Diz que estamos em 2016. Como foram os vossos últimos momentos de 2015? E os primeiros deste ano? Os meus foram muito interessantes.
Passei quase três horas a limpar e arrumar a casa para recebermos as nossas visitas, um casal amigo e o seu gato. Enquanto me entretinha com os doces, decidi carregar o telemóvel, porque estava à espera que as visitas me ligassem. Saí do apartamento, chamei o elevador... e o bicho começou a fazer uns barulhos muito estranhos, como quem diz: estou avariado. O meu pensamento foi: acabei de f*der o elevador... Vou de escadas. Eu moro num terceiro andar. Quando voltei, o elevador continuava numa chiadeira, que até metia medo. Fui novamente pelas escadas. Entrei em casa para continuar a confecção de doçaria extremamente calórica e, assim do nada, comecei a aperceber-me de um ruído de fundo monumental, que tinha sido abafado pela batedeira. Alguém se lembrou de aspirar a casa com um aspirador super potente, ou será que o elevador é demoníaco e se lembrou de me rogar uma praga directamente do sétimo círculo do inferno?
Obviamente, era o elevador. Pronto, ninguém vai dormir na passagem de ano. Paciência. Eventualmente o barulho parou. No entanto, as visitas nunca mais chegavam. Comecei a ficar preocupada. Eis, então, que o telemóvel tocou. Eram um número que não conhecia, só podiam ser eles. Mas... afinal era a minha mãe. Estava sem dinheiro no telemóvel, por isso, usou o de outra pessoa. Senti uma certa nostalgia... Que momento tão '90. Ainda que inverso.
Finalmente, as visitas chegaram, depois de algum tempo perdidos e de, alegadamente, me terem ligado até à exaustão, sem que eu lhes tivesse atendido. Estranho. Olhei para o ecrã do telemóvel, e nada. Desci, mais uma vez pelas escadas, para dar de caras com uma quantidade insana de sacos. Acho que eles compraram o hipermercado todo, depois de termos dito, expressamente, para não o fazerem. Felizmente, o prédio tem dois elevadores.
Quanto às chamadas fantasma... alguém deve achar que uma empresa qualquer de telemarketing anda e tentar vender-lhe um faqueiro incessantemente ou então tem um stalker à perna. A culpa é dos teclados touch dos telemóveis, em que os botões são do tamanho do bicho da fruta. No chat, ao digitar o meu número para lhes dar, carreguei num botão errado... Claro que eu não podia ter atendido as chamadas. E por incrível que pareça, o número errado chamava... Pelo menos, até ao momento, acho que eles não têm nenhuma queixa na polícia.
Comemos como lobos. No momento das doze badaladas, lembrei-me que não tinha vestido as cuecas novas que tinha guardado para tão solene ocasião. Manda a tradição que se use roupa interior nova e a sua cor será um desejo para o novo ano (não tem que ser azul, cada cor tem um significado diferente). Ora, eu tenho muito desejos. Por isso, as escolhidas foram as minhas cuecas novas do Batman, que têm muitas cores (não sei como isso foi acontecer, perguntem na Primark de quem foi a ideia de fazer merchandise para gaja todo parolo, incluindo, t-shirts do Star Wars e da Marvel cor-de-rosa) e, como não as tinha vestido "a tempo", usei-as na cabeça. Que eu saiba, a tradição não diz que as cuecas têm de estar a tapar o rabo. Para mim, na cabeça também conta como "estar a usar".
Passamos o resto da noite, da madrugada e do dia seguinte, essencialmente, a comer, a dormir, a jogar Uno e a tentar que o nosso ilustre convidado de quatro patas não se interessasse só por nós quando lhe dávamos comida. Falhamos miseravelmente. O gato parecia ter uma antena de detecção de comida. Bastou ver-me pegar numa batata e saltou logo para o meu colo, para ma tirar da boca. Fez o mesmo quando eu peguei num waffle. Se não fossem os meus reflexos super desenvolvidos, tinha trincado ar.
Eventualmente foram embora, e ficamos só eu e o Moço, e uma casa novamente desarrumada, qual explosão de tralha por todo o lado. Ainda não conseguimos limpar tudo. Ontem o dia foi para vadiar e o de hoje, será para trabalhar.
Pode ser de mim, mas continuo com a mesma sensação de 2015: tenho sono; continuo preguiçosa; tenho vontade de comer lasanha,
waffles, queijo da serra, gomas e os meus
pikicakes; quero acabar de ler a
Pedra Filosofal e
bloggar,
mas tenho que trabalhar no primeiro domingo do ano,
porque nem todos podem ignorar prazos e os tribunais/juízes/clientes querem lá saber se eu tenho sono/preguiça/fome/vontade de ler/
bloggar. Por isso, liguei o
pc pouco depois das dez da manhã... e ainda não fiz nada desta vida.
Os vizinhos de cima já berraram duas vezes, uma logo na noite do dia 01 e outra antes do meio-dia de hoje. Tenho fome. Acho que vou aquecer o resto da lasanha do jantar de ontem e enfardar à Garfield.