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segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Acontecimentos de Merdi Gras

Para mim, que ainda só terei uma semana de férias em Agosto, enquanto espero por mais dias sem mexer um mindelo esparramada no sofá, enquanto as tarefas domésticas que tenho em cima do lombo se multiplicam à velocidade de um funil, a época em que vivo é parecida com a páscoa: tempo de contrição, até ao esperado momento em que o comum dos mortais tira a barriga de misérias papando uma quantidade insana de chocolate até ter uma valente dor de barriga, naquela que é mundialmente conhecida como watching animation movies and eating chocolate day. Ou entra de férias, no meu caso.

Mas como eu ia a dizer, até lá, é tempo de passar um mau bocado, pelo menos, sem as regras de alimentação extremamente restritas e apalermadas da páscoa, expecto para aqueles que vão pagar a gula ao ministro do culto. "Ai não posso comer carne quando me apetece? Vou já abrir os cordões à bolsa e vamos ver se não me posso empandeirar com uma vitela assada da quarta-feira de cinzas!". Ou, aproveitando a analogia acima, de quem tem empregada doméstica (se bem que eu até gosto de peixe, apesar de uma tosta mista vir mesmo a calhar em qualquer altura do ano).

Toda esta conversa faz-me lembrar de um acontecimento que ocorreu há uns tempos, em forma de "oh senhores, vou mandar esta gaja pela janela do comboio e quando ela se esborrachar contra a protecção sonora mais próxima, acabaram-se os problemas. Os dela, e os meus, que é estar a ouvi-la".


A tarde prometia. Ia a uma festa com o Moço, comer cheesecake de oreo e conhecer um gato. O comboio já estava semi cheio, por isso, tivemos que nos sentar ao lado de uma rapariga chorosa, que piava ao telemóvel um desgosto amoroso tipicamente pital. Até aí, nada de novo. Quem nunca encontrou uma cena destas na vida, ou não é deste mundo, ou tem uma sorte do caraças. O qual não é, como irão ver, o meu caso.

A rapariga malditou-se em como ele já não queria nada com ela, que tinha que tirar as coisas dela da casa dele e que não queria ficar a trabalhar no sítio onde estava nem mais um dia, mas tinha que dar uns dias à casa. Uns dez minutos depois de mi mi mis, o silêncio. Que só durou escassos segundos, o tempo necessário para a moça ligar a outra pessoa. Chorou, voltou a repetir a toda uma história, mas acrescentou alguns pormenores. "Já a primeira vez foi assim, agora à segunda já não volto!" Espera lá, essa cassete já está a passar em repeat?!


Confesso que cheguei, no início, a ter pena da rapariga, porque não é fácil interromper as férias com a família com quem se estás de vez em quando, porque mudaste-te completamente para outra cidade por causa da pessoa que gostas, mas que, milagrosamente, acabou de se borrifar em ti. Pela segunda vez. Mas de mim ninguém tem pena, nem das restantes pessoas que se encontravam naquela carruagem, até porque a moça não falava propriamente baixo. Eu bem tentava iniciar todo o tipo de conversas com o Moço para não estupidificar, ou cometer um crime de sangue.

Toda esta história foi ganhando novos e retorcidos contornos ao longos das restantes chamadas que a moça foi fazendo para várias pessoas. Lá pela oitava chamada, deixei dar conta das vezes que ela repetia a conversa toda a uma criatura diferente ao telemóvel. "Não quero é estar a contar à macacada toda...". Pois não, mas estás a contar porra da tua vida toda ao resto do jardim zoológico e eu não quero sabeeeeeerr!! "Amanhã bebo uma garrafa de vinho, ressaco e isto passa." Grande filosofia, acho que vou adoptar. Só que não.


À páginas tantas, eu desisti de ter uma conversa com o Moço, pois o patife não largava a m*rda do telemóvel. Crescia em mim a vontade latente de, já que estava para mandar um pontapé na gaja para a enviar a alta velocidade para o poste da Ren mais próximo, economizar nos golpes à Karaté Kid e, num só salto, mandar gaja, Moço e o telemóvel de ambos com os porcos. Mas contive-me. Até porque pouco depois percebi que o telemóvel era o veículo que o Moço estava a usar para contar a toda a gente que encontrasse nas redes sociais do nosso pesadelo.

Finalmente tivemos que sair... e a rapariga lá continuou os seus telefonemas, atrás de nós, mas rumo ao alfa-pendular. De zero a "oh meu Deus ele tem um saca-rolhas", o quão traumatizante foi para mim? Algures perto do "çocorrr!!". E só porque acabei de me lembrar desta situação traumática, vou ali comer um chocolate, que eu mereço.



* Mardi Gras está mal escrito ali no título, mas foi de propósito. Só para esclarecer =)

segunda-feira, 24 de julho de 2017

Ragnarök, ou uma espécie de apocalipse peludo


Lembro-me que estava a chover muito nesse dia. Colocaram-me numa mantinha e levaram-me para fora, para as escadas de um prédio, e deixaram-me lá sozinho, ao frio e à chuva, apenas com uma pequena taça com comida e outra com leite. Não comi. Passei a noite cheio de frio, de fome. De medo. Chamei e chamei, mas ninguém voltou para me vir buscar. Acabei por encontrar um local mais quente, longe da manta onde me deixaram, entalado no exaustor de uma loja duas portas ao lado.
No dia seguinte de manhã, um rapaz apanhou-me e levou-me para dentro da loja. Na altura não o consegui ver muito bem, porque tinha os olhos colados com as remelas e o líquido estranho que me escorria dos olhos. Colocou-me numa caixa de papelão e tentou acalmar-me, mas estava com tanto frio e medo... O rapaz e as outras pessoas da loja perguntavam aos clientes se queriam um gatinho, mas todas responderam que não queriam ou não podiam. Uma sugeriu que me voltassem a colocar na rua, mas o rapaz que me recolheu ficou muito zangado e disse que não. Passado algum tempo ele levou-me para um novo lugar, para uma casa.  Colocou-me no wc com um cobertor fofinho, comida e leite próprio para gatos, mas eu não comi. Depois ele teve que sair e voltei a ficar sozinho. Continuava com muito medo.
Passado algum tempo, apareceu uma rapariga. Também não a conseguia ver muito bem. Tentei bufar-lhe, mas não tinha forças. Pegou-me e tentou dar-me banho, mas não queria sentir mais água. Fazia-me lembrar da chuva que me deixara gelado e com o nariz todo ranhoso. Ela desistiu do banho, mas percebeu finalmente que eu estava cheio de pulgas. Depois ela pegou num cotonete, molhou-o na água morna e, com calma, começou a limpar as remelas que tinham secado e quase fechado totalmente os meus olhos. Consegui vê-la pela primeira vez. Também devia ter um problema nos olhos, porque estavam cheios de água. Aconchegou-me junto dela, envolto na toalha com que me tentava secar o pêlo e fiquei, por uns segundos, a olhar realmente para ela. Percebi que não me ia fazer mal e fiquei agradecido. Encostei a minha cabeça ao peito dela e deixei-me, finalmente, dormir.
Algum tempo depois, o rapaz voltou. Estiveram os dois comigo algum tempo, a fazer-me festinhas e a tentar que eu comesse qualquer coisa. Adormeci. Quando acordei, estava tudo escuro e os humanos tinham desaparecido. Chamei e vieram logo a correr, aconchegaram-me e voltei ao sono. Quando acordei mais uma vez, chamei e lá estavam eles, novamente, ao meu lado.
No dia seguinte, o rapaz levou-me a uma senhora que tinha uma data de instrumentos que encostou em mim. Ele chamou-a de veterinária. Deu-me uma pica e fiquei ensonado, mas sei que isso matou as pulgas que tinha no pêlo. Nesse dia comi pouquinho, mas outra coisa me encheu que não foi comida: felicidade. Aqueles humanos tinham gostado de mim, por isso, decidiram que iriam ficar comigo e cuidar de mim. Chamaram-me Ragnarök. Às vezes é apenas Rag, mas eu gosto. Nessa noite miei quando me deixaram no sofá. Não que não fosse muito confortável, mas não queria ficar sozinho outra vez. A partir dessa noite, tenho dormido sempre com eles, umas vezes debaixo dos lençóis, outras em cima da coberta.
Agora sou um gatinho feliz, com peso saudável, brinco, pulo, roubo meias e faço muitas asneiras. A minha gripe está curada, graças à resiliência dos meus humanos que, durante semanas a fio, me limpavam os olhos e o nariz com soro fisiológico, me deram medicação e muito carinho. Não os trocava por nada. Gosto de comer, de ficar à janela, de atirar batons do cieiro ao chão, de atacar os rolos de papel higiénico e de brincar com a meia que os meus humanos arranjaram só para mim, para não destruir as deles. Gosto do miminho que me dão, de dormir no colo deles e de lhes morder ocasionalmente. Agora já não preciso de miar e chamar por mais ninguém, porque finalmente tenho o meu clã.


