical?!

Mas vá, ao menos é uma desgraça que dá para rir. Vou ali comer um chausson de maçã ^^

terça-feira, 3 de março de 2015

Cake will bring world peace

Preciso de quantidades insanas de açúcar no sangue.

Digam o que disserem, nos maus momentos, um docinho cai sempre bem. Não vai fazer o problema desaparecer, e pode nem ajudar a solucioná-lo, mas pelo menos faz-nos as pessoas mais felizes no universo durante os minutos que o seu sabor durar na nossa boca.

Já devia ter percebido que, tendo em conta o resultado (vergonhoso da minha parte) da partida de Monopoly de hoje à hora de almoço, que a coisa não podia melhorar da parte da tarde. Não melhorou, pois claro. Tem-me acontecido cada uma nos últimos tempos, que só me faz pensar que "joguei pedra na cruz"...

Mas ao menos aquela última fatia de bolo de chocolate super calórico não vai fugir do frigorífico até eu lhe deitar a unha, ou o dente, vá. Ou pelo menos assim o espero. Há coisas levadas da breca, por isso mais vale não falar muito... o Moço anda por aí. Pode lá chegar primeiro que eu!

Acho é desta que esvazio o stock de doces da casa. E acreditem, tenho mais doçaria aqui que a fábrica de chocolate do Willy Wonka. Mas que se lixe. Doces e pensar o quão feliz fui na Comic Con fazem-se sorrir, mesmo nos piores momentos. Posso ficar um pote, mas fico um pote "mais forte". E há sempre personagens mais rechonchodinhas para fazer cosplay anyway.

Sim, no fim lavo os dentes.

domingo, 1 de março de 2015

Resistir

Não foi desta que se viram livres de mim.

Infelizmente, mais por motivos pessoais (os outros motivos também não ajudam, mas não são os "piores"), não tenho tido tempo, paciência ou até vontade de vir deitar as orelhas de fora por estes lados. Há alturas em que simplesmente queremos estar desligados de tudo e todos, para assentar ideias, dormir sobre os problemas, ou simplesmente dar-nos uma folga do mundo. Só não dá mesmo é para deixar de trabalhar, o que, de certa forma, nos esvazia a mente de quaisquer problemas e que ficam na porta do escritório.

No entanto, não deixo de lembrar aquilo que, há uns tempos, e pelos mesmos motivos a Ice Queen (you've been missed!) publicou antes da sua própria sabática: resiliência.

Apesar de todos os problemas, sejam eles quais forem, continuo todos os dias a levantar-me para trabalhar mais do que a conta e dos agradecimentos devidos e não devolvidos. Continuo a aturar as loucuras de pessoas, familiares incluídos, e ter que ser a única pessoa com alguma coisa que funcione entre as orelhas. Continuo a ter a cargo das minhas costas a subsistência emocional de um lar e de uma família, que o deixou de ser há muito tempo. Continuo a fazer a minha vida, apesar das noites mal dormidas, do cansaço, da loiça por lavar e do quarto por arrumar. Mas é para ser mesmo assim. É como o nosso lema de praxe: resistir é vencer.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Crónicas dos Vizinhos de Belzebu, Vol. VII - O mirone e o "fado do lar"

As traseiras do prédio onde vivo em Braga têm uma vista privilegiada para um amontoado de pequeninas casas velhas, a que chamo de "galinheiro". O nome tem a ver com o estado de (fraca) conservação dos imóveis, não sei se por falta de dinheiro dos donos, se por estes não quererem saber. Para além da única casa em bom estado, que foi restaurada há pouco tempo, a qual é habitada por um casal jovens , todas as outras habitações são de pessoas mais velhas.

É então da minha janela da cozinha, que é enorme e transforma o local em estufa no verão, que vejo as senhoras do "galinheiro", isto é, "as galinhas", a conversar sobre a vida dos outros, em amena cavaqueira, enquanto espreitam para ver o que eu ando a fazer dentro da minha própria casa. Por essa razão, chego ao cúmulo de, depois de correr as cortinas, as prender com molas da roupa, só para não ter que me chatear, porque elas bem se esticam para tentar ver alguma coisa. Imaginem com que cara fico ao explicar aos convidados da casa, a razão daquele aparato. Mas a verdade, é que sempre que me chego à janela, parece que há sempre, pelo menos, uma "galinha", a espreitar.

Na continuação da lateral traseira do prédio, está a lavandaria, apenas separada da cozinha por uma porta de correr que costuma encravar, ao ponto de me conseguir magoar ao mover a dita cuja. Na lavandaria continuam o envidraçado gigante das janelas, mas aí já não existem cortinas. E lá ficam as vizinhas maravilhadas a constatar que eu até meto roupa a secar de vez em quando... E berram, olham fixamente, e nem disfarçam.

Há uns dias, no entanto, "o espectáculo" foi diferente. O Moço ajudou-me a pendurar a roupa (até porque eu não chego às cordas que estão dentro da lavandaria... --' ), e enquanto lha passava, olhando distraidamente para fora, reparei que um homem vinha a descer o "galinheiro", fixado em nós. Agora que penso nisso, quando reparou que eu estava a olhar de volta para ele, o homem até que disfarçou bem, e eu nem dei grande importância ao assunto naquele momento, continuando na minha "lide doméstica". Algumas peças de roupa depois, volto a olhar pela janela, por mero acaso... E lá está o "galinho", do outro lado do passeio, parado, a olhar de forma totalmente descarada... para o Moço.