Se o bebé apocalíptico de quatro patas do Covil pudesse falar, seria mais ou menos assim que contaria a sua história. Se vos disser que me partiu o coração ver em que estado estava depois de ter sido deixado, na rua, ao frio e à chuva, por um monstro, é dizer pouco. A minha avó, pessoa mui sábia, dirá a qualquer um que "quem não gosta de animais, não pode gostar de pessoas". Não podia estar mais de acordo.

Dar-lhe um nome foi o passo decisivo. Se fosse uma menina, seria Leia, mas como é um menino, ficou Ragnarök, porque não há dúvidas que um gato é um apocalipse peludo a acontecer. Alguns dias depois do Rag estar no Covil e apesar de ter começado a interagir, cheguei a pensar o pior. Não comia quase nada e perdeu peso, quando já era estava praticamente pele e osso.

Felizmente, começou a melhorar. Pareceu um milagre. Começou a comer bem, a brincar e a saltar como um doido. Acho que ele sentiu que estava finalmente seguro e que podia confiar em nós. A gripe ainda persistiu algum tempo, mas passou. Foi um passo importante acolhê-lo, porque acarretou algumas responsabilidades, mas nos nossos destinos estavam entrelaçados. Hoje é o seu primeiro aniversário (ou aquele que  a veterinária estimou, visto que não sabemos realmente quando nasceu) e sua prenda foi uma lata de atum em água só para ele. A nossa prenda foi vê-lo saudável e feliz ^^



Em cima, a primeira foto do Rag quando foi apanhado da rua, muito doentinho. Depois, as primeiras fotos dele no Covil, já lavadinho e com os primeiros cuidados. Em baixo, já crescido e saudável ^^


segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Nobrezas

Certo dia, eu e o Moço fossos levantar um voucher de alojamento grátis de uma agência de viagens. Chegados ao local, foi-nos pedido um código promocional que o Moço tinha, porque o contacto tinha sido estabelecido através dele, e ainda o nosso nome, idade e profissão. Como ele é que tinha sido o connect, começaram o inquérito com ele.

Indivíduo 1: Boa tarde, vieram para a apresentação da "Agência de Viagens X"?
Moço: Sim sim.
Indivíduo 1: Muito bem. Então como se chama?
Moço: Moço.
Indivíduo: E que idade tem?
Moço: 33 anos.
Indivíduo 1: E a profissão?
Moço: Operador de loja.
Indivíduo 1: Muito bem. E a esposa?
Nightwisha Maria, *relevando o título de esposa* - Nightwisha Maria.
Indivíduo: E a idade?
Nightwisha Maria: 26 anos.
Indivíduo 1: Profissão?
Nightwisha Maria: Advogada.
*Pausa*
Indivíduo 1: Advogada? E exerce cá?
Nightwisha Maria: Sim, aqui em Braga.
Indivíduo 1: Mas tem escritório na cidade?
Nightwisha Maria: Sim.
Indivíduo 1: Muito bem, vão só aguardar um minutinho e já vos chamo.


Primeiro momento de constrangimento ultrapassado com sucesso. Nível dois desbloqueado.

Fomos então chamados para uma sala, onde se encontravam vários promotores que iram fazer uma apresentação da agência de viagens e tentar fidelizar os vouchariano que ali se encontrassem. Devo dizer que o promotor que nos calhou era bastante simpático, ao contrário do fulano que estava encarregue de apresentar as propostas de pagamentos para a fidelização. Era um bronco autêntico e, vendo que não estávamos interessados nos valores que nos apresentaram, questionou várias vezes, ainda que indirectamente, se o promotor tinha ou não feito bem o seu trabalho, ao ponto de ter tido necessidade de lhe responder na mesma moeda. Se foi bom a tentar persuadir-nos? Sem dúvida. Mais ainda conseguimos pensar pela nossa cabeça, muito obrigada.

Mas como eu ia a dizer, o promotor lá iniciou a sua apresentação, começando por explicar como fazíamos para utilizar o voucher. Alguns blá blá blás depois, o rapaz abriu o voucher para nos mostrar e acabar de preencher e, fazendo uma pausa, pergunta:

Indivíduo 2: Mas quem é advogado dos dois?
Nightwisha Maria *erguendo o braço*: Eu.
Indivíduo 2: Bem... houve aqui uma confusão...
*Nighwisha Maria e Moço olham para o voucher e vêem que o único campo preenchido é a profissão... da Nightwisha Maria. Ainda pensam que há dois papeluchos para preencher, um para cada uma das pessoas em causa, já que o voucher só podia ser levantado em casal. Mas não, era apenas um papel para os dois.
Indivíduo 2: Bem, é para usarem os dois, não é verdade?
Nightwisha Maria e Moço: Sim.
Indivíduo 1: É que o meu colega preencheu o voucher com a profissão da Nightwisha Maria, apesar do contacto ser o Moço. Mas sendo assim, como é para usarem os dois... Vai levar a Nighwisha Maria, não vai Moço?? *risos* Vamos então preencher o voucher com os dados da Nightwisha Maria e depois coloco os contactos dos dois.
Nightwisha Maria e Moço - Ok.

Segundo momento de constrangimento ultrapassado com sucesso. Nível três desbloqueado, para aturar o palerma de quem já vos falei em cima. Naquele momento não deu para falar nada entre mim e o Moço, mas o meu alerta de *situação surreal* fez timm timm timm, mayday mayday! Ele era o contacto, mas eu é que tinha a profissão que interessava, a profissão que traz dinheiro para casa (not yet), a profissão nobre. Até o promotor ficou constrangido, mas até que conseguiu dar a volta à coisa sem fazer grande aparato. E isso é mais uma prova para o bronco de que ele é um bom profissional.


Claro que, no final, e em retrospectiva, a coisa deu para rir, mas mais para não chorar. Não entendo estas mentalidades comezinhas sobre nobreza de profissões. Se eu gosto daquilo que faço? Claro! Não investi anos e anos da minha vida para nada, muito menos para ter um suposto título. Mas a nobreza, independentemente do trabalho, nem sempre fácil, que eu e os meus colegas desempenhamos todos os dias, está, precisamente, no carácter de todos nós, não na nossa cédula profissional. Uma profissão é nobre quando os seus membros o são "cá dentro" e não nos botões do casaco. E não, não castigamos ninguém em nome da Lua.

Cheguei à conclusão, um pouco triste, que o Moço é tipo o Príncipe Philip, Duque de Edimburgo. Não sabem quem é? Pois eu também não sabia até às comemorações dos noventa anos da Rainha Elizabeth II de Inglaterra. Sabem aquele senhor de certa idade, com vestimenta militar, que anda sempre com ela para todo o lado e que se mantém a uma passo a trás da monarca? Pois bem, é o marido dela, o Príncipe Philip da Grécia e da Dinamarca, Duque de Edimburgo. E eu que pensava que a mulher era viúva há décadas.

sábado, 7 de janeiro de 2017

Never give up, never surrender

Poderão ter achado estranho que, desde a virada do ano, a vossa fantástica Nightwisha Maria, Primeira de Seu Nome (e muito humilde, portantos), deu numa de desaparecida.

Mas isso tem uma explicação. Perto do final do ano recebi uma notificação a informar que a minha oral de agregação estava marcado para 06 de Janeiro. Esse é, para quem ainda se inscreveu na Ordem dos Advogados ao abrigo do anterior estatuto, o último exame de estágio e que ditaria se seria, finalmente, advogada.

Nunca me senti tão nervosa ou tanta pressão nas minhas costas. Já tive um curso para terminar, uma tese de mestrado para defender, mas nada disso se comparou a este obstáculo que, tal como muitos outros, teria que ultrapassar. Passei mais de uma semana enterrada em papeis, hipóteses, momentos em que achava que seria invencível e outros, porém, que não teria forças suficientes. Fui confortada por algumas pessoas próximas, como o Moço que esteve incondicionalmente ao meu lado, e desconsiderada por outras pessoas igualmente próximas, que nunca deram valor aos meus sacrifícios e que acham que a minha obrigação é ter sempre sucesso. Quanto a estas últimas, não lhes dedicarei, aqui, mais nenhuma linha.

Ontem senti o peso do mundo em cima de mim. Mas posso dizer com muita satisfação e gratidão para os que estiveram ao meu lado que, ao cabo de cerca de oito anos e meio de formação entre licenciatura, mestrado e várias fases de estágio, de sacrifícios, de luta, de alegrias, de desilusões, e dos sonhos que fui deixando pelo caminho em nome de um outro sonho maior, que consegui passar na oral e que sou, FINALMENTE, Advogada.

Acredito piamente que as cuecas de Star Wars que estava a usar também fizeram o seu trabalho e têm quota parte no meu sucesso.

Agora, seque-se mais trabalho, muito mais trabalho. Se vai fácil? Claro que não. Mas sei que consegui ter a profissão que quis. Never give up, never surrender.



Galaxy Quest (1999), em português Heróis Fora de Órbita, é um filme norte-americano e uma paródia de Star Trek, cuja catchy frase é never give up, never surrender. Apesar de ser uma comédia, é um filme fantástico, tem aquela sempre presente componente dramática sobre acreditar em si mesmo. Vejam este filme, valerá a pena.

sábado, 31 de dezembro de 2016

The best of the worst year ever ou Até para o ano que já estou farta de 2016

O ano que está prestes a abandonar-nos foi, por várias razões, dos piores que me consigo lembrar. Sobretudo, depois do Leo ter ganho o raio do Oscar. Tenho para mim que tal evento não estava predestinado a acontecer e que, graças ao roçanso com a Lady Gaga, ocorreu ali alguma fricção mais próxima de um ritual a Belzebu que outra coisa. Leo, se me estás a ouvir, és muito jeitoso e até tentas alertar o pessoal para os problemas do meio ambiente, essa invenção dos Chineses, como diz o o teu futuro presidente, mas devolve a estatueta. O mundo não é o mesmo. Até pode ser que recebas a tua alma de volta, sem grandes mossas. E convenhamos, ter um moço dourado e nú na prateleira, denota uma certa falta de gosto e decoro.

Mas de entre muitas tristezas e algumas alegrias também, o ano já está no seu final. Tenho apenas pena que não se tenha cancelado o natal, mas lá diz o ditado que não se pode ter tudo. O Leo quis o Oscar e já estamos a ver no que isso deu.

Não me vou estar aqui a pôr com tretas, a fazer listas de resoluções do novo ano, que toda a gente sabe que não será para cumprir, e pensar em coisas exequíveis mas que tenham alguma importância que não o trivial "saudinha e paz no mundo", estilo Miss Qualquer Coisa, dá muito trabalho.

Por isso, vou deixar-vos uma lista dos dez posts mais emocionantes, por boas ou más razões, para rirem ou chorarem, conforme os gostos. Podem sempre chorar a rir, que eu também deixo:
E agora, um post de bónus: Dear Nico (se nunca nos dão os volumes/ número de filmes/ fascículos de uma colecção qualquer da Planeta DeAgostini que nos prometeram, mas sempre mais qualquer coisinha, aqui o tasco local extremamente requintado não ia ser diferente). O post sobre a edição de 2016 da Comic Con fica para o ano, que ainda estou a escarafunchar essa net toda à procura de fotos... Mas vai valer a pena =P

Apesar dos momentos piadéticos, a verdade é que estou farta deste ano. Já me levaste o meu Prince Severus e a Princess Leia, por isso, põe-te a mexer.


Só espero piamente que, quando chegarmos a 2017, a "coisa" não tenha com uma legenda a acompanhar onde conste "2016, parte II". Isso sim, merece qualquer coisa a roçar (ahahahah!! Sou doida, não se vê logo?!) um ritual de Belzebu. Mas ao menos, que seja para roçar um espécime do sexo masculino. E jeitoso, vá.

terça-feira, 20 de dezembro de 2016

A grande purga

A incursão pelo mundo da Comic Con, fez despertar em mim algumas memórias bem queridas mas, ao mesmo tempo, bastante tristes. O evento foi brutal, ainda estou a recuperar as horas de sono perdidas (ainda que por uma boa causa) e a reunir todas as fotos que andam espalhadas por aí. Terei um post sobre a CCPT 2016 para vocês depois do natal, mas sinto ser importante libertar isto que vai cá dentro.

Graças a uma das bancas presentes no evento, uma catadupa de sentimentos voltou a mim. O meu kokoro parou quando vi os fios com Polly Pockets em prata da Jewels don't Shine. Desde aí, não consigo pensar nas minhas pequenas caixas de bolso, onde cabiam mundos inteiros. Os meus brinquedos. Que já não tenho.


Em criança, sempre fui muito cuidadosa com os meus brinquedos, assim como com os que eram de outros. Adorava ter guardado toda e cada uma dessas peças mágicas, mas tal desejo foi-me retirado à força. Um dia, os adultos acharam-me "demasiado crescida" para conservar brinquedos, coisas que apenas ocupavam espaço e não tinham qualquer serventia. Mas ao invés de os dar a outra criança, para a fazer feliz, os meus pais decidiram mandar cada um dos meus brinquedos para o abismo de um saco preto do lixo de 100 litros. Na minha frente. Enquanto me diziam que nunca mais ia precisar de nenhum daqueles items. A minha infância, as minhas memórias, as minhas Polly Pockets, as minhas figuras de Dragon Ball, as mobílias em plástico das lojas dos trezentos da única casinha de bonecas que pude ter, e tantas, tantas outras coisas, no contentor do lixo.

Imagens das Vintage Polly Pocket (Bluebird Toys) iguais às que eu tinha: Polly's Cafe (1989), Midge's
Flower Shop (1990) e Polly Pocket Birthday Partytime Surprise (1989).


Poucas coisas resistiram ao marco a que chamo A Grande Purga. Pequenos tesouros que, por um acaso da sorte, estavam "perdidos" num qualquer local imprevisível. Curiosamente, ou não, há pouco tempo a minha avó descobriu, num móvel da sua casa, meia perdida, uma saca com os meus Mighty Morphin Power Rangers. Um pouco confusa, chegou a pensar que eram do meu pai, mas eu, eu sabia que era a minha infância a voltar, à força, para mim. Fiquei incrédula e a arrebentar de alegria ao mesmo tempo, algo que não passou despercebido à minha avó, a qual me respondeu: "Eu ia dar isto ao teu pai e ia fazer uma grande asneira sem saber! Ainda bem que tos dei a ti caso contrário, estariam no lixo."

Não são os meus, mas são iguais. Tenho a colecção quase toda, visto que me falta o Power Ranger azul. Se se tocar no botão que têm no cinto, as cabeças mudam de "humanos normais"para os capacetes do seu fato de heróis.


Os brinquedos do meu pai, os quais ele apenas me emprestou e permanecem indiscutibilidade dele, estão sacralmente guardados.

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Walls

Eu cá não sou pessoa de me meter em politiquices, mas há muito mais do que isso envolvido na última eleição à presidência dos USA.

Bem cedinho, quando ouvi que o Senhor Trump seria o novo detentor de uns quantos códigos nucleares, pensei que tinha dormido demasiado e acordado no primeiro dia do mês de Abril de 2017, estilo Cinderella pobreta (a outra dormiu por cem anos, eu só me posso ficar por alguns meses). Mas afinal era verdade. Podemos dizer, sem grande alarido ou razão de ciência, que ganhou o descontentamento e a ignorância. Hillary não era a melhor candidata, mas era, sem dúvida, uma opção melhor que esse senhor que foi eleito chefe de estado da "terra da liberdade".