"Se calhar nunca viu...", disse depois de explicar ao Moço o que se tinha acabado de se passar, já o mirone se estava a dirigir para o "galinheiro" novamente. E ele respondeu "pois, se calhar, nunca viu mesmo um homem a pendurar roupa". Alguém devia explicar a estas criaturas que o tempo da sanzala já lá vai... Um homem não fica rendido por ajudar a mulher/namorada/companheira/mãe/irmã a tratar da casa que ambos usam. Se não gostam, e estão no seu perfeito direito de não gostar, têm bom remédio: virem a cara para o lado. Eu cá fico com o meu "fado do lar".

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Bell ringing is coming...

Há algum plano diabólico em curso.

Não é possível que hoje, sempre que ia à "casinha" no escritório, alguém tocava à campainha. Juro que é verdade. Nem por uma única vez pude o que quer que fosse no wc sem ter que correr com as calças ainda na mão para abrir a porta.

Pior que isso é quando passas quase uma semana para mandar dois faxes, cada um para tribunais diferentes, e nenhum chega ao destino. E os prazos que não se interrompem. Depois, como por milagre, alguém vai ao fax e puff!, lá foi ele.

Mas voltando à história da casa-de-banho, eh pah, não entendo como é que é possível uma pessoa ter um timing tão péssimo (eu). Parecia que as pessoas estavam a espiar-me por detrás da fechadura, à espera que eu me esgueirasse à "casinha", para logo enterrarem o dedo na campainha. Ainda conservo algumas dúvidas se não estariam mesmo a espreitar... Só a mim =P

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Fresquinho

Não sei se é da minha cabeça, mas acho que, quando eu "não estava a olhar", operou-se assim uma coisa qualquer durante um nano-segundo e puff!, o mundo transformou-se num cubo de gelo. Ou então fui transportada para um plano paralelo, em que tudo o resto se manteve igual, excepto o "fresquinho soviético" que se faz sentir. Ainda não decidi.

Por momentos, ao olhar pela janela, tive a sensação de ver um urso polar a passarinhar lá fora. Mas admito que tenha sido um momento de delírio provocado pelo frio intenso.

Uma coisa é certa: este frio de rachar enrigesse as carnes. Mas eu prefiro outro métodos que não o congelamento de algumas partes do corpo. O meu fiel companheiros das noites frias tem sido a minha botija de água quente com um saquinho de vaquinha (que o Moço é companheiro fiel de todas as estações, não sejam perversos!). Mas nem ele, a quantidade astronómica de roupa polar que eu coloco em mim e na cama, e ou Moço a ajudar à produção de calor, conseguem aplacar este iceberg.

E com este frio todo, nem neva sequer aqui!! Que desfeita... se é para congelar os neurónios, então que mandem neve para o pessoal brincar.

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

2015: Odisseia nas urgências de um hospital do SNS

A pouco sorte perdura destes lados... mas agora em forma de infecção urinária.

Tive os primeiros sintomas no final do dia de domingo, mas vontade de ir com frequência à "casinha" não é coisa que não aconteça a qualquer rapariga de vez em quando, e por isso não liguei. No entanto, no dia seguinte, a sensação de quase esquartejamento e imolação quando ia à casinha "mudar a água às azeitonas" era de tal ordem, que comecei a suspeitar que algo não estaria realmente bem. Ainda assim fui para o escritório, para ver se a coisa aliviava. Obviamente, isso não aconteceu, e visto que comecei fortemente suspeitar que realmente poderia ter uma infecção, depois da minha horinha fui ao hospital aqui de Braga, mais na desportiva que outra coisa, pensando eu que, ao cabo de umas três ou quatro horas, estaria em casa no quentinho.

Mas não. Esperei nove horas para uma consulta de cerca de 10 minutos, na qual o médico confirmou-me aquilo que eu, o Moço, a minha mãe, a administrativa do check in e a enfermeira da triagem suspeitavam com muita força: efectivamente, era uma infecção urinária. De bónus, durante cerca de metade do tempo da consulta fui insultada, uma vez que o médico que me atendeu não gosta de advogados porque são arrogantes (em especial os mais novos) e dos quais passa a vida a rir. Já era quatro e meia da manhã e, como podem imaginar, não estava para aturar aquelas tretas e claro, respondi-lhe à letra. Lá houve qualquer coisa que o médico gostou que eu disse que e, como por milagre, mudou totalmente de conversa, e já era todo amiguinho e sorrisos comigo, e a dar-me conselhos e mais não sei quê. "Ainda és muito nova para te prenderes a uma profissão. Vai masé por esse mundo fora, arranja uma bolsa e vai passear". Se ele quiser, pode tentar dizer isso lá em casa, para ver o resultado... Ainda bem que os filhos dele puderam fazê-lo, uma vez que têm uma pai rico. Eu tenho um pai mecânico e desempregado.

E foi assim que, por volta das cinco da manhã cheguei a casa, comi qualquer coisa, vesti o pijama e fui dormir. Claro que às 8:30 horas já estava de novo fora da cama para ir trabalhar. Já tenho a medicação e vá, afinal é apenas uma infecção urinária. É que o médico tem turnos e folgas, advogado não tem horário.

Houve, efectivamente, uma coisa positiva: consegui pôr a leitura "em dia" ^^

sábado, 24 de janeiro de 2015

A "Besta" #4 - Os salteadores da tese "perdida"

Sabem aquele sentimento de que tudo o que pode correr mal está a acontecer-vos?! Não é só o Markl que, num supermercado pejado de gente, consegue ser a única criatura a espetar o pé numa sopa que está abandonada no chão da secção de frutas e legumes e, consequentemente, fazer o resto das compras com uma sapatilha de pano azul e outra ensopada em couve de caldo verde. Isso também me acontece, figurativamente. Em relação à minha pequena "besta", acho que já me aconteceu quase de tudo...