Sejamos sinceros: a América tem o presidente que escolheu. Reflectindo com um pouco de calma, a verdade é que a América tem um presidente à sua imagem e semelhança. O pai de Trump é filho de emigrantes alemães, a mãe é escocesa. Estudou num colégio militar e fez fortuna com a ajuda do pai e à custa do trabalho de gente humilde, na sua maioria, negros e hispânicos, a quem paga miseravelmente. A América foi edificada pelos emigrantes europeus, oriundos sobretudo do UK, e que dizimaram os índios que os ensinaram a trabalhar a terra para não passar fome. Depois, sem mão de obra ao dispor, os colonos brancos importaram uns quantos escravos negros para trabalhar, aquecer as camas e chicotear quando necessário.

A vitória de Trump não é apenas uma derrota de Hillary e os seus democratas. É uma derrota para o mundo inteiro, que poderá ficar comprometido, a qualquer momento, com apenas uma palavra daquele senhor. Talvez os Americanos que elegeram Trump (e que, segundo o próprio, pelo menos nos idos anos 80, são burros e acreditam em qualquer coisa), não tenham realmente a noção do que é ter um louco a governar o seu destino, cujo país pode ser descrito, poucas palavras, como sendo desprovido de História, cultura ou mitologia. A Europa, continente de "grandes snobs", ao contrário, teve duas guerras mundiais travadas no seu território, viu um vasto número de impérios erguer-se e tornar-se cinza, foi palco de bizarros espectáculos proporcionados por diversos lideres despóticos. A América, país com uns meros 240 anos, nas sábias palavras de Alejandro Jodorowsky, tem o Super Homem.

Hoje, no dia em que, há vinte e sete anos, muros foram derrubados, outros se levantam. E não são apenas muros físicos, que dividem geografias, são muros que existem dentro e por dentro da Humanidade. Muros cujos tijolos são a intolerância, o racismo, a xenofobia, a homofobia, a descriminação, o ódio, a ignorância. Posso estar enganada, e espero que, mais tarde, se perceba que sim, mas temo que a Liberdade tenha sido despedida.



ADENDA: Acabei agora de reparar numa coisa curiosa e relativamente desconcertante. Ontem foram 09 de Novembro. 9/11.

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Eu e o Jared Leto usamos o mesmo creme anti-rugas


Certo dia, estava numa esplanada com alguns colegas do escritório. Eram todos mais velhos que eu. Eis senão quando, um indivíduo, aproximando-se da nossa mesa, e depois de cumprimentar um dos meus colegas, alvitrou que eu seria a filha dele. O meu colega desfez logo o engano, em resposta do que, o mesmo indivíduo, pedindo desculpa, declarou que pensava que eu tinha dezasseis anos.

Eu só tenho mais dez.

Ok, não vou negar que, daqui a uns anos, vai-me saber bem já estar nos trinta e tirarem-me uns anitos de cima dos ombros e das linhas finas do rosto. Noutras circunstâncias teria rido, mas esta situação foi simplesmente infeliz e desnecessária. É muito chato quando, mesmo que te "vistas bem" e uses saltos altos, ninguém te respeita no trabalho (não foi o caso, mas houve situações que não esteve muito longe) só porque tens bons genes anti-envelhecimento. Não vou fazer umas plástica à cara para parecer mais velha. E não vejo ninguém a queixar-se da fresca vitalidade do Jared Leto.

Resta-me o truque da cara à la Wednesday Addams. Se estiver de trombas, pelo menos, as pessoas pensam duas vezes antes de vomitarem a primeira alarvidade que lhes vier à moleirinha. Por incrível que pareça, ter ar de maldisposta funciona melhor que ser-se bem educada. Porquê, nunca entenderei.

Ainda assim, sempre me consola pensar de mim para comigo que, daqui a uma década, eu vou ter a fuça linda e viçosa, e as meninas pintadinhas e "muito adultas" vão ter a cara como a segunda circular. Nesses momentos, pode ser que um sorriso, também à la Wednesday, passe pela minha face.

A minha vida dava uma Ramona. Um dia destes, quem sabe.



# eueojaredletousamosomesmocremeantirugas # maseunaosouvegetarianacomoele
# bemseiquecomervegetaisfazbem # masquememtiraumbifinhodevacaeunscamaroezinhostirametudo
# tambemnãofumoerva # ejaagoraachristinariccitambemnaoestanadamalparaaidade
# seraqueelafumaerva # oufoidealgumacoisafumegantequebebeunasrodagensdafamiliaaddams

domingo, 11 de setembro de 2016

A anatomia de um autocarro

Confesso que não ando muito de transportes públicos, mas quando vou e venho da terrinha, viajo de autocarro, por falta de alternativas, uma vez que não sei conduzir nem tenho carro (isso de ter carta de condução não é condição para se saber, ou não, conduzir...). Mas oh Nightwisha Maria, não sabes onde fica a estação de comboios? Sei, mas desisti. Depois de uns dois anos de greves que eu nunca conseguia perceber quando eram (eram sempre, vá) da CP, decidi mandá-los para o raio que os parta e passei a andar de autocarro. É mais barato (mesmo que tivesse carro, o Orçamento de Estado da Ditadura da Minha Casa não me concederia verba para a gasolina), passa perto de casa e não tenho que fazer transbordos, que ficar quase uma hora em Nine, que não tem nada perto, muitas vezes à noite, era coisa que me punha os nervos em franja.


Por isso, autocarros. Mas as viagens de e para a terrinha são uma autêntica saga. Não tenho expressos. Demoro, de Viana a Braga e vice-versa, quase duas horas, porque o autocarro vai dar a volta pelo bilhar grande, às terrinhas que a maioria das pessoas não sabe que existe, literalmente, por montes e vales e ravinas que não devem ser espreitadas por pessoas com vertigens. Os autocarros não têm internet para me entreter e ler um livro ou até uma sms no telemóvel é coisa para me nausear até à semana seguinte. Por isso, vou o caminho todo a ouvir música. E (infelizmente) a apreciar as pessoas.

Encontrar um sítio para me sentar é uma verdadeira ciência, que até parece merecer um documentário da BBC. Costumo ficar na terceira fila, lugar estratégico, portant's, uma vez que enjoo com uma facilidade quase inexplicável e, depois disso, é tombo para um lado, tombo para o outro. Se me sentar nas primeiras duas filas, a viagem é igualmente arriscada, graças à espécie mais medonha a alguma vez pôs um pé num autocarro: aqueles que morrem se não forem no primeiro banco, ali na peugada do motorista, mesmo que, para isso, se tenham que espremer junto de alguém cheio de sacas (ou malas, no meu caso), ou tenham a lata de nos mandar para outro sítio qualquer, porque aquele lugar tem de ser seu.

Depois de espalhar a minha pessoa e toda a tralha que levo comigo, não consigo deixar de apreciar o espectacular comportamento humano. As pessoas mais velhas, que vão o caminho todo a queixar-se, em altos berros, de que no seu tempo é que era, que os jovens são todos os preguiçosos e coisas que tais. Os trombudos, sempre à coca de um lugar da frente deixado vago por um velhote, o qual atacam como lobos para não o perder para outra pessoa. Aqueles que, mesmo estando o autocarro vazio, se querem sentar, à força toda, ao lado dos dois únicos ocupantes da viatura que viajam sozinhos. Há também aqueles que, onde quer que se sentem, querem meter conversa com qualquer pessoa, nem que seja a senhora que se sentou do outro lado da viatura, só para não ficarem a olhar para o balão.

A viagem em si, pelas horas que passo a ouvir música e a olhar pela janela, sem muitas vezes ver a paisagem porque me encontro distraída nos meus próprios pensamentos, é bastante agradável. São, aliás, óptimas para descansar simplesmente, ou para aproveitar para fazer um exercício de introspecção (é daí que vêm muitas ideias para os posts daqui do WalC). Mas as pessoas irritam-me a alma. Por isso, viajo sempre caladinha, com os meus phones enterrados nas orelhas, a ver se ninguém repara em mim a "estudar" o quão estranhos nós, humanos, conseguimos ser.


Hoje vou andar de autocarro numa dessas viagens. Acendam uma velinha pela minha paciência, fachabori. Ela (a minha paciência) vai precisar.

domingo, 31 de julho de 2016

Always, ou Ten years less ten days

Terminei de ler a saga Harry Potter há dias... e continuo a processar a experiência. Não consigo acreditar que, depois de todos os estes anos... finalmente terminou.

Acho que nunca estive, realmente, preparada. Foram tantos anos, mas foi demasiado rápido. É algo que não consigo explicar. Olhando para trás, não foi só o pequeno Harry, deixado na porta do n.º 4 de Privet Drive que sobreviveu.


Tudo começou, era eu ainda uma miúda, quando me ofereceram o primeiro livro da saga. Por uma palermice qualquer, a história não me prendeu logo no início e, em vez de insistir na leitura, após algumas páginas, decidi pousar o livro na estante. Todos nós já cometemos erros na vida, e para uma rapariga de 10 ou 11 anos, que ainda estava, sozinha, a descobrir as mavarilhas da leitura, é quase desculpável. Mas, passado algum tempo, e graças a um rasgo de sorte, vi num grande ecrã de cinema as imagens que, um dia, se tinham formado na minha imaginação... a partir das primeiras páginas de um livro que eu ousei pousar na estante. Uma gata com manchas nos olhos, que faziam lembrar um par de óculos, um ancião de longas barbas cor de prata que conseguia apagar as luzes dos lampiões e de um rapaz com uma cicatriz em forma de raio.

A partir desse momento, os livros de J.K. Rowling, e a magia que as suas páginas encerravam, e que não provinha apenas da varinhas e sortilégios, não mais me abandonou. E hoje, sinto-me grata por isso. Foi essa magia que me fez sonhar e que me fez procurar a luz nos lugares mais escuros. Foi essa magia que me fez rir e chorar. Foi essa magia que me ensinou a não julgar e a aceitar a todos como iguais. Foi essa magia que me fez perceber a diferença entre o bem e o mal, e que o mundo não está dividido entre pessoas boas e más, porque o bem e o mal vivem ambos dentro de nós. Foi essa magia que me fez conhecer locais e pessoas maravilhosas, ainda que apenas feitos de tinta impressa em papel. Foi essa magia que me fez crescer. E ser feliz.


Pode parecer fantasioso e idílico, mas foi em Hogwarts que encontrei um refúgio para o labirinto para a vida real, quando a realidade era demasiado angustiante. E foi esse mundo que me agarrou às suas páginas. No entanto, descobri muitos anos depois, (mas nunca demasiado tarde), que as suas portas sempre estiveram abertas para mim e que a sua ajuda sempre seria dada àqueles que a pedissem. Ou melhor, àqueles que a merecessem. E como o filho pródigo da parábola, voltei aos portões onde a magia (aquela magia que fizera parte de mim e que, na verdade, nunca me abandonou) acontece. Voltei a ver as cores da minha equipa e às masmorras. Voltei a ver as mais espantosas e maravilhosas criaturas. Voltei a ver as loucuras dos gémeos que tanto adorava e das quais tinha mais saudades do que aquelas que imaginava possíveis. Reencontrei caras conhecidas e queridas, muitas delas ruivas e sardentas dos Weasley, a família que nunca tive e sempre desejei. Do bonacheirão e desastrado Longbottom, que apenas precisava aprender a acreditar em si mesmo. Do pálido Malfoy que desejava, somente, viver para deixar o seu pai orgulhoso, mas que parecia nunca conseguir, aos seus olhos, nunca ser suficiente. Da força da professora de Transfiguração, da quietude de mármore, salpicada de sabedoria (ainda que um pouco tendenciosa) do Director, do silêncio e da verdade do Príncipe das Poções.


Enquanto lia, pela primeira vez, o último volume e as derradeiras páginas desta saga, chorando a queda de alguns heróis, sentia que estava, finalmente, a chegar ao fim de um ciclo que, durante anos, não permiti que se fechasse. Se, por um lado, queria saber como, afinal, tudo acaba, por outro, não queria que aquela história tivesse, alguma vez, fim. Mas o momento tinha chegado. Não sei o que senti, se foram todas as emoções do mundo, ou nenhuma. Senti-me plena. Senti-me vazia. Senti-me eu.

Eu nasci, precisamente, dez anos menos 10 dias depois do Rapaz que Sobreviveu. Mas não me sinto menos Eleita do que ele. Even after all this time?





# isolemnlyswearthatiamuptonogood  # wearethechosenones  # wereallborninlatejuly
# regardlessourage  # regardlessourgender  # regardlessourblodline
# happybirthdatejo  # happybdaymrsjkrowling  # happybirthdateharryjamespotter
# happylateonceagainbdaynevilelongbottom  # letsraiseourwandsonceagain  # always  # prince
# mischiefmanaged

segunda-feira, 18 de julho de 2016

It can't rain all the time

Às vezes, o universo arranja forma de falar connosco, mas nem a todos é concedido o dom de o ouvir.

Não posso dizer que, de certa forma, não estivesse à espera. O universo falou, eu fiz de conta que não estava a ouvir. Se bem que isso não adiantou coisa nenhuma. A caça dos dragões não correu assim lá muito bem. Chumbei no exame da ordem com 9.13 valores. Primeiro veio a raiva. Depois veio a tristeza e a desilusão. Primeiro vieram os nomes feios que atirei, sem peias, a meio mundo. Depois vieram as lágrimas de quem sente, ao fim de tantas batalhas e de regas do jogo invariadamente transmutadas à nossa revelia, a começar a perder as forças.

Mas a verdade é que chumbei e tenho que aceitar as minhas (minhas?) fraquezas. Chumbei num exame em que, "outrora", quase todos passavam. Mas as regras do jogo mudaram e ninguém me perguntou (ou ao resto dos cerca de 70% dos reprovados) se estava de acordo. Acima de tudo, acho que me sinto decepcionada. Comigo, claro. Mas não só. Agora, resta-me pedir a revisão da prova e esperar conseguir as quatro décimas que almejo. Se tudo correr mal, poderei repetir o exame mais uma vez. Parece pouco, mas o custo será mais alguns meses de longa e dolorosa espera, em que me parecerá que a vida, no geral, seguirá em frente, e eu ficarei para trás. Vai ser difícil, mas resistir terá que ser vencer.

Não vos vou pedir que me consolem. Ao invés, vou pedir que me presenteiem com uma história vossa. Poderá ser qualquer uma, tendencialmente, uma que termine em gargalhadas. O stock de risos d'O Covil tem estado em baixo nos últimos dias, e penso que tem que ser feita alguma coisa em relação a isso.

Por agora, vou conceder-me o privilégio e a ousadia de cumprir o prometido, e estar alguns dias livre de corpo e mente. Finalmente terei uns dias de férias, longe da correria, da monotonia e dos problemas. A vossa ilustre concierge vai estar ausente por uma semana, e vai voltar para vós um anos mais velha. Vou à Coimbra dos amores, vou ao estádio do maior, vou voltar a Sintra e vou à capital do norte ver um jogo de Quidditch. Vou conhecer pessoas novas e rever outras. Vou tentar viver despreocupadamente.


terça-feira, 12 de julho de 2016

Coisas inexplicáveis

Não sei se vos acontece o mesmo mas, depois de um dia extenuante e em que me arrasto até ao meu lindo colchão que por acaso não é ortopédico e me dá umas dores na coluna que devia dar direito a receber uma indemnização, o meu cérebro responde que não está para aturar as minhas manias de querer dormir. Naquele momento, vêm-me à memória as anotações na agenda para o dia seguinte, o telefonema que fiquei de fazer àquela amiga há dois meses atrás ou a resposta extremamente inspiradora que me falhou numa conversa à sombra da árvore do recreio da escola primária, entrelaçadas a questões existenciais que passam por saber se os pinguins têm joelhos ou se 94% do pessoal que escreve algum gatafunho nas redes sociais vai, alguma vez, aprender a fazê-lo em língua portuguesa, sem "kapas" e com uso de vírgulas incluídos.