A uma semana de entregar a tese, soube que tinha que entregar com a mesma, as declarações dos orientadores a darem a sua anuência nesse sentido. E soube por um qualquer acaso cósmico. Quando pensava que a única dor de cabeça seriam os quase cem euros que ia deixar na reprografia, lá andei eu como uma louca a mandar e-mails e fazer telefonemas para ter as declarações a tempo (tenho dois orientadores, um da Universidade do Minho, para a área de Informática, e outro externo, para a área de Direito, uma vez que a minha academia não tem nenhum docente da área do Direito de Autor). É verdade que podia ter ido ao Porto, mas corria o risco de lá chegar e ainda não estar pronta, e não ia pedir tardes ou manhãs no escritório em catadupa por causa de um documento que podia ser enviado pelo correio.

Entretanto, precisava de dar um últimos toques na "bestinha". Passei a segunda-feira que antecedeu a entrega (dia 31 de Outubro, sexta-feira) a terminar a formatação final da tese para a mandar imprimir. Só por volta da hora de jantar é que consegui finalmente aparecer na reprografia. Como não tinha o programa para formatar a capa e a folha de rosto da “besta” segundo as orientações da academia (aquilo tem uns templates específicos), perguntei aos moçoilos da reprografia se não precisavam de mim por causa dos nomes e do título. Disseram-me que bastava copiar os dados da declaração que vai dentro da tese com todas essas informações e que podia ir embora. Fiquei então de levantar os 6 exemplares obrigatórios encadernados a quente que me custaram os olhos da cara, mais um para mim (mas com argolinhas que é mais fácil de manusear e mais barato) e os dois cd-rom dois dias depois.

No final no dia marcado lá estava eu. Quando me apresentaram as "bestinhas" impressas, nem fui capaz de lhes tocar. Bastou mas meterem à frente dos olhos para perceber que o nome da tese estava incompleto em todos os exemplares. Obviamente, as “bestinhas” ficaram lá, para voltarem a imprimir as capas, descolarem as antigas e colarem as correctas. E eu a fazer contas ao tempo (que aos euros já eu tinha feito). No dia seguinte, quinta-feira, à mesma hora, com o coração aos saltos, voltei ao local. O alívio de estar tudo bem foi maior que o alívio da minha carteira.

Dia seguinte, último dia para entrega e véspera de finados (a ironia é uma coisa que a mim me assiste, e muito), tomei o pequeno almoço, fui entregar as “mini bestas”, mais uns papeluchos que eram necessários e… a cópia das declarações dos orientadores, uma vez que as originais não chegaram às minhas mãozinhas a tempo. Felizmente o pessoal da Escola de Direito facilita nesse aspecto, até porque outros alunos também já tiveram o mesmo problema que eu. Mas consegui entregar tudo o que era necessário e, no último dia de prazo, o meu trabalho estava, por ora, terminado.

O tempo foi passando, e sobre o assunto, apenas recebi um e-mail em Novembro, da Escola de Direito, a comunicar quais seriam os elementos do júri escolhidos para as minhas provas. Por essa altura fui levantar a declaração original do meu orientador de Informática à Escola de Engenharia, e recebi, efectivamente, uma declaração original da minha orientadora de Direito, por correio, ainda que com uma gralha. Foi-me garantido que a Universidade Católica enviaria uma outra rectificada, pela qual ainda espero... Acabei por entregar a declaração com a gralha, mesmo depois do incompetente do funcionário dos CTT ma ter colocado na caixa do correio ensopada em água da chuva, toda amarrotada como um lenço de papel usado e rasgada. Felizmente, na Escola de Direito, só se riram da minha má sorte, e aceitaram a declaração original mesmo assim.

Quando mais nada podia piorar, ontem, ao telefone, fiquei a saber que as minhas provas de defesa estavam marcadas para... 04 de Fevereiro. Sim, supostamente estava a saber com pouco mais de uma semana de antecedência que iria apresentar a "besta", quando todos os outros alunos têm, por regulamento, um mês para se prepararem. Acabei por passar na Escola de Direito da parte da tarde, para tirar a história a limpo. Uma vez que os restantes elementos do júri tinham, entre si, acordado aquela data, faltava apenas a minha orientadora confirmar a sua presenta. O problema é que ela não atende o telemóvel nem responde aos e-mails e, bem... pensaram em dizer-me alguma coisa, para eu ficar prevenida. A senhora da secretaria, é certo, não podia fazer nada de forma autónoma ainda que me quisesse ajudar a resolver a questão, mas perante uma situação destas, saltou-me a tampa. Felizmente, nesse momento, apareceu o director do meu mestrado que, de imediato, disse para se desmarcar as minhas provas, por tempo indefinido, até se arranjar uma solução, uma vez que, apesar de ninguém ter culpa do que se estava a passar, eu iria ser prejudicada a final. Segundo o que ele disse, talvez para Março, quando vier a primavera.

E é isto meus senhores. Está mais difícil terminar este mestrado do que andar a escarafunchar por aí com o Indiana Jones para encontrar o Graal. Ou encontrar um livro na biblioteca da academia que tenha a ver com a área de estudos da minha "besta" e que esteja disponível para requisição.

sábado, 17 de janeiro de 2015

Equal not the same

No outro dia acompanhei uma pessoa a uma loja de roupas e bijuterias, para ver uma estola/gola de pelinho. Entramos, perguntamos pela peça que tínhamos visto na montra e a senhora que lá estava (que era extremamente simpática) diz "as nossas peles são todas verdadeiras". Primeira facada. Acto contínuo, a senhora diz que as peles são de raposa. Segunda facada. Escusado será dizer que qualquer dos "pelinhos" da loja, mesmo em promoção, custavam os olhos da cara.