Por isso, tem alturas que uma pessoa dá o braço a torcer e o resto do corpo também, enquanto espera que o João Pestana faça o seu o servicinho em condições, e se deixa inundar por pensamentos sobre coisas inexplicáveis, às quais a ciência mais avançada ainda não deu resposta, tais como:

  1. Por que razão o Moço deixa sempre as portas dos armários e as prateleiras abertas e as luzes ligadas por onde quer que passe.
  2. Por que razão o Kiko recebe bilhetes grátis para a Comic Con Portugal e eu não.*  **
  3. Por que razão eu tenho sempre óptimas ideias para posts quando não há um retalhinho de papel num raio de 4371 km e, quando tento assentar alguma coisinha a escrito... já se me varreu tudo da mona.
  4. Por que razão os paizinhos insistem em contabilizar a idade dos seus petizes em meses, mesmo quando eles pesam mais que um bezerro sobredesenvolvido, já falam, já correm, já sabem mexer em iphones, ipads e ai que não tenho paciência para os aturar, já tiraram a carta e já estão prestes a terminar o curso da faculdade. A minha idade? 311 meses e meio.
  5. Por que razão nunca sei onde pousei os 273 elásticos do cabelo que normalmente tenho no pulso. Ou as sabrinas que usei ontem. Ou aquela camisola que me lembro, vagamente, de ter arrumado no armário... ou de ter atirado para cima do meio kg de roupa que se encontra, mui sacralmente, depositado no sofá há três-quinze dias.
  6. Por que razão, em praticamente todos os filmes de extraterrestes, os argumentistas/realizadores teimam em recriar os "homenzinhos verdes" como sendo seres sedentos de estabelecer contacto com a Terra, maioritariamente das vezes para a conquistar, quando euzinha só quero distância da maioria dos terrestes. Acreditem, os extraterrestes têm mais que fazer que perder tempo connosco.
  7. Por que razão, consegui encontrar sandálias pretas, número 35, numa loja que nunca, mas nunca, tem nada que me agrade e pior!, que me sirva. Comprei. Dois pares.

Começo a achar que penso demais. xD


* Ok, até sei. Mais vale um Kiko que nada tem a ver com o mundo nerd, que uma Nightisha Maria le Geek desconhecida. Noblesse oblige (vulgo, publicisse oblige).
** Kikonettes deste mundo, percebam que não tenho nada contra o Kiko. Mas um bilhete grátis dava jeito.

terça-feira, 21 de junho de 2016

Cenas da vida mirabolante

De acordo com os episódios espectaculosos com que vos presenteio com abundante regularidade, já devem ter percebido que sou uma pessoa a quem acontecem as coisas mais estapafúrdias alguma vez imaginadas. Tipo aquela criatura que está sempre lá, algures, no meio de uma multidão de povo, a levar com uns pixies da Cornualha.


Se houver algum (ou vários) tacos soltos no soalho de madeira, podem ter a certeza que sou eu quem vai tropeçar nos que estão soltos. Todos os tacos soltos. Sempre que lá passar. Todas as 8352 vezes. Sem qualquer dúvida. Estilo déjà vu da loja dos trezentos.

No dia em que o atrasado mental do motorista da TUB se lembrar de ir na faixa rodoviária central, a olhar para a morte da bezerra, mas nunca para a próxima paragem de autocarros, sou eu quem vai lá estar, a esbracejar feita doida... e não apanhar autocarro nenhum.

Se a maquinaria do escritório decidir, como por artes de belzebu, tirar férias sem vencimento e chegar ao cúmulo de não ligar (ecrãs azuis não contam...), sou eu quem vai estar a ligar e desligar fios, a fazer 13492 resets e a empoleirar-me em cima da secretária em posição de corvo (ou outra de yoga extremamente difícil) para ver se se dá um ritual qualquer desconhecido e aquelas geringonças decidam voltar à vida.

No exacto momento em que o elevador não estiver virado para a grotesca função de funcionar, sou eu quem vai ter que se descalçar para conseguir subir quatro andares de escadas, com meia tonelada de lancheira, processos e tamancos na mão.


Como podem ver, tenho muitos atributos e uma vida plenamente preenchida. Estas foram as peripécias de hoje... e o dia ainda não acabou. Devo ser parente do Neville Longbottom e ainda ninguém descobriu. Mas os amiguinhos do Voldy apagaram os registos dos muggleborns nascidos entre 1985 e 1998, por isso, não me admirava nada. Já agora, já que tenho os genes da desastrice, também me dava jeito ter os da jeitosice que se revelam depois da adolescência. Esses ainda não se manifestaram.

Entretanto, enquanto a minha carta de Hogwarts não chega, podem sempre contactar-me quando precisem de alguém que descubra os vossos tacos descolados. Não é que eu não esteja habituada. E os trocos davam-me jeito.

sexta-feira, 27 de maio de 2016

Dragon Hunters

Depois de algum tempo de ausência, e de ter sobrevivido ao pior exame escrito da minha vida... estou de volta. É quase caso para dizer que regressei dos mortos.

As últimas semanas antes do derradeiro momento de auto-flagelação, comummente conhecido como exame de agregação da ordem dos advogados, foram intensas. Por isso, afastei-me de praticamente tudo o que me pudesse distrair, inclusivamente da leitura. Tornei-me perita na grelha de programação da RTP2 no que concerne a desenhos animados*, que me faziam companhia enquanto desesperava no meio dos calhamaços e da papelada. Também andei insuportável.

A passada sexta-feira foi dia de enfrentar o dito "pelos cornos", rumo ao Porto, onde fiz o meu exame, juntamente com o Moço (que esteve durante horas, estoicamente, à minha espera) e um trolley cheio de códigos até abarrotar. A demanda avizinhava-se difícil. Primeiro, porque era o dia em que as provas do Rally de Portugal iam tomar lugar naquela cidade. Alegadamente, uma grande parte das ruas do centro do Porto estaria cortada ou congestionada e, se os senhores estagiários quisessem fazer o exame, teriam de se desenrascar.

Depois, acordar às 05:15 horas para fazer um exame que iria abarcar parte da manhã e da tarde, com a duração total de cinco horas e meia e incidiria sobre cinco temas/ramos do direito, é coisa para nos deixar mais que desvairados. Já no Porto, e pouco depois de sair do metro... esconchavei uma roda do trolley. Fui a pé até ao locar do exame, constatando, surpresa, que o trânsito circulava sem qualquer reparo. Afinal, apenas os Aliados e pouco mais estavam cortados, tinham colocado passagens para os peões e não havia estações de metro fechadas. Aí, o ânimo era geral: parecia que estávamos todos prestes a ir para o cadafalso. Não saímos melhor. O exame que se nos apresentou foi, sem qualquer dúvida, um dos mais longos e difíceis de sempre. Mas há que ter confiança. É nestes momentos que temos que pensar que nem tudo é justo. Custa, custa mesmo muito, mas se é para ser, que seja para vencer.

Aproveitei as horas que se seguiram, assim que me vi "uma mulher livre", a conceder-me o direito de não pensar mais no assunto. Comprei um livro num dos muitos alfarrabistas da zona. Fomos passear com um casal amigo para a Foz e acabamos por jantar com eles comida asiática. Nos dias que se seguiram, decidi tirar umas férias de mim mesma. Acho que, agora, estou finalmente pronta para voltar a ser eu. Falta-me, apenas, consegui repor as horas de sono perdidas ^^


* Dragon Hunters (Chasseurs de Dragons no original) é uma animação francesa que é transmitida pela RTP2, duarnte a tarde. Foi com bastante admiração que constatei que a música de abertura, com o mesmo nome, é dos ingleses The Cure. Por todas as razões possíveis e imaginárias é, sem dúvida, uma música adequada à ocasião.

quinta-feira, 28 de abril de 2016

Aceitam-se recomendações de bons restaurantes na Rússia

Sinto-me a resvalar para o desespero. Mais ou menos figurativamente. É a pressão do exame que se aproxima a passos largos, as responsabilidades no escritório (uma vez que desaparecer da face da Terra durante umas semanas não é opção, pois atirar para os ombros de outros as minhas responsabilidades é falta de respeito e de carácter e, disso, felizmente não sofro) e todos os típicos problemas e pressões pessoais das quais não me livram livro.