Já de saída, passamos novamente pela montra e, qual não é o meu espanto, estava lá bem na ponta uma raposa branca (que devia ter sido linda quando era viva) transformada em estola/gola completa. Não estou a brincar, era o bichinho todo ali, cabeça, patinhas e tudo, exposto, como um troféu. Se eu já estava chocada, nesse momento acho que alguns órgãos que possuo experimentaram algum tipo de falha de funcionamento.

Eu sou totalmente contra o abate indiscriminado de animais. Não vou ser hipócrita e dizer que não gosto de comer carne, porque gosto. E também gosto bastante de comer peixe e marisco. Não sou ingénua ao ponto de não saber que alguns (muitos) dos animais que comemos não foram necessariamente bem tratados para que nos possamos alimentar e subsistir, tanto quanto à produção de outros alimentos como o leite ou os ovos, como em relação ao abate propriamente dito. Mas ainda assim há diferenças entre o abate para consumo e o abate para "contrabando legal de órgãos". Todos os tipos de acção que inflija sofrimento e humilhação aos animais devia ser proibido, os quais repugno totalmente. A ideia de fazer um animal correr pela vida, numa luta desigual contra um humano (cobarde) munido de armas até aos dentes, que só persegue o animal porque sabe que é mais forte e lhe vai ganhar, é algo tremendamente errado.

É verdade que se matam animais diariamente, mas o intuito maior é prover à alimentação da população e, em consequência disso, não acho bárbaro aproveitarem-se as peles para se fazer roupas ou calçado, porque também precisamos de nos vestir e calçar. Tal como quando ainda vivíamos nas cavernas, matámos para comer, ainda que se tenha que interpretar tal declaração cum grano salis. Agora, matar animais somente pelas suas peles ou dentes/presas ou qualquer órgão muito específico e "deitar o resto ao lixo" é totalmente... horrível e nojento. Aliás, não acho que seja muito diferente de matar uma pessoa para lhe tirar um rim.

Ai Nightwisha Maria, és tão drástica!! Os animais não são como nós! Pois, talvez resida aí o cerne da questão. Sabem quantas martas são necessárias para se fazer um casaco? Sabem o nível de raridade de qualquer animal totalmente branco e imaculado que seja caçado unicamente para se obter as suas peles?! Os animais matam para se alimentarem e se defenderem. Os humanos matam por prazer. Não conheço mais animal nenhum à face da terra, que mate por prazer e até os da sua própria espécie (excepto algumas espécies de primatas, que são "nossos primos"). Nenhum outro animal faz aquilo que nós fazemos, nem há mais nenhum ser tão desprovido de humanidade como o ser humano.

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Há um lugar no inferno reservado para as pessoas que surripiam guarda-chuvas alheios

É verdade, a chuva parece ter vindo para ficar, para mal dos meus pecados. Não gosto nada de chuva, de andar sempre com o chuço pendurado, de ficar com o cabeço frisado todos os dias independentemente da quantidade de óleo/creme que lhe meta em cima, de ter de limpar os óculos sempre que saio à rua, e de molhar os pés (ou as pernas, quando a água, em vez de entrar pela sola descolada, entra pelo cano da boa e escorre pela perna toda...). Eu cá prefiro frio o chuva. Apesar de também não ser nada agradável andar em modo cubo-de-gelo, mais uma ou duas peças de roupa e coisa remedeia-se. Pés molhados não.

Quando chove, não é apenas o céu que fica cinzento: é tudo. As ruas, os jardins, as pessoas ficam sem cor. A falta de luz do sol (e de vitamina D) faz crescer dentro de nós uma tristeza inexplicável e adormecedora.

Mas pior que tudo isso, são aquelas pessoas que surripiam os guarda-chuvas dos outros. Hoje fui a um café numa pausa de trabalho, e deixei ficar o meu chuço no baldinho para o efeito à porta do estabelecimento. Estive lá nem uns dez minutos. Quando ia a sair quase fiquei cega. Um imbecil qualquer (ou uma imbecil, não sei), levou o meu guarda-chuva e deixou ficar um muito parecido... e em considerável pior estado. E não, não acredito que a pessoa tenha trocado os chuços por serem parecidos, porque só de olhar percebi que o que tinha ficado não era o meu - que era bom, que não tinha as varetas amolgadas e cheias de ferrugem, que não vergou durante dois anos à ventania de Braga, e que era o único que tinha.

Acredito piamente que há um lugar no inferno reservado para as pessoas que surripiam guarda-chuvas alheios (ou pelo menos, é um pensamento que me dá algum alento nesta hora).

sábado, 10 de janeiro de 2015

Saldos de "província"

Não sei se é só de mim... mas os saldos esta temporada estão pelas horas da morte. Ontem aproveitei a tarde livre para ir a algumas lojas, mas vim desconsolada. Para além de não conseguir encontrar quase nada de jeito (bem sei que sou esquisita, mas não me lembro de, noutra situação semelhante, não encontrar praticamente nada que gostasse), as peças em saldo são pouquíssimas. Comprei apenas uma t-shirt do Mickey para usar "de fim-de-semana" e um anel. Ok, confesso que foi bom para a carteira uma vez que apenas gastei €5, mas ver o Moço com mais sacos do que eu, não é algo a que esteja habituada.

Mas acho que já percebi o que se passa... O nosso "Primeiro" explica às massas:

Na cerimónia de assinatura do consórcio da UNorte.pt, que junta as universidades do Minho, do Porto e de Trás-os-Montes e Alto Douro, a qual se realizou em Vila Real, o nosso "Primeiro" declarou que, embora esta iniciativa seja inspiradora, e o Estado esteja interessado em ser parceiro, precisa de "conhecer as regras", já que é necessário um "grande sentido de realidade e pragmatismo". É certo que destacou este caminho seguido pelas três universidades em questão, mas que não podemos "pensar só no Norte", acrescentando ainda que "não podemos ter uma visão provinciana, paroquial, mas antes uma visão cosmopolita, aberta e global dos nossos projetos e intenções"*.