Essencialmente, preciso de férias. À noite, antes de dormir, ainda tento ler uns capítulos, mas nem sempre consigo. Vou-me distraindo, para não dar gripar o motor, como posso. Isso faz-me lembrar que da última vez que tive de férias, nas duas últimas semanas de Agosto (acreditem em mim quando vos digo que o natal não contou).

No início de Setembro, já de volta às andanças do escritório, recebi uma colega que costuma ter processos connosco. Enquanto fazia um pouco de sala (noblesse oblige...), e se faziam e respondiam às perguntas da praxe, essa colega confessou que, durante as férias judiciais tentou ir à Rússia, mas não conseguiu porque não havia vagas em lado nenhum. Por fim, acabou por passar uns dias numa casa de férias, no Norte. E, como mandam as convenções sociais, questionou-me onde tinha passado as minhas férias.



Instalou-se, por momentos, um silêncio estranho. Tenho a leve sensação que a colega achou que estava no gozo com ela... Mas nunca saberemos. Depois passou-se ao tópico seguinte, igualmente desinteressante, até chegar outro colega e me substituir nessa nobre arte de encher chouriços de forma erudita, a qual eu, claramente, não domino. Competir com a Rússia, com três dias de acampamento numa aldeia perdida no mapa, só para os fortes... ou para os doidos que não têm vergonha na cara.

sábado, 16 de abril de 2016

Sabes que a tua vida está no declínio quando...

1. Vais no autocarro e arregalas as orelhas quando ouves falar que houve confusão no cemitério. Pessoalmente, quero lá saber, mas pode ser uma boa oportunidade de arranjar novos clientes.
2. Vês a publicidade de um novo programa de culinária chamado "Massa Fresca" e achas que até escolheram um bom nome. É interessante e fica no ouvido. Depois dizem-te que, afinal, é o nome de uma novela.
3. Ouves rádio e passam uma música do Shaw Mendes, logo seguida de outra do Justin Bieber. Duas vezes, em dias diferentes. Pior que isso, só o facto de conseguires reconhecer as músicas.
4. De manhã bem cedinho, e ainda com os olhos semi-fechados como um gatinho recém-nascido, encontras duas meias que fazem par.
5. O ponto alto do teu dia é imaginares que estás a cuspir na cara da Umbridge. (Estou a reler a Ordem de Fénix pois claro ^^).
6. Não sabes o que é dormir uma noite seguida, sem acordares a meio da noite a pensar em reclamações de crédito, pensões de alimentos e medidas de coação. Não necessariamente por esta ordem.
7. Vais a uma loja comprar um baton... e sais de lá com cuecas do Winnie the Pooh.

Sabes que a tua vida está no declínio quando este é o resumo daquilo que se tem passado, com mais relevância, nos últimos dias. Nunca pior. As cuecas do Winnie the Pooh são bem "fitxes"... e a Umbridge estava mesmo a pedi-las!

terça-feira, 29 de março de 2016

Epicamente


Quem me conhece há algum tempo sabe do meu gosto desmesurado pela leitura. Adoro ler, mas também não é nenhuma mentira nenhuma que também gosto de escrever - afinal, tenho um blog onde espalho, aqui e ali, um episódio diário, uma trenguice qualquer, ou um pensamento mais ou menos sério - e posso dizer que conheço relativamente bem o mercado livreiro e editorial (e do qual já falei do assunto aqui).

Há uns dias, enquanto estava a estudar, tinha a tv ligada e estava a ser transmitida uma novela que está agora a ser repetida. Apanhei, "no barulho das luzes", a seguinte cena:
- Indivíduo 1: Se calar, devia fazer como "Não Sei das Quantas" e despedir-me. Assim tinha mais tempo para escrever.
- Indivíduo 2: E depois como arranjavas dinheiro para pagar à editora para publicar os teus livros?

Assinar com uma editora é algo comparável que fazer um pacto com Belzebu. O autor cria a obra e cede o direito de edição e publicação, a troco de um género de royalties sempre que um exemplar, físico ou digital, depende dos pactos, vulgo, contratos, seja vendido. É certo que a editora "toma para si" os custos e riscos de publicação, mas também é certo que só investem naquilo que sabem que lhes vai dar lucro. Se acham que as editoras existem apenas para prosseguir o nobre interesse cultural, esqueçam. Como empresas que são, acima do intuito cultural, está o económico. Ainda assim, com as editoras sabemos com o que contar. Se é para fazer um pacto, que seja com o Boss dos sete círculos do inferno e não com um diabrete saltitão que por ali anda - diabretes mais conhecidos como plataformas/editoras de auto-publicação, vulgo, impressoras com um nome chique, das quais a mais conhecida é, provavelmente, a Chiado. Nunca procurei saber como essas empresas funcionam, pois não tenho grande referência de uma editora que, essencialmente, cobra aos autores para os publicar, independentemente da qualidade (da obra, e dos seus serviços de edição, paginação, et cetera...).


E eis senão quando... descobri que a Saída de Emergência decidiu que o seu nome não estava suficientemente na lama e criou a Editora Épica. Fui ao site deles e li todas as informações que aí disponibilizam e ainda o "Manual de Publicação para Escritores" (que, contrariamente ao que fazem crer, pode ser descarregado sem que seja preenchido o formulário disponibilizado, que só está ali para enganar o pessoal e fazer com que as vossas informações façam parte de uma base de dados de possíveis clientes deles, vulgo, autores editados por eles).

É simplesmente revoltante. No essencial, a Editora Épica oferece os seus serviços em forma de packs, que consistem na criação de exemplares físicos e/ou digitais, dependendo dos pack(tos), até 250 páginas (mais do que isso... só com orçamento), e ainda alguns serviços de markting (no caso das opções mais caras), sempre a preços exorbitantes. Os serviços de edição e revisão de texto sobejamente apregoados são... opcionais e passíveis de orçamento, ou seja, não se encontram incluídos nos referidos preços exorbitantes. Capas personalizadas - era para rir ou também se paga à parte?!

Apesar dos serviços de impressora (que é isso que realmente são), nem todas as obras são publicadas, só aquelas que passarem no crivo da empresa. Em caso positivo, por cada exemplar vendido, a editora/super impressora oferece aos autores 15% do preço de capa. Mas isso é antes ou depois de o autor pagar para ser publicado? Por essa margem, vou ali às 294 reprografias à volta da universidade, aproveito e faço uns cartões também, ou publico em formato digital, ainda que a preços substancialmente mais baixos, e saí-me mais barato.

Mas calma lá! "Se o seu livro autopublicado na Editora Épica vender mais de 1.000 exemplares nas livrarias, está de parabéns, é sinal que encontrou o seu público. Como tal, vai receber uma prenda imediata: o seu manuscrito beneficiará de uma revisão e edição de texto profissional (sem qualquer custo para si), e será relançado pela casa mãe, a editora Saída de Emergência, com nova capa e ao lado de alguns dos maiores bestsellers do mundo." (sublinhado nosso). Depois do autor e a sua obra serem conhecidos, para o que esta empresa pouco ou nada contribuiu, já estão muito interessados em assinar um pacto, vulgo, contrato, muito profissional, onde vão tirar, duplamente, partido do esforço alheio.

E só uma nota jurídica, que disso, eu realmente sei qualquer coisinha: a editora não oferece direitos nenhuns. Oferece parte do preço recebido pela venda de um exemplar, tipo royalties. Mais, nenhuma editora fica/é proprietário de todos os direitos do autor sobre a obra nem, caso o autor queira editar com outra empresa, tem que comprar os seus direitos de novo. O contrato em causa trata apenas de direitos de edição e publicação. São direitos meramente patrimoniais, visto que os pessoais nunca deixam a esfera do autor, mesmo depois da sua morte e da queda da obra no domínio público. E os contratos têm prazo. Podem ser renovados ou simplesmente terminar, caso em que o autor poderá, livremente, editar com outra empresa. Vale tudo, portanto.