Oh homem, podias ter dito logo de caras que achas que a iniciativa é boa, mas que devia ter sido feita em Lisboa. E já agora, a Comic Con também. É provável que alguém se tenha esquecido de te dizer que Porto e Braga são as segunda e terceira cidade, respectivamente, mais desenvolvidas e cosmopolitas do país. Mas lá está: em Lisboa usam-se fundos comunitários; cá no Norte, a zona mais pobre do país e das mais pobres da Europa, fazem-se "omeletes com os ovos que se tem", como bem dizes.

Por isso, meus caros, está explicado porque razão os saldos "cá por cima" estão a ser uma treta: nas províncias, não se pode esperar mais. Acho que vou ter que ir a Lisboa aos saldos...



* Os trechos a itálico são citações da versão impressa da notícia do JN de hoje.


Adenda: Obviamente, o facto de os saldos estarem a revelar-se uma nulidade, não tem nada a ver com regionalismos (apesar de as diversas lojas de uma mesma entidade terem produtos diferentes entre si).

Quero deixar bem claro que não tenho nada contra as pessoas de outras regiões, lisboetas incluídos - que não têm culpa que na capital se concentre todo o tipo de serviços (e de subsídios europeus). Afinal, é a capital do pais. Acho apenas que a situação supra descrita foi, no mínimo, infeliz e despropositada.

Finalmente, espero que a Comic Con continue a realizar-se no Porto (ou nos "arredores" como algumas pessoas gostam de dizer), porque assim de repente, não conheço mais nenhum evento do género que não seja fora da área metropolitana de Lisboa (já que Amadora, segundo essas mesmas pessoas, não é Lisboa). Ao menos, tenho um evento a onde ir, nem que seja somente uma vez por ano ^^

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Holding hands

Há dias ia na rua e reparei que duas miúdas vinham na minha direcção. O que me fez olhar para elas foi o facto de uma ser extremamente alta (mas eu também tenho 1,53m... qualquer coisa para mim é extremamente alta =P ), e a outra estar mais ou menos ao meu nível. Como a minha avó costuma dizer, era "a sorte grande e a terminação". Só quando estávamos praticamente frente a frente é que reparei em algo que me fez sorrir tenuemente: elas vinham de mãos dadas.

Não sei se eram namoradas ou amigas, mas fiquei contente por ver que eram capazes de mostrar o seu afecto uma pelo outra sem medo de qualquer censura. Amizade também implica afecto. Porque não haverei eu de dar a mão a quem quero bem?!

Uma noite sai com alguns amigos, e fomos a um bar que, supostamente, era "alternativo". Chegamos ao local e aquilo estava apinhado, de tal maneira, que tivemos que dar as mãos para não nos perdermos. Às páginas tantas, já parados algures no meio do bar, apenas eu e uma amiga permanecemos com as mãos dadas. Depois disso só me lembro de lhe dizer "estamos a passar por lésbicas". "Porquê?", replicou ela meio confusa, ao que eu respondi simplesmente "porque estão todos a olhar para nós de uma maneira, que se pudessem, já nos tinham fulminado". Não consegui ficar naquele local nem mais um minuto, não pelas pessoas estarem a olhar, mas pelo nojo que não consegui não sentir por elas.

Sempre andei de mãos dadas com as minhas amigas. Se eu me abraço a elas, se passo tanto tempo da minha vida com elas, se elas estão lá nos bons e nos maus momentos, se vou a casa delas e acabo a dormir na mesma cama que elas mesmo que hajam outras de vago, porque haverá mal em dar-lhes a mão? Porque é que só posso dar as mãos a um homem?! Isso significa que não posso dar a mão à minha mãe ou a uma irmã que tivesse? E se realmente fosse lésbica, alguém teria alguma coisa com isso?! 

Amor é uma coisa boa, independentemente de quem o dá e de quem o recebe. E de novo, não sei se as raparigas que vi eram amigas ou namoradas, mas acho muito bem que façam aquilo que lhes traz felicidade, em vez de viverem numa mentira, de fachada, só por causa "dos outros". Sim, sou a favor do casamento/união entre pessoas do mesmo género. Acima de tudo, sou a favor que as pessoas sejam felizes.

sábado, 3 de janeiro de 2015

Comédias e Tragédias... e livros à mistura

Ora muito bem, na passada quinta-feira, depois da minha exposição sobre a lambarice que para aqui foi na passagem de ano, descobri que esse dia (01 de Janeiro) é o dia da Lei do Direito de Autor. Eu, que adoro livros e esta área do Direito em particular, sobre a qual se debruçou a minha "besta", acabei por descobrir umas outras coisas "deveras interessantes" enquanto dava umas voltinhas pela net. Resumindo, vou ferir susceptibilidades e ser inundada de "coisinhos maus" por isso.

(Eu sei que este é um post grande, mas por favor, leiam-no até ao fim).

Pelo que já tive oportunidade de dizer, já devem ter notado que não sou "fã" de editoras, tendo em conta a forma que estas estão concebidas actualmente, forma esta que pouco ou nada mudou desde a época que eram meras entidades com privilégios régios de impressão de obras. As editoras são necessárias, não estamos aqui para enganar ninguém, no entanto, a instituição arcaica que hoje subsiste deixa de ter algum sentido quando o autor, finalmente, aprendeu a auto-promover-se.

Seria absurdo dizer que toda a equipa que labora numa editora para que uma obra seja presente ao público, quer através dos meios tradicionais, quer através do digital, não deva ser remunerado pelo seu trabalho, e sempre de acordo com o serviço prestado. Todavia, o mesmo dever-se-ia aplicar ao autor, o qual, na grande maioria das vezes, recebe apenas 10% do preço pago pelos leitores nas livrarias (físicas ou online). Se estivermos a falar de antologias ou colectâneas de contos/noveletas, esses mesmos 10% são divididos por todos os autores. Obviamente que, depois disto, muitos aspirantes nacionais a artista (e não apenas escritores) pensam duas vezes e decidem ter um "emprego de dia", porque escrever não dá para pagar as contas. No entanto, hoje em dia existem mil e um serviços que as substitui e que, se bem escolhidos e trabalhados, dão a possibilidade do autor ser (quase) auto-suficiente.

A publicação online é hoje uma realidade utilizada por muitos. Existem diversas plataformas onde os autores podem disponibilizar as suas obras, de forma gratuita ou onerosa (a preços muitas vezes simbólicos). Desta forma, o autor receberá todo ou quase todo o valor pago pelo leitor (no caso do Smashwords, o autor recebe 85% das vendas realizadas, sendo que é o próprio a decidir o preço de cada obra sua, ficando a plataforma com 15% desse valor, como forma de remuneração pelo alojamento das obras disponibilizadas).

Quanto à capa e à organização/edição do livro, há várias ferramentas gratuitas na internet para o efeito ou, caso seja do interesse do autor, este poderá sempre contratar um profissional que fará o trabalho por um preço que ficará muito aquém do praticado por uma editora. Da mesma forma, o criador intelectual poderá angariar leitores/revisores para ler/rever/corrigir/opinar as suas obras, dependendo dos casos, antes de estas estarem disponíveis, de forma a ter "antecipadamente" uma amostragem do comportamento do público, algo que eu já fiz diversas vezes (este trabalho é quase sempre feito por voluntários, logo, de forma gratuita, apesar de eu conhecer alguns casos em que não é bem assim...). Mesmo no âmbito da obra física, o autor poderá facilmente contratar uma empresa gráfica para proceder à impressão dos exemplares físicos que deseja comercializar nas lojas de rua ou mesmo na rede.

Publicidade? As redes sociais e de divulgação, por si só, são um mundo, e muitas vezes gratuitas. Conheço muitos casos em que os próprios autores oferecem pequenas obras sua ou samples destas, para fazer o seu trabalho chegar ao público de forma mais ágil e subtil. Os leitores irão, com toda a certeza, agradecer e ficar curiosos, com vontade de ler mais obras deste ou daquele autor e, posteriormente, quererão adquirir novas obras mesmo que tenham que pagar (de novo, muitas vezes um preço simbólico) para as ler.

Infelizmente, as edições de autor nem sempre têm grande futuro, especialmente no que toca às versões impressas, uma vez que há aquele "conceito geral" vindo sabe-se lá de onde, de que “se as editoras não quiseram este livro/este autor, é porque ele não tem qualidade (ou rentabilidade)”. Ninguém pergunta ao autor se aceitou ser publicado por esta ou aquela editora e, em caso negativo, porquê. Mas pior do que isso, são situações em que o autor deve trabalhar gratuitamente, sendo que a sua remuneração deverá ser entregue a outros intervenientes. Não sou contra, como disse acima, que as pessoas, independentemente do trabalho realizado ou do cargo ocupado, não devam ser remuneradas em função deste. É óbvio que devem! Mas nunca o deveriam ser em substituição do autor. Ninguém pensa ir a um consultório médico e sair sem pagar. Por que razão, deverá ser diferente no que toca a outros profissionais?! Não vou estar aqui a descrever exaustivamente a situação em causa porque, para além de correr o risco de tornar este post num "romance de uma vida", há quem o já tenha feito de forma exemplar e com ligações para os diversos contraditório existentes, pelo que vos deixo o link para o post do The Spine Collector da Rafaela Ferreira.

Para finalizar, reitero a minha posição: não sou contra editoras, não sou contra bloggers, não sou contra autores, e muito menos contra os direitos que qualquer um destes detenha, independentemente da sua natureza. Sou contra o "engana meninos e papar-lhes o bolo". Mas esta é somente uma a minha opinião.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Conselhos jurídicos #2

Isto não é bem um conselho jurídico, mas tem a ver com o ofício: "frequentar" serviços públicos. E quando digo frequentar é porque, tendo em conta o tempo médio de espera em alguns deles, passamos lá mais tempo que em qualquer café a dar dois dedos de conversa com um amigo.

Hoje precisei de ir aos CTT e às Finanças. Logo de manhã, mesmo antes de chegar ao escritório, e como já sabia que tinha que ir a esses dois serviços, já andava a fazer contas à vida quanto ao tempo que iria perder nas filas monumentais para ser atendida. Decidi esperar pelas onze horas da manhã para ver o que acontecia (correndo o risco de só conseguir almoçar à hora do lanche.

Nos CTT, tinha apenas umas 4 ou 5 pessoas à minha frente. Nas Finanças (onde precisei de ser atendida em dois balcões diferentes) estavam meia dúzia de gatos pingados, isto é, deserta. Ao todo, fiquei cerca de meia hora nestes dois locais. Normalmente, e apesar de termos um horário flexível, costumamos "frequentar" estes serviços quase como qualquer cidadão que entra cedo ao serviço: bem cedido ou então à hora de almoço/depois da hora de almoço. Esqueçam!! Se tiverem disponibilidade, passem a ir aos serviços públicos a meio da manhã ou a meio da tarde. Mesmo que achem que outras pessoas vão fazer o mesmo que vocês, serão muitas mas muitas mais as que não o farão.