Para quem não quer esperar... é um mau negócio, no mínimo. Aliciar possíveis clientes deles, vulgo, autores editados, com as 12 editoras que recusaram a publicação de Harry Potter de J.K Rowling, ou com as "auto-publicações" de autores de um século em que as fotografias a cores eram ficção científica (os outros estão apenas a preto e branco para não se notar a diferença de épocas), é moralmente reprovável, para não dizer mais. A vontade desmesurada de se ser editado não me é desconhecida, mas a aceito a qualquer custo. É verdade que há muito talento por aí desperdiçado, e a auto-publicação não é uma alternativa da qual não sou contra, mas isso não justifica consentir em ser-se deslumbrado e enganado. Os "Sims" e os "Nãos" existem como tudo na vida. Não desistam e trabalhem para melhorar todos os dias. Valorizem-se, a vocês e às vossas obras.

domingo, 20 de março de 2016

Blossom

Pois é... tenho andado assim um pouco para o desaparecida. Vocês já sabem como é: há alturas que me dá assim uma tontice de hibernação e passo uns tempos sem aparecer. Mas depois volto, claro! =)


E pareceu-me bem voltar precisamente hoje, no equinócio de primavera, que marca o início de uma nova estação. Na onda da mudança. Agora, os dias começam a ficar "maiores" outra vez, já não está aquele frio glacial que fazia congelar os neurónios dentro da moleirinha, as árvores começam a florir e eu volto à minha saga de espirrar e me coçar que nem uma doida à conta das alergias, toda a gente começa a "córtir" o bom tempo e eu tenho que ficar cá dentro a estudar para o exame de agregação que finalmente a Ordem decidiu marcar. Olho para o dia 20 de Maio, ali escarrapachado no calendário, com o sentimento de me estar a dirigir para o cadafalso.

Por cá não se passou nada de especial entretanto... quer dizer, tenho algumas novidades e trenguices (claro!) para contar =P Vou adiantar-vos uma: o Covil já tem microondas!! Agora já não preciso de aquecer o leite no fogão e esbardalhar o conteúdo todo porque o deixei ferver enquanto me maquilho/ preparo o(s) lanche(s) do dia/ procuro os sapatos/ tento encontrar a tralha toda que deveria estar na minha carteira... e não está. Nightwisha Maria, a viver no fio da navalha desde 1990.

De resto, inventei coisas boas para se enfardar, comprei livros (muuuuitos livros!) e fiquei outra vez sem espaço na estante para eles, já comecei a espirrar... e senti saudades de todos vocês. É provável que não venha aqui ao tasco com tanta frequência como antes do último hiato, mas pretendo não passar tanto tempo sem vos escrever, até como forma de me distrair um pouco nos intervalos no estudo. E por falar nisso, os calhamaços estão a chamar por mim outra vez. Até logo! ^^

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Para(a)normal =P


O Covil deve ser um ponto de confluência de actividade paranormal. Assim como Sunnydale estava mesmo em cima da Boca do Inferno (referência que só os fortes entenderão... ou os que viram Buffy, the Vampire Slayer), começo a pensar que também tenho o meu rabote sentado, salvo seja, mesmo em cheio num qualquer portal que esbardalha por aí fora energias estranhas, que levam pessoas a fazer coisas estranhas. Claro que também podemos estar todos tolinhos por estes lados, mas vamos acreditar que a primeira opção é que é válida, valha-nos a sanidade mental.

Quando alguma coisa estranha acontece, culpa-se a Entidade e não se fala mais nisso. Por exemplo, quando um tupperware aparece na última prateleira do armário da cozinha, onde ninguém consegue chegar, a não ser o Chewbacca. E as coisas que passam a vida a cair-me das mãos?! Parece que está ali mesmo uma assombração qualquer amandar-me os talheres/ os bollycaos/ o pão/ o telemóvel/ as canetas/ a minha paciência ao chão para me ver lançar faíscas pelas lunetas e fumarada pelas orelhas. É como um jogo de Cluedo, ao fim de umas voltas, vê-se logo quem é o culpado (ou a culpada...).

Mas as costas da Entidade, que devem ser bem largas por sinal, também não podem levar com tudo. As energias extraviadas também afectam as pessoas. Se há coisas que me deixam louca da pinha, são armários abertos e gavetas por fechar. O meu Moço é perito em ambas. De bónus, dá-me o prazer (not) de andar atrás dele, pela casa, a desligar as luzes que ele deixa ligadas. 

Estão a ver a minha sina, não estão? Se podia ter uma vida normal e tranquila? Poder podia... mas não era a mesma coisa. Pois. Só não me sai na rifa um Kokuri-san que me deixe a casa a brilhar de tão limpa e me cozinhe três refeições por dia com cinquenta ingredientes cada.




As imagens são de um anime que vi há pouco tempo e que se chama Gugure! Kokuri-san. É uma história light, mas com muita comédia (e um pouco de drama à mistura, claro). Óptimo para relaxar um pouco e dar muitas gargalhadas. E, ocasionalmente, parar para pensar também. Se quiserem saber mais e dar uma espreitadela ao primeiro episódio (ou aos doze que compõem este anime), fica aqui o link ^^

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

D. Sebastião não gostava de sopa

Existe uma lenda, que vai passando de geração em geração, através da tradição oral, sobre el-Rei D. Sebastião. Não, não é aquela treta do nevoeiro. Vamos ser sinceros: quem é que se ia lembrar de uma coisa dessas sem pés nem cabeça? A história, que estou prestes a contar-vos, essa sim, tem fundo de verdade, e vai para além de qualquer contestação.

Ora, certo dia, o pequeno el-Rei D. Sebastião foi obrigado a comer sopa. Afinal, ainda era um pirralho birrento e, como tantos outros, bateu o pé, dizendo que não queria comer.

*Reprodução histórica extremamente fiel*
- Eu sou o Rei! - dizia, indignado. Muito obviamente, não lhe adiantou de nada.
- Se ainda considerasses a possibilidade de casar... - respondia-lhe o seu tio, o Cardeal D. Henrique. - Andas só com ideias de guerras e fazer espetada de Mouro. Queres deitar tudo a perder e deixar o trono ao babão do teu primo Filipe?!
Era verdade, Filipe babava-se imenso. Sobretudo, quando se lhe falava do Reino de Portugal. E também usava óculos. Na verdade, era um moço muito esquisito...
- Cala-te aí ó pilantra velho! A minha avó, D. Catarina, disse-me que, em breve, farei 14 anos e serei adulto. Não poderás mandar mais em mim, nem me obrigar a comer sopa.

E, de facto, assim sucedeu. D. Sebastião foi declarado maior, com 14 anos. Sendo fervoroso adolescente e, afinal, el-Rei de Portugal, nunca mais comeu sopa. Para além disso, não dispensou tempo com belas (ou feias) donzelas, que eram umas snobs. Pitas adolescentes com sangue azul era coisa do demo, quase tão abomináveis como a sopa. Por isso, quis lançar-se no nobre negócio que é a guerra e fazer espetada de Mouro.

Como todos sabemos, a coisa não lhe saiu muito bem. Quando a Morte vinha ter com D. Sebastião, no campo de batalha de Alcácer Quibir, apareceu-lhe, porém, na memória, a imagem de seu tio, a empurrar o Ceifeiro para o lado, que tropeçou nas vestes e trespassou um Mouro com a foice, por engano. O Cardeal D. Henrique dizia, em voz grave, então: "Bem te disse que melhor ficavas aqui, a comer a tua sopinha! Agora o babão do teu primo vai ficar com esta porra toda!" e, num último suspiro, D. Sebastião amaldiçoou todos aqueles que gostavam de sopa, especialmente os caixa-de-óculos como o seu primo Filipe.

E é assim que, ainda hoje, todos os "quatro-olhos" passam as passas do Algarve para conseguir comer a sua sopinha em paz e sossego. Primeiro, é aquela névoa sobrenatural que não os deixa ver nadinha desta vida à frente. Depois, são os salpicos de sopa nas lentes dos óculos que, para além de irritarem como o diabo, enchem as lentes de gordura e que é o cabo dos trabalhos para limpar. Muitos são os que padecem deste mal. Tipo eu. Especialmente, em relação aos salpicos. Conseguir comer um prato de sopa sem pintalgar os meus óculos, é coisa que não me assiste. Acontece sempre. Há maldições que são do arco-da-velha, especialmente, de pirralhos adolescentes com a mania que são gente, só porque têm um coroa na cabeça.