Como disse, não é um conselho jurídico, mas dá jeito para minimizar as horas de espera a olhar para o balão, e maximizar o trabalhinho do dia.

P.S.: Isto não funciona lá muito bem para os serviços da Segurança Social... Se forem para lá, aconselho outra coisa: uma sande ou uma senha prioritária (o filho "piqueno" do vizinho do lado serve =P ).

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

I think my body is rejecting me...

Estou doente. Estou cheia de estar doente.

Já faltou mais para me ir ali abraçar à sanita e mandar o pouco que consegui comer pela pia abaixo. Ou acima, depende do tempo que tiver para lá chegar.

Dói-me tudo: a cabeça, o nariz (da sinusite), um ouvido, a coluna, o estômago, os braços e as pernas. Tenho os olhos inchados e por mais roupa, cobertores ou cachecóis que encontre para me enrolar, consigo ter frio. Mas consigo ter as bochechas (da cara!) a arder de tal maneira que era capaz de fazer um bife bem suculento na chapa de um lado e um ovo estrelado para acompanhar do outro. Estou de tal maneira que nem me apetece comer doces...

Acho que a medicação que tomei é de contrabando.

Já disse que estou cheia de estar doente?

domingo, 22 de junho de 2014

A "Besta" #3 - Yoga

Esta manhã acordei com uma dor na coluna que e deixou com um "andar novo". Antes que comecem com teorizações do demo, não, não fiz nada "que não devesse"... Até porque já estava a prever uma coisa do género. A mudança de tempo é implacável para os meus joelhos (tive uma lesão há uns anitos valentes quando jogava futebol na escola) e para as minhas costas (que estão todas tortas e em forma de S).

De manhã torcia-me, contorcia-me, esticava-me e encolhia-me de todas as maneiras possíveis e imaginárias para ver se a coisa passava, mas foi só ao longo do dia que a coisa melhorou. E depois de umas posições de yoga que aprendi assim quase como por acaso. Daí que decidi que vou aprender a modalidade. Para além dos diversos benefícios físicos, que de certa forma toda a gente vai conhecendo, também traz benefícios mentais/espirituais e que, bem feitas as contas, quase arrisco dizer que me são mais importantes neste momento do que os primeiros.

Até porque nada melhor que ultrapassar o trauma do (des)Acordo Ortográfico e demais agruras da "besta", do que uma boa sessão de yoga!! =)

Relativamente ao post de ontem, os vossos contributos foram importantes, e faço um mea culpa por não ter percebido há mais tempo, que legalmente ninguém me pode obrigar a utilizar essa grafia.


Fui pesquisar a questão com mais afinco, e cheguei a este artigo entre muitos outros que, caso queriam consultar, verão que foi elaborado com a colaboração dos juristas da Sociedade Portuguesa de Autores (logo, pessoas que entendem "da poda"). Resumidamente, o novo OA foi legislado por Resolução da Assembleia da República e reiterado por Resolução do Conselho de Ministros. O OA ainda em vigor, foi legislado por Decreto-Lei, assim como o Código de Direito de Autor e Direitos Conexos (CDADC). Em termos hierárquicos, os Decretos estão acima das Resoluções (meras recomendações), têm força vinculativa e não podem ser nunca revogados por estes últimos. Para além disso, o próprio CDADC diz os autores se podem opor a modificações/deformações em relação à obra original, e preservar a grafia que bem entenderem (Artigos 56.º e 93.º), apesar da possibilidade de actualizações ortográficas.

No mais, parece que houve outra aluna da UMinho que se recusou a utilizar o novo AO, não sei se numa tese, mas provavelmente sim. Até porque, a obrigatoriedade de que tanto falam é uma falácia: o (des)acordo ortográfica ainda está em período de adaptação, e que até 2015 ambas as grafias são "permitidas". Mais: "aos Escritores, dada a sua condição de artistas criadores, ser-lhes-á sempre permitido utilizar a grafia que entenderem, mesmo que em 2015 o novo AO (...) venha a ser eventualmente consagrado por Decreto-Lei, e não apenas, como agora, por uma simples Resolução da AR [Assembleia da República]."

Agora só me resta fazer um escândalo na universidade e fazer muito yoga (para combater as dores nas costas que vou ter por estar tanto tempo a trabalhar na tese e de me esquivar às traulitadas que os moços da Escola de Direito me vão tentar dar).


quinta-feira, 19 de junho de 2014

A "Besta" #2 - O (Des)Acordo Ortográfico

Hoje, durante a tarde, comecei finalmente a escrever a tese de mestrado. Até aqui tinha feito alguns apontamentos e sistematização de ideias, para me ajudar com a elaboração propriamente dita da "besta". Umas linhas aqui e ali. Mas parece que quanto mais sei e pesquiso, mais me embaralho naquilo que quero transmitir... Parece fácil...!!

Como fiel companheira tenho... a música. Acompanhada quer pela rádio ou pela giganómica playlist que por estes lados entope o meu computador, a árdua tarefa adquire uma nova e refrescante leveza. Hoje temos croissant musicale com Tuomas Holopainen e o seu The Life and Times of Scrooge - um álbum magnífico!!

Mas pior do que estar soterrada de papeledo por todo o lado, é a m*rda do (des)acordo ortográfico, que sou obrigada a seguir segundo as orientações da UMinho. É que não bastam as regras de formatação da tese... não!! Tens que deixar de saber escrever Nightwish Maria!! 

Sinceramente, não sei quem se lembrou de umas coisa tão estúpida! (Até sei, mas isso agora não interessa para o caso...). Eu cá estou com o Sr. Magistrado Rui Teixeira (e eu até nem vou muito à bola com esses senhores...), quando defendeu (e bem!) que os tribunais não estão obrigados a cumprir a resolução do Conselho de Ministros que determina a adopção das novas regras em todos os serviços da administração pública, escrevendo relativamente à questão:

"Nos tribunais, pelo menos neste [Torres Vedras], os factos não são fatos, as actas não são uma forma do verbo atar, os cágados continuam a ser animais e não algo malcheiroso e a língua portuguesa permanece inalterada até ordem em contrário"

Claro que isto valeu-lhe um processo disciplinar... Contudo, acho que não aconteceu nada ao Vasco Graça Moura, quando ordenou que fosse "desligado" o corrector automático do novo (des)Acordo dos computadores do CCB, para que os textos produzidos por esta instituição permanecessem de acordo com a grafia antiga (e arrisco-me a dizer, correcta).

Até os PALOP disseram terminantemente não aplicar este (des)Acordo que também os vincula, por serem países de expressão portuguesa. Não, eles querem escrever português, e não uma invenção qualquer vinda do fundo dos infernos. Os brasileiros também não concordam, mas é certo que nada fizeram até ao momento, que eu saiba. E então e nós? Porque é que nós deixamos que nos descaracterizem a língua que, é um símbolo nacional?!?! Pois bem, eu não entendo... É verdade que a nossa língua evoluiu muito ao longo dos séculos, e outros acordos ocorreram... mas nenhum como este. Um (des)Acordo impingido, desprovido de qualquer senso.

Eu não sofri desse mal, mas conheço milhentas pessoas que levaram reguadas nas mãos para aprenderem a escrever correcto, "c", "p" e "h" mudos incluídos. Agora estamos a privilegiar os preguiçosos. Acho que nunca me vou habituar a esta coisa, especialmente porque parece que as regras deste (des)Acordo vão ser novamente mudadas... Isso significa que, entretanto, eu já comprei livros que, no futuro, vão efectivamente conter erros ortográficos. Se é para escangalhar esta porra toda, então que se decidam e esconchavem a nossa língua de uma vez por todas.




Enfim... vou continuar a escrever e a ouvir música. E esta última, felizmente, não tem acordos e desacordos... é universal! =)

segunda-feira, 16 de junho de 2014

Enguiçada

Decididamente: eu dou azar e não posso ver mais jogos de futebol.

Já não é de hoje, mas foi desta que a coisa ficou comprovada. Vi a primeira parte do jogo da Selecção no escritório, e cada vez que olhava para a televisão com mais atenção, os Fritzs marcavam um golo ou atiravam-se muito convenientemente para o chão, e os Tuguinhas falhavam ou iam para o olho da rua. Depois de chegar a casa, vi a segunda parte quase por auto-flagelação.

O único jogo do Benfica que vi esta temporada foi precisamente a final da Liga Europa (eu ainda chamo de Taça UEFA a essa coisa...). Começo a duvidar se terá sido a Maldição de Béla Guttmann a dar a taça ao Sevilha... se terá sido o Enguiço da Nightwisha Maria.

Por favor, não me batam, foi sem intenção. Para a próxima, faço como o Nuno Markl: "Eu não posso ver futebol. No próximo jogo vou dar uma volta ou isso."

Isso, ou esta coisa já está toda programada e/ou a Merkel deu umas patacas ao moço da ex-Jugoslávia que tinha uma camisola azul e um apito "pindurado".

A partir de hoje só vejo os jogos do Porto.



Só o Oliver e Benji ganhavam sempre, mesmo que eu visse os jogos...


P.S.: Foi impressão minha, ou será que vi mesmo um jogador negro na selecção dos Fritzs?!?!?? o.O Weird...

quinta-feira, 12 de junho de 2014

Fitness no meio das panelas xD

Princesas e princesos do mundo, hoje vou armar-me em pessoa muito sabedora destas coisas da estética e coiso, para vos fazer uma comunicação. Descobri o que muitos de vocês anseiam: como queimar as "excedências" que vos melgam a cabeça e as nádegas e outros sítios que tais.

Como sabem, nestes dias o sol e o calor decidiram que, a uns míseros dias da entrada oficial do verão, deviam dar o ar de sua graça. Digamos, simplesmente, que já não era sem tempo...! Pois bem, como devem imaginar pela onda de calor que cobre todo o país, aqui por Braga a coisa está assim com o ar de que, a qualquer momento, um cidadão mais incauto, poderá ser grelhado na brasa assim como quem não quer a coisa. Sim, isto está uma tosta, até a água que sai dos canos está a caminho de se tornar uma sopa.

Já foram ver como está lá fora, mesmo a uma hora desta!?!? Agora adicionem ter que limpar a casa ou pior: tentar ter que esfregar o tacho com esfregão de arama porque, como estavam a olhar não sei para onde, queimaram parte do arroz que estava ao lume.

Esqueçam o ginásio ou a sauna: podem fazer dois-em-um em casa, especialmente se a vossa cozinha for toda envidraçada e levar com o sol directamente da parte da tarde mesmo em cheio. Não necessitam sair do conforto do lar, poupam dinheiro no ginásio e ainda ficam com a casa (e as panelas) a brilhar. Parece fácil... =P



Mais ou menos eu =P


Agora a sério: aproveitem o tempo bom para passear, ir à praia, sair a galhofar com os amigos. Ou até, quem sabe, fazer uns exercíciozinhos lá fora, num desses locais onde há máquinas e jardins para "trabalhar as massas" =P Para quem está na época de testes, não fiquem a deprimir em casa com um tempo como este. Levem a vossa trata atrás como o caracol nem que seja para um explanada. Se optarem pela clausula, vai ser muito mais difícil; tal como as flores, nós também precisamos fazer um género de fotossíntese, e de fazer uma pausa de vez em quando =